Sileno era o pai dos sátiros, foi ele quem
educou o deus Dioniso. Tradicionalmente, os sátiros são os filhos das Náiades
divinas, que eram ninfas de água doce, rios, lago, fontes e riachos. Sátiros
eram híbridos provenientes da natureza, da floresta, portanto eram divindades
mortais. Representavam na cultura grega, a força da natureza sem controle. Em
grego, sátiro significa lascívia, e o símbolo da lascívia é o bode, por isso
eles eram metade homens e metade bode, possuíam pernas, cauda e orelhas de
bode. Além de chifres nas testas, tinham narizes achatados, barbas longas e
lábios grossos, e eram demasiadamente cobertos de pelos. Viviam nos bosques e
campos e defendiam a natureza, sendo assim, eram respeitados pelos pastores e
camponeses. Derivados desses seres, hoje temos no Brasil, nossos protetores das
florestas, como: Curupira, Saci-Pererê, Cobra Grande, Negrinho do Pastoreio,
Mula sem Cabeça, lenda do Boitatá, Comadre Florzinha, lenda do Boto, lenda da
Iara, entre outros.
Frequentemente, os sátiros se relacionavam
com as ninfas e mais comumente com as bacantes, que se juntavam a eles para acompanharem
o cortejo e cultuarem o deus Dioniso. Eram seres de grande potência sexual e
geralmente eram representados com imensos falos. Além de Dioniso, os sátiros
também acompanhavam o deus Pã, que era o protetor dos pastores, dos bosques,
dos rebanhos e campos. Segundo historiadores, seres parecidos como esses, já
existiam no antigo Egito, como lá não tinha florestas, diferentemente da
Grécia, eles habitavam os desertos. Foi por motivo da morte de Osíris, quando
Isis ficou de luto, que a partir da sensibilidade do seu olfato, os primeiros a
saberem desse acontecimento, foram os Pãs e os Sátiros. Por outro lado,
enquanto na mitologia grega temos os sátiros, que seguem o deus Dioniso, da
mesma forma temos na mitologia romana os faunos, que são os seguidores de Baco.
Os sátiros eram personagens que sempre
estavam presentes nos dramas satíricos. Quando havia, por exemplo, a
apresentação de uma trilogia trágica, no final, eram apresentados um drama
satírico. Isto se deu praticamente após a reforma de Prátinas, quando o drama
satírico, se tornou obrigatório na tetralogia. Os sátiros representavam, a
música, o vinho, a dança e a fertilidade do sexo. Da mesma forma que, na Grécia
clássica havia os sátiros, homens vestidos de bode que dançavam e bebiam em
louvor ao deus Dionísio. Na Roma antiga, havia os bundus, homens que louvavam o
deus Baco. Dioníso na Grécia e Baco em Roma referem-se ao mesmo deus. Nesses
festejos, conhecidos como dionisíacas ou bacanais, esses foliões consumiam
vinho em demasia. Dessa forma, eles ficavam vagando sem rumo pelas ruas da
cidade (como se fosse uma onda – unda)
e não conseguiam encontrar o caminho de volta para casa. Daí eram chamados de
bacca bundus, depois veio o latim vagabundus. E é desse étimo que deriva a
palavra vagabundo, dessa forma aportuguesada.