Contatos

palhanojp@gmail.com - palhano@unifap.br

segunda-feira, 19 de janeiro de 2026

PARA JOCA MONTEIRO

 

 

     Joca Monteiro, é dramaturgo, diretor de teatro, ator, palhaço, professor, ilustrador, brincante escritor e editor independente. É um artista que vem há bastante tempo, se dedicando a escrever livros, em sua maioria coloridos, que trazem enredos ligados às questões telúricas. Na baixada Pará, desenvolve um trabalho não só em nível artístico, mas também de política social, onde muito contribui com os moradores mais carentes daquele bairro. Ele também se dedica a ajudar aquela comunidade, como aconteceu arrecadando e distribuindo cestas básicas para as famílias do lugar, principalmente no período da Covid-19. Além de contador de histórias, ele escreve, confecciona, publica seus livros e ainda por cima, conta para o leitor toda a história contida na própria obra. 

     Num mundo que impõe o consumismo como metodologia de vida, que gera nas pessoas uma corrida desenfreada em busca de emprego, saúde, educação e moradia. Num momento em que centenas de brasileiros se encontram na linha de insegurança alimentar. Tempo, em que inadvertidamente se destrói a natureza com o desmatamento desenfreado, principalmente na Amazônia. Se torna muito difícil falarmos de livros. 

    Mas, antes dos livros há aqueles que estão nas coxias, são os autores, aqueles que escrevem essas obras. Se é difícil escrever e publicar; imaginem um autor que escreve, confecciona, publica seus livros e ainda por cima, conta para o leitor toda a história contida no próprio livro. Será que existe algum autor assim? Claro que existe! Ele é conhecido como Joca Monteiro e mora na Baixada Pará, onde realiza um excelente trabalho, não só como autor e como artista, mas também desenvolve um trabalho de política social comunitária, onde em muito contribui para com os moradores do lugar.

     Um livro na biblioteca é apenas um objeto, realmente, ele passa a ser livro quando é retirado da estante e passa a ser lido por alguém. Nosso autor, vai mais além, ele escreve, edita e ainda conta a história para seu cliente. Além de escritor independente, Joca Monteiro é; ator, dramaturgo, palhaço, professor, contador de histórias, ilustrador, editor e brincante da Amazônia. 

     Joca Monteiro é um excelente contador, quem já presenciou algumas de suas apresentações como contador de história, sabe muito bem disso. Afora os livros, ele se dedica a escrever para teatro. Alguns grupos teatrais, aqui em Macapá, já montaram seus textos. Eu mesmo, quando participava da comissão de avaliação de projetos de montagem para teatro, da FUNARTE, tive a honra de ler o projeto de montagem do espetáculo “Um Véu Para Dagmar”, onde, na ocasião, o referido texto foi selecionado e aprovado. Seu trabalho não se limita apenas à arte pela arte, é um trabalho artístico, econômico, político e social. Durante a pandemia do coronavirus, foi ele (Joca), quem teve a decisão de fazer campanha pedindo contribuição de alimentos para ajudar as pessoas mais carentes da Baixada Pará.  Joca Monteiro é um artista sui generis, que merece o reconhecimento dos órgãos públicos de cultura do Amapá.

 

segunda-feira, 12 de janeiro de 2026

AMADEU LOBATO

 


     No ano de 1979 surge o espetáculo Uma Cruz Para Jesus, uma ideia do ator e diretor Amadeu Lobato. Neste ano de 2026 seria o quadragésimo sétimo ano de sua ininterrupta apresentação na área externa da Fortaleza de São José de Macapá, mas o destino quis que Amadeu Lobato nos deixasse, nesse início de ano.  Ele, que sempre Amava a Deus, como seu próprio nome revela, com sua imponente e grandiosa montagem do espetáculo uma Cruz Para Jesus. Era um espetáculo que acontecia anualmente na cidade de Macapá, que tem como cenário os muros da Fortaleza de São José.

     Uma Cruz para Jesus é sinônimo de persistência, trabalho e dedicação. Sou testemunha ocular de várias apresentações em que todos os trabalhos de produção refletiam objetivamente um esforço comum e isolado do grupo, em função de que, em certos momentos, havia total ausência dos órgãos de cultura como também do comércio, entre outros setores da sociedade amapaense. Mas com todas essas dificuldades o grupo nunca desistiu de apresentar o seu espetáculo. Mesmo no período de reforma da Fortaleza não falhava com as apresentações, ora do lado interno, ora no lado externo daquele edifício secular.

      Ao longo do tempo, o espetáculo Uma Cruz Para Jesus vem conquistando seu espaço e sensibilizando de vez por toda, nossa sociedade e nossos gestores. É um espetáculo tradicional em nossa cidade, além do que influenciou e motivou outros grupos, fez surgir novas sementes e se expandiu por vários bairros da cidade.

     Seguramente poderíamos listar aqui as principais influências de Uma Cruz para Jesus, nestes seus 46 anos de atividades ininterruptas na cidade de Macapá. É em função deste espetáculo que há vários grupos se apresentando nos bairros: no Pacoval, a comunidade representa a peça O Cordeiro de Deus nas ruas, culminando o espetáculo no campo de futebol do Kourou; a Paixão, também foi apresentada por um bom tempo, por outro grupo, no sambódromo; no Bairro Perpétuo Socorro é apresentado o espetáculo Filho de Maria; o Grupo Teatral Santa Inês, com a peça teatral Paixão e Morte de Cristo, com direção de Silvano Santos. Relativo a essa programação da Semana da Santa, ainda temos, o Movimento Cultural Desclassificáveis, que sempre apresenta, Cristo por Elas; Grupo Teatral Marco Zero, que vem com A Saga de Cristo; Grupo Imagem & Cia, com Preâmbulo da Paixão, sob direção de Cris Ferreira e produção de Débora Bararuá;  Quimera Cia de Teatro, com O Cordeiro de Deus, direção de Rosa Rente; Trupecênica, com Cristo ReiO Espargir do Amor; As Faces de Cristo, da Cia Cangapé, sob direção de Emerson Rodrigues; Os Milagres de Jesus – Grupo Maré; e no bairro Novo Horizonte Saga de Cristo, entre outros.                                            

     Uma Cruz Para Jesus, é um espetáculo que demonstra a vitalidade e persistência do teatro amapaense. Tem como suporte seu idealizador, dramaturgo e artista de teatro Amadeu Lobato. O espetáculo apresentado ao ar livre no entorno da Fortaleza de São José de Macapá, utiliza-se de vários cenários e vários planos, inclusive o plano vertical quando é apresentada a cena de Adão e Eva, sobre a muralha daquela fortificação mais do que centenária. Em função de sua dedicação e seu trabalho, Amadeu Lobato virou escola e se transformou no ícone de um dos maiores teatros ao ar livre do Estado do Amapá.

 

 

 

31 ANOS DE AMAPÁ

 


     Este início de ano é muito bem-vindo, visto que no dia 02 de janeiro, completei um ciclo de 31 anos como professor da Universidade Federal do Amapá. São mais de três décadas de dedicação à educação superior e ao teatro do Amapá, em função das pesquisas que venho realizando desde o dia em que me instalei nas terras tucujus, e me tornei o pioneiro nas pesquisas sobre o teatro amapaense. Comecei com a disciplina Teatro, que havia no antigo Curso de Licenciatura em Educação Artística. Em função da Lei de Diretrizes e Bases da Educação nº 9394/96, o Curso passou a ser denominado de Curso de Artes Visuais, no qual, lecionei até o ano de 2013. No primeiro semestre de 2014, passei a ministrar aulas no Curso de Licenciatura em Teatro, visto que o mesmo havia sido aprovado pelo Conselho Superior, em 12 de novembro de 2013. 

     E para minha grande satisfação, na próxima sexta-feira, dia nove, estarei completando mais uma primavera, e mais um ciclo da minha vida aqui nesse estágio terrestre, alcançando meu sexagésimo quinto janeiro. De toda forma, estou muito feliz de ter chegado a esse patamar da vida. É um caminho muito longo... é verdade...!!! Em diversos sentidos. Sem esquecer que nessa imensa caminhada, muitos colegas ficaram para trás...! Muitos amigos se foram! Com um olhar para o passado, percebo que a vida se transforma numa constante luta pela sobrevivência. Isso se percebe desde criança, quando passamos a acompanhar nossos pais na luta diária... no cotidiano!

     Quanto a mim, passei a vida buscando conquistar meus objetivos. Para isso, como uma fera, tive que enfrentar as vicissitudes da vida e da sociedade contemporânea. O primeiro passo foi o estudo. Não tenho nada..., mas o que tenho, conquistei em função de toda uma vida dedicada ao estudo. Meus pais me ensinaram, e eu segui seus conselhos, eles diziam:  - para ser alguém na vida é preciso estudar! E foi exatamente isso o que fiz, continuo e continuarei fazendo, durante toda minha existência.

     Faço aqui uma revista do caminho que trilhei e das obras, às quais, consegui produzir nessas últimas três décadas de minha estada no Amapá. Segue os livros por mim, publicados nesse período: A Estrela e a Rã – 1998, (infantil); Brincando com Linhas – 2001, (infantil); Teatro de Bonecos: uma alternativa para o ensino fundamental na Amazônia – 2001; Entre Terra e Mar: sociogênese e caminhos do teatro na Paraíba – 1822-1905 - 2009; A Saga de Altimar Pimentel e o Teatro Experimental de Cabedelo – 2009; Fronteiras Entre o Palco e a Tela – Teatro na Paraíba – 1900 – 1916 – 2010; Entre Parênthesis – poesias – 2010; A Ovelha Malhada – 2011, (infantil); O Teatro na Terra de Zé da Luz: da União Dramática ao GETI – 2011; Artes Cênicas no Amapá – teoria, textos e palcos – 2011; Eu a Rainha do Vale – 2012; O Pato e o Lago – 2012, (infantil); Entre Pai & Filhos, 2012; Curso de Teatro no Amapá – Concepções e Proposições para o Ensino Superior – 2013; Pablito e a Libélula – 2013, (infantil); Teatro no Amapá: artistas e seu tempo – 2013; Arque com Arte: cultura, arte e educação no Amapá – 2013; A China é Aqui – 2014, (infantil); Entre Irmãos – 2014; Aventuras Poéticas – 2014; Itabayanna – entre fatos e fotos – 2014; Dramaturgia Amapaense – 2015; Engenho Velho: meu mundo encantado – 2017; A Estrela e a Rã – 2018, (bilíngue); Em Pleno Vapor: Nova Cruz do meu tempo de criança – 2019; Num Piscar de Olhos – eterno estudante – 2019; História do Teatro do Amapá – do século XVIII à década de 1940 – 2021; e Genealogia do Teatro – 2023. Tenho certeza de que não me arrependo de nada que fiz durante essas últimas três décadas. Aos sessenta e cinco anos, estou me preparado para o futuro. E assim, eu giro...! E assim, gira o mundo...!