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segunda-feira, 25 de maio de 2026

ATO DE ESCREVER

 

 

     Desde quando ingressei na universidade, no ano de 1980, com o objetivo de realizar o antigo curso de Educação Artística, comecei a me envolver com a produção cultural e especificamente ao teatro na capital da Paraíba. Isso aconteceu, em função dos espetáculos que eu já havia montado na cidade do interior. O movimento teatral era muito intenso na década de 1980, na capital da Paraíba. Foi nesse período que, sem nenhuma intenção, passei a escrever sobre os espetáculos que estavam em cartaz, nas três principais casas de espetáculos da cidade de João Pessoa. Num determinado, momento resolvi socializar meus escritos com os diretores desses espetáculos, passando o material escrito para que eles repassassem e pudessem discutir com os demais atores de cada grupo teatral. Época em que tudo era digitado em máquina de escrever.

     Essa corrente foi crescendo ao ponto em que vários diretores me convidavam para assistir aos seus espetáculos teatrais, na perspectiva de que eu escrevesse sobre cada montagem. E assim o fiz! Depois de certo tempo, em momentos esporádicos, eu já conseguia publicar alguns artigos meus, e isso aconteceu nos principais jornais diários da Paraíba, naquela década, como: Jornal O Norte, Jornal A União e Jornal o Correio da Paraíba. Isso foi formando um grupo de leitores e pessoas que apreciavam meus artigos. E foi assim, que certo dia, um desses diretores de teatro, que também era meu professor na universidade, me colocou uma proposta um tanto irrecusável. Ele estava devolvendo sua coluna semanal, e na ocasião me ofereceu para que eu pudesse mantê-la no semanário. E foi dessa forma, que iniciei a minha primeira coluna no Jornal O Combate, que era um hebdomadário.

     Passei alguns anos escrevendo e mantendo essa minha primeira coluna naquele jornal. Quando passei a residir em Macapá, inicialmente comecei a escrever para o Jornal do Dia, como também, Jornal Diário do Amapá, e ainda, Jornal O Liberal. Mas preferi ficar no Jornal A Gazeta, no qual, passei a escrever sequencialmente há 22 anos, ou seja, desde o ano de 2004. Gosto de escrever artigos dos mais variados temas, mas me detenho a escrever principalmente sobre a arte em geral e sobre o teatro em particular. Nesses últimos 22 anos esses artigos já me renderam dois livros: Artes Cênicas no Amapá – Teoria, Textos e Palcos; e Arque com Arte – Arque com Arte, Cultura, Arte e Educação no Amapá.

     Na sala de aula, busco incentivar meus alunos em relação à escrita. Mas, uma questão fundamental para quem deseja escrever, é a leitura constante e presistente.  A leitura é o principal pré-requisito para quem deseja escrever. Sendo que, essas duas atitudes estão intrinsecamente relacionadas. Comecei a escrever poesias aos 15 anos de idade. Li autores clássicos como: José de Alencar, Guimarães Rosa, Menotti del Picchia, Graça Aranha, Eça de Queiroz, José Lins do Rego, Aluísio Azevedo, Augusto dos Anjos, Fernando Pessoa, entre outros. Atenção: viver sem ler é perigoso, te obriga a crer no que te dizem. Segundo Einstein, tudo aquilo que o homem ignora, não existe para ele. Por isso, o universo de cada um, se resume no tamanho do seu saber.

  

segunda-feira, 18 de maio de 2026

SALVE BACABEIRAS

 


     Ultimamente vem acontecendo em nossa cidade, uma polêmica em função do anúncio de que o Teatro das Bacabeiras teria seu nome modificado, mudado ou complementado. Dessa forma, deixaria de ser Teatro das Bacabeiras, para Teatro das Bacabeiras Amadeu Lobato. É bom lembrar que historicamente, o Teatro das Bacabeiras surgiu em função da luta do povo amapaense, por um lado, pessoas influentes na sociedade local como: o poeta Alcy Araújo, professor Antônio Munhoz Lopes, professora Zaide Soledade entre tantos outros, por outro lado, a classe teatral que vinha produzindo suas peças durante a década de 1980, e que também lutavam para que o Amapá construísse sua casa de espetáculos. Entre esses artistas, podemos citar aqui, o próprio Amadeu Lobato, Sol Pelaes, Richene Amim, Jackson Amaral, Disney Silva, Andréa Lopes, Waldez Mourão, entre outros, e nem por isso, nenhum desses ilustres nomes foram contemplados para serem gravados no frontispício daquele edifício teatral.

     Ele nasceu mesmo, como Cineteatro das Bacabeiras, e depois de certo tempo, passou a ser simplesmente Teatro das Bacabeiras, representando a cultura, o povo amapaense, os artistas e a região amazônica, deixando de ser composto e particular, para se transformar em simples e universal. Se olharmos para o passado distante, da história do teatro do Amapá, são muitos os nomes que poderiam ser lembrados, principalmente a partir de 1948, quando surge o Teatro do Estudante do Amapá com célebres artistas como: Mário Quirino da Silva, Papaléo Paes, Lizete Aimoré, Nazí Gomes, Raimundo Barata, Ida Aimoré, Vilela Monteiro; do Teatro de Amadores do Amapá, que surgiu no ano de 1960, como: Sebastião Ramalho da Silva, Ester da Silva Virgolino, Ivaldo Veras, Luiz Ribeiro de Almeida, Creuza Bordalo, Aracy de Mont’Alverne, Hilkias Alves de Araújo, entre outros.

     Nesses últimos 31 anos acompanhei pari passu o trabalho de Amadeu Lobato, e observo que ele possuía características relacionadas à grande elenco, prestigiado público e espaços abertos. É de praxe que suas encenações e montagens, costumeiramente foram voltadas para a rua, para locais abertos, para grandes espaços ao ar livre, e principalmente em teatros de arena, somando-se a isso, sua saga de 46 anos de montagem do espetáculo Uma Cruz para Jesus, que a todo momento foi representado em espaço aberto, como o teatro de arena. Já o palco italiano foi só um detalhe durante sua vida dedicada ao teatro amapaense.

     Esclareço aqui, que não sou contra a possível mudança ou reajuste do nome Teatro das Bacabeiras, para Teatro das Bacabeiras Amadeu Lobato, sem sombra de dúvidas, mas durante o percurso de sua vida artística, fica claro que o teatro à italiana nunca foi a casa de Amadeu Lobato, neste caso, seria mais sensato homenageá-lo nomeando o espaço externo norte da Fortaleza de São José de Macapá, onde por muitos anos ele apresentou a peça Uma Cruz para Jesus, de TEATRO DE ARENA AMADEU LOBATO.  

segunda-feira, 11 de maio de 2026

DIA DAS MÃES

 

 

     Hoje, segundo domingo do mês de maio é comemorado o dia das mães, dia de muita importância para as famílias como um todo; momento em que a população brasileira homenageia as mães. Também é um período muito significativo para as transações comerciais, em função da grande procura de presentes para as homenageadas. É um domingo muito especial, para quem tem a oportunidade de estar pessoalmente com sua querida mamãe.  

     Minha mãe tem uma longa história de vida; como meus avós eram agricultores, foi criada em terras alheias e sítios inóspitos, nas cercanias da cidade de João Pessoa, mas, apesar disso, conseguiu concluir o ensino primário. Mesmo com sua vida pacata, gostava de estudar e dava muito valor ao conhecimento. Só deixou a zona rural, depois que casou e foi morar numa pequenina cidade com o nome de Cabedelo, na Paraíba.

     Enquanto seu esposo trabalhava na Rede Ferroviária Federal, ela se limitou aos quatro recantos da casa, e por um longo período de tempo, se dedicou especificamente, às responsabilidades das atividades domésticas, preparando a comida e cuidando dos filhos: sete no total. Quando começou a surgir momentos difíceis e crises na economia doméstica, resolveu, de certa forma, se desvencilhar de tudo isso, e passou a costurar. Era exímia costureira.

     A partir desse trabalho, ajudou nas despesas domésticas, e, direta e indiretamente, a todos de casa. Tinha vários clientes, na vizinhança e de outros recantos da cidade. O mais interessante, era que morávamos defronte a um grande espaço aberto, que se tornou o local onde se armavam os circos que chegavam à pacata cidade. Resultado: os artistas desses circos, também contratavam minha mãe, como costureira. Enquanto o circo estivesse na cidade, ela criava, costurava, modificava, fazia de tudo, para aproveitar e reaproveitar todos os figurinos daqueles artistas mambembes. 

     Esse momento foi fundamental para minha vida: porquê? Porque, todas as vezes que ela entregava uma roupa pronta, ao pessoal do circo, por um lado, eles a pagavam em moeda corrente do país, e por outro, também a presenteava com alguns ingressos para ter acesso aos espetáculos do próprio circo. E ela recebia ingressos para adultos e para crianças. Esses fatos, interferiram beneficamente em minha vida, tendo em vista que, todos os finais de semana, passava a assistir aos espetáculos matinées dos circos, quando sempre terminavam com uma dramatização clássica, como “chapeuzinho vermelho”; “Cinderela”, “Branca de Neve e os Sete Anões”, entre outras histórias infantis. Em função disso, me vem toda a relação que tenho com o teatro, com a educação, com minha profissão como professor de teatro; como também, com a arte em geral.

     Mesmo sendo agricultora, nunca deixou de me incentivar aos estudos, e isto foi de fundamental importância para o meu desenvolvimento profissional. Sempre dizia que o estudo era o melhor caminho para o pobre, e para quem gostaria de conseguir ser gente um dia na vida. À minha mãe, Hilda Palhano (in memorian), agradeço de todo meu coração, tudo o quanto ela me incentivou para que eu pudesse conquistar meus sonhos e organizar minha vida, como cidadão. A vida que tenho hoje e o profissional que sou, agradeço à minha mãe. Parabéns a todas as mães do Amapá e do Brasil.

domingo, 3 de maio de 2026

JOVINO DINOÁ

 


     Localizada em Macapá, todos conhecem a famosa rua Jovino Dinoá, extensa artéria que corta diversos bairros do centro da cidade. Importante via com mão única, que tem seu início no bairro do Araxá, na zona sul, e se estende até a Av. Piauí, no bairro do Pacoval, com placas sinalizadas com velocidade máxima de 60 km/h. Rua muito utilizada por moradores da zona sul, para quem segue em direção à FAB.

     Jovino de Albuquerque Dinoá nasceu em 10 de setembro de 1883, na cidade de Cabaceiras – Paraíba, hoje conhecida como a Roliúde Nordestina, visto que vários filmes já foram gravados naquela cidade, inclusive o Auto da compadecida, de Ariano Suassuna.  Ele era filho do casal, Jovino Limeira Dinoá e Ângela Leopoldina de Albuquerque Dinoá. Seu pai, nasceu em 25 de janeiro de 1838, também na cidade de Cabaceiras, e é considerado o primeiro prefeito da antiga cidade de João Pessoa, quando foi nomeado para esta função, pelo então, presidente do estado, Álvaro Lopes Machado, ato publicado no Jornal A União, do dia 14 de fevereiro de 1896. Em sua gestão, foram implantados os primeiros bondes de tração animal, na cidade de João Pessoa – Paraíba. Inclusive, Jovino Limeira Dinoá, seu pai, faleceu em Macapá, quando de visita a seu filho, em 30 de agosto de 1910, com 72 anos.

     Seu filho, Jovino de Albuquerque Dinoá, mudou-se para o extremo norte do Brasil, e em 1899, já era funcionário dos Correios de Belém do Pará. Era Casado com Joana Pantoja Dinoá, de tradicional família do Pará. Em função de publicação no Jornal Diário da União, de 18 de julho de 1912, transferiu-se para Macapá, que na época pertencia ao estado do Pará, para exercer a função de Coletor das Rendas Federais em Macapá. Cargo que exerceu até dezembro de 1936, quando se aposentou, por decreto publicado no Diário Oficial de 10 de dezembro de 1936.

     Jovino Dinoá, deixou seu legado e grande contribuição para a sociedade amapaense; foi Tenente-Coronel da Guarda Nacional, como professor e intelectual exerceu atividades de ensino, teve papel fundamental na comunicação da região. Em parceria com Padre Júlio Maria Lombaerd, em 1915, fundou o jornal “O Correio de Macapá”, que é considerado o segundo jornal mais antigo da região, no qual, discutia assuntos relacionado à história de Macapá e à sociedade amapaense. Figura muito ativa na sociedade do início do século XX, em 1911, esteve envolvido em processos judiciais com o comerciante Leão Zagury.

     Coronel Jovino de Albuquerque Dinoá foi ilustre personagem histórico das terras tucujus, foi ele quem integrou em 1934, a comissão organizadora do primeiro Círio de Nazaré de Macapá. Ele sempre será lembrado como um dos intelectuais e "filhos da terra" que contribuíram para a identidade e história de MacapáSeu legado está por aí, em vários recantos de nossa cidade. Seus préstimos estão presentes em nossos dias, a partir dessa grande homenagem que é a rua Jovino Dinoá.