Na década de 1970, do século passado,
quando entrei na 5ª série ginasial, pela primeira vez, passei a estudar uma
língua estrangeira, no caso, a língua francesa, isso porque me colocaram numa
sala onde a turma iria estudar a referida língua. Não houve escolha de minha
parte, mas, vale ressaltar que naquela ocasião, a escola pública oferecia duas
línguas estrangeiras: o francês e o inglês. O fato é que, passei a estudar e a
gostar da língua francesa. Paralelamente, também comecei a estudar a língua
portuguesa, e com a passagem do tempo, percebi que foi a língua francesa que me
motivou e me fez abrir os olhos para o constante estudo da língua
portuguesa.
O português é uma língua riquíssima, e
entre tantos outros detalhes enfocarei neste artigo, o termo bruxismo, que
tanto é mencionado pelos profissionais da odontologia. Bruxismo é uma expressão
relacionada ao ato de apertar e ranger os dentes. É um distúrbio,
frequentemente ligado ao estresse e ansiedade, que causa desgastes nos dentes,
entre outras reações doentias. Alguns dos sintomas são: dores faciais, de
cabeça e ouvido, dentes sensíveis ou amolecidos. Bruxismo é um termo que vem do
grego brýchein ou brygmós, que significa “ranger os
dentes”. A palavra bruxismo, apesar da semelhança fonética, não tem nenhuma
relação com bruxas. Esta associação pode estar ligada mais a uma confusão
popular, sendo na verdade, uma coincidência que leva a pensamentos sobre o
sobrenatural, mas é um problema de saúde física e psicológica.
Por outro lado, a palavra “bruxa”, tem
origem pré-romana, e a confusão surge por semelhança fonética, mas não há
ligação etimológica com o termo médico. De toda forma, há dois vocábulos que
podem ser usados: bruxismo é mais relacionado quando acontece à noite, e
briquismo, quando a pessoa está acordada e refere-se especificamente ao hábito
diurno. Na antiguidade, personagens citados pelo escritor romano Horácio, já
descreviam mulheres com poderes ocultos, ritualísticos e verdadeiras
sacerdotisas de deuses. Canídia, Medeia e Circe, podem ter sido as matriarcas
de todas as feiticeiras que as sucederam.
Já em relação à questão fonética, a
pronúncia correta é bru-ksismo (com som de KS, similar a sexo e taxi). Em
relação à forma popular com som de “CH” (bru-chi-smo), seja muito comum e usada
por todos no uso diário, em vista disso, passa a ser aceita no cotidiano das
pessoas. Mas, a forma tecnicamente correta é BruKSismo, sendo que o “X” na
palavra bruxismo se torna um dos únicos vocábulos do alfabeto que apresenta o
fonema de duas locuções juntas, neste caso, os sons da letra K e do S.
Bruxismo com o fonema CH, também pode
parecer crença em bruxas. Por outro lado, a palavra “bruxa”, tratando-se do
português é incerta e duvidosa, mas, o melhor entendimento é de que, ela tenha
raízes célticas e que provém de um radical dessa língua: brixt ou bricht, que
significa encantamento ou feitiço. Já o termo witch deriva do germânico wit,
que significa sabedoria, e bruxa tem origem na região ibérica, e apresenta conotações
de saber oculto ou curandeirismo.
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