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segunda-feira, 21 de setembro de 2026

MOLIÈRE

 

 

     Jean Baptiste Poquelin, mais conhecido como Molière, nasceu na cidade de Paris em 15 de janeiro de 1622 e faleceu em 17 de fevereiro de 1673. Foi dramaturgo, ator e encenador. Ele teve um papel de destaque na dramaturgia francesa, quando era, de certa forma, muito dependente da temática da mitologia grega. Em suas obras, Molière também passou a criticar os costumes da época. Ele era filho de um artesão parisiense. Ficou órfão da mãe quando ainda era criança. Em 1633 entrou na prestigiada escola de Jesuítas do Collège de Clermont, onde completou a sua formação acadêmica em 1639.

     Quando completou 18 anos, seu pai lhe passou o título de “Tapissier de Roi” (Tapeceiro ordinário do rei), e o cargo associado de “valet de chambre”, ou seja, criado de quarto. Isto significa dizer que desde cedo teve contato com o rei. Em junho de 1643, juntamente com a sua amante Madeleine Béjart, seu cunhado e sua cunhada, fundou a companhia (trupe) de teatro L’Illustre Théâtre. E já em 1644, apresenta-se em Paris. Nessa época, passa a dirigir a referida companhia, que em 1645 entra em crise. Foi a partir desse momento que ele assumiu o pseudônimo de Molière, inspirado no nome de uma pequena aldeia do sul da França.

     Em Lyon, Madame Duparc, conhecida como La Marquise, juntou-se à companhia. Estabelece-se definitivamente no teatro do Petit-Bourbon, onde, a 18 de novembro de 1659, faz a estreia da peça Les Précieuses ridicules (As preciosas ridículas) uma das suas obras primas que criticava os maneirismos e modos da sociedade em que vivia. Para os mais interessados, há o filme “Marquise”, que trata exatamente sobre o teatro de Molière naquele período.

     Apesar de sua preferência pelo gênero trágico, Molière tornou-se famoso pelas suas farsas, geralmente de um só ato e apresentadas depois de uma tragédia. Algumas dessas farsas eram parcialmente escritas, sendo encenadas ao estilo da “commedia dell’arte”, com improvisação a partir de um canovaccio (esboço muito geral da peça). A “commedia del’arte” teve seu auge na Idade Média, na Itália. Se transformou no período mais importante do teatro de rua, na história do teatro.

     Sganarelle ou le Cocu Imaginaire de 1660, trazia à tona o tema das relações humanas, descrita com um certo grau de pessimismo. Isso tornar-se-ia evidente nas suas obras seguintes e fonte de inspiração de futuros dramaturgos, como por exemplo, Luigi Pirandello. Le Tartuffe (Tartufo) foi encenado em Versailles em 1664, tornando-se no maior escândalo da carreira de Molière. A descrição da hipocrisia geral das classes dominantes e, principalmente do clero, foi considerada ofensiva e imediatamente contestada. Em função de críticas da sociedade, o rei vê-se obrigado a suspender as apresentações desta peça. Em 1666, apresenta Le Misantrophe (O Misantropo), que é considerada uma das obras mais refinadas e com um conteúdo moral mais elevado das peças de Molière.

domingo, 13 de setembro de 2026

SÁTIROS E BUNDUS

 

         Sileno era o pai dos sátiros, foi ele quem educou o deus Dioniso. Tradicionalmente, os sátiros são os filhos das Náiades divinas, que eram ninfas de água doce, rios, lago, fontes e riachos. Sátiros eram híbridos provenientes da natureza, da floresta, portanto eram divindades mortais. Representavam na cultura grega, a força da natureza sem controle. Em grego, sátiro significa lascívia, e o símbolo da lascívia é o bode, por isso eles eram metade homens e metade bode, possuíam pernas, cauda e orelhas de bode. Além de chifres nas testas, tinham narizes achatados, barbas longas e lábios grossos, e eram demasiadamente cobertos de pelos. Viviam nos bosques e campos e defendiam a natureza, sendo assim, eram respeitados pelos pastores e camponeses. Derivados desses seres, hoje temos no Brasil, nossos protetores das florestas, como: Curupira, Saci-Pererê, Cobra Grande, Negrinho do Pastoreio, Mula sem Cabeça, lenda do Boitatá, Comadre Florzinha, lenda do Boto, lenda da Iara, entre outros.

     Frequentemente, os sátiros se relacionavam com as ninfas e mais comumente com as bacantes, que se juntavam a eles para acompanharem o cortejo e cultuarem o deus Dioniso. Eram seres de grande potência sexual e geralmente eram representados com imensos falos. Além de Dioniso, os sátiros também acompanhavam o deus Pã, que era o protetor dos pastores, dos bosques, dos rebanhos e campos. Segundo historiadores, seres parecidos como esses, já existiam no antigo Egito, como lá não tinha florestas, diferentemente da Grécia, eles habitavam os desertos. Foi por motivo da morte de Osíris, quando Isis ficou de luto, que a partir da sensibilidade do seu olfato, os primeiros a saberem desse acontecimento, foram os Pãs e os Sátiros. Por outro lado, enquanto na mitologia grega temos os sátiros, que seguem o deus Dioniso, da mesma forma temos na mitologia romana os faunos, que são os seguidores de Baco.

     Os sátiros eram personagens que sempre estavam presentes nos dramas satíricos. Quando havia, por exemplo, a apresentação de uma trilogia trágica, no final, eram apresentados um drama satírico. Isto se deu praticamente após a reforma de Prátinas, quando o drama satírico, se tornou obrigatório na tetralogia. Os sátiros representavam, a música, o vinho, a dança e a fertilidade do sexo. Da mesma forma que, na Grécia clássica havia os sátiros, homens vestidos de bode que dançavam e bebiam em louvor ao deus Dionísio. Na Roma antiga, havia os bundus, homens que louvavam o deus Baco. Dioníso na Grécia e Baco em Roma referem-se ao mesmo deus. Nesses festejos, conhecidos como dionisíacas ou bacanais, esses foliões consumiam vinho em demasia. Dessa forma, eles ficavam vagando sem rumo pelas ruas da cidade (como se fosse uma onda – unda) e não conseguiam encontrar o caminho de volta para casa. Daí eram chamados de bacca bundus, depois veio o latim vagabundus. E é desse étimo que deriva a palavra vagabundo, dessa forma aportuguesada.


domingo, 6 de setembro de 2026

POINT CULTURAL DÉCADA DE 1950

 

 

     A implantação do Território Federal do Amapá na década de 1940 redimensionou as questões geográficas, políticas, econômicas e culturais de uma das áreas mais setentrionais do Brasil. Em se tratando de questões culturais, isto se dará mais propriamente no final da década de 1940, com a inauguração e implantação de vários setores da cultura como, por exemplo: a inauguração do Cine Teatro Territorial em 22 de julho de 1944; inauguração da Rádio Difusora de Macapá em 23 de julho de 1946; inauguração da Escola Barão do Rio Branco (primeira escola em alvenaria de Macapá), em 13 de setembro de 1946, onde começa a surgir dramatizações de peças por alunos, com apoio de professores. Inauguração do Novo Hotel em 13 de setembro de 1945, e a inauguração da Praça Barão do Rio Branco em 1º de janeiro de 1950.

     Em relação à inauguração da referida praça, o Comandante Cordeiro da Graça dá suas impressões com o artigo “Acreditando no Futuro do Brasil”, o qual consta no livro, “Confiança no Amapá: Impressões sobre o Território”, de Janary Gentil Nunes, que foi publicado em 2012 em sua 2ª edição. No referido artigo, ele relata sobre aquela bela praça de esportes: “Assisti ao ato inaugural da praça “Barão do Rio Branco”. É uma praça pública bonita, larga, onde a juventude tem todos os esportes. Não seria possível desejar coisa melhor nem mais eficiente”.

     Tais fatores foram preponderantes para o desenvolvimento da cultura, da arte, das artes cênicas e especificamente do teatro. Portanto, é em função dessas ações cronológicas e sequenciais do governo Janary Nunes, que se percebe, que por um lado, fez crescer demasiadamente a cultura no Amapá e por outro, fez criar nos jovens um sentimento muito estreito em relação à arte. E é em função desses fatores que, na década de 1950 a produção cultural em relação à montagem de peças teatrais começa a surgir timidamente no âmbito do Ex-Território.

     Nesses termos, Nunes Pereira quando se refere às ações do governo Janary Nunes, em seu artigo “Opinião de Estudiosos: Evolução de um Território”, também publicado na obra “Confiança no Amapá: Impressões sobre o Territótrio”, afirma que: No campo cultural, por exemplo, ele não só atrai artistas e homens de ciência para que influam diretamente na formação da mentalidade do povo, porém procura amparar as tradições, os costumes que são típicos daquele povo, que constituem o seu patrimônio folclórico.

     Foi com a inauguração de vários prédios, tendo sido o primeiro, o Cine Teatro Territorial (1944), seguido de: Novo Hotel (1945); Rádio Difusora de Macapá (1946); Escola Barão do Rio Branco (1946); Praça Barão do Rio Branco, (1950), que se consolidou um espaço urbano com vistas de progresso e futuro. A partir do ano de 1950, com a inauguração da Praça Barão do Rio Branco, aquele espaço passou a ter grande importância para a comunidade local, visto que ali se concentrava a cultura, representada pelo Cineteatro; a comunicação (Rádio Difusora); a educação (Escola Barão); e o lazer (Praça Barão). Foi este espaço urbano que se transformou no principal point da cidade de Macapá entre as décadas de 1940/1950.

 

 

 

terça-feira, 1 de setembro de 2026

LITERATURA TEATRAL AMAPAENSE

 


 

     Pouco se conhece sobre o Teatro no Amapá; em se falando de dramaturgia as informações se tornam ainda muito mais escassas.  Se faz necessário saber, que a primeira obra que trata sobre o teatro no Amapá, é de minha autoria e foi publicada no ano de 2011 com o título “Artes Cênicas no Amapá – Teoria, Textos e Palcos”. Surgiu a partir de vários artigos que escrevi, principalmente no Jornal A Gazeta. Esta obra, enfoca os espaços teatrais; produtores teatrais; análise crítica de espetáculos apresentados no Estado; novela amapaense; arte circense e humor. Foi resultado de pesquisa do Grupo de Pesquisa em Artes Cênicas e do Núcleo Amazônico de Estudos das Artes Cênicas da Universidade Federal do Amapá - UNIFAP.

     Prosseguindo com pesquisas voltadas para o teatro no Amapá, foi publicado em 2013 a obra “Teatro no Amapá: Artistas e Seu Tempo”, também de minha autoria, que foi resultado de realização de entrevistas com artistas de teatro que haviam montado espetáculos nas décadas de 60, 70 e 80, e que na atualidade não havia nenhum registro sobre seus trabalhos voltados para o teatro no Amapá. Outra obra publicada também em 2013, foi Curso de Teatro no Amapá: Concepções e Proposições para o Ensino Superior; e ainda, Arque Com Arte: Cultura, Arte e Educação no Amapá.

     Do que se tem notícia, a primeira obra sobre dramaturgia amapaense foi publicada em 2012, intitulada “Cênico em Contextos: peças teatrais” do ator e diretor de teatro Daniel de Rocha, na intenção de socializar seus textos e consequentemente sua dramaturgia. Na ocasião, ele publicou sete textos de sua autoria. A segunda obra que também trata do referido tema, intitula-se “Dramaturgia Amapaense”, de minha autoria (publicada em 2015) também resultado de pesquisa realizada pelo Grupo de Pesquisa em Artes Cênicas, da UNIFAP.

     Para contribuir com esse vazio documental, tanto em relação à história do teatro no Amapá, em 2021, foi a vez da obra, “História do Teatro do Amapá – do século XVIII à década de 1940. Por outro lado, à medida que se vai pesquisando, vai-se revelando o vigor de um teatro que necessita urgentemente ser registrado e se tornar patente em nossas bibliotecas. Aliás, a realidade de nossas bibliotecas públicas e particulares carecem de material que informe à comunidade em geral; ao pesquisador e às pessoas de teatro sobre tema tão específico.

     O que se apresenta aqui são dados esparsos que fui localizando e analisando ao longo dos anos. Na atualidade, o que se encontra em nível bibliográfico são abordagens isoladas. No entanto, há evidências de ter havido desde o século XVIII, grande número de atividades teatrais, que não se restringiu apenas à capital, Macapá, mas principalmente em função da representação da luta dos “Mouros e Cristãos” na Vila de Mazagão Velho, cujas primeiras apresentações aconteceram no ano de 1777. A previsão para este ano, será o lançamento da obra: História do Teatro do Amapá – de 1950 aos dias atuais.

 

 

domingo, 23 de agosto de 2026

ANTES DOS GREGOS

 

 

     Certamente, mesmo antes da Grécia, manifestações cênicas voltadas para culto a vários deuses já existiam em várias latitudes, principalmente no Egito e Antigo Oriente como comprova estudos históricos e arqueológicos. Nas cercanias do mar vermelho o rei deus do Egito era o único legislador e a mais alta autoridade aqui na terra, a ele realizava-se muitas homenagens que eram apresentadas com utilização da música, dança e diálogo dramático. Nesse período, a realeza era o único princípio ordenador das coisas. O Antigo Testamento enfoca essa época de sabedoria e vida luxuosa do Egito.

     Nabucodonosor promovia um festival do Ano Novo, cuja manifestação pouco se sabe. Na Mesopotâmia havia a manifestação do “casamento sagrado” que era um ritual mítico. Detectou-se na dança egípcia de Hator, momentos da utilização de pequenos diálogos. Ainda no Egito estudiosos encontraram em Abidos, vestígios do “Drama, Morte e Paixão de Osíris”. A cidade de Abidos era a Meca dos egípcios.

     Em várias manifestações aos deuses antigos, detectou-se indícios da presença de mimo, farsas, anões e atores mascarados que divertiam as cortes da época como se fossem verdadeiros bobos da corte no Oriente antigo. Além de Osíris e Isis, também eram cultuados vários outros deuses como Marduk e Mitra.

     Se por um lado, existia o culto aos deuses, por outro, também havia o culto aos mortos, e nessas manifestações funestas, era constante a presença de música e dança, banquetes procissões e oferendas, de acordo com achados arqueológicos em catacumbas e tumbas egípcias. Imagens pintadas e esculpidas revelam manifestações aos deuses: Rá, o deus do paraíso e a Osíris, o senhor dos mortos. Osíris era o deus que estava mais próximo do ser humano.

     Em 1882 o egiptólogo Gaston Maspero, em seus estudos, revelou o caráter dramático dos textos das pirâmides. De certa forma, havia nessas manifestações apresentação em primeira pessoa que sugeriam enganosamente um suposto diálogo que ainda não ainda não tinham sidos endossados por pesquisas recentes. Outra questão fundamental, era a presença de um público, situação que só vem a acontecer na democracia grega.

     Uma das questões do novo passo que deu o teatro na Grécia Antiga é o fato de que em Atenas já reinava um processo democrático, o que faltava no povo egípcio que não conhecia o conflito entre a vontade dos homens e a necessidade dos deuses. Quando Théspis fala – eu sou Dionísio – ele foi totalmente revolucionário, o que nunca iria acontecer na cultura egípcia porque seria total desavença em relação ao poder autocrático do Faraó. E por essas e outras questões, pode-se dizer que o teatro que conhecemos hoje, teve início na Grécia Clássica.

 

segunda-feira, 17 de agosto de 2026

ÉPICO, LÍRICO E DRAMÁTICO

 

                               

 

 

     Trago aqui este esclarecimento em relação a essas estéticas para um melhor entendimento do aspecto das artes cênicas. Entre as formas poéticas temos a poesia épica; a poesia lírica e a poesia dramática. O poeta épico expressa a realidade ao contar como ocorreu tal ou qualquer batalha. Deve descrever a luta com o máximo possível de detalhes objetivos, sem se preocupar com a sua própria maneira particular de sentir esses fatos. No caso, um cavalo deve ser descrito como um cavalo e não como outra coisa, como também não deve usar imagens subjetivas. Aqui, a objetividade está em primeiro lugar.

     Já a poesia lírica, ao expressar sentimentos busca exatamente o contrário, o oposto da poesia épica, visto que expressa o mundo subjetivo, ou seja, os sentimentos, as contemplações e emoções. Em vez de recordar o desenvolvimento de uma ação, sua finalidade consiste em expressar o lado interior do ser humano.

    A poesia dramática, por sua vez, combina o princípio da objetividade (épica) com o princípio da subjetividade (lírica): o caráter objetivo da ação que é apresentado diante de nossos olhos e o caráter subjetivo dos motivos interiores que movem os personagens e seu destino.

   Enquanto que na poesia épica a ação e os personagens vivem um tempo distinto dos espectadores, na poesia dramática os espectadores são transportados à época e ao lugar onde ocorre a ação, e ambos estão no mesmo tempo e lugar. Por isso, a empatia, a relação emocional presente é possível apenas na poesia dramática e não na poesia épica.

     Para Hegel, a poesia épica é aquela que apresenta o mundo moral sob a forma de realidade exterior. Para ele tudo o que acontece é determinado por poderes morais, sejam divinos ou humanos.

     Brecht usa a expressão ‘teatro épico’ principalmente em contraposição à definição de ‘poesia épica’ que nos indica Hegel. Portanto, toda a poética de Brecht é basicamente, em resposta e uma contraproposta à poética idealista Hegeliana.

       Se por um lado a poesia épica mostra as ações determinadas pelo espírito, por outro, a poesia lírica nos revela os próprios movimentos desse espírito. Já a poesia dramática, por sua vez, nos mostra diante de nossos olhos, o espírito e as suas ações no mundo exterior.

     Se para Hegel, o espírito cria a ação dramática, Para Brecht a relação social do personagem é quem cria a ação dramática. Na poética Idealista o pensamento condiciona o ser social, e na poética marxista o ser social condiciona o pensamento.

 

 

 

domingo, 26 de julho de 2026

ETIMOLOGIA E TEATRO

 

 

     O teatro surgiu na Grécia antiga há quase três mil anos. Durante toda a história do homem há uma relação intrínseca entre a vida e a arte. Relacionaremos em seguida algumas palavras ligadas ao teatro e suas principais origens:

     A palavra TEATRO vem do Latim theatrum, do Grego theatron, que significava literalmente “lugar para olhar”, de theasthai, “olhar”, mais tron, sufixo que denota “lugar”. O sentido de “lugar onde transcorre a ação” se aplicou também aos feitos militares, daí o nome “teatro de operações” para uma área onde há luta armada.

     ANFITEATRO também vem do Latim amphiteatrum, do Grego amphiteatron, que significa “local de espetáculos duplo, com espectadores dispostos de ambos os lados do palco”, de amphí-, “dos dois lados”, mais theatron, local de onde se vê. Inicialmente os teatros possuíam assentos apenas no lado voltado para o palco, seguindo a arquitetura do teatro grego. É ainda o caso da maioria ou todos os nossos teatros atuais. Os atuais estádios de futebol são hoje os nossos verdadeiros anfiteatros.

     O termo COMÉDIA vem do Grego komoidia, “espetáculo divertido, comédia”, de komodios, “cantor em festas”, de komos, “festa, farra”, mais oidos, “poeta, cantor”.  Este termo passou por uma fase em que era usado para designar “poema narrativo”, o que é a razão de o livro “A Divina Comédia”, de Dante Alighieri, ter esse nome. 

     TRAGÉDIA deriva do Grego tragoidia, que significa “peça ou poema com final infeliz”. Aparentemente deriva de tragos, “bode”, mais oidea, “canção”. Ao pé da letra poderíamos dizer “a canção dos bodes”, e isso viria do drama satírico, onde os atores se vestiam de sátiros, com suas pernas cabeludas e chifres de bode. 

     Da mesma forma, DRAMA também deriva do Grego drama, “peça, ação, feito” (especialmente relativo a algum grande feito, fosse positivo ou negativo), vem de drao, “fazer, realizar, representar, lutar”.

     PLATEIA – ao que tudo indica, deriva do Grego platea, que significa “largo e plano”. Inicialmente designava o lugar onde ficavam os músicos e se estendeu depois, em prédios diferentes dos teatros gregos, à parte onde tomam assento os espectadores.

    PALCO – do Italiano palco, “estrado, tablado”, do Lombardo palko, “trave, viga”. Seu sentido se estendeu depois ao de “tablado sustentado por vigas” e mais tarde a “estrado ou palco designado para apresentações artísticas”.

     CENA – do Latim scaena, “palco, cena”, do Grego skena, de mesmo significado, originalmente “tenda, cabana”, relacionado a skia, “sombra”, pela noção de “algo que protege contra o sol”.

     Para quem trabalha na área do teatro conhece bem os termos acima, interessante é entender a origem dessas palavras, a partir daí passa-se a entender o porquê do uso corrente e atual das mesmas.