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segunda-feira, 25 de agosto de 2025

SÍNDROME RESPIRATÓRIA AGUDA GRAVE

 


     Uma nota musical aguda, trata-se do que se chama popularmente de som fino, mas, na verdade, é uma nota que se refere a um som com frequência mais alta, na escala musical. Já, a nota que o leigo costuma dizer que tem um som grosso, são exatamente as notas mais baixas, na escala musical. O pentagrama ou pauta, que possui um conjunto de cinco linhas horizontais paralelas e quatro espaços, é o lugar da escrita das notas musicais. É a base da notação musical, onde as notas são dispostas para representar a altura e duração do som. E esse sistema musical, que conhecemos hoje, foi criado no século XI, por um monge italiano, conhecido por Guido d’Arezzo. 

     Ele usou um hino s São João Batista, como base para o nome das notas musicais: Ut, Ré, Mi, Fá, Sol, Lá, Si.  Ele é considerado pessoa de fundamental importância para a notação musical, visto que, deu nome às notas e simplificou o processo de aprendizado, a partir do solfejo. Por outro lado, alguns instrumentos, em função de seus timbres, se encaixam num desses dois polos. Por sua vez, o timbre é a característica que nos permite distinguir um som de outro: alto ou baixo. Instrumentos altos, possuem sons agudos, visto que suas ondas sonoras são de alta frequência e vibram intermitentemente, como exemplo: violino, flauta, clarinete e trompete, já os instrumentos baixos, possuem sons graves, por isso, eles produzem sons com frequências mais baixas, nessa lista, estão o contrabaixo, o trombone, a tuba, o fagote, entre outros.

     Agudo vem do latim, e tem origem no termo “acutus”, que significa afiado, porém, também pode ser usada em outros contextos, como por exemplo, na música, registrando as notas mais altas numa escala musical. Por outro lado, a palavra grave, também se origina do latim “gravis”, que significa pesado, cheio, sério, etc. Refere-se também a um som de baixa frequência, oposto ao som agudo. Portanto, percebe-se que, na música, o som grave está na parte de baixo, e o som agudo está na parte de cima do pentagrama musical. Na música, há como ter uma nota aguda, separada de uma nota grave, como também as duas em uníssono.   

     Frente a isso, como entender a Síndrome Respiratória aguda/grave, de que tanto se fala nos noticiários? Bom, segundo os órgãos de saúde, a síndrome respiratória é considerada aguda, devido ao seu início rápido e duração relativamente curta, sendo que, a característica “aguda”, refere-se à evolução rápida da doença, geralmente com sintomas que se manifestam de forma intensa em curto espaço de tempo. Ao mesmo tempo, que é grave, devido à sua capacidade de causar uma infecção respiratória severa, levando-se a dificuldades respiratórias. Vamos tentar entender... na música, as notas agudas ou altas, possuem uma frequência de vibração maior, enquanto que, as notas graves ou baixas, possuem uma frequência de vibração menor. Entretanto, o que se pode concluir é que a síndrome respiratória é aguda/grave, em vista de que, por um lado, é aguda porque tem duração relativamente curta, é sagaz e pontuda, por outro lado, é grave, devido à sua capacidade de causar uma infecção, comprometendo a oxigenação do sangue, com sentimento pesado, gerando baixa frequência dos batimentos cardíacos.

segunda-feira, 18 de agosto de 2025

TÉCNO PALAFÍTICO

 

 

     Foi na passagem do século XX para o século XXI, que aconteceram determinados fenômenos artísticos de engrandecimento da cultura amapaense, com o surgimento de nova leva de atores e diretores, coletivos, grupos e companhias teatrais, às quais estabeleceram rumos contemporâneos para as artes cênicas no Amapá, insurgindo-se com novas ideias e novos encaminhamentos para o teatro em nosso Estado. Movimento esse que trouxe consigo, ideias inovadoras a partir de seus inéditos agrupamentos, que ao longo do novo século e dessas últimas décadas, continuam a florescer nos dias atuais. E um desses representantes de grande monta, foi a Casa Circo, à qual, surgiu no ano de 2015, sob coordenação de Ana Caroline e Jones Barsou.

     Juntando-se a tudo isso, foi também em função da implantação do Curso de Licenciatura em Teatro na Universidade Federal do Amapá, que a partir de abril de 2018, disponibilizou vários profissionais de teatro que entraram para o mercado de trabalho nas escolas, como também se deu início à uma nova produção relativa aos primeiros espetáculos teatrais, com suporte artísticos e estéticos mais apurados, e pesquisas artísticas com suporte teórico-práticos, relativos às novas montagens teatrais que surgiam naquele momento. E um dos primeiros espetáculos que se elevou com grande influência do Curso de Teatro da UNIFAP, foi A Mulher do Fim do Mundo, com encenação da Companhia Casa Circo. É fato que esta encenação trouxe uma série de elementos interessantes no que diz respeito, principalmente à concepção estética em relação ao teatro amapaense    

     O referido espetáculo foi selecionado para o Amazônia das Artes/SESC, e em 2018 se apresentou em dez municípios da região Norte. Foi o primeiro espetáculo amapaense que conseguiu ser selecionado para um circuito nacional em 2019, quando participou do Projeto Palco Giratório do SESC, e se apresentou em várias capitais do país.    

     Desta vez, a Companhia Casa Circo nos presenteia com mais uma montagem de crítica social, com seu pequeno grande espetáculo, intitulado: Técno Palafítico: Diálogo de Uma Amazônia em Suspensão. A montagem foi apresentada no dia 31 de julho, nas dependências do Departamento de Letras e Artes da Universidade Federal do Amapá. É um musical que põe em xeque uma visão crítica da realidade cotidiana das eternas palafitas que fazem parte intrínseca da vida do homem amazônida, com foco nas ocupações das áreas de resseca em cidades da Amazônia e principalmente para as áreas de resseca invadidas no entorno da cidade de Macapá, capital do Estado do Amapá.

     Com música ao vivo, tendo à frente Gabriel Guimarães no teclado, e um suporte nas chanchadas, teatro de revista, vaudeville, e comédia, o espetáculo de cunho frenético, combina música, dança e diálogo para contar história sobre palafitas, e tem no elenco atrizes como Ana Caroline, Stefhany Borges e Iara Piris, com encenação de Jones Barsou. Portanto, há condições de estender ainda mais o tempo da encenação, acrescentando à conexão crítica e social, cenas e quadros mais picantes como por exemplo, uma pessoa caindo e se ferindo em ponte quebrada; alguém com dificuldade para circular de bicicleta; pessoas pescando no lago poluído e fétido; uma criança que cai na água, a ponto de se afogar; um conserto do cano de água, que está furado; a preocupação e aflição das pessoas, em função do temporal e da subida da água com a chegada do inverno; cenas de pessoas colocando gato nos postes da energisa, entre outras cenas, às quais, poderiam ainda mais, complementar o tempo da encenação além de deixar o espetáculo mais deslumbrante.

domingo, 3 de agosto de 2025

EVOLUÇÃO DA QUADRILHA JUNINA

 

  

 

     A antiga dança da quadrilha, que perdurou basicamente até o início da década de 1990 do século passado, em suas raízes, era completamente diferente das quadrilhas de hoje.  Tem origem na Europa e sua maior influência no Brasil, veio da França. Era uma dança popular que surgiu principalmente no meio rural. Nela, havia uma sequência de passos com várias coreografias, como: a)cumprimento às damas; b)cumprimento aos cavalheiros; c)damas e cavalheiros trocar de lado; d)primeiras marcas ao centro; e)grande passeio; f)trocar de damas; g)trocar de cavalheiros; h)o Túnel; i)caminho da roça; j)olha a cobra; k)é mentira; l)caracol; m)desviar; n)atenção para o serrote; o)coroar damas; p)coroar cavalheiros; q)duas rodas; r)reformar a grande roda; s)despedida, entre outros passos que mudam de acordo com a necessidade da brincadeira. Além de tudo isso, havia a dramatização de um casamento matuto, um legado da Commedia dell’Arte.

     Se torna muito difícil, na atualidade, encontrar alguma comunidade ou grupo que organize uma quadrilha nos moldes antigos. Notadamente, esse tipo de quadrilha está em extinção. Com o passar dos anos, nota-se um hibridismo e a consequente influência de várias culturas. Hoje, pode-se perceber nas atuais quadrilhas juninas, vestígios do frevo, da ciranda; do maracatu; do bumba-meu-boi; nos figurinos, roupas do cancan francês. Na dança atual, o casamento, que era parte fundamental da antiga quadrilha junina, hoje, praticamente não tem mais o mesmo significado dramático de antes. Por sua vez, os passos da antiga quadrilha, se transformaram numa sequência de músicas com coreografias modernas, isso nos remete ao primeiro forró, de 1979, a música Frevo Mulher, que se fundiu com o frevo, de autoria de Zé Ramalho.

     A referida gravação alcançou grande sucesso depois que Amelinha a interpretou no Maracanãzinho num Festival da MPB em 1980. Já o cancan, é uma dança francesa que se tornou muito popular na França, na década de 1840, com sua maior expressividade no cabaré Moulin Rouge, que ainda hoje está em atividade no bairro de Montmartre, em Paris. Sendo que, mais tarde, foi transportada para Londres e Nova Iorque, se tornando uma dança difundida no mundo ocidental. Outro fenômeno que trouxe muita influência para essa hibridização é que, enquanto por um lado, a antiga quadrilha era ensaiada e apresentada por jovens, quando cada bairro tinha sua própria quadrilha e apresentava apenas dentro dos festejos de cada comunidade; fato que mudou completamente, quando as prefeituras instituíram os concursos de quadrilhas, durante os festejos juninos, o que acontece na atualidade em vários locais do território brasileiro, e principalmente no Nordeste.

     Acrescentando a esse fenômeno, as várias bandas que foram surgindo do final da década de 1970 para a década de 1980, e principalmente a partir da década de 1990 quando irão surgir bandas como Mastruz com Leite (1990), Banda Patrulha (1992), Limão com Mel (1993), Cavalo de Pau (1994), Calcinha Preta (1995),  Magníficos (1995), e Aviões do Forró em 2002, entre tantas outras bandas do gênero, às quais, herdaram influências das primeiras gravações de música tendo como mescla forró e frevo, como: Frevo Mulher, de Zé Ramalho, gravada por Amelinha em 1979, Gemedeira, de Robertinho do Recife e Capinan, também gravada por Amelinha, no ano 1980, e ainda, Crina Negra, de Robertinho do Recife, gravada pela Banda Patrulha em 1992. E demais bandas que foram surgindo ao longo dessas décadas, por sua vez, influenciaram as quadrilhas contemporâneas que apresentam geralmente esse gênero e ritmo musical: a combinação forró/frevo.