Na
última segunda-feira, dia 20, cumpri com mais um rito e participei de um
milenar ritual que sempre me conforta, que foi me dirigir a uma casa de
espetáculos, desta vez, o Teatro Municipal de Macapá, para contemplar a peça teatral
intitulada, “Travessias Amazônicas”, do Projeto Travessias Amazônicas, que vem
sendo concretizado pelo Movimento Cultural Desclassificáveis, que tem à frente
meu amigo, artista, ator e diretor Paulo Alfaia. Ele, que vem há muitos anos,
sedimentando seu trabalho a partir de investigações artísticas aprofundadas, e,
em consequência, contribuindo imensamente com a prática teatral no estado do
Amapá.
Como
em todas suas experiências criativas e artísticas, o Mestre Alfaia, não mede
esforços em relação aos desafios que terá que enfrentar ao se deparar no
caminho do desconhecido, o que sempre nos apresenta uma mise en scène. Num de seus espetáculos, “Curupira, Um Ser
Inesquecível”, que desde 2008, vem sendo apresentado no Amapá, ele focaliza sua
preocupação em estudar a Amazônia brasileira, com um olhar para as lendas e os
mistérios da imensa floresta, na perspectiva da proteção e valorização da cultura
local. Espetáculo atemporal que ainda hoje vem sendo apresentado tanto no Amapá
como em outras latitudes.
Lendas
e Mitos como o Curupira, tem sua origem com os Faunos, no antigo Egito; com os
Pãs e os Sátiros, na Grécia Clássica, e com os Faunos também em Roma. Sem
dúvida, a associação entre o Curupira e os Sátiros é muito próxima, e talvez,
tenha sido em função disso, que o Curupira tenha resolvido sussurrar no ouvido
de Paulo Alfaia, para que ele transcendesse e desbravasse novas travessias
amazônicas, independente de fronteiras terrestres, florestais, políticas,
culturais ou sociais. O mais interessante é que Paulo Alfaia, ao entender a
mensagem do seu avatar, idealizou e concretizou o Projeto Travessias
Amazônicas, até chegar à montagem do espetáculo com o mesmo título.
“Travessias Amazônicas” é um espetáculo de arena que traz em sua
dramaturgia questões políticas, sociais, religiosas e antropológicas, entre
fronteiras políticas e terrestres, criadas pelo homem moderno. Tem por base,
pesquisa e criação da obra “Un Rien de Pays”, do dramaturgo guianense Élie
Stephenson. Surgiu a partir de residências artísticas e estéticas, num
intercâmbio cultural entre o Movimento Cultural Desclassificáveis – Amapá - Brasil,
e Théâtre de Macouria e Conservatório L’Encre, estabelecidos em Cayenne, Guiana
Francesa.
A
sonoplastia, que poderia ser ao vivo durante todo o espetáculo, criando assim
um veio estético do início ao final da encenação, repentinamente é pressionada
por sonoplastia mecânica, o que, a mon
avis, interfere negativamente no desenrolar da peça. Por sua vez, além de
não ajudar muito no espetáculo, a iluminação tem muito do improviso. E aqui não
é um problema do espetáculo em si, mas, uma ineficiência do próprio edifício
teatral, que não possui aparato de iluminação à altura de sua estrutura física.
É urgente a necessidade de um aparato de iluminação de boa qualidade, tanto
para o palco de arena como para o palco à italiana.
Já
os figurinos precisam ser estudados de forma mais apurada, e que enfoquem
principalmente, questões das culturas dos lados: Sul e Norte do rio Oiapoque,
brasileira e francesa, respectivamente. Quanto às projeções que enfocam imagens
variadas, que se coadunam com o tema da peça, mesmo que não seja novidade, são
bem-vindas. Lembrando que o diretor alemão Erwin Piscator, já na década de
1920, é considerado na história do teatro, como o primeiro a explorar em seus
espetáculos, projeções cinematográficas, de maneira orgânica e política.
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