Por que quando se trata de política, todos
enfocam dois pólos distintos, ou seja, direita e esquerda? Esses termos passam
a ter sentido na política, a partir de 1789, com a Revolução Francesa, em
função da forma física e espacial da então, Assembleia Nacional Constituinte,
daquele momento. Durante a Revolução Francesa, os dois principais grupos
políticos que fizeram parte do referido processo, foram os jacobinos e os
girondinos, momento em que ainda não havia essa dicotomia política. Portanto, logo
após a Queda da Bastilha, foi preciso instituir a primeira sessão da Assembleia
Nacional Constituinte, e ficou decidido que os jacobinos sentariam à esquerda
do Presidente da referida Assembleia, e os girondinos sentariam à direita.
Acontece que os jacobinos eram grupos
progressistas e desejavam mudanças radicais como a extinção da monarquia,
mudanças sociais e maior igualdade social. Eram defensores da execução do rei
Luís XVI, como também da centralização do poder, os quais, utilizaram medidas
violentas para garantir a revolução que era liderada por Robespierre. Historicamente
defendem intervenção estatal para proteção social e redução das desigualdades. Por
outro lado, os girondinos, os quais, sentaram à direita do Presidente da
referida Assembleia, defendiam a manutenção da monarquia, com a perspectiva de
que depois surgisse uma república moderada, com a permanência da propriedade
privada e descentralização política. Defendiam tradições, hierarquias sociais e
liberais econômicos. Também eram contra a radicalização e a influência popular
nas políticas sociais.
Como se percebe, inicialmente, esses
termos surgiram em função de um espaço físico, mas, com o passar dos tempos,
evoluiu para outros significados, como por exemplo, ideias opostas em função de
ideologias políticas. Dessa forma, com a popularização desses termos, a
política consolidou-se em direita e esquerda, como termos ideológicos, que
passaram a definir o partido de direita, conservador moderado, que deseja que a
ordem vigore, e o partido da esquerda, progressista radical, que deseja
mudanças radicais na sociedade. Essas expressões vigoram até a atualidade nas
sociedades contemporâneas. Entretanto, mais termos foram surgindo ao longo do
tempo, como: centro, centro-esquerda, entre outros.
No Brasil, podemos citar as seguintes
correntes: a direita, que foca em liberdade individual, livre mercado, propriedade
privada e a manutenção das hierarquias sociais; a esquerda, que prioriza a
igualdade social, justiça social, e maior intervenção do estado na economia,
com uma visão progressista que inclui o apoio às minorias e a cooperação
internacional; o centro, que busca equilíbrio conciliando pautas de mercado sem
ideologia radical; e o centro-esquerda, que combina valores igualitários com
pragmatismo, defendendo justiça social num sistema livre de mercado.
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