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terça-feira, 3 de março de 2026

TEATRO DE AMADORES DO AMAPÁ

 


     Desde o ponto de partida da montagem de “Pluft, o Fantasminha” pela União de Estudantes Secundaristas do Amapá, com direção de Cláudio Barradas, em 1959, o teatro do Amapá conquistou sua progressiva e crescente ascensão. No início da década de 1960, o teatro em nossa região, tem novo impulso, quando do surgimento de um dos mais importantes grupos de teatro da época. Isto fica evidente, com a fundação do Teatro de Amadores do Amapá, em 10 de setembro de 1960. Como um verdadeiro mecenas, o poeta Alcy Araújo, que tinha sido um dos principais incentivadores da arte no período Janary, já na década de 1960 passou a fazer parte do Teatro de Amadores do Amapá. Sobre Alcy Araújo, localizei citação no Jornal A Gazeta, no suplemento camarim, página F4, que foi publicado em homenagem ao poeta, de 5 de agosto de 2012.  Alcy Araújo amava todas as artes. Era um apaixonado pelo teatro. Tanto que foi por iniciativa dele que os amapaenses puderam assistir a peça “Deus lhe Pague”, aliás esta foi a primeira peça teatral trazida para o Amapá. Foi apresentada no Cine Territorial. Alcy fazia parte do “Teatro de Amadores do Amapá”, fundado em 1960. O Teatro das Bacabeiras existe por causa dessa luta. Durante anos Alcy tentou convencer os governantes da necessidade do Amapá possuir um teatro, fez estudos, projetos e tudo o mais. Até que conseguiu e aí está o Teatro das Bacabeiras.

     Fundado em 10 de setembro de 1960, segundo os Estatutos do Teatro de Amadores do Amapá, o mesmo era composto pelas seguintes personalidades: Sebastião Ramalho da Silva (Diretor Geral); Miracy Maurício Neves (1º secretário); Ronele Sousa (2º secretário); João Baptista T. de Arruda (1º tesoureiro); Ester da Silva Virgolino (2º tesoureiro); Mário Quirino da Silva (diretor de cena); Luiz Ribeiro de Almeida (diretor social); Ivaldo Veras (diretor de patrimônio). O Conselho Fiscal era composto por: Tereza Torres, Mário Simões Pires, Mário Barbosa e Clodoaldo Nascimento. Compunham o Conselho Consultivo: Creuza Bordalo, Aracy de Mont’Alverne, João Telles e Antônio Munhoz Lopes. Entre os sócios fundadores estavam: Sebastião Ramalho da Silva (economista, brasileiro, solteiro, pernambucano); Dr. Antônio Munhoz Lopes (advogado, brasileiro, paraense, solteiro); Hilkias Alves de Araújo (brasileiro, casado, mecanógrafo); Zildekias Alves de Araújo (brasileiro, solteiro, comerciário); Eunice Costa (desquitada, brasileira, técnica em alimentação); Hodias Alves de Araújo (brasileiro, solteiro, estudante); Eduardo de Lyra Ferreira (casado, brasileiro, industriário); Erilo de Lyra Ferreira (brasileiro, solteiro, industriário); Vicente de Paula Pereira de Sousa Filho (brasileiro, comerciante, casado); Raimundo Nonato Paes de Freitas (brasileiro, solteiro, estudante); Terezinha de Jesus Torres (brasileira, solteira, professora); Raimundo Donato dos Santos (brasileiro, casado, professor); Lygia Maria da Silva Cruz (brasileira, solteira, professora); Clívia Nascimento (brasileira, solteira, professora).

 

 

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2026

BRUXISMO

  

     Na década de 1970, do século passado, quando entrei na 5ª série ginasial, pela primeira vez, passei a estudar uma língua estrangeira, no caso, a língua francesa, isso porque me colocaram numa sala onde a turma iria estudar a referida língua. Não houve escolha de minha parte, mas, vale ressaltar que naquela ocasião, a escola pública oferecia duas línguas estrangeiras: o francês e o inglês. O fato é que, passei a estudar e a gostar da língua francesa. Paralelamente, também comecei a estudar a língua portuguesa, e com a passagem do tempo, percebi que foi a língua francesa que me motivou e me fez abrir os olhos para o constante estudo da língua portuguesa. 

     O português é uma língua riquíssima, e entre tantos outros detalhes enfocarei neste artigo, o termo bruxismo, que tanto é mencionado pelos profissionais da odontologia. Bruxismo é uma expressão relacionada ao ato de apertar e ranger os dentes. É um distúrbio, frequentemente ligado ao estresse e ansiedade, que causa desgastes nos dentes, entre outras reações doentias. Alguns dos sintomas são: dores faciais, de cabeça e ouvido, dentes sensíveis ou amolecidos. Bruxismo é um termo que vem do grego brýchein ou brygmós, que significa “ranger os dentes”. A palavra bruxismo, apesar da semelhança fonética, não tem nenhuma relação com bruxas. Esta associação pode estar ligada mais a uma confusão popular, sendo na verdade, uma coincidência que leva a pensamentos sobre o sobrenatural, mas é um problema de saúde física e psicológica. 

     Por outro lado, a palavra “bruxa”, tem origem pré-romana, e a confusão surge por semelhança fonética, mas não há ligação etimológica com o termo médico. De toda forma, há dois vocábulos que podem ser usados: bruxismo é mais relacionado quando acontece à noite, e briquismo, quando a pessoa está acordada e refere-se especificamente ao hábito diurno. Na antiguidade, personagens citados pelo escritor romano Horácio, já descreviam mulheres com poderes ocultos, ritualísticos e verdadeiras sacerdotisas de deuses. Canídia, Medeia e Circe, podem ter sido as matriarcas de todas as feiticeiras que as sucederam.

     Já em relação à questão fonética, a pronúncia correta é bru-ksismo (com som de KS, similar a sexo e taxi). Em relação à forma popular com som de “CH” (bru-chi-smo), seja muito comum e usada por todos no uso diário, em vista disso, passa a ser aceita no cotidiano das pessoas. Mas, a forma tecnicamente correta é BruKSismo, sendo que o “X” na palavra bruxismo se torna um dos únicos vocábulos do alfabeto que apresenta o fonema de duas locuções juntas, neste caso, os sons da letra K e do S.

     Bruxismo com o fonema CH, também pode parecer crença em bruxas. Por outro lado, a palavra “bruxa”, tratando-se do português é incerta e duvidosa, mas, o melhor entendimento é de que, ela tenha raízes célticas e que provém de um radical dessa língua: brixt ou bricht, que significa encantamento ou feitiço. Já o termo witch deriva do germânico wit, que significa sabedoria, e bruxa tem origem na região ibérica, e apresenta conotações de saber oculto ou curandeirismo.

    

   

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2026

EU E A CIDADE

 

 

          Na última quarta-feira, dia 04 de fevereiro, a cidade de Macapá completou seus 268 anos com muitas festividades que aconteceram no seu aniversário. Quando aqui cheguei em novembro de 1994 a cidade tinha apenas 236 anos. Coloquei os pés nessas terras para me submeter a concurso público na Universidade Federal do Amapá. Com a Universidade recém fundada, participei do seu segundo concurso público para professor do magistério superior. Era uma cidade horizontal, com faixa de trezentos mil habitantes e com a maioria de suas casas de madeira. Condição que chamou extremamente minha atenção.    

     Nada conhecia sobre este recanto de Brasil, tudo era novo, eu ainda não tinha nenhuma referência sobre este espaço geográfico. Trabalhava em Belém, no Núcleo Pedagógico Integrado da UFPA, mas desejava ir mais longe. Cheguei aqui com a cara e a coragem de um nordestino desbravador e passei a ser pioneiro em relação aos estudos e pesquisas na área das artes cênicas. Iniciei as primeiras pesquisas científicas sobre o Teatro do Amapá e continuo estudando e pesquisando este mesmo tema.

     Aos poucos, fui enamorando esta pequena cidade, que paulatinamente foi me conquistando com o passar dos anos. Hoje tenho muito orgulho de Macapá. De todo o processo que acompanhei ao ver esta cidade crescer, juntamente com o desenvolvimento da própria Universidade Federal do Amapá, que, há trinta e um dois anos, se tornou minha casa, meu ninho, meu aconchego.

     Macapá está de Parabéns nesses seus 268 anos. É verdade que há muito o que se comemorar. Nessas três últimas décadas, a cidade cresceu em todos os sentidos: alargamento de avenidas, criação de museus, asfaltamento, iluminação pública, entre outros fatores. O centro da cidade, por exemplo, ficou completamente revitalizado com a Fortaleza de São José de Macapá, onde todo o espaço urbano do centro da cidade foi se transformando num complexo turístico deveras importante. A recuperação do entorno do canal da Mendonça Júnior, a Rodovia Duca Serra que virou uma grande avenida.

     Muitos espaços que vem sendo construídos e definidos ao longo dos anos, como a Rua Tancredo Neves, com seu Parque Lineaer, que transformou a entrada da cidade, de quem vem do interior ou da Guiana Francesa. Tiro o chapéu para esta bela avenida ampla, arborizada, com ciclovias, sinalização e passarelas para pedestres, que envolve vários bairros da zona norte. Espaço urbano que há 30 anos havia apenas uma pequena via e alguns bairros como, Jardim da Felicidade e Boné Azul. Macapá é uma cidade tranquila, me sinto bem neste recanto do Brasil. Aqui que me realizei profissionalmente e venho fazendo minha parte. Este ano de 2026, estarei lançando mais uma obra para contribuir com esta cidade e este Estado que me acolheu de braços abertos. A obra intitula-se “História do Teatro do Amapá – De 1950 aos Dias Atuais”.

     Macapá foi me envolvendo, aos poucos, e também fui me amalgamando a esta pequena cidade joia da Amazônia. Morar neste lugar é ter o prazer de todos os dias ter a chance de apreciar esta bela paisagem que se encontra de braços abertos para todos, que é o rio Amazonas. Particularmente, este rio me encanta. Sou grato por estar em Macapá e ela estar em mim, por osmose se deu nossa relação, eu e a cidade, a cidade e eu. 

 

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2026

A MÃO DO CANGAPÉ

 

 

     Com o objetivo de promover eventos artísticos e contribuir para o desenvolvimento e inclusão de crianças, adolescentes e jovens, foi fundada no ano de 2005, no bairro do Araxá, a “Associação Cultural Companhia Cangapé”. Mesmo antes da formação desta companhia, o grupo já vinha se dedicando ao teatro e ao circo, visto que passaram por alguns grupos teatrais do município. A companhia Cangapé já vem há 21 anos contribuindo na área da arte, cultura e trabalho social no bairro do Araxá, que é uma área geográfica da cidade de Macapá, com grande vulnerabilidade social.

     Mas não pensem que foi tão fácil! Inicialmente, a companhia não tinha endereço fixo, foi quando Washington Silva e Alice Araújo, adquiriram uma pequena casa, à qual seria sua moradia, no bairro do Araxá. Acontece, que tiveram que enfrentar um sério problema, tendo em vista que a companhia já vinha com um trabalho bastante profícuo e não possuía um lugar fixo, para que se tornasse uma referência na arte no Amapá. Sendo assim, foi necessário longo debate para se decidir o que se faria com o imóvel recém-comprado. Desta feita, ficou decidido que aquela casa seria transformada na sede da companhia. Com essa determinada decisão, a única saída para o casal foi alugar uma casa, ao lado do prédio onde seria instalada a Sede do grupo.

     A Companhia Cangapé realiza um sério trabalho no bairro do Araxá, tendo como ponto de partida a arte, centralizando principalmente no circo e no teatro. Por outro lado, promove projetos de cunho estritamente social, voltados para crianças e jovens daquela comunidade, a partir de oficinas as mais variadas, como: oficina de palhaço, malabaristas e de perna de pau, entre outras, onde a comunidade tem total acesso a essas atividades artísticas. Em função da capacidade de elaborar projetos, a companhia já foi contemplada com vários prêmios e financiamentos, como “Criança Esperança”; “Prêmio Funarte Petrobrás Cultural e Saúde”; “Prêmio Funarte Carequinha de Estímulo ao Circo”, entre outros”.

     Foram muitos os espetáculos encenados por essa companhia, como: “Se Deixar Ela Canta”; “Projeto Corda Bamba no Equador”; “Circo de Retalho”, entre tantos outros. Vale salientar que boa parte dos que fazem hoje a Companhia Cangapé, já possui curso superior, seja na área do teatro, artes visuais, ou até mesmo outros cursos na área de humanas.  Em função de toda essa dedicação e trabalho social e comunitário, atualmente a Companhia Cangapé já é referência na área da cultura, tanto no bairro do Araxá como também no Estado do Amapá.

     No dia 21 de janeiro do ano em curso, mais um evento foi protagonizado pela companhia Cangapé. Dessa vez, a III Mostra Circo em Cena, que foi resultado da primeira etapa do projeto Corda Bamba no Equador, como resultado de oficinas artísticas de circo e dança. O Cangapé vem estendendo sua mão aos jovens do bairro do Araxá, no sentido de abrir portas e janelas para um futuro melhor para esses adolescentes. Vários desses alunos já tiveram e terão oportunidade de frequentar a Escola Nacional de Circo, não fosse a mão do Cangapé, eles não teriam oportunidades como essa, como exemplos nessa última temporada, temos: Jardel Lobato e Laise Costa.

 

 

 

segunda-feira, 26 de janeiro de 2026

ENCANTO DOS ALAGADOS

 

ENCANTO DOS ALAGADOS

 

     Numa sociedade, mesmo que seja democrática, há seus limites impostos pela própria máquina social. Há coisas, que não andam, e muitas vezes não existem, mas, se passa uma ideia de que tudo anda bem. A humanidade consegue construir todo tipo de ponte, canal, túneis que passam sob o mar, mas, por que o mundo ainda não conseguiu evitar a fome? Por que tantos países pobres e outros tão ricos? E por que, infelizmente, tantos outros se aproveitam de determinadas situações para usurpar a população. 

     O que tenho a dizer é que, entre tantos problemas que as situações da vida nos colocam, e com tanta gente que possui pensamento egoísta, felizmente, nesse meio termo, há aqueles, os altruístas, os paladinos, os heróis, os anjos, os protetores e os mecenas da arte, aqueles poucos que dedicam suas vidas para contribuir, da forma que podem, para com seus semelhantes. Entre aqueles que trafegam no caminho do bem, do social e da sociabilidade, temos o artista, ator, diretor, produtor cultural e líder comunitário, Wenner George, mais conhecido como Romário.

     Ele é o principal fundador do Centro de Experimentação Artística e Cultural Encanto dos Alagados, também conhecido como “Encanto dos Alagados”, que se localiza no Bairro do Muca. Tudo começou com uma indenização que ele recebeu. Procurou uma comunidade que não tinha acesso aos bens culturais e resolveu implantar seu ousado projeto em meio às palafitas do Muca. Transformou sua nova morada num Centro Cultural que promove todo tipo de manifestação artística, como, contação de histórias, apresentações teatrais e circenses, e já possui uma biblioteca com mais de mil livros infanto-juvenis, para proporcionar acesso à leitura às crianças daquela comunidade.

          Se algum dia você quiser se encantar, vá ao encanto dos alagados, lá você vai encontrar música, poesia, teatro, contação de histórias, dramatização, além de uma biblioteca com mais de mil livros à disposição daquela comunidade e dos que visitam aquele espaço repleto de arte. Projetos dessa natureza merece motivação dos órgãos públicos de cultura. A sociedade precisa de pessoas como Romário, que promove a partir da arte, maiores esperanças nas pessoas daquela comunidade.

    O projeto vai além das fronteiras, tendo em vista que, diferente das outras bibliotecas, o projeto socializa ainda mais os exemplares, em função de que ao retirar emprestado um livro, a criança poderá leva-lo para casa e devolve-lo quando concluir a leitura completa da obra, isto implica dizer, que ao mesmo tempo em que a criança se educa, também se responsabiliza em cuidar e devolver a obra para a biblioteca. Encanto dos Alagados é um projeto que demonstra o propósito daqueles cidadãos que desejam contribuir efetivamente com a sociedade amapaense. Wenner George é um batalhador, é um gentleman, se dedica com afinco ao seu projeto, contribuindo nos cantos e recantos alagados da cidade de Macapá.   

segunda-feira, 19 de janeiro de 2026

PARA JOCA MONTEIRO

 

 

     Joca Monteiro, é dramaturgo, diretor de teatro, ator, palhaço, professor, ilustrador, brincante escritor e editor independente. É um artista que vem há bastante tempo, se dedicando a escrever livros, em sua maioria coloridos, que trazem enredos ligados às questões telúricas. Na baixada Pará, desenvolve um trabalho não só em nível artístico, mas também de política social, onde muito contribui com os moradores mais carentes daquele bairro. Ele também se dedica a ajudar aquela comunidade, como aconteceu arrecadando e distribuindo cestas básicas para as famílias do lugar, principalmente no período da Covid-19. Além de contador de histórias, ele escreve, confecciona, publica seus livros e ainda por cima, conta para o leitor toda a história contida na própria obra. 

     Num mundo que impõe o consumismo como metodologia de vida, que gera nas pessoas uma corrida desenfreada em busca de emprego, saúde, educação e moradia. Num momento em que centenas de brasileiros se encontram na linha de insegurança alimentar. Tempo, em que inadvertidamente se destrói a natureza com o desmatamento desenfreado, principalmente na Amazônia. Se torna muito difícil falarmos de livros. 

    Mas, antes dos livros há aqueles que estão nas coxias, são os autores, aqueles que escrevem essas obras. Se é difícil escrever e publicar; imaginem um autor que escreve, confecciona, publica seus livros e ainda por cima, conta para o leitor toda a história contida no próprio livro. Será que existe algum autor assim? Claro que existe! Ele é conhecido como Joca Monteiro e mora na Baixada Pará, onde realiza um excelente trabalho, não só como autor e como artista, mas também desenvolve um trabalho de política social comunitária, onde em muito contribui para com os moradores do lugar.

     Um livro na biblioteca é apenas um objeto, realmente, ele passa a ser livro quando é retirado da estante e passa a ser lido por alguém. Nosso autor, vai mais além, ele escreve, edita e ainda conta a história para seu cliente. Além de escritor independente, Joca Monteiro é; ator, dramaturgo, palhaço, professor, contador de histórias, ilustrador, editor e brincante da Amazônia. 

     Joca Monteiro é um excelente contador, quem já presenciou algumas de suas apresentações como contador de história, sabe muito bem disso. Afora os livros, ele se dedica a escrever para teatro. Alguns grupos teatrais, aqui em Macapá, já montaram seus textos. Eu mesmo, quando participava da comissão de avaliação de projetos de montagem para teatro, da FUNARTE, tive a honra de ler o projeto de montagem do espetáculo “Um Véu Para Dagmar”, onde, na ocasião, o referido texto foi selecionado e aprovado. Seu trabalho não se limita apenas à arte pela arte, é um trabalho artístico, econômico, político e social. Durante a pandemia do coronavirus, foi ele (Joca), quem teve a decisão de fazer campanha pedindo contribuição de alimentos para ajudar as pessoas mais carentes da Baixada Pará.  Joca Monteiro é um artista sui generis, que merece o reconhecimento dos órgãos públicos de cultura do Amapá.

 

segunda-feira, 12 de janeiro de 2026

AMADEU LOBATO

 


     No ano de 1979 surge o espetáculo Uma Cruz Para Jesus, uma ideia do ator e diretor Amadeu Lobato. Neste ano de 2026 seria o quadragésimo sétimo ano de sua ininterrupta apresentação na área externa da Fortaleza de São José de Macapá, mas o destino quis que Amadeu Lobato nos deixasse, nesse início de ano.  Ele, que sempre Amava a Deus, como seu próprio nome revela, com sua imponente e grandiosa montagem do espetáculo uma Cruz Para Jesus. Era um espetáculo que acontecia anualmente na cidade de Macapá, que tem como cenário os muros da Fortaleza de São José.

     Uma Cruz para Jesus é sinônimo de persistência, trabalho e dedicação. Sou testemunha ocular de várias apresentações em que todos os trabalhos de produção refletiam objetivamente um esforço comum e isolado do grupo, em função de que, em certos momentos, havia total ausência dos órgãos de cultura como também do comércio, entre outros setores da sociedade amapaense. Mas com todas essas dificuldades o grupo nunca desistiu de apresentar o seu espetáculo. Mesmo no período de reforma da Fortaleza não falhava com as apresentações, ora do lado interno, ora no lado externo daquele edifício secular.

      Ao longo do tempo, o espetáculo Uma Cruz Para Jesus vem conquistando seu espaço e sensibilizando de vez por toda, nossa sociedade e nossos gestores. É um espetáculo tradicional em nossa cidade, além do que influenciou e motivou outros grupos, fez surgir novas sementes e se expandiu por vários bairros da cidade.

     Seguramente poderíamos listar aqui as principais influências de Uma Cruz para Jesus, nestes seus 46 anos de atividades ininterruptas na cidade de Macapá. É em função deste espetáculo que há vários grupos se apresentando nos bairros: no Pacoval, a comunidade representa a peça O Cordeiro de Deus nas ruas, culminando o espetáculo no campo de futebol do Kourou; a Paixão, também foi apresentada por um bom tempo, por outro grupo, no sambódromo; no Bairro Perpétuo Socorro é apresentado o espetáculo Filho de Maria; o Grupo Teatral Santa Inês, com a peça teatral Paixão e Morte de Cristo, com direção de Silvano Santos. Relativo a essa programação da Semana da Santa, ainda temos, o Movimento Cultural Desclassificáveis, que sempre apresenta, Cristo por Elas; Grupo Teatral Marco Zero, que vem com A Saga de Cristo; Grupo Imagem & Cia, com Preâmbulo da Paixão, sob direção de Cris Ferreira e produção de Débora Bararuá;  Quimera Cia de Teatro, com O Cordeiro de Deus, direção de Rosa Rente; Trupecênica, com Cristo ReiO Espargir do Amor; As Faces de Cristo, da Cia Cangapé, sob direção de Emerson Rodrigues; Os Milagres de Jesus – Grupo Maré; e no bairro Novo Horizonte Saga de Cristo, entre outros.                                            

     Uma Cruz Para Jesus, é um espetáculo que demonstra a vitalidade e persistência do teatro amapaense. Tem como suporte seu idealizador, dramaturgo e artista de teatro Amadeu Lobato. O espetáculo apresentado ao ar livre no entorno da Fortaleza de São José de Macapá, utiliza-se de vários cenários e vários planos, inclusive o plano vertical quando é apresentada a cena de Adão e Eva, sobre a muralha daquela fortificação mais do que centenária. Em função de sua dedicação e seu trabalho, Amadeu Lobato virou escola e se transformou no ícone de um dos maiores teatros ao ar livre do Estado do Amapá.