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domingo, 6 de setembro de 2026

POINT CULTURAL DÉCADA DE 1950

 

 

     A implantação do Território Federal do Amapá na década de 1940 redimensionou as questões geográficas, políticas, econômicas e culturais de uma das áreas mais setentrionais do Brasil. Em se tratando de questões culturais, isto se dará mais propriamente no final da década de 1940, com a inauguração e implantação de vários setores da cultura como, por exemplo: a inauguração do Cine Teatro Territorial em 22 de julho de 1944; inauguração da Rádio Difusora de Macapá em 23 de julho de 1946; inauguração da Escola Barão do Rio Branco (primeira escola em alvenaria de Macapá), em 13 de setembro de 1946, onde começa a surgir dramatizações de peças por alunos, com apoio de professores. Inauguração do Novo Hotel em 13 de setembro de 1945, e a inauguração da Praça Barão do Rio Branco em 1º de janeiro de 1950.

     Em relação à inauguração da referida praça, o Comandante Cordeiro da Graça dá suas impressões com o artigo “Acreditando no Futuro do Brasil”, o qual consta no livro, “Confiança no Amapá: Impressões sobre o Território”, de Janary Gentil Nunes, que foi publicado em 2012 em sua 2ª edição. No referido artigo, ele relata sobre aquela bela praça de esportes: “Assisti ao ato inaugural da praça “Barão do Rio Branco”. É uma praça pública bonita, larga, onde a juventude tem todos os esportes. Não seria possível desejar coisa melhor nem mais eficiente”.

     Tais fatores foram preponderantes para o desenvolvimento da cultura, da arte, das artes cênicas e especificamente do teatro. Portanto, é em função dessas ações cronológicas e sequenciais do governo Janary Nunes, que se percebe, que por um lado, fez crescer demasiadamente a cultura no Amapá e por outro, fez criar nos jovens um sentimento muito estreito em relação à arte. E é em função desses fatores que, na década de 1950 a produção cultural em relação à montagem de peças teatrais começa a surgir timidamente no âmbito do Ex-Território.

     Nesses termos, Nunes Pereira quando se refere às ações do governo Janary Nunes, em seu artigo “Opinião de Estudiosos: Evolução de um Território”, também publicado na obra “Confiança no Amapá: Impressões sobre o Territótrio”, afirma que: No campo cultural, por exemplo, ele não só atrai artistas e homens de ciência para que influam diretamente na formação da mentalidade do povo, porém procura amparar as tradições, os costumes que são típicos daquele povo, que constituem o seu patrimônio folclórico.

     Foi com a inauguração de vários prédios, tendo sido o primeiro, o Cine Teatro Territorial (1944), seguido de: Novo Hotel (1945); Rádio Difusora de Macapá (1946); Escola Barão do Rio Branco (1946); Praça Barão do Rio Branco, (1950), que se consolidou um espaço urbano com vistas de progresso e futuro. A partir do ano de 1950, com a inauguração da Praça Barão do Rio Branco, aquele espaço passou a ter grande importância para a comunidade local, visto que ali se concentrava a cultura, representada pelo Cineteatro; a comunicação (Rádio Difusora); a educação (Escola Barão); e o lazer (Praça Barão). Foi este espaço urbano que se transformou no principal point da cidade de Macapá entre as décadas de 1940/1950.

 

 

 

terça-feira, 1 de setembro de 2026

LITERATURA TEATRAL AMAPAENSE

 


 

     Pouco se conhece sobre o Teatro no Amapá; em se falando de dramaturgia as informações se tornam ainda muito mais escassas.  Se faz necessário saber, que a primeira obra que trata sobre o teatro no Amapá, é de minha autoria e foi publicada no ano de 2011 com o título “Artes Cênicas no Amapá – Teoria, Textos e Palcos”. Surgiu a partir de vários artigos que escrevi, principalmente no Jornal A Gazeta. Esta obra, enfoca os espaços teatrais; produtores teatrais; análise crítica de espetáculos apresentados no Estado; novela amapaense; arte circense e humor. Foi resultado de pesquisa do Grupo de Pesquisa em Artes Cênicas e do Núcleo Amazônico de Estudos das Artes Cênicas da Universidade Federal do Amapá - UNIFAP.

     Prosseguindo com pesquisas voltadas para o teatro no Amapá, foi publicado em 2013 a obra “Teatro no Amapá: Artistas e Seu Tempo”, também de minha autoria, que foi resultado de realização de entrevistas com artistas de teatro que haviam montado espetáculos nas décadas de 60, 70 e 80, e que na atualidade não havia nenhum registro sobre seus trabalhos voltados para o teatro no Amapá. Outra obra publicada também em 2013, foi Curso de Teatro no Amapá: Concepções e Proposições para o Ensino Superior; e ainda, Arque Com Arte: Cultura, Arte e Educação no Amapá.

     Do que se tem notícia, a primeira obra sobre dramaturgia amapaense foi publicada em 2012, intitulada “Cênico em Contextos: peças teatrais” do ator e diretor de teatro Daniel de Rocha, na intenção de socializar seus textos e consequentemente sua dramaturgia. Na ocasião, ele publicou sete textos de sua autoria. A segunda obra que também trata do referido tema, intitula-se “Dramaturgia Amapaense”, de minha autoria (publicada em 2015) também resultado de pesquisa realizada pelo Grupo de Pesquisa em Artes Cênicas, da UNIFAP.

     Para contribuir com esse vazio documental, tanto em relação à história do teatro no Amapá, em 2021, foi a vez da obra, “História do Teatro do Amapá – do século XVIII à década de 1940. Por outro lado, à medida que se vai pesquisando, vai-se revelando o vigor de um teatro que necessita urgentemente ser registrado e se tornar patente em nossas bibliotecas. Aliás, a realidade de nossas bibliotecas públicas e particulares carecem de material que informe à comunidade em geral; ao pesquisador e às pessoas de teatro sobre tema tão específico.

     O que se apresenta aqui são dados esparsos que fui localizando e analisando ao longo dos anos. Na atualidade, o que se encontra em nível bibliográfico são abordagens isoladas. No entanto, há evidências de ter havido desde o século XVIII, grande número de atividades teatrais, que não se restringiu apenas à capital, Macapá, mas principalmente em função da representação da luta dos “Mouros e Cristãos” na Vila de Mazagão Velho, cujas primeiras apresentações aconteceram no ano de 1777. A previsão para este ano, será o lançamento da obra: História do Teatro do Amapá – de 1950 aos dias atuais.

 

 

domingo, 23 de agosto de 2026

ANTES DOS GREGOS

 

 

     Certamente, mesmo antes da Grécia, manifestações cênicas voltadas para culto a vários deuses já existiam em várias latitudes, principalmente no Egito e Antigo Oriente como comprova estudos históricos e arqueológicos. Nas cercanias do mar vermelho o rei deus do Egito era o único legislador e a mais alta autoridade aqui na terra, a ele realizava-se muitas homenagens que eram apresentadas com utilização da música, dança e diálogo dramático. Nesse período, a realeza era o único princípio ordenador das coisas. O Antigo Testamento enfoca essa época de sabedoria e vida luxuosa do Egito.

     Nabucodonosor promovia um festival do Ano Novo, cuja manifestação pouco se sabe. Na Mesopotâmia havia a manifestação do “casamento sagrado” que era um ritual mítico. Detectou-se na dança egípcia de Hator, momentos da utilização de pequenos diálogos. Ainda no Egito estudiosos encontraram em Abidos, vestígios do “Drama, Morte e Paixão de Osíris”. A cidade de Abidos era a Meca dos egípcios.

     Em várias manifestações aos deuses antigos, detectou-se indícios da presença de mimo, farsas, anões e atores mascarados que divertiam as cortes da época como se fossem verdadeiros bobos da corte no Oriente antigo. Além de Osíris e Isis, também eram cultuados vários outros deuses como Marduk e Mitra.

     Se por um lado, existia o culto aos deuses, por outro, também havia o culto aos mortos, e nessas manifestações funestas, era constante a presença de música e dança, banquetes procissões e oferendas, de acordo com achados arqueológicos em catacumbas e tumbas egípcias. Imagens pintadas e esculpidas revelam manifestações aos deuses: Rá, o deus do paraíso e a Osíris, o senhor dos mortos. Osíris era o deus que estava mais próximo do ser humano.

     Em 1882 o egiptólogo Gaston Maspero, em seus estudos, revelou o caráter dramático dos textos das pirâmides. De certa forma, havia nessas manifestações apresentação em primeira pessoa que sugeriam enganosamente um suposto diálogo que ainda não ainda não tinham sidos endossados por pesquisas recentes. Outra questão fundamental, era a presença de um público, situação que só vem a acontecer na democracia grega.

     Uma das questões do novo passo que deu o teatro na Grécia Antiga é o fato de que em Atenas já reinava um processo democrático, o que faltava no povo egípcio que não conhecia o conflito entre a vontade dos homens e a necessidade dos deuses. Quando Théspis fala – eu sou Dionísio – ele foi totalmente revolucionário, o que nunca iria acontecer na cultura egípcia porque seria total desavença em relação ao poder autocrático do Faraó. E por essas e outras questões, pode-se dizer que o teatro que conhecemos hoje, teve início na Grécia Clássica.

 

segunda-feira, 17 de agosto de 2026

ÉPICO, LÍRICO E DRAMÁTICO

 

                               

 

 

     Trago aqui este esclarecimento em relação a essas estéticas para um melhor entendimento do aspecto das artes cênicas. Entre as formas poéticas temos a poesia épica; a poesia lírica e a poesia dramática. O poeta épico expressa a realidade ao contar como ocorreu tal ou qualquer batalha. Deve descrever a luta com o máximo possível de detalhes objetivos, sem se preocupar com a sua própria maneira particular de sentir esses fatos. No caso, um cavalo deve ser descrito como um cavalo e não como outra coisa, como também não deve usar imagens subjetivas. Aqui, a objetividade está em primeiro lugar.

     Já a poesia lírica, ao expressar sentimentos busca exatamente o contrário, o oposto da poesia épica, visto que expressa o mundo subjetivo, ou seja, os sentimentos, as contemplações e emoções. Em vez de recordar o desenvolvimento de uma ação, sua finalidade consiste em expressar o lado interior do ser humano.

    A poesia dramática, por sua vez, combina o princípio da objetividade (épica) com o princípio da subjetividade (lírica): o caráter objetivo da ação que é apresentado diante de nossos olhos e o caráter subjetivo dos motivos interiores que movem os personagens e seu destino.

   Enquanto que na poesia épica a ação e os personagens vivem um tempo distinto dos espectadores, na poesia dramática os espectadores são transportados à época e ao lugar onde ocorre a ação, e ambos estão no mesmo tempo e lugar. Por isso, a empatia, a relação emocional presente é possível apenas na poesia dramática e não na poesia épica.

     Para Hegel, a poesia épica é aquela que apresenta o mundo moral sob a forma de realidade exterior. Para ele tudo o que acontece é determinado por poderes morais, sejam divinos ou humanos.

     Brecht usa a expressão ‘teatro épico’ principalmente em contraposição à definição de ‘poesia épica’ que nos indica Hegel. Portanto, toda a poética de Brecht é basicamente, em resposta e uma contraproposta à poética idealista Hegeliana.

       Se por um lado a poesia épica mostra as ações determinadas pelo espírito, por outro, a poesia lírica nos revela os próprios movimentos desse espírito. Já a poesia dramática, por sua vez, nos mostra diante de nossos olhos, o espírito e as suas ações no mundo exterior.

     Se para Hegel, o espírito cria a ação dramática, Para Brecht a relação social do personagem é quem cria a ação dramática. Na poética Idealista o pensamento condiciona o ser social, e na poética marxista o ser social condiciona o pensamento.

 

 

 

domingo, 26 de julho de 2026

ETIMOLOGIA E TEATRO

 

 

     O teatro surgiu na Grécia antiga há quase três mil anos. Durante toda a história do homem há uma relação intrínseca entre a vida e a arte. Relacionaremos em seguida algumas palavras ligadas ao teatro e suas principais origens:

     A palavra TEATRO vem do Latim theatrum, do Grego theatron, que significava literalmente “lugar para olhar”, de theasthai, “olhar”, mais tron, sufixo que denota “lugar”. O sentido de “lugar onde transcorre a ação” se aplicou também aos feitos militares, daí o nome “teatro de operações” para uma área onde há luta armada.

     ANFITEATRO também vem do Latim amphiteatrum, do Grego amphiteatron, que significa “local de espetáculos duplo, com espectadores dispostos de ambos os lados do palco”, de amphí-, “dos dois lados”, mais theatron, local de onde se vê. Inicialmente os teatros possuíam assentos apenas no lado voltado para o palco, seguindo a arquitetura do teatro grego. É ainda o caso da maioria ou todos os nossos teatros atuais. Os atuais estádios de futebol são hoje os nossos verdadeiros anfiteatros.

     O termo COMÉDIA vem do Grego komoidia, “espetáculo divertido, comédia”, de komodios, “cantor em festas”, de komos, “festa, farra”, mais oidos, “poeta, cantor”.  Este termo passou por uma fase em que era usado para designar “poema narrativo”, o que é a razão de o livro “A Divina Comédia”, de Dante Alighieri, ter esse nome. 

     TRAGÉDIA deriva do Grego tragoidia, que significa “peça ou poema com final infeliz”. Aparentemente deriva de tragos, “bode”, mais oidea, “canção”. Ao pé da letra poderíamos dizer “a canção dos bodes”, e isso viria do drama satírico, onde os atores se vestiam de sátiros, com suas pernas cabeludas e chifres de bode. 

     Da mesma forma, DRAMA também deriva do Grego drama, “peça, ação, feito” (especialmente relativo a algum grande feito, fosse positivo ou negativo), vem de drao, “fazer, realizar, representar, lutar”.

     PLATEIA – ao que tudo indica, deriva do Grego platea, que significa “largo e plano”. Inicialmente designava o lugar onde ficavam os músicos e se estendeu depois, em prédios diferentes dos teatros gregos, à parte onde tomam assento os espectadores.

    PALCO – do Italiano palco, “estrado, tablado”, do Lombardo palko, “trave, viga”. Seu sentido se estendeu depois ao de “tablado sustentado por vigas” e mais tarde a “estrado ou palco designado para apresentações artísticas”.

     CENA – do Latim scaena, “palco, cena”, do Grego skena, de mesmo significado, originalmente “tenda, cabana”, relacionado a skia, “sombra”, pela noção de “algo que protege contra o sol”.

     Para quem trabalha na área do teatro conhece bem os termos acima, interessante é entender a origem dessas palavras, a partir daí passa-se a entender o porquê do uso corrente e atual das mesmas.

segunda-feira, 20 de julho de 2026

EDIFÍCIOS TEATRAIS

 

                                              

 

     Atualmente poderíamos dizer que a cidade das bacabas conta com cinco teatros nos moldes do teatro italiano, sendo eles: Teatro das Bacabeiras, aliás, denominação muita bem escolhida, à qual rende homenagem a uma fruta de nossa região. Com 700 lugares o Teatro das Bacabeiras, é uma casa de espetáculos que veio preencher apenas uma lacuna como edifício teatral na cidade, visto que é um prédio voltado para um trabalho mais especificamente profissional, porque o seu próprio espaço físico dentro de suas dimensões (de médio porte) assim o determina.

     Portanto, atende a espetáculos ou shows no mais das vezes vindo de outras localidades, e, uma vez ou outra servindo de palco para alguns grupos, que por seu árduo trabalho de vários anos, conquistaram um certo público, como é o caso do Grupo Teatral Língua de Trapo, onde várias vezes apresentou seu trabalho naquela casa. É interessante revelar que um dos pecados cometidos na definição de seu espaço físico foi o fato de não constar nenhuma outra sala pequena para espetáculo, além do grande salão nobre. É de praxe na maioria dos teatros modernos, a inclusão de uma sala menor, pelo menos com 120 lugares, que se destina a espetáculos de pequeno porte. Além do Teatro das Bacabeiras, temos ainda, o Teatro do SESI; Teatro Municipal Fernando Canto, Teatro Marco Zero, no bairro do Perpétuo Socorro e ainda, o Cineteatro Sílvio Romero, em Santana.

     De todos, o que abre mais acesso aos grupos locais é na verdade, o menor de todos, que é o Teatro Marco Zero. O restante são edifícios que por sua volumetria, exigem que a pauta seja bastante elevada, de no mínino, 2 mil reais para grupos locais, o que torna de certa forma, inviável para artistas do lugar.  É notório que, pelo tamanho prejudicam consideravelmente o desenvolvimento das artes cênicas no Estado. Nessas condições se torna difícil para qualquer grupo amador, produzir seu espetáculo com recursos próprios, além de ter que arcar com despesas de pauta, quando a mesma não está dentro de sua realidade orçamentária. Sabe-se que, quem faz cultura nesse país, a produz com muito esforço, trabalho, dedicação e desejo pessoal. Algumas autoridades culturais ainda não estão informadas de que (80%) oitenta por cento do teatro nacional é resultado de um árduo trabalho, exclusivamente de grupos amadores.

     Dentro dessas condições, entre outras, apesar de ser um símbolo do povo amapaense, o Teatro das Bacabeiras, enquanto não possuir uma sala anexa, destinada para espetáculos de pequeno porte, pelo menos de 120 lugares, se distancia consideravelmente da realidade dos que produzem teatro em nosso Estado. Todos sabem que vez por outra se transforma em local de diversos eventos, como encontros (nacionais e internacionais), colação de grau, tríduos jurídicos, entre outros eventos.

    

 

 

domingo, 12 de julho de 2026

ENTRE MOUROS E CRISTÃOS

 

      Em função da morte de Dom José I, e com vistas à aclamação da Rainha D, Maria I, Lisboa dá ordens para que cada região do Império se dedique a organizar uma grande festa em homenagem à nova administradora do Império português. Para isso, a ordem foi a de que todas as colônias deveriam organizar oito dias de festas, que compreendesse o período entre 16 de novembro a 1º de dezembro do ano de 1777, para saudar a Rainha D. Maria I. Esta é a origem da primeira apresentação do drama entre Mouros e Cristãos em Mazagão Velho. Nessas festividades houve apresentação em carros alegóricos; batalhas entre naus; apresentação de óperas, e inclusive, a primeira apresentação da batalha entre mouros e cristãos na nova Mazagão.

     Até metade do século XVIII, pode-se afirmar que no Brasil, as atividades teatrais então existentes eram exclusivamente de cunho religioso e ocorria tanto nos conventos e educandários da ordem jesuíta, como nos adros das igrejas nos dias de festa. Certamente, foi a partir da segunda metade do século XVIII que as peças teatrais populares se tornaram mais presentes, sendo representadas com certa frequência em tablados montados nas ruas, em praças públicas e nos adros das igrejas.

     Desta forma, além de se construir alguns cenários efêmeros e carros alegóricos para abrilhantar as referidas festas religiosas, como praças e currais para corridas de touros e cavalhadas, também se armavam tablados nos adros das igrejas para encenação de autos, tragédias e comédias. Uma dessas festividades foi o Triunfo Eucarístico, encenado em Vila Rica – Minas Gerais, no ano de 1773, na inauguração da matriz de Nossa Senhora do Pilar, segundo a obra: O Cenário da Vida Urbana, de Maria Berthilde Moura Filha.

     Nos referidos casos, a representação teatral completava um programa que envolvia toda cidade. Décio de Almeida Prado enfoca em seu livro “História Concisa do Teatro Brasileiro”, que além das encenações havia cavalhadas, touradas, números musicais, fogos de artifício e carros alegóricos. Portanto, acredita-se na probabilidade de que fatos semelhantes tenham ocorrido no Amapá do século XVIII.

     Portanto, nos vem uma questão, como aconteceram as festividades em Mazagão Velho, em homenagem à aclamação da Rainha de Portugal? De acordo com documentos de época, percebe-se que as cerimônias iniciaram no dia 16 de novembro com uma missa solene e nesse mesmo dia à noite foi cantado o Tedeum, que são as palavras iniciais do hino de ação de graças. No sábado dia 22, após a celebração de uma missa, saiu pelas ruas da Vila de Mazagão um cortejo com carro alegórico com vinte figuras de meninas que cantavam acompanhadas por três rebecas e três violas. Neste carro alegórico também havia dez dançarinos mascarados, sendo que um deles recitava vários epílogos e obras poéticas. Depois do desfile desse carro alegórico pelas ruas da vila, a festa continuou com a representação de uma batalha naval entre duas naus; notadamente entre cristãos e mouros, sendo que no final os cristãos vencem a batalha. Percebe-se que nesse evento, houveram duas apresentações da batalha entre mouros e cristãos, a primeira em terra, e a segunda uma batalha naval entre duas naus, no rio Mazagão, no século XVIII.