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domingo, 1 de novembro de 2026

DIA DE FINADOS

 

 

     Para todos os dias do ano, existe um dia para cada situação, e amanhã será o dia dos mortos, de finados ou ainda, dos fiéis defuntos, sendo assim, é uma data celebrada em 2 de novembro, para homenagear, rezar e orar pelas pessoas falecidas. Data instituída pelo abade francês Odilo de Cluny. Portanto, é uma antiga celebração pagã, de mais de dois mil anos, quando já eram realizadas pelos Celtas. Vários povos apresentam maneiras diferentes de cultuar seus mortos. Enquanto em Roma os corpos eram cremados, no Egito eram embalsamados. Essa relação intrínseca entre o ser humano e a morte, é um reflexo da cultura em que se vivencia e se aprende seus dogmas e arquétipos.

     O halloween conhecido no Brasil como Dia das Bruxas, é uma festa de origem Celta, praticada há mais de 3.000 anos, e que acontece no dia 31 de outubro, à qual é muito difundida nos Estados Unidos, nos dias de hoje. Em algumas tribos indígenas, quando um membro da aldeia morre, enquanto a família fica reclusa, é a aldeia quem vai realizar o culto ao falecido, com todas as honrarias necessárias. Após sete dias, cria-se um boneco e é nesse momento que a família se reúne em torno do boneco, como se fosse seu parente, para velar seu falecido e então, realizar o sepultamento do mesmo. Como pode-se observar, tudo depende da cultura em você está inserido, e de como você ver o mundo que o cerca. Einstein já dizia: tudo aquilo que o homem ignora, não existe para ele. Por isso, o universo de cada um se resume ao tamanho de seu saber.

     Na questão processional dos antigos enterros, principalmente quando de pessoas mais importantes da sociedade, havia uma banda de música que acompanhava o féretro, tocando músicas fúnebres. Marcha fúnebre apresenta compasso quaternário ou binário, com andamento muito lento e pesado, imitando o ritmo de uma procissão, como a de um funeral. Por outro lado, essas famílias mais abastadas pagavam a um grupo de mulheres para que elas ficassem todo o tempo chorando perto do ataúde, eram as famosas profissionais conhecidas como carpideiras. Também existia uma roupa específica para enterrar o defunto, conhecida por mortalha e geralmente essa roupa tinha a cor roxa ou preta.

     Até a proclamação da república, quem administrava o nascimento e os óbitos era a Igreja Católica, portanto, era muito comum que existissem cemitérios atrás das igrejas católicas até final do século XIX, como se pode observar em Santa Cruz de Cabrália, Sul da Bahia, uma das primeiras igrejas do Brasil. A antiga Igreja de São José de Macapá, também possuía o seu cemitério, que se situava na região do formigueiro. Atualmente os cartórios que registram nascimento e óbito. Depois das igrejas, os cemitérios passaram aos cuidados das prefeituras municipais, sendo que nos dias de hoje, já existe uma infinidade de cemitérios de companhias ou grupos privados. Contudo, há várias formas de se despedir do ente querido: enterrar em cemitério de terra, em catacumbas de alvenaria como também há a possibilidade da cremação. Lembrando que os cemitérios não são visitados apenas no dia de finados, também há o costume da visitação no dia das mães e dia dos pais, respectivamente.    

 

domingo, 25 de outubro de 2026

SERVIDOR PÚBLICO

 

 

     Próxima quarta-feira, será o dia do Funcionário Público, esta data homenageia aqueles que se dedicam exclusivamente a atender ao público, foi criada na Era Vargas. O serviço público começou a ser regulamentado e foi posto em funcionamento por meio do decreto-lei nº 1.713, de 28 de outubro de 1939. Em seguida, o Presidente Getúlio Vargas decidiu criar uma data para comemorar o dia do funcionalismo público, e foi assim que surgiu o dia do Servidor Público. A criação dessa data foi determinada pelo decreto-lei nº 5.936, em 28 de outubro de 1943. Em artigo único, seu texto determina que: “O dia 28 de outubro será consagrado, em todo o País, ao “Servidor Público”. Interessante é que esta data, apesar de sua importância, não é considerada um feriado nacional, porém é tida como ponto facultativo, quando a União, os estados e municípios todos os anos, sempre a comemoram. 

     Em muitos casos, quem está fora do serviço público, não entende plenamente como ele funciona. Por outro lado, geralmente há um olhar diferente em relação ao serviço público, no que diz respeito, de como o servidor deve exercer suas funções. Em várias repartições públicas percebe-se aqueles mais dedicados que outros, visto que cada um traz dentro de suas perspectivas de vida, seus sonhos e seus ideais. Com 39 anos de serviço público dá para perceber esse pensamento, quando da entrada de novos servidores, que trazem perspectivas deturpadas do seu métier na amplitude pública. Em sua grande maioria, novos servidores públicos almejam tirar proveito do serviço público, ideia que não combina com os preceitos e com as leis destinadas voltadas para esse tipo de serviço.

     Ao pensar em se candidatar à um concurso público, o futuro servidor, precisa se inteirar de que ninguém faz o que quer e o que pensa nessa área profissional, visto que há regimentos, códigos de ética, resoluções, leis superiores, entre outros tantos documentos que regem este setor, os quais, consequentemente determinam o compromisso, os deveres e direitos dos funcionários públicos. Ou seja, há uma infinidade de leis que regem a vida profissional daquela pessoa que deveria servir e respeitar o público em geral. Se por um lado, em função de sua total dedicação às suas atividades laborais, o servidor pode receber uma Portaria de Elogio, por outro, em função de realizar algo, como por exemplo, macular o nome da instituição, ele também poderá responder a um Processo Administrativo Disciplinar, receber uma Portaria de Advertência e, até ser demitido da instituição pública.

     A própria sociedade em geral, parece que a todo custo, observa o serviço público como algo que não funciona, como uma grande máquina desgastada. Isto não deve ser generalizado, visto que muitas áreas do serviço público no Brasil, já demonstraram resultados excelentes para a população. E, muitas vezes, o setor que mais sofre com essas Fake News, é a própria Universidade e a educação em geral. A educação precisa ser vista como um dos pilares da sociedade, visto que um país sem cientistas é um país sem progresso. Os países mais ricos fomentam e investem pesado em pesquisa, em busca de um futuro melhor, e que também gere renda para o próprio país. É certo que as instituições públicas, sejam elas em nível federal, estadual ou municipal, e inclusive, o servidor público, fazem parte deste grande suporte para o crescimento da sociedade brasileira. Viva o Funcionário Público.

 

 

segunda-feira, 19 de outubro de 2026

MISTER PROFESSOR

 


     Última quinta-feira comemorou-se o dia do professor, em função disso, faço aqui um relato da minha trajetória de 44 anos dedicados à educação desse país. Comecei a lecionar por uma necessidade econômica; o ano era 1982, já estava cursando a graduação em Educação Artística na Universidade Federal da Paraíba. Eu acabara de sair de um emprego de escriturário na famosa transportadora Dom Vital. Foi o momento em que tive que morar na casa universitária masculina, como também, sair em busca de uma escola para ministrar aulas de Educação Artística. Passei dois anos lecionando no Instituto Sólon de Lucena, na cidade de João Pessoa. Apesar de não ter tido garantido meus direitos trabalhistas, foi um momento de muita dedicação e aprendizagem.

     Em 1984, já numa escola mais organizada, pela primeira vez, tive minha carteira assinada como professor de artes, ao trabalhar no Colégio João Paulo II, também um estabelecimento da rede privada. Com a oportunidade de me dedicar aos afazeres da universidade, eu precisava pagar meu vale transporte como também as bandejas no restaurante universitário, e por isso, tive que dividir minha vida, entre a universidade e o trabalho. Tendo iniciado em 1980, e, levando-se em consideração o atraso que houve no desenvolvimento do meu curso de graduação, só tive condições de finalizá-lo no período de cinco anos. Neste caso, o ano de 1985, foi o grande momento da conclusão do curso e da minha colação de grau. E assim, conclui o Curso de Licenciatura em Educação Artística, com habilitação em Artes Cênicas.

     Como professor, os primeiros seis anos do início da minha carreira, vivenciei na escola da rede privada de ensino. Por isso, trabalhei como professor na rede particular, de 1982 a 1988. Muito me dediquei para estudar para concursos públicos na minha área, assim sendo, em 1986, fui aprovado em segundo lugar num concurso para professor da Prefeitura Municipal de João Pessoa, sendo que, tomei posse em dezembro de 1987. Ainda neste finalzinho do ano tive a honra de ser selecionado para cursar o Mestrado em Serviço Social, ainda na UFPB. De outra parte, me inscrevi em outro concurso público, desta vez, do Governo do Estado da Paraíba, o qual, também fui aprovado em segundo lugar.  

     Naquele período da minha vida, entre o final do ano de 1987, e início de 1988, realmente, eu tive um Feliz Natal e um Próspero Ano Novo, tendo em vista que, em função das minhas conquistas, tive que deixar o ensino privado e passar para o ensino público, assumindo aulas na rede municipal e rede estadual de ensino, além de ingressar como aluno efetivo do Curso de Mestrado em Serviço Social. Nessa época, minha vida deu um giro de 360º, e, pensando no meu futuro, tive que dar conta de todos esses afazeres.

      Em 1993, me submeti a mais um concurso para trabalhar no Núcleo Pedagógico Integrado – NPI, da Universidade Federal do Pará. Portanto, outro momento semelhante também veio a acontecer no ano de 1994, quando noutro giro de 360º, fui aprovado em primeiro lugar, sendo que desta vez, em fevereiro de 1994, assumi minha vaga na UFPA. Foi o momento de deixar a velha Paraíba e me instalar em Belém do Pará. Não satisfeito com minha estada no Pará, resolvi me submeter a mais um concurso, desta vez, em setembro de 1994, na recém-fundada Universidade Federal do Amapá (à qual se tornou minha casa preferida), quando também obtive o primeiro lugar. Instituição onde permaneço há 32 anos, sendo que, o mais significante de todo o meu trabalho, aqui no Estado do Amapá, foi a implantação do Curso de Licenciatura em Teatro. Escolhi acertadamente a carreira do magistério.   

 

 

domingo, 11 de outubro de 2026

CÍRIO DE NAZARÉ

 


     No teatro grego antigo havia a organização de procissões, que se tornaram muito mais religiosas do que profanas. Essas procissões tinham caráter comum, onde todos os celebrantes se juntavam tendo à frente jovens que cantavam um hino improvisado, chamado “ditirambo”, e assim giravam em torno do altar do deus, agradecendo pela colheita da uva e pelo sexo que significava a fertilidade da vida. E foi exatamente desse coro, do contraste entre o espírito Dionisíaco e Apolíneo que nasceram a Tragédia e a Comédia. A tragédia tinha como principais características o terror e a piedade que despertava no público. Era constituída de cinco atos e voltava-se para o resgate da mitologia grega, com seus deuses, heróis e feitos. A comédia era dividida em duas partes com um intervalo. Tratava dos homens comuns e de sua vida cotidiana.

     Em seguida o coro separou-se do recitador, nesse momento crucial da história do teatro havia nascido o primeiro ator. Contudo, na procissão já se podia constatar três artes: o canto, a dança e a atuação. Nesse caso, à frente vinha o “Corifeu” – de onde surge a palavra Coro – vestido com pele de bode. Consequentemente todo o resto do grupo respondia ao ditirambo, atuando como um verdadeiro balé litúrgico, numa fusão do trágico e do cômico. Essa narrativa cantada sempre era realizada em terceira pessoa.

     E assim constituiu-se a Tragédia: o ator e o coro se respondem cantando, em seguida o ator fala e o coro canta e posteriormente o ator dialoga com o Corifeu, representante do coro. Vale salientar que nesse momento embrionário da Tragédia não havia atos nem intervalos, sendo a mesma, composta de partes dialogadas e partes faladas.

     Como muitas festividades que se conhece de povos antigos e contemporâneos, o Círio de Nazaré se insere nesse rol em que seu significado faz parte de uma comunidade que se debruça a louvar seu Deus. Neste caso, a Virgem de Nazaré. E passa a agradecer as lutas, conquistas e promessas alcançadas ao longo do tempo que se passou. Inclusive, e particularmente à vida. Agradecemos principalmente por estarmos vivos. E semelhantemente acontece no Círio de Nazaré, quando todos os anos, numa determinada época, o povo se reúne para louvar a sua Santa (Deusa) Virgem de Nazaré. É interessante saber que apesar da distância cronológica, momentos semelhantes existem entre essas duas manifestações religiosas, como por exemplo, o vigário assumindo o lugar do Corifeu, que, quando fala uma estrofe de uma oração, automaticamente o povo responde, representando nessa ocasião, o coro. Tal como: pároco – Viva Nossa Senhora de Nazaré!; povo em coro:  - Vivaaaaaaaa!!!

      Manifestações como estas, denota a declaração antropológica de que pertencemos àquele ou a este grupo ou comunidade. É nessa grande homenagem à nossa Senhora de Nazaré que uma multidão vai às ruas para agradecer à Santa ou para lhe ofertar promessas, muitas vezes em troca do sonho de galgar uma casa própria. E é nessa relação de fé e de caridade, que muitas vezes esses sonhos se realizam. Nesse caso, cria-se um elo muito forte, denso e emotivo em relação à imagem da Santa Virgem de Nazaré, que traz não só paz, mas que também serve como terapia e cura para muita gente. Com os atropelos da sociedade contemporânea que, na ânsia de enriquecer de qualquer forma, impõe cotidianamente na cabeça das pessoas, a necessidade do consumo desenfreado. E esse não é o caminho. Portanto, apelar para a Virgem de Nazaré é uma boa causa e faz bem à saúde e à alma.   

 

 

 

 

segunda-feira, 5 de outubro de 2026

TEATRO E AUDITÓRIO

 

 

     Tendo como ponto de partida de que o Teatro das Bacabeiras, deve ser considerado como um edifício profissional; hoje em dia, o melhor caminho para os que trabalham com artes cênicas em nosso Estado é buscar espaços alternativos, os quais, encontramos em alguns locais da cidade. Entre os espaços alternativos para representações teatrais em nossa cidade temos: Auditório do SESC/Araxá, entre tantos outros vários palcos que se encontram em nossas escolas de ensino fundamental e médio; Fortaleza de São José de Macapá; Centro de Convenções Azevedo Picanço; Museu Sacaca; Auditório Multiuso da UNIFAP; Teatro do Céu das Artes, entre outros.

          A Fortaleza de São José de Macapá é um espaço que marca a cidade como referência de sua colonização portuguesa. Um dos espetáculos que vem sendo apresentado há 47 anos, naquele imenso espaço, é “Uma Cruz para Jesus”. É um espaço teatral, que, como cartão postal e prédio turístico, deveria manter algum tipo de representação teatral ligada ao tema sobre a luta de Cabralzinho e a história do Amapá, com o objetivo de, a partir do teatro, mostrar soldados com figurinos de época, com tochas, e fazer parte da programação diária daquele monumento.

     Outro espaço que também já presenciou várias apresentações foi o Centro Cultural do Estado do Amapá, inaugurado na década de 1990, por força da Lei Estadual nº 0212. Tempo depois, tornou-se Centro de Convenções João Batista de Azevedo Picanço e ainda Teatro Experimental em 2002. Quando inaugurado, este prédio era conhecido como Centro Cívico de Macapá. Ainda continua em atividade; é um espaço considerável para os grupos de teatro do Amapá. Infelizmente não existe, por parte dos órgãos de cultura, uma política permanente de aproveitamento desse espaço físico para fins artísticos.

     É bom lembrar, que na maioria dos casos, esses espaços não são mais que auditórios. Para podermos compreender mais profundamente esta relação, observaremos aqui, as principais diferenças entre Auditório e Teatro. Auditório origina-se do latim auditorium, que significa local onde se reúne os ouvintes. O termo está relacionado com audição, áudio, voz, som, ruído, sonorização, etc. Nesses termos, auditório é um lugar onde as pessoas vão para ouvir outras pessoas falarem. Esse é o principal objetivo do auditório: ouvir um emissor falar para um receptor. Já o teatro, cujo termo origina-se do grego theatron, significa lugar para olhar, ou lugar de onde se vê. Diferentemente do auditório, alguém vai ao teatro não só para ouvir, mas para ver e se emocionar ao assistir a um espetáculo teatral, que traz em seu bojo, um enredo e uma história com início, meio e fim. Com personagens fictícios sendo representados por atores, os quais possuem técnicas para a realização do referido espetáculo.  O que no auditório será discurso, no teatro será ação; Se no auditório há oradores, no teatro, são atores que representam personagens; os auditores ouvem, os espectadores observam; no auditório ouve-se o que diz, no teatro, observa-se o que se faz; o auditório é um lugar para narração de um discurso, enquanto que o teatro é um local para representação de uma peça teatral; os discursos, para o auditório, são os vetores principais da narração; a ação para o teatro, é o vetor principal do espetáculo; a ação para o auditório, não é mais que os acessórios do discurso, por outro lado, os discursos para o teatro, não são mais que os acessórios da ação. Dessa forma, pode-se observar que se faz necessário saber que todo teatro pode ser auditório, mas nem todo auditório pode ser teatro.

   

domingo, 27 de setembro de 2026

O ENIGMA DE ÉDIPO

 


     Édipo Rei, é um texto dramatúrgico de um dos mais importantes trágicos gregos da antiguidade. Sófocles, o escreveu e o encenou na Grécia Clássica, ou seja, no século V antes de Cristo. Todos sabem ou já ouviram falar sobre a história de Édipo, ele estava predestinado a matar seu pai e casar com sua própria mãe. A partir de estudos com base nesse texto, Freud conseguiu criar sua tese psicológica do “Complexo de Édipo”, que é o caso do filho que se apaixona pela própria mãe.

     O que não se conhece é onde Sófocles buscou inspiração para a elaboração do referido texto. Foi uma ideia genial, mas com certeza ele deve ter conhecido fatos semelhantes que aconteceram num período muito mais antigo do que aquele momento em que ele vivia na Grécia Clássica de sua época. 

     Há uma lenda de que na antiquíssima Babilônia, vivia um neto de Noé, chamado Cuxe, que se casou com Semíramis, e este casal gerou Ninrode. Esse último, foi um dos primeiros homens mais poderosos da terra. Ninrode era neto de Cam, que por sua vez, era filho de Noé. Em função de seu poder, Ninrode se rebela contra Deus e manda construir a torre de Babel. Com a morte de seu pai, terminou se casando com sua própria mãe, Semíramis.

     A história de Édipo não começa com ele, mas, muito antes. Inicia com Lábdaco, que era filho de Polidoro; Laio se torna filho de Lábdaco; e por fim, nasce Édipo, que é filho de Laio. Quando em sua juventude, enquanto Laio pernoitava no palácio do rei Pélops, envolveu-se numa paixão homossexual com Crisipo, que era filho daquele rei. Todavia Laio raptou Crisipo. Nessas idas e vindas, Crisipo comete suicídio. Irado, o rei Pélops amaldiçoou Laio. Maldição esta, que causaria sua infelicidade como também de seus descendentes.

     Com o apoio dos oráculos, a maldição de Pélops resumia-se na seguinte frase: Laio geraria um filho que mataria o próprio pai (no caso Laio) e casaria com a própria mãe. Em detrimento dessa maldição, Laio que era rei de Tebas e casado com Jocasta, se recusava a dar um filho à sua esposa legítima, com a perspectiva de que a maldição não caísse sobre ele.  Hera, esposa de Zeus (que era a deusa do casamento) concordou, e para punir Laio, enviou a Esfinge que ficou numa montanha próxima à cidade. Todos que por ali passavam se submetiam a perguntas feitas pela esfinge, e aos que não sabiam responder, eram devorados pela própria esfinge.

     Somente Édipo é que foi vencedor, quando a esfinge (que tinha busto de mulher e corpo de leão) lhe direcionou a seguinte pergunta: qual o animal que pela manhã anda de quatro, à tarde com duas pernas e à noite com três? E Édipo respondeu: o homem, que, quando novinho engatinha com os pés e mãos; quando adulto anda com duas pernas, e quando velhinho anda com três, porque se apoia numa bengala. Vencida, a esfinge se jogou da montanha e morreu no precipício. A partir daí a maldição se aprofundou e Édipo teve seu destino trágico cumprido.

segunda-feira, 21 de setembro de 2026

MOLIÈRE

 

 

     Jean Baptiste Poquelin, mais conhecido como Molière, nasceu na cidade de Paris em 15 de janeiro de 1622 e faleceu em 17 de fevereiro de 1673. Foi dramaturgo, ator e encenador. Ele teve um papel de destaque na dramaturgia francesa, quando era, de certa forma, muito dependente da temática da mitologia grega. Em suas obras, Molière também passou a criticar os costumes da época. Ele era filho de um artesão parisiense. Ficou órfão da mãe quando ainda era criança. Em 1633 entrou na prestigiada escola de Jesuítas do Collège de Clermont, onde completou a sua formação acadêmica em 1639.

     Quando completou 18 anos, seu pai lhe passou o título de “Tapissier de Roi” (Tapeceiro ordinário do rei), e o cargo associado de “valet de chambre”, ou seja, criado de quarto. Isto significa dizer que desde cedo teve contato com o rei. Em junho de 1643, juntamente com a sua amante Madeleine Béjart, seu cunhado e sua cunhada, fundou a companhia (trupe) de teatro L’Illustre Théâtre. E já em 1644, apresenta-se em Paris. Nessa época, passa a dirigir a referida companhia, que em 1645 entra em crise. Foi a partir desse momento que ele assumiu o pseudônimo de Molière, inspirado no nome de uma pequena aldeia do sul da França.

     Em Lyon, Madame Duparc, conhecida como La Marquise, juntou-se à companhia. Estabelece-se definitivamente no teatro do Petit-Bourbon, onde, a 18 de novembro de 1659, faz a estreia da peça Les Précieuses ridicules (As preciosas ridículas) uma das suas obras primas que criticava os maneirismos e modos da sociedade em que vivia. Para os mais interessados, há o filme “Marquise”, que trata exatamente sobre o teatro de Molière naquele período.

     Apesar de sua preferência pelo gênero trágico, Molière tornou-se famoso pelas suas farsas, geralmente de um só ato e apresentadas depois de uma tragédia. Algumas dessas farsas eram parcialmente escritas, sendo encenadas ao estilo da “commedia dell’arte”, com improvisação a partir de um canovaccio (esboço muito geral da peça). A “commedia del’arte” teve seu auge na Idade Média, na Itália. Se transformou no período mais importante do teatro de rua, na história do teatro.

     Sganarelle ou le Cocu Imaginaire de 1660, trazia à tona o tema das relações humanas, descrita com um certo grau de pessimismo. Isso tornar-se-ia evidente nas suas obras seguintes e fonte de inspiração de futuros dramaturgos, como por exemplo, Luigi Pirandello. Le Tartuffe (Tartufo) foi encenado em Versailles em 1664, tornando-se no maior escândalo da carreira de Molière. A descrição da hipocrisia geral das classes dominantes e, principalmente do clero, foi considerada ofensiva e imediatamente contestada. Em função de críticas da sociedade, o rei vê-se obrigado a suspender as apresentações desta peça. Em 1666, apresenta Le Misantrophe (O Misantropo), que é considerada uma das obras mais refinadas e com um conteúdo moral mais elevado das peças de Molière.