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segunda-feira, 29 de dezembro de 2025

PRÓSPERO ANO NOVO

 

 

     O ano de 2025 está chegando ao fim, já passou o Natal e estamos comemorando mais uma vitória, mais um ano que continuamos batalhando e sabendo que ainda estamos vivos. É isso aí...! A vida passa e tudo passa, nós também passamos. O ontem já se foi, o hoje continua, e o amanhã a Deus pertence, sigamos em frente com nossos objetivos e nossos sonhos.

     A cada final de ano todos nós fazemos um balanço de nossas vidas. O porquê de estarmos aqui? Para onde iremos? Saudade dos que já se foram...! A busca constante da felicidade. A esperança que nunca morre. O dia de amanhã que vai melhorar.

     E assim a vida passa, passa como um cometa que ninguém vê, e o cotidiano fica assim: acordar cedo pela manhã, levar o filho para a escola, ir ao trabalho; meio dia, pegar o filho na escola; almoçar para trabalhar novamente, voltar para casa e jantar, deitar e dormir para acordar no outro dia e recomeçar tudo outra vez.

     Já dizia o filósofo: a vida é curta para dizer que não é longa e é longa para dizer que não é curta, e é por isso que devemos aproveitá-la ao máximo, de todas as formas, plenamente. Com a comemoração das festas de final de ano realizamos um retour ao nosso passado, ou mais especificamente ao ano que passou, que está finalizando. São momentos que nos traz muitas esperanças para podermos continuar jogando no jogo da vida.

     E aqui lembro que há 11 anos eu estava motivando e implementando a primeira turma do curso de teatro da Universidade Federal do Amapá, que aconteceu no dia 09 de abril de 2014. Curso que abriu perspectivas de trabalho para muitos jovens que hoje se dedicam a trabalhar com as artes cênicas no Amapá.

      Essas atitudes são de tamanha importância e nos alimentam consideravelmente para podermos continuar nossa contribuição com a sociedade amapaense nesse estágio da vida. Assim, continuaremos com nossas pesquisas, nossos estudos, no intuito de dotar as bibliotecas com vários documentos sobre a cultura e o teatro amapaense.

     Por fim, esperamos que neste ano de 2026, tenhamos mais força para continuar nessa jornada. A todos e todas, principalmente aos jovens, aos colegas da área da educação e a população em geral desejo um Próspero Ano Novo. Que os governantes saibam com sapiência transformar o Brasil num país do futuro. De qualquer forma, minha última mensagem para todos os viventes é a seguinte frase em latim: Carpe diem, quam minimum credula postero. Até 2026. O ano passado passou tão apressado! É a pura verdade que o ano já terminou. Temos que acreditar que 2025 chegou ao fim. Isso mesmo! Hoje já estamos no dia 28 de dezembro do ano em curso. Como é de praxe, todo final de ano, também quero aqui desejar um Feliz Ano Novo para todos.

 

segunda-feira, 22 de dezembro de 2025

FELIZ NATAL

 

 

          Apesar de tudo que vem acontecendo no mundo e, principalmente nas guerras que nunca chegam a um fim, como no caso da guerra entre Rússia e Ucrânia, como também, entre Israel e o Hamas, e ainda a forte perspectiva dos EUA invadirem a Venezuela, é fato que há uma necessidade maior de termos que olhar sempre para o futuro. De qualquer forma, agradecermos pelos que ainda estão conosco, desbravando essa saga do caminhar e do enfrentar as vicissitudes da vida. Não é hora de desanimar! Estamos no final de mais um ano, que foi difícil para todos nós. Mas chegou o momento de refletirmos sobre tudo isso. Claro...! Também precisamos comemorar e, cada um a seu modo, abraçando seus familiares e amigos. 

     O maior desejo de todas as pessoas, é saber da conquista de seus objetivos, de seus desejos, de sua vida...!!! O Natal nos traz muita alegria a cada final de ano. É um ótimo momento de reflexão sobre um pequeno espaço de tempo que passou, ou seja, pelo qual nós passamos com vida, ilesos. Esse tempo refere-se ao espaço de praticamente 365 dias consecutivos, ou seja, um ano.

         Sem esquecer as modificações que aconteceram interiormente em nós mesmos. Às vezes algum problema de saúde, questões profissionais e tantos momentos difíceis que passamos. Mas, também foi um tempo em que nos trouxe muitas alegrias.  Alegria de ter lançado livros, alegria de ver o filho ser aprovado na escola, alegria de estar vivendo momentos felizes com quem se ama, entre outras sensações de alívio que necessitamos.

     O Natal é uma festa comemorada em todo o mundo; quantos de nós está falando a mesma língua? FELIZ NATAL, FELIZ NAVIDADE, JOYEUX NÖEL, MERRY CHRISTMAS, são alguns dos recados mais difundidos neste natal em todo o mundo. E assim, vamos nos confraternizando, cada país do seu modo, cada povo de acordo com suas crenças e suas culturas, apesar deste momento de tanta guerra.

     Natal significa nascimento, nascimento de Jesus que tanto batalhou para a igualdade do povo do seu tempo e da atualidade. Verdadeiro revolucionário de sua época. E hoje, e sempre comemoramos em função deste símbolo de ser humano. Todo natal nos traz esperanças de um mundo melhor, de alegria, de união entre os povos. Refletimos sempre para o bem da humanidade. Como é bonito todos juntos com suas famílias, revendo uns aos outros, pessoas que há tempo não mais havíamos visto, tudo isto faz parte do semblante natalino.

     Tempos atrás ficávamos felizes ao receber um cartão de natal pelos correios, mas, hoje os meios tecnológicos como as redes sociais em muito contribuem para nos aproximarmos das pessoas, mas, ainda deixa um vazio em relação à vida presencial quando você toca e abraça seu amigo ou amiga de tempos antanho. É a vida...! É a vida...! É a vida...! Desejo a todos que conheço e aos que não tive a oportunidade ainda de conhecer, tudo de bom neste natal, muita saúde, paz, e que tenhas conquistado seus objetivos neste ano que está terminando. Para todos UM FELIZ NATAL.

 

                                                                                                    

 

 

 

segunda-feira, 15 de dezembro de 2025

TEATRO NO AMAPÁ - SÉCULO XXI

 


     No início do século XXI, o movimento organizado de teatro no Amapá deu grande salto, tendo em vista a enxurrada de grupos e coletivos que passaram a surgir naquele período. Movimento que traz novos pensamentos e novos encaminhamentos para o teatro do Amapá, como novas ideias, a partir de seus novos agrupamentos, que ao longo do novo século e dessas últimas décadas continuam a florescer. Entre eles, posso citar alguns: como fonte de aviso dessa nova geração, já no finalzinho de 1996, surge o Grupo Urucum, liderado pelo artista plástico Josaphat, Nonato Reis e José Ribas; em 2005, Cia Supernova, com apoio do SESC/AP, tendo à frente a diretora de Zeníude Pereira; ainda em 2005, foi a vez  da Cia Cangapé, liderada por Washington Silva e Alice Araújo; em 2009, também surge sob coordenação de Washington Silva e Alice Araújo, o Coletivo de Artistas, Produtores e Técnicos do Teatro do Estado do Amapá – CAPPTA;  em 2011, surge a Cia. Tucujus de Teatro, sob organização de Jhou Santos; em 2013, é a vez da Cia Trecos In Mundos, coordenada por Sandro Brito; depois vem a Cia. Oi Nóiz Akí, que também surgiu nesse período, liderada por Cláudio Silva. Além dessas entidades representativas do teatro do Amapá, surgiram ainda: Casa Fora do Eixo, 2006; Macaco Seco, sob coordenação de Cláudio Silva; Grupo Imagem & Cia, tendo à frente Cricilma Ferreira e Débora Bararuá, em 2007; em 2009, é fundado o Coletivo Psicodélico, com Mapige Gemaque; e em 2015, a Casa Circo, sob coordenação de Ana Caroline e Jones Barsou, e ainda a fundação da Federação de Dança do Amapá – FADA, criada por Myrla Barreto.

     Em função disso, muitos outros grupos, associações e organizações relativas às artes cênicas, foram surgindo no Amapá, e que estão em atividade nos dias de hoje, como exemplo, temos: Trupe do Pato, sob direção de Pato Canar; Grupo Teatração, de Paulo Padovani; Grupo Baluarte, sob tutela de Naldo Martins; Grupo Santiartes, coordenado por Alan Douglas; Cia Supernova, liderada por Marina Beckman; Oi Nóiz Aki, que tem como diretor, Claudio Silva; Grupo Eureca, de Joca Monteiro; Eta Nós, de Aldenir Rodrigues; Cia Cangapé, sob coordenação de Mauro Santos; Grupo Teatral Hemisfério, tendo à frente, Wenner George; Amigos da Cultura, de Wendel Guimarães; Grupo Marabaixo, de Max de Morais; Grupo Os Paspalhões, também de Max Morais; Grupo Calcoarte, dirigido por Paulo; Grupo Arte Luz, de Ângelo Botelho; Cia Turma do Nescau, dirigido por Fábio Nescau; Cia Que Maravilha, de Almeida Canuto; Grupo Zimba, liderado por Suane Brazão; Grupo Gera, do fotógrafo Paulo Gil; Grupo Desclassificáveis, do diretor Paulo Alfaia; Grupo Semente Nova, de Naldo Macedo; Casa Cena, de Junior Bolha; Grupo Teatro Arena, do diretor Amadeu Lobato; Grupo de Teatro Marco Zero, sob direção de Daniel de Rocha; Grupo de Artes Piracuí, de Solange Simit Tenório; Cia do Riso, de Genário Dunas; Grupo Língua Solta, de Jean Duarte, Grupo Casa Circo, de Jones Barsou e Ana Caroline, entre outros.

 

segunda-feira, 8 de dezembro de 2025

PERSISTÊNCIA E DEDICAÇÃO

 

 

     Professor é uma profissão que exige muita persistência e dedicação. No próximo janeiro, minha vida laboral na UNIFAP, está completando 31 anos. Segue minhas atividades realizadas a partir do ano de 2006, quando fundei o Grupo de Pesquisa em Artes Cênicas, ligado à CAPES. Nesse mesmo ano, dei início ao projeto de extensão “Ciclo de Palestras em Artes Cênicas”, logo em seguida, retornei do Estágio de Pós-Doutorado. Junto à turma 2010, do Curso de Artes Visuais, realizamos estudos e montagem do espetáculo/instalação “Plurisensorial”, “Dripping” e, “Da Vinci à La Carte. ” Foi quando nesse período, o Prof. Dr. João Batista, que havia assumido o Departamento de Letras e Artes, me convidou para retomar o projeto de implantação do Curso de Licenciatura em Teatro. Dessa forma, teve início novo processo de estudos das possibilidades para elaboração do Projeto Político Pedagógico do Curso de Licenciatura em Teatro da UNIFAP.

     Na ocasião, foi publicada a Portaria nº 222/2011, como Presidente da Comissão de Elaboração do Plano Político Pedagógico do referido curso. Paralelamente foi publicada a obra de minha autoria, “Artes Cênicas no Amapá: teoria, textos e palcos”. Dei prosseguimento à elaboração e preparação dos documentos para implantação do tão desejado curso de teatro, para tal façanha, tive por base a Lei 9.394/96; os Parâmetros Curriculares Nacionais, o PPP dos cursos de Licenciatura em Teatro da Universidade de Brasília – UNB; Universidade Federal da Paraíba – UFPB; e Universidade Federal de Alagoas – UFAL. Em 2012, definitivamente foi publicada nova Portaria, de nº 190/2012 com a Comissão de Implantação do referido curso, à qual foi constituída pelos professores: Prof. Dr. Romualdo Rodrigues Palhano (Presidente); Prof. Dr. João Batista de Oliveira (membro) e Prof. Dra. Sílvia Carla Marques Costa, (membro).

     Dessa forma, o processo referente à implantação do Curso de Teatro foi protocolado ainda em 2012. Sendo que entre 2012 e 2013, houve todo um acompanhamento de minha parte, em relação ao processo, principalmente nas câmaras de graduação e legislação e normas, entre outros setores da UNIFAP. No XXII Encontro da Confederação de Arte Educadores do Brasil – CONFAEB, em São Paulo; fui comunicador do tema: “Curso de Teatro no Amapá: concepções e Proposições para o Ensino Superior”. Numa terça-feira, 12 de novembro de 2013, o Curso de Teatro foi aprovado pelo Conselho Superior da Universidade Federal do Amapá, após o terceiro projeto que havia sido protocolado. Nesse período, fiz publicação da obra intitulada “Curso de Teatro no Amapá: Concepções e Proposições para o Ensino Superior”.

     A aprovação foi por unanimidade em meio aos artistas das artes cênicas que invadiram o plenário do Conselho. Houve comemoração e passeata dos artistas dentro da Universidade com carro de som e fogos de artifício. Toda a comunidade artística e cultural comemorou a aprovação do Curso de Teatro. Nesse ínterim, em 19 de dezembro de 2013, foi publicada a Portaria nº 2369/2013, como primeiro Coordenador do Curso de Licenciatura em Teatro do Amapá. A partir de então, iniciou-se a instalação física do novo curso, com localização da Coordenação e secretaria do mesmo.

     A entrada da turma pioneira, aconteceu no início do semestre letivo, no dia 09 de abril de 2014. Dessa forma, os dois primeiros semestres de 2014, aconteceram com a contribuição dos seguintes professores: Prof. Dr. Benedito Rostan Martins; Prof. Dr. Maurício Remígio Viana; Prof. Dr. Alexandre Adalberto Pereira; (Artes Visuais) Profa. Dr. Clícia Coelho (Pedagogia Santana); Prof. Dr. Álvaro Adolfo Duarte Coelho; Prof. Dr. Alisson Vieira Costa  e Profa. Dra. Ronédia Monteiro Bosque, (Ed. Física); e Prof. Msc. Silvagne Vasconcelos Duarte (Letras).

 

 

segunda-feira, 1 de dezembro de 2025

PARTIDO DA MORTE

 


     Embora não queiramos e não aceitemos, todo ser vivo tem início, meio e fim. Dessa forma, se torna fácil entender que, basicamente tudo que existe na natureza, nasce, se desenvolve, se tornar velho e, em seguida, morre. O milho, por exemplo tem um ciclo de três meses; nesse período, ele é plantado, nasce, cresce, produz frutos e morre. E esse processo também se dá em relação à terra, onde tudo está em movimento. No rio amazonas, os canais e bancos de areia geralmente mudam de lugar ao longo do tempo, por isso, se faz necessário um prático, para navegar nessas águas. O interessante é que me parece uma contradição, mas todos frequentam determinada igreja para se salvar, porém ninguém quer morrer.

     Aprendemos a contar nosso tempo, a partir da data do nosso nascimento, principalmente cultivando e comemorando o dia do aniversário, com a música mais conhecida por todos: “parabéns pra você, nesta data querida, muitas felicidades, muitos anos de vida”.  Essa canção nos passa o desejo e a esperança de que tenhamos muitos anos de vida, e que tenhamos uma vida longa pela frente para viver, e isso nos traz muitas felicidades, ao saber que conseguimos chegar àquela data, a qual está sendo comemorada naquele momento. Apesar de divulgarem que a morte vem nos buscar, entendo que, a cada ano que se passa somos nós que estamos indo de encontro à morte, visto que ela não vem nos buscar, ela já nasce conosco e nos acompanha durante nossa vivência.

     Dessa forma, literalmente, a morte não vem te buscar, é você que vai constantemente ao encontro dela, e a cada dia isso se intensifica, é algo indesejável, mas, inevitável. Temos que observar também, que o morto nasce do vivo e o vivo nasce do morto, como assim?!  Ora, depois que seus pais morrem, você se torna alguém que nasceu dos mortos, ou seja, daqueles que já morreram. De outra forma, aqueles que já morreram, nasceram dos vivos, ou seja, os mortos surgem a partir dos vivos, porque antes eles estavam vivos.  Portanto, a morte é um partido que ninguém quer se filiar, mas o ser humano tem que admitir que, durante sua existência, ele está fadado à essa filiação hedionda.  

     A morte tem uma relação muito próxima com a vida, parece distante, mas esses dois polos estão ligados por um fio. É o mesmo que acontece entre a tragédia e a comédia do teatro grego, dois gêneros teatrais que parecem distantes, mas estão bastante próximos. Então, a morte está definitivamente em função dessa relação próxima/distante. A morte só existe por causa da vida, e a vida só existe por causa da morte. E assim, a partir desses elos opostos, este ciclo se completa.

     Além de tudo isso, há que se pensar no partido da morte, e, se ela tem partido, com certeza é socialista. A morte é socialista, porque todos os seres vivos têm que passar por ela, indiscriminadamente, ricos e pobres, feios e bonitos, brancos e pretos, pardos, amarelos, não há como fugir dessa obrigatória viagem. Esse negócio de que a morte se veste de manto preto e tem uma foice na mão é invenção de Idade Média. Mas, ela pode até não ser socialista, mas sempre anda com uma foice, que é um símbolo muito forte. E a condição de ser preta e usar roupa preta, talvez seja resquícios do racismo estrutural medieval.

 

 

segunda-feira, 24 de novembro de 2025

Teatro e Homo Ludens

 

 

     O ato de representar é inerente ao homem. Inicialmente, nos primórdios de sua civilização e sem a necessidade de um público, o Homo Ludens dá início a esse milenar processo, a partir dos mais diversificados jogos. Quando ele abate um animal, se alimenta de sua carne, aproveita seus ossos para construir utensílios diversos inclusive armas, ele está implicitamente lutando pela sua sobrevivência.

     Mas, quando passa a se vestir com a pele do animal recentemente abatido e consegue, a partir da mimese, conquistar e dar cabo de outro ser vivo...! Sem perceber, ele já estava fazendo teatro. Faz-se necessário entender que esse processo se desenvolveu ao longo dos anos de forma mítica e religiosa. Contudo, nas mais variadas latitudes e longitudes do planeta, o homem vivenciou jogos consigo mesmo e consequentemente em grupo.

     Na Grécia antiga, toda criança era educada tendo por base jogos. Platão considerava o jogo fundamental na educação da criança. O teatro tal como conhecemos hoje, teve início na Grécia antiga em função de um grande jogo transformado em culto, em que todos participavam (sem a necessidade de atores nem espectadores), para louvar ao deus Dioniso, especialmente na época das vindimas.

     Até o presente momento, o teatro se assemelhava a um barco mal construído, sem leme, sem velas, sem vento, sem motor e sem comandante. Que em busca de cais algures, se viu perdido no meio do oceano, mas, alimentando as raízes profundas que o sustentaria nas águas da história, por centenas de anos, e porque não dizer milênios.

     Na ocasião, ainda não existia uma bússola que o guiasse. Até que aos poucos, com o passar dos anos, toda a tripulação foi se definindo: o Corifeu foi o primeiro; que a partir de um diálogo fez surgir outro personagem. E assim, todo o cenário foi se concretizando, os atores assumindo seus papéis, até que certo dia ensolarado apareceu munido de seus (mapas e textos), os primeiros dramaturgos gregos: Ésquilo, Sófocles e Eurípedes. E com eles, primeiros mares d’antes navegados, ou seja, as tragédias, primeiro gênero teatral e literário de que se tem notícia.

     A verdade é que através da história e sobre o tempo, em todos os portos que atracava; esse barco chamado teatro ia preenchendo os espaços vazios, desde o mais profundo e escuro porão, até as iluminadas e ventiladas popas e proas. Mas, consistentemente os ventos sopravam as velas mar adentro. Todavia, nesse barco-teatro sempre havia espaço aconchegante e suficiente para as comédias, dramas, melodramas, vaudevilles, revista de ano, tragicomédias, entre outros gêneros que foram surgindo ao longo dessa viagem mágica e inesperada, cheia de momentos lúdicos. O teatro tem relação muito estreita com o lúdico, com o homo ludens que existe em cada um de nós, e a criança é o maior exemplo disso. Sem sombra de dúvidas, o lúdico e o lúcido nos acompanham paralelamente durante nossa existência. E o teatro nos faz vivenciar essa emoção.

 

 

 

 

 

segunda-feira, 17 de novembro de 2025

PESQUISA PARTICIPANTE

 

 

     Atualmente lecionando a disciplina “Pesquisa em Artes Cênicas” no Curso de Licenciatura em Teatro da Universidade Federal do Amapá, que trata da construção do saber científico quando enfoca estudos com perspectivas para elaboração do projeto de pesquisa, o qual será concretizado no Trabalho de Conclusão de Curso. Em função disso enfocamos aqui um pouco sobre a pesquisa participante.

     Ao longo dos anos a elite vai desenvolvendo e se distanciando do homem comum. A academia também mostra essa dualidade quando o trabalho científico tradicional divide o mundo em dois lados opostos: o lado popular, aqueles que são pesquisados em função do seu conhecimento do senso comum, e o lado científico, técnico ou profissional daqueles que produzem o conhecimento determinando seus usos pela maioria da população.

     Todavia, na pesquisa participante, ao que tudo indica, pesquisadores e pesquisados são sujeitos de um mesmo trabalho comum, embora que com situações diferentes. Dessa forma, entende-se que a pesquisa participante pretende ser um instrumento a mais de reconquista popular. Nesse tipo de pesquisa, há sim um envolvimento do cientista entre os atores e a própria comunidade que está sendo investigada, mas ela determina um compromisso que subordina o próprio projeto científico.

      O acadêmico que decidir realizar uma pesquisa participante terá que observar que; deverá informar-se sobre a existência ou não de estudos já realizados em torno do objeto escolhido. Caso alguma pesquisa já tenha sido feita, deverá ser imediatamente estudada e discutida, para não correr o risco de repetir o estudo do pesquisador anterior. Outra questão que deverá ser encaminhada é um estudo crítico do discurso popular e um estudo dos diferentes níveis de percepção da realidade. Na etapa final, deverá realizar a organização de um pré-programa, a ser elaborado a partir das análises da realidade da comunidade.

     Dramaturgos como Shakespeare tiveram origem puramente popular, assim como a representação de suas tragédias e comédias. Por outro lado, os filmes de Chaplin ou a música dos Beatles não teriam sido possíveis se não estivessem enraizadas no mundo do homem comum.

      A proposta principal da pesquisa participante está no seu deslocamento proposital das universidades direto para o campo de pesquisa, modificando assim, o próprio paradigma clássico, na medida em que reduz as diferenças entre objeto e sujeito de estudo. Ela faz com que o pesquisador faça um caminho inverso, indo de encontro ao que de mais simples e importante há nas pequenas comunidades. A pesquisa participante nos leva a uma troca direta de experiências e conhecimentos entre pesquisadores e pesquisados de uma dada comunidade. Em toda pesquisa participativa deverá haver uma troca mútua de conhecimentos dos problemas sócio econômico e culturais da comunidade que está sendo pesquisada.

 

segunda-feira, 10 de novembro de 2025

ENTRE OS SÉCULOS XX e XXI

 

  

     Após a decisiva contribuição do MOBRAL e do SESC/AP, entre as décadas de 1970 e 1980, o movimento de teatro amador seguirá novos caminhos com a fundação da Federação Amapaense de Teatro Amador – FATA, no ano de 1980, que inicialmente teve sua sede no município de Santana. Seguindo o movimento organizado de teatro em nível nacional, a FATA, naquele momento, assumiu o movimento de vanguarda em relação à cultura, no Estado do Amapá. Esteve sob a Presidência de João Porfírio Freitas Cardoso, mais conhecido como Popó. Já em 1997, foi criada a Federação Amapaense de Teatro – FATE, com o objetivo de representar grupos e companhias do Amapá. Está situada na Rua Oscar Santos, 397, Bairro do Perpétuo Socorro, em Macapá, sob administração de Daniel Rocha da Silva e Tina Araújo. Isto implica dizer que até a chegada do século XXI, o movimento teatral amapaense, estava sob a égide dessas duas entidades.                       

      Todavia, devido ao constante desgaste político e artístico, dessas duas associações promotoras da arte, que aconteceu ao longo dos anos, fez surgir novos atores e novas organizações, que resultou em rupturas e quebra de paradigmas, visto que esta nova geração passou a ser o carro chefe das decisões artísticas, a partir do início do século XXI. Este foi o advento da nova geração que se insurgiu juntamente com o alvorecer do século XXI. Ela se rebelou em detrimento da metodologia antes realizada pelas antigas Federações. Vale ressaltar que muitos desses artistas, já participavam do movimento organizado das referidas Federações. 

     Posso observar aqui que, com a passagem de um século para outro, há no Amapá, dois grupos de produção cênica, distintos: o primeiro, refere-se ao século XX - grupos tradicionais, que ainda continuam em atividade, como: Grupo Teatral Língua de Trapo, dirigido por Disney Silva – década de 1970 – que surgiu a partir de oficinas de teatro do Mobral – Movimento Brasileiro de Alfabetização. Este último vem apresentando seu espetáculo Bar Caboclo. Outro grupo desse período e que ainda continua a se apresentar é a Companhia Teatro de Arena, coordenador pelo diretor Amadeu Lobato – década de 1970 – que participou das oficinas do Mobral e do SESC/AP, mas surgiu na Igreja Católica e há 46 anos vem tradicionalmente apresentando seu espetáculo homônimo, “Uma Cruz Para Jesus”. O reconheço como grande Escola Informal de Iniciação Teatral do Amapá. Ainda faz parte desse grupo, a Companhia de Teatro Marco Zero, que tem coordenação de Daniel de Rocha e Tina Araújo – imigrantes oriundos da Bahia, que chegaram a Macapá e instalaram um movimento artístico, comunitário e social, além de edificarem seu próprio edifício teatral, (Teatro Marco Zero), no bairro Perpetuo Socorro, e que no ano de 1997, fundaram a FATE – Federação Amapaense de Teatro. Isto significa dizer que, até final do século XX, havia uma polarização sobre o que se fazia na área do teatro no Amapá. Em função disso, na primeira década do século XXI, oriundos dessas mesmas organizações, surgem novos líderes dissidentes, e em consequência, novos grupos e novas associações culturais. 

segunda-feira, 3 de novembro de 2025

FINADOS

 


     Para todos os dias do ano, existe um dia para cada situação, e  hoje é o dia dos mortos, de Finados ou ainda, dos Fiéis Defuntos, portanto, é uma data celebrada em 2 de novembro, para homenagear, rezar e orar pelas pessoas falecidas. Data instituída pelo abade francês Odilo de Cluny. Portanto, é uma antiga celebração pagã, de mais de dois mil anos, quando já eram realizadas pelos Celtas. Vários povos apresentam maneiras diferentes de cultuar seus mortos. Enquanto em Roma os corpos eram cremados, no Egito eram embalsamados. Essa relação intrínseca entre o ser humano e a morte, é um reflexo da cultura em que se vivencia e se aprende seus dogmas e arquétipos.

     O halloween, conhecido no Brasil como Dia das Bruxas, é uma festa de origem Celta, praticada há mais de 3.000 anos, e que acontece no dia 31 de outubro, à qual é muito difundida nos Estados Unidos, nos dias de hoje. Em algumas tribos indígenas, quando um membro da aldeia morre, enquanto a família fica reclusa, é a aldeia quem vai realizar o culto ao falecido, com todas as honrarias necessárias. Após sete dias, cria-se um boneco e é nesse momento que a família se reúne em torno do boneco, como se fosse seu parente, para velar seu falecido e então, realizar o sepultamento do mesmo. Como pode-se observar, tudo depende da cultura em você está inserido.

     Na questão processional dos antigos enterros, principalmente quando de pessoas mais importantes da sociedade, havia uma banda de música que acompanhava o féretro, tocando músicas fúnebres.  Marcha fúnebre apresenta compasso quaternário ou binário, com andamento muito lento e pesado, imitando o ritmo de uma procissão, como a de um funeral.. Por outro lado, essas famílias mais abastadas pagavam a um grupo de mulheres para que elas ficassem todo o tempo chorando perto do ataúde, eram as famosas profissionais conhecidas como carpideiras. Também existia uma roupa específica para enterrar o defunto, conhecida por mortalha e geralmente essa roupa tinha a cor roxa ou preta.

     Até a proclamação da república, quem administrava o nascimento e os óbitos era a Igreja Católica, portanto, era muito comum que existissem cemitérios atrás das igrejas católicas até final do século XIX, como se pode observar em Santa Cruz de Cabrália, sul da Bahia, uma das primeiras igrejas do Brasil. A antiga Igreja de São José de Macapá, também possuía o seu cemitério, que se situava na região do formigueiro. Atualmente os cartórios que registram nascimento e óbito. Depois das igrejas, os cemitérios passaram aos cuidados das prefeituras municipais, sendo que nos dias de hoje, já existe uma infinidade de cemitérios de companhias ou grupos privados. Contudo, há várias formas de se despedir do ente querido: enterrar em cemitério de terra, em catacumbas de alvenaria como também há a possibilidade da cremação. Lembrando que os cemitérios não são visitados apenas no dia de finados, também há o costume da visitação no dia das mães e dia dos pais, respectivamente. 

    

segunda-feira, 20 de outubro de 2025

PROMETEU E EPIMETEU

 

 

     De acordo com a bíblia e segundo o livro do Gênesis, Deus criou o primeiro homem, Adão, a partir do barro. Essa narrativa simboliza que o ser humano é constituído de elementos da terra, portanto, Adão foi o primeiro homem destinado a proteger, zelar e cuidar da terra. Depois, a partir da costela de Adão, Deus criou Eva, para ser sua companheira. Na mitologia grega também há uma narrativa sobre a criação do homem, levando-se em consideração que na Grécia, tanto o homem quanto a mulher foram feitos de barro. Este mito refere-se aos Titãs Prometeu e Epimeteu.

      Narra a história, que Prometeu e Epimeteu foram encarregados por Zeus (principal deus do Olimpo), para criarem os seres vivos e lhes distribuir suas qualidades. Prometeu é aquele que pensa antes de agir, é o pré-pensador, o que olha para o futuro, segundo a mitologia grega, foi ele quem criou os seres vivos a partir da argila, e a deusa Atena deu o sopro de vida a esses novos seres. Epimeteu é o que age para depois pensar, é o pós-pensador, o que olha para o passado, ele ficou com a responsabilidade de conceder um dom específico a cada ser vivo.

     Porém, com pouca atenção e totalmente despreocupado, Epimeteu, que agia antes de pensar, distribuiu os atributos a todos os animais, de forma que, o homem era o último dessa fila, e quando chegou a sua vez, o Titã já havia distribuído todos os dons divinos. Isto significa dizer que, além de ser um dos mais fracos animais, o homem ainda ficaria à mercê das vicissitudes e perigos da natureza. Entretanto, para resolver este problema, Prometeu, o que pensa antes de agir, subiu ao Olimpo, usurpou o fogo dos deuses, e em seguida, o presenteou aos indefesos animais racionais.

     Com essa atitude, Prometeu concede ao homem, a capacidade de se proteger e de progredir a partir do conhecimento e das artes. Diferentemente da Bíblia, quando Adão e Eva, por intervenção da serpente, são castigados porque comeram o fruto da árvore proibida, a árvore do conhecimento. No mito grego, é o Titã, o semideus, que intercede e repassa o conhecimento aos próprios homens. Assim, Prometeu concede a capacidade do homem se proteger e de progredir a partir do conhecimento e das artes, dominar a natureza e a si mesmo.

     Por outro lado, Zeus, o maior dos deuses, ficou enfurecido com os humanos e com Prometeu. Sendo assim, o acorrentou a um rochedo no Cáucaso, onde uma águia era enviada todos os dias para devorar seu fígado. Como Prometeu era imortal, seu fígado se regenerava durante a noite, garantindo assim o sofrimento perpétuo. Zeus também ordenou que Hefesto, moldasse da terra, a primeira mulher, Pandora, que significa, “a que tudo dá”, “a que tudo possui” e “a que tudo tira”. Epimeteu se apaixonou perdidamente e se casou com Pandora, que abriu a caixa e soltou todos os males do mundo para os homens, ficando no recipiente, apenas a esperança, como bálsamo para a angústia dos homens.

terça-feira, 14 de outubro de 2025

VIVA O CÍRIO

 


     No teatro grego antigo havia a organização de procissões, que se tornaram muito mais religiosas do que profanas. Essas procissões tinham caráter comum, onde todos os celebrantes se juntavam tendo à frente jovens que cantavam um hino improvisado, chamado “ditirambo”, e assim giravam em torno do altar do deus, agradecendo pela colheita da uva e pelo sexo que significava a fertilidade da vida. E foi exatamente desse coro, do contraste entre o espírito Dionisíaco e Apolíneo que nasceram a Tragédia e a Comédia. A tragédia tinha como principais características o terror e a piedade que despertava no público. Era constituída de cinco atos e voltava-se para o resgate da mitologia grega, com seus deuses, heróis e feitos. A comédia era dividida em duas partes com um intervalo. Tratava dos homens comuns e de sua vida cotidiana.

     Em seguida o coro separou-se do recitador, nesse momento crucial da história do teatro havia nascido o primeiro ator. Contudo, na procissão já se podia constatar três artes: o canto, a dança e a atuação. Nesse caso, à frente vinha o “Corifeu” – de onde surge a palavra Coro – vestido com pele de bode. Consequentemente todo o resto do grupo respondia ao ditirambo, atuando como um verdadeiro balé litúrgico, numa fusão do trágico e do cômico. Essa narrativa cantada era sempre feita em terceira pessoa.

     E assim constituiu-se a Tragédia: o ator e o coro se respondem cantando, em seguida o ator fala e o coro canta e posteriormente o ator dialoga com o Corifeu, representante do coro. Vale salientar que nesse momento embrionário da Tragédia não havia atos nem intervalos, sendo a mesma, composta de partes dialogadas e partes faladas.

     Como muitas festividades que se conhece de povos antigos e contemporâneos, o Círio de Nazaré se insere nesse rol em que seu significado faz parte de uma comunidade que se debruça a louvar seu Deus. Neste caso, a Virgem de Nazaré. E passa a agradecer as lutas, conquistas e promessas alcançadas ao longo do tempo que se passou. Inclusive, e principalmente à vida. Agradecemos principalmente por estarmos vivos. E semelhantemente acontece no Círio de Nazaré, quando todos os anos, numa determinada época, o povo se reúne para louvar a sua Santa (Deusa) Virgem de Nazaré. É interessante saber que apesar da distância cronológica, momentos semelhantes existem entre essas duas manifestações religiosas, como por exemplo, o vigário assumindo o lugar do Corifeu, que, quando fala uma estrofe de uma oração, automaticamente o povo responde, representando nessa ocasião, o coro.

      Manifestações como estas, denota a declaração antropológica de que pertencemos àquele ou a este grupo ou comunidade. É nessa grande homenagem à nossa Senhora de Nazaré que uma multidão vai às ruas para agradecer à Santa ou para lhe ofertar promessas, muitas vezes em troca do sonho de galgar uma casa própria. E é nessa relação de fé e de caridade, que muitas vezes esses sonhos se realizam. Nesse caso, cria-se um elo muito forte, denso e emotivo em relação à imagem da Santa Virgem de Nazaré, que traz não só paz, mas que também serve como terapia e cura para muita gente. Com os atropelos da sociedade contemporânea que, na ânsia de enriquecer de qualquer forma, impõe cotidianamente na cabeça das pessoas a necessidade do consumo desenfreado. E esse não é o caminho. Portanto, apelar para a Virgem de Nazaré é uma boa causa e faz bem à saúde e à alma.   

 

 

 

domingo, 5 de outubro de 2025

XXI MOSTRA DE EXPERIMENTOS

 


     Nos seus dois primeiros anos, o Curso de Licenciatura em Teatro da Universidade Federal do Amapá, promovia dois eventos: a Semana de Teatro, no primeiro semestre, que era dedicada ao público acadêmico; e o Seminário Científico em Artes Cênicas do Amapá, no segundo semestre, que era um evento aberto para a comunidade em geral. Nos anos de 2014 e 2015, os eventos se procederam dessa maneira. A partir de 2016, com a contratação de novos professores, foi criado novo sistema, que fez surgir a Mostra de Experimentos, à qual, passou a acontecer sempre no final de cada semestre.

     Nessas últimas duas semanas do encerramento do semestre 2025.1, aconteceu a XXI Mostra de Experimentos do Curso de Teatro da UNIFAP. Essa Mostra de Experimentos é de fundamental importância para o referido curso, para os acadêmicos, como também para a comunidade em geral. São espetáculos baseados em estudos teóricos e práticos, resultados finais das disciplinas, cujo acesso aos mesmos, é totalmente gratuito. Salientando que grande parte da programação acontece no Departamento de Letras e Artes da UNIFAP. Cada espetáculo revela o processo de estudos e discussões teóricas como fundamentação para se colocar em prática todo o aprendizado do semestre.

     Cada mostra que acontece a cada final de semestre, traz consigo, trabalhos pedagógicos de professores Doutores, tendo como ponto de partida estudos, reflexões e análises fundamentadas em historiadores do teatro, encenadores, filósofos, e estudiosos que contribuíram com o fazer teatral ao longo da história do teatro. Por outro lado, a partir das disciplinas práticas, todos os exercícios são direcionados para a idealização e criação dos espetáculos, que se revelam como apoio para o futuro profissional das artes cênicas, o qual, poderá assumir o exercício da função no território nacional, tanto na educação ou como produtores culturais.

     O objetivo deste processo, é um trabalho que envolve a criatividade, a pesquisa, a educação e o conhecimento do seu próprio corpo, a socialização, criação artística e estética, o conhecimento técnico, a preparação de atores/professores, envolvendo todo o processo de montagem de uma obra cênica, com perspectivas fundamentadas na teoria teatral e pesquisa artística. O resultado final faz parte de um grande laboratório traçado durante cada semestre letivo, e com isso, ganha os professores, os acadêmicos, a universidade, e o público que prestigia esses momentos sui generis, no final de cada semestre.

     Esta peregrinação que começa no início do semestre e se consolida nas apresentações no término das aulas, mais parece o caminho para Elêusis, que, como verdadeiros mystai, os acadêmicos de teatro são iniciados nos mistérios dionisíacos, os rituais religiosos e secretos dedicados ao deus Dioniso. Importante frisar que todo esse processo tem o objetivo comum de preparar o futuro profissional das artes cênicas. A única coisa que se precisa para fazer teatro, é a vontade de fazer teatro, mas, com pesquisa, discussão e estudos aprofundados, certamente, favorece a criação cênica no sentido estético e global, além de preparar o acadêmico para o breve futuro que o espera, com a certeza de estar preparado para desenvolver suas habilidades no território nacional.

segunda-feira, 29 de setembro de 2025

CARACTERÍSTICAS DO TEATRO MUNICIPAL

 


     Há vestígios de um pequeno teatro construído de madeira, em 1775, na Vila de São José de Macapá, quando da visita do Governador da Província do Grão-Pará às terras tucujus, às quais pertenciam ao Grão-Pará. Outro importante teatro desta cidade surgiu com a implantação do Território Federal do Amapá, mais conhecido como Cineteatro Territorial, e foi inaugurado em 22 de julho de 1944, pelo então Governador Janary Gentil Nunes. Em 1990, inaugura-se o Teatro das Bacabeiras, o qual, encontra-se inativo e pertencente ao Governo do Estado do Amapá. Já o primeiro teatro particular, é fundado em 14 de julho de 1988, conhecido como Teatro Marco Zero.

      Apesar dos que já existiram, de fato, pode-se considerá-lo como Teatro Municipal de Macapá, visto que, desta vez, foi a própria administração municipal que o idealizou, o construiu e o inaugurou. O que o tornou o primeiro Teatro do Município de Macapá, que é de suma importância para a arte em geral, e principalmente para os artistas do município. Portanto, identificarei e caracterizarei o referido edifício teatral, enfocando seu valor como mais um espaço físico para artistas das artes cênicas e de outras áreas da arte. Iniciando por questões técnicas da própria edificação, percebe-se que sua estrutura física se encaixa num teatro experimental.

     Teatro Experimental, em função das possibilidades do uso da referida casa: pode receber espetáculo como teatro de arena; e, apesar de suas deficiências, como teatro à italiana, e ainda, como cinema. É um teatro experimental Multiuso. Em relação ao uso como teatro de arena, as cadeiras centrais são removíveis, porém em relação ao uso do palco à italiana apresenta algumas dificuldades físicas: primeiro, pela pequena largura entre a ribalta e a parede de fundo, deixando pouco espaço para a rotunda que fica colada na parede de trás, seguindo do centro baixo para o centro alto, dificultando a movimentação dos atores nas coxias. Em função disso, os personagens terão que se submeterem a entrar e sair pelo mesmo lado do palco. Desta forma, o palco italiano está mais para auditório do que teatro. Entendendo-se que, todo teatro pode ser auditório, mas nem todo auditório pode ser teatro.

     Outra questão fundamental é a ausência do espaço aberto acima do palco, mais conhecido como caixa do palco, onde se monta uma estrutura de ferro, conhecida como urdimento, que serve de suporte para os equipamentos cênicos, onde se instala parte da iluminação e varas movíveis para subir e descer cenários. Aliás, em relação à iluminação, a mesma, está muito a desejar e fora do padrão, terá que ser adaptada, tanto para o teatro de arena como para o teatro à italiana. Neste caso, é preciso elaborar um projeto de iluminação para teatro, para no futuro se fazer a aquisição deste aparato. Isto vale tanto para o palco italiano como também para o palco de arena. Os espaços que deveriam ser camarotes, mais parecem galerias de uma assembleia de deputados ou câmara de vereadores. A localização proposta dos assentos nesses espaços, em muito dificultam a visibilidade do público e o deleite do espetáculo. Esclarecendo que esses detalhes, aos poucos, poderão ser resolvidos, ao longo do tempo, portanto, é um espaço que inicia um novo ciclo das artes e do teatro no município de Macapá.

segunda-feira, 22 de setembro de 2025

TEATRO MUNICIPAL??

 


 

     Há mais de 30 anos que venho clamando por um teatro de bolso na cidade de Macapá e sobre esse tema, já escrevi vários artigos ao longo de mais de três décadas. Sob o eclipse lunar do dia 08, e o nascer do sol nas manhãs de setembro, foi inaugurado nesta sexta-feira, 19/09/2025, o Teatro Municipal de Macapá. Há alguns meses atrás eu havia escrito: “em breve teremos mais um espaço teatral na cidade, desta vez o Teatro Municipal de Macapá, o qual está sendo concluído e está situado na convergência da Avenida FAB e Rua Cândido Mendes, no centro da cidade. Este edifício teatral possui 358 lugares. ”  Mas, isso já é passado, tendo em vista que o fato foi concretizado pela Prefeitura Municipal de Macapá.

     Na realidade, a inauguração desse edifício teatral, nos remete a perspectivas profícuas futuras, para a classe teatral, não só do município, como também, do Estado do Amapá. Este prédio reflete demasiada motivação para os artistas das artes cênicas e para muitos jovens que na atualidade estão seguindo o caminho das artes, e se faz extremamente necessário, tendo em vista que a cidade já possui cursos superiores, de teatro, música e artes visuais. E o teatro por ser uma arte de grupo, envolve todos os gêneros artísticos. Sabe-se que o projeto foi colocado no papel e seu edifício já foi concretizado, portanto, resta saber como será a política cultural de administração do mesmo.

     Acredito que seja uma administração que propicie o acesso aos mais diversificados grupos que trabalham com artes cênicas em nossa Estado. Uma política cultural que motive também a criação de novos grupos de teatro, principalmente nas escolas da rede municipal de ensino, visto que é principalmente na escola que surge o novo cidadão. Tais encaminhamentos viriam a dar cara nova às artes cênicas em nosso município, cativando os jovens, criando uma nova mentalidade e contribuindo para o desenvolvimento sócio cultural de nossa sociedade. Sem esquecer, que os órgãos de cultura em nível federal, estadual e municipal, deveriam contribuir com projetos voltados para o desenvolvimento das artes cênicas como um todo, em nosso Estado.

     No entanto, ouvi em conversas com colegas da área das artes cênicas um fervoroso debate que surgiu recentemente com o seguinte tema: qual nome teria o referido edifício teatral? Ora! Diante dessa questão, relaciono aqui, abundantes nomes de pessoas que dedicaram suas vidas ao teatro amapaense: Prof. Guilherme Jarbas; Expedito Cunha Ferro, o famoso 91; Aracy Miranda de Mont’Alverne, Honorinha Banhos, Professora Risalva Amaral, Profa. Zaide Soledade, Prof. Antônio Munhoz, Profa. Creusa Bordalo, Mário Quirino, Deusarina Souza, Amélia Borges, Areolina Moraes, Oseas Marques, Cláudio Faria.

     Seguindo esta sequência, teríamos: Papaléo Paes, Reinaldo Coelho, Jorge Chaves, Mário Chaves, Alberto Chaves, Raimundo Barata, Elizete Aymoré, Araújo Filho, Ida Aymoré, Vilela Monteiro, Nazí Gomes, Ivaldo Veras, Ester Virgulino. Hilkias Araújo, Hodias Araújo, Consolação Côrte, Bi Trindade, Carlos Lobato, Nazaré Trindade, Eduardo Canto, Juvenal Canto, Osvaldo Simões, Álvaro Braga, Sebástian Campos, Carlos Lima, Mestre Guiga, entre outros. Mas, frente à tantas dúvidas, preferiria que o referido prédio fosse denominado de TEATRO MUNICIPAL DE MACAPÁ, que além de dar maior credibilidade, conota universalidade, globalidade, coletividade, e eleva o nome do município, revelando sua preocupação com a cultura local. Em relação às homenagens, as mesmas, poderiam ser distribuídas nas próprias salas do complexo do edifício. Isto sim! Cada sala poderia ser identificada em homenagem àqueles que doaram a vida em prol do teatro do amapaense.

terça-feira, 16 de setembro de 2025

TERREIRO URBANO

 

  

     Na última segunda-feira, mais um espetáculo foi apresentado no Teatro Marco Zero, desta vez, a Cia Teatral Treme Terra, com a peça teatral intitulada “Terreiro Urbano”. A referida companhia foi fundada em 2006, e tem sua origem no Bairro Rio Pequeno, na periferia da zona oeste de São Paulo. É uma associação que se volta para o estudo e pesquisas da cultura de origem afrodescendente e relaciona seu trabalho principalmente com a dança negra contemporânea. O grupo mira um olhar para a ancestralidade africana, à qual está intrinsecamente enraizada nos costumes do nosso povo, e sua influência cultural no Brasil desde o período de sua colonização.

     Esses vestígios podem-se observar no próprio site da companhia, quando afirma que seu trabalho, “... está calcado nos pilares de uma dança de motriz africana que vem se construindo no percurso da diáspora negra no Brasil, que ressignifica códigos, vocabulários e estéticas que partem das Danças dos Orixás, Capoeira, Expressão Negra e sua intersecção com o tambor, bem como, outras ferramentas artístico-pedagógicas que auxiliam na expansão da consciência corporal, histórica e política”. Com seu objetivo definido, a companhia Treme Terra, traz em seus trabalhos aspectos culturais muito mais significativos, do que se pode perceber em simples palavras escritas.

     Está claro na ação da mise en scène, a grande preocupação em termos de pesquisa, teórica, cênica e corporal. Pode-se considerar um espetáculo de dança, mas, muito além disso, é uma encenação ancestral, antropológica e cheia de brasilidade, com resistentes raízes afrodescendentes. Por sua vez, a sonoplastia, com fundamentos em letras, ritmos e instrumentos profundamente vinculados à cultura africana, conota a resiliência, energia e resistência da etnia negra, confrontando com o racismo estrutural solidificado em nosso país, nos dias hodiernos. Tendo a música como base para a dança negra contemporânea, o que se torna mais perceptível e palpável, nesta apresentação, é o profundo olhar para si mesmo, a partir da expressividade extensiva do corpo.

     O que a encenação busca comunicar ao público em geral e, principalmente aos afrodescentes que ainda não conseguiram adquirir a consciência de sua importância social e ancestral, resume-se na antiga frase do Sócrates, quando diz: conhece-te a ti mesmo. Além de ter um elenco especificamente afrodescendente, o espetáculo se apoia principalmente na música ligada à ritmos africanos, criando quadros específicos a partir do gênero e sentimentos que cada música nos deseja comunicar. Sem texto definido, os quadros vão se desenvolvendo pari passu com a dança. Neste sentido, a música se torna um dos principais vetores do espetáculo; é como se fosse o combustível original para o desenrolar dos passos expressivos e corporais dos dançarinos/atores, no palco sagrado do Teatro Marco Zero. 

     Com um foco para a expressão corporal quase desportiva, pelo excesso de uso integral do corpo dos dançarinos, a encenação nos remete à biomecânica, relacionado à questão do domínio do corpo, de Meyerhold; aos exercícios corporais de preparação do ator de Stanislavski; ao teatro da crueldade de Antonin Artaud, focando não no texto, mas na performance física; com a investigação do corpo extra-cotidiano de Eugênio Barba; e ainda com o Método Laban, na perspectiva da complexidade do movimento humano. Este espetáculo, eu recomendo.

 

 

segunda-feira, 8 de setembro de 2025

TEATRO NAS ESCOLAS

 


     No artigo dessa semana, trago vestígios de atividades teatrais nas escolas do Amapá, principalmente na década de 1970. Período muito conturbado, em função do regime político que se instalara no território nacional. Entende-se que nessa época ainda era evidente o teatro nas escolas e nas igrejas; observando aqui, igreja num sentido amplo, envolvendo várias religiões, visto que tanto o catolicismo como o protestantismo, praticavam essa atividade artística no âmbito dos seus espaços físicos e dos seus limites canônicos.

     A Escola Paroquial São José, fomentava aulas de teatro que eram ministradas por padres e freiras. Apesar de direcionarem espetáculos de cunho religiosos, esses se tornaram os principais professores de teatro no Amapá daquele período. Essas atividades aconteciam geralmente no curso primário e ginasial.

     Havia ainda, o “Grupo de Teatro do Colégio Amapaense”, e o “Grupo de Teatro do Santina Riolli”. Na paróquia Jesus de Nazaré, havia o “Grupo de Teatro Avatar”. Em sua maioria e com influência religiosa, esses grupos se dedicavam a montar espetáculos religiosos com temas sobre “Natal”, “Jesus Cristo”, “Dia das Mães”.

     Entre o período de 1968 a 1978, a Rádio Educadora de Macapá, que pertencia à Prelazia de Macapá (atual Diocese), também cedia espaços para radionovelas e para apresentação de peças teatrais, em seu auditório. A referida emissora fundada em 1968, e após dez anos de atividade, em 1978, teve sua programação interditada pela Polícia Federal, num ato em que sua concessão de funcionamento, foi cassada pelo regime militar.

     Nessa época, o Movimento Brasileiro de Alfabetização – MOBRAL, em muito contribuiu para o desenvolvimento do teatro no Estado do Amapá.  Além da motivação trazia para o Cabo Norte cursos e oficinas na área das artes cênicas. Coronel Ribeiro, defensor ferrenho da educação e das artes, era presidente do Mobral e trazia vários professores de outros estados para ministrarem cursos e oficinas de teatro, como: impostação de voz, interpretação, direção teatral, entre outros cursos. Marizete Ramos veio de Belém, como também, o diretor Luiz Otávio Barata, para ministrar cursos para nossos atores.

     Por outro lado, também havia alguns professores aqui no Estado do Amapá, que também tinham conhecimento e condições de ministrar oficinas de teatro, como a atriz Creusa Bordalo, Padre Mino e o próprio Coronel Ribeiro. O atual Grupo Língua de Trapo, que há mais de 34 anos apresentando a peça “Bar Caboclo”, é resultado de uma dessas oficinas. É um grupo que surgiu praticamente, em função das oficinas produzidas e ministradas pelo MOBRAL.

     

 

segunda-feira, 1 de setembro de 2025

ORFEU E A MULHER DE LÓ

 

     A história deste mito, começa assim: Orfeu era um músico talentoso que desceu ao submundo grego, para resgatar sua esposa Eurídice, que havia morrido. Chegando lá, com o poder de sua música, ele encantou Hades, que era o rei do submundo, e obteve a permissão para levar Eurídice de volta ao mundo dos vivos, mas, Hades lhe determinou duas condições, a primeira, que reflete a situação cultural da mulher grega, a de que Orfeu iria à frente e Eurídice, atrás, seguindo Orfeu. A segunda condição, foi a de que Orfeu não deveria olhar para trás, até que ambos estivessem fora do submundo. Acontece que, na divisa entre o submundo e o mundo, com muitas dúvidas, Orfeu olhou para trás, e, repentinamente, Eurídice desaparece voltando para o submundo, para sempre.

     Outro mito semelhante, se encontra no livro do Gêneses, no capítulo 19, versículos de 1 a 8, é o caso da mulher de Ló. Ele e sua família, foram avisados para fugir de Sodoma antes que ela fosse destruída por Deus, por causa da maldade que lá estava instalada. O anjo falou: Vai, salva tua vida, não olhes para trás e não pares nos arredores! Esconde-te nas montanhas, para que não sejas destruído”... Todos os membros da família foram instruídos, que durante a fuga, não podiam olhar para trás. Mas, a mulher de Ló, desobedeceu e olhou. Em função disso, foi castigada e transformada numa estátua de sal. O que se percebe nessas duas passagens, tanto na religião grega como na religião cristã, é que a moral da história nos diz que não se deve olhar para trás.

    Ambas as histórias conotam as seguintes questões: a importância da confiança e da obediência aos comandos divinos; o olhar para trás, que simboliza o apego ao passado, a dúvida e a desobediência e suas possíveis consequências. A frase “não olhar parar trás”, revela-se como uma metáfora para a necessidade de seguir em frente, deixando o passado para trás. Assim, o ato de olhar para trás é interpretado como um sinal de apego às coisas materiais e à vida passada. Portanto, o mito de Orfeu e Eurídice e a história da mulher de Ló, retratam um tema central: a proibição de olhar para trás, o que significa dizer que em ambas situações, olhar para trás, resulta em trágicas consequências.

     O que está em jogo, nestas passagens é que está implícito uma ideia patriarcal, dominante e misógina de que a mulher não deve olhar para o passado, como também as demais pessoas. E é assim que, muitas vezes, a história inviabiliza determinadas figuras, cria preconceitos e apagamento da memória feminina e muitas vezes, a ausência de grandes personagens da história. Conota ainda, um desprezo pela desobediência do sexo feminino, semelhante ao que aconteceu com Eva, quando comeu do fruto proibido e que também infringiu a lei de Deus. O interessante é que, na construção dessas histórias, sejam religiosas ou culturais, a mulher sempre é apresentada como um problema e não como uma solução, como por exemplo, o caso de Pandora, que abriu uma caixa e deixou todos os males sair para afligir os homens. A questão é que, as afirmações desses mitos contrariam completamente o conhecimento científico, quando temos que estudar o passado, com a intenção de nos fundamentarmos, para entender o presente e o futuro. Os cânones do conhecimento científico nos dizem que o segredo é exatamente esse, aprender com o passado, para seguir preparado para o futuro.

 


segunda-feira, 25 de agosto de 2025

SÍNDROME RESPIRATÓRIA AGUDA GRAVE

 


     Uma nota musical aguda, trata-se do que se chama popularmente de som fino, mas, na verdade, é uma nota que se refere a um som com frequência mais alta, na escala musical. Já, a nota que o leigo costuma dizer que tem um som grosso, são exatamente as notas mais baixas, na escala musical. O pentagrama ou pauta, que possui um conjunto de cinco linhas horizontais paralelas e quatro espaços, é o lugar da escrita das notas musicais. É a base da notação musical, onde as notas são dispostas para representar a altura e duração do som. E esse sistema musical, que conhecemos hoje, foi criado no século XI, por um monge italiano, conhecido por Guido d’Arezzo. 

     Ele usou um hino s São João Batista, como base para o nome das notas musicais: Ut, Ré, Mi, Fá, Sol, Lá, Si.  Ele é considerado pessoa de fundamental importância para a notação musical, visto que, deu nome às notas e simplificou o processo de aprendizado, a partir do solfejo. Por outro lado, alguns instrumentos, em função de seus timbres, se encaixam num desses dois polos. Por sua vez, o timbre é a característica que nos permite distinguir um som de outro: alto ou baixo. Instrumentos altos, possuem sons agudos, visto que suas ondas sonoras são de alta frequência e vibram intermitentemente, como exemplo: violino, flauta, clarinete e trompete, já os instrumentos baixos, possuem sons graves, por isso, eles produzem sons com frequências mais baixas, nessa lista, estão o contrabaixo, o trombone, a tuba, o fagote, entre outros.

     Agudo vem do latim, e tem origem no termo “acutus”, que significa afiado, porém, também pode ser usada em outros contextos, como por exemplo, na música, registrando as notas mais altas numa escala musical. Por outro lado, a palavra grave, também se origina do latim “gravis”, que significa pesado, cheio, sério, etc. Refere-se também a um som de baixa frequência, oposto ao som agudo. Portanto, percebe-se que, na música, o som grave está na parte de baixo, e o som agudo está na parte de cima do pentagrama musical. Na música, há como ter uma nota aguda, separada de uma nota grave, como também as duas em uníssono.   

     Frente a isso, como entender a Síndrome Respiratória aguda/grave, de que tanto se fala nos noticiários? Bom, segundo os órgãos de saúde, a síndrome respiratória é considerada aguda, devido ao seu início rápido e duração relativamente curta, sendo que, a característica “aguda”, refere-se à evolução rápida da doença, geralmente com sintomas que se manifestam de forma intensa em curto espaço de tempo. Ao mesmo tempo, que é grave, devido à sua capacidade de causar uma infecção respiratória severa, levando-se a dificuldades respiratórias. Vamos tentar entender... na música, as notas agudas ou altas, possuem uma frequência de vibração maior, enquanto que, as notas graves ou baixas, possuem uma frequência de vibração menor. Entretanto, o que se pode concluir é que a síndrome respiratória é aguda/grave, em vista de que, por um lado, é aguda porque tem duração relativamente curta, é sagaz e pontuda, por outro lado, é grave, devido à sua capacidade de causar uma infecção, comprometendo a oxigenação do sangue, com sentimento pesado, gerando baixa frequência dos batimentos cardíacos.

segunda-feira, 18 de agosto de 2025

TÉCNO PALAFÍTICO

 

 

     Foi na passagem do século XX para o século XXI, que aconteceram determinados fenômenos artísticos de engrandecimento da cultura amapaense, com o surgimento de nova leva de atores e diretores, coletivos, grupos e companhias teatrais, às quais estabeleceram rumos contemporâneos para as artes cênicas no Amapá, insurgindo-se com novas ideias e novos encaminhamentos para o teatro em nosso Estado. Movimento esse que trouxe consigo, ideias inovadoras a partir de seus inéditos agrupamentos, que ao longo do novo século e dessas últimas décadas, continuam a florescer nos dias atuais. E um desses representantes de grande monta, foi a Casa Circo, à qual, surgiu no ano de 2015, sob coordenação de Ana Caroline e Jones Barsou.

     Juntando-se a tudo isso, foi também em função da implantação do Curso de Licenciatura em Teatro na Universidade Federal do Amapá, que a partir de abril de 2018, disponibilizou vários profissionais de teatro que entraram para o mercado de trabalho nas escolas, como também se deu início à uma nova produção relativa aos primeiros espetáculos teatrais, com suporte artísticos e estéticos mais apurados, e pesquisas artísticas com suporte teórico-práticos, relativos às novas montagens teatrais que surgiam naquele momento. E um dos primeiros espetáculos que se elevou com grande influência do Curso de Teatro da UNIFAP, foi A Mulher do Fim do Mundo, com encenação da Companhia Casa Circo. É fato que esta encenação trouxe uma série de elementos interessantes no que diz respeito, principalmente à concepção estética em relação ao teatro amapaense    

     O referido espetáculo foi selecionado para o Amazônia das Artes/SESC, e em 2018 se apresentou em dez municípios da região Norte. Foi o primeiro espetáculo amapaense que conseguiu ser selecionado para um circuito nacional em 2019, quando participou do Projeto Palco Giratório do SESC, e se apresentou em várias capitais do país.    

     Desta vez, a Companhia Casa Circo nos presenteia com mais uma montagem de crítica social, com seu pequeno grande espetáculo, intitulado: Técno Palafítico: Diálogo de Uma Amazônia em Suspensão. A montagem foi apresentada no dia 31 de julho, nas dependências do Departamento de Letras e Artes da Universidade Federal do Amapá. É um musical que põe em xeque uma visão crítica da realidade cotidiana das eternas palafitas que fazem parte intrínseca da vida do homem amazônida, com foco nas ocupações das áreas de resseca em cidades da Amazônia e principalmente para as áreas de resseca invadidas no entorno da cidade de Macapá, capital do Estado do Amapá.

     Com música ao vivo, tendo à frente Gabriel Guimarães no teclado, e um suporte nas chanchadas, teatro de revista, vaudeville, e comédia, o espetáculo de cunho frenético, combina música, dança e diálogo para contar história sobre palafitas, e tem no elenco atrizes como Ana Caroline, Stefhany Borges e Iara Piris, com encenação de Jones Barsou. Portanto, há condições de estender ainda mais o tempo da encenação, acrescentando à conexão crítica e social, cenas e quadros mais picantes como por exemplo, uma pessoa caindo e se ferindo em ponte quebrada; alguém com dificuldade para circular de bicicleta; pessoas pescando no lago poluído e fétido; uma criança que cai na água, a ponto de se afogar; um conserto do cano de água, que está furado; a preocupação e aflição das pessoas, em função do temporal e da subida da água com a chegada do inverno; cenas de pessoas colocando gato nos postes da energisa, entre outras cenas, às quais, poderiam ainda mais, complementar o tempo da encenação além de deixar o espetáculo mais deslumbrante.

domingo, 3 de agosto de 2025

EVOLUÇÃO DA QUADRILHA JUNINA

 

  

 

     A antiga dança da quadrilha, que perdurou basicamente até o início da década de 1990 do século passado, em suas raízes, era completamente diferente das quadrilhas de hoje.  Tem origem na Europa e sua maior influência no Brasil, veio da França. Era uma dança popular que surgiu principalmente no meio rural. Nela, havia uma sequência de passos com várias coreografias, como: a)cumprimento às damas; b)cumprimento aos cavalheiros; c)damas e cavalheiros trocar de lado; d)primeiras marcas ao centro; e)grande passeio; f)trocar de damas; g)trocar de cavalheiros; h)o Túnel; i)caminho da roça; j)olha a cobra; k)é mentira; l)caracol; m)desviar; n)atenção para o serrote; o)coroar damas; p)coroar cavalheiros; q)duas rodas; r)reformar a grande roda; s)despedida, entre outros passos que mudam de acordo com a necessidade da brincadeira. Além de tudo isso, havia a dramatização de um casamento matuto, um legado da Commedia dell’Arte.

     Se torna muito difícil, na atualidade, encontrar alguma comunidade ou grupo que organize uma quadrilha nos moldes antigos. Notadamente, esse tipo de quadrilha está em extinção. Com o passar dos anos, nota-se um hibridismo e a consequente influência de várias culturas. Hoje, pode-se perceber nas atuais quadrilhas juninas, vestígios do frevo, da ciranda; do maracatu; do bumba-meu-boi; nos figurinos, roupas do cancan francês. Na dança atual, o casamento, que era parte fundamental da antiga quadrilha junina, hoje, praticamente não tem mais o mesmo significado dramático de antes. Por sua vez, os passos da antiga quadrilha, se transformaram numa sequência de músicas com coreografias modernas, isso nos remete ao primeiro forró, de 1979, a música Frevo Mulher, que se fundiu com o frevo, de autoria de Zé Ramalho.

     A referida gravação alcançou grande sucesso depois que Amelinha a interpretou no Maracanãzinho num Festival da MPB em 1980. Já o cancan, é uma dança francesa que se tornou muito popular na França, na década de 1840, com sua maior expressividade no cabaré Moulin Rouge, que ainda hoje está em atividade no bairro de Montmartre, em Paris. Sendo que, mais tarde, foi transportada para Londres e Nova Iorque, se tornando uma dança difundida no mundo ocidental. Outro fenômeno que trouxe muita influência para essa hibridização é que, enquanto por um lado, a antiga quadrilha era ensaiada e apresentada por jovens, quando cada bairro tinha sua própria quadrilha e apresentava apenas dentro dos festejos de cada comunidade; fato que mudou completamente, quando as prefeituras instituíram os concursos de quadrilhas, durante os festejos juninos, o que acontece na atualidade em vários locais do território brasileiro, e principalmente no Nordeste.

     Acrescentando a esse fenômeno, as várias bandas que foram surgindo do final da década de 1970 para a década de 1980, e principalmente a partir da década de 1990 quando irão surgir bandas como Mastruz com Leite (1990), Banda Patrulha (1992), Limão com Mel (1993), Cavalo de Pau (1994), Calcinha Preta (1995),  Magníficos (1995), e Aviões do Forró em 2002, entre tantas outras bandas do gênero, às quais, herdaram influências das primeiras gravações de música tendo como mescla forró e frevo, como: Frevo Mulher, de Zé Ramalho, gravada por Amelinha em 1979, Gemedeira, de Robertinho do Recife e Capinan, também gravada por Amelinha, no ano 1980, e ainda, Crina Negra, de Robertinho do Recife, gravada pela Banda Patrulha em 1992. E demais bandas que foram surgindo ao longo dessas décadas, por sua vez, influenciaram as quadrilhas contemporâneas que apresentam geralmente esse gênero e ritmo musical: a combinação forró/frevo.

segunda-feira, 28 de julho de 2025

GOTAS DE SABERES

 

 

          A primeira vez que visitei Daniel de Rocha e Tina Araújo, na sua residência no Bairro Perpétuo Socorro, percebi no quintal uma espécie de um estranho projeto de um imenso galpão. Nesta conversa de quase três décadas atrás, fui informado pelo jovem casal, de que ali estava a base fundamental de um futuro teatro, o que se tornaria no que conhecemos hoje como: Teatro Marco Zero. O que havia naquele pequeno terreno? A casa, uma grande estrutura de ferro, coberto de telhas, um piso revestido de cimento e, num dos cantos, encostada numa cerca de madeira, uma surrada e velha Kombi.

     E esse era o cenário inicial do sonho desses persistentes artistas..., construir um teatro no quintal de casa, sonho que realmente virou realidade...! Virou realidade com muita luta, perseverança, trabalho, dedicação, e muita paixão. E foi assim que surgiu o Teatro Marco Zero, o qual, já é bastante conhecido no Amapá. Aliás, hoje, único teatro que abre suas portas para os grupos locais, seja de música, de poesia, de dança, todos serão bem recebidos no teatro marco zero: os artistas, os grupos de teatro e o público em geral.

     Como o nosso anfitrião, Teatro das Bacabeiras, está, há bastante tempo hibernando, o único teatro que pode suprir esta necessidade é exatamente o Teatro Marco Zero, que no dia 15 de julho, recebeu a Companhia Arteatro de Roraima, que apresentou o espetáculo “Gotas de Saberes”, o qual, busca socializar para o público, aspectos da ancestralidade dos povos indígenas da etnia Macuxi. Para início de conversa, Gotas de Saberes é um espetáculo que não depende exclusivamente de palco italiano, e esta, é uma boa razão para quem pretende levar sua obra para os mais diversificados e imprevistos espaços cênicos, como também para um grande público.

      Diz-se de um espetáculo voltado para o público infanto-juvenil, é o que está escrito no programa do mesmo, concordo com tal definição, mas, por outro lado, percebo que o referido espetáculo, alcança grande amplitude em termos de que a mensagem que se deseja revelar e enviar ao público, adapta-se para qualquer faixa etária, principalmente para aqueles que necessitam entender e respeitar os povos da floresta. Ao narrar a história do povo originário da etnia Macuxi, o dramaturgo utiliza-se de versos com métricas e rimas, o que dar maior sensação de beleza à peça.

     A aglutinação do texto poético e da encenação em si, somando-se a tudo isso, a desenvoltura das atrizes em cena (Aravis e Silmara Costa), com a incumbência de representar sucessivamente vários personagens; a mise en scène nos lembra o teatro didático de Brecht. Por outro lado, com cenário elucidativo, concentrando a cenografia em dezenas de objetos de cena, além de instrumentos de percussão, dispostos à vista do público, o que de mais relevante e expressivo nos parece, no referido espetáculo, é a sonoplastia ao vivo, e a consequente relação harmônica musical entre os sons dos instrumentos, as vozes e onomatopeias sussurradas pelas atrizes, com o determinado acompanhamento do sonoplasta/ator (Márcio Sergino), que também é parte intrínseca da cena. A peça gira em torno dos quarenta minutos, e isso, gera certa surpresa no público, visto que, imbuído na contemplação dos sons da floresta, quando menos se espera o mesmo finaliza, deixando um gosto de quero mais na plateia. Este espetáculo foi selecionado pela Lei Rouanet Norte de incentivo à cultura.