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segunda-feira, 18 de maio de 2026

SALVE BACABEIRAS

 


     Ultimamente vem acontecendo em nossa cidade, uma polêmica em função do anúncio de que o Teatro das Bacabeiras teria seu nome modificado, mudado ou complementado. Dessa forma, deixaria de ser Teatro das Bacabeiras, para Teatro das Bacabeiras Amadeu Lobato. É bom lembrar que historicamente, o Teatro das Bacabeiras surgiu em função da luta do povo amapaense, por um lado, pessoas influentes na sociedade local como: o poeta Alcy Araújo, professor Antônio Munhoz Lopes, professora Zaide Soledade entre tantos outros, por outro lado, a classe teatral que vinha produzindo suas peças durante a década de 1980, e que também lutavam para que o Amapá construísse sua casa de espetáculos. Entre esses artistas, podemos citar aqui, o próprio Amadeu Lobato, Sol Pelaes, Richene Amim, Jackson Amaral, Disney Silva, Andréa Lopes, Waldez Mourão, entre outros, e nem por isso, nenhum desses ilustres nomes foram contemplados para serem gravados no frontispício daquele edifício teatral.

     Ele nasceu mesmo, como Cineteatro das Bacabeiras, e depois de certo tempo, passou a ser simplesmente Teatro das Bacabeiras, representando a cultura, o povo amapaense, os artistas e a região amazônica, deixando de ser composto e particular, para se transformar em simples e universal. Se olharmos para o passado distante, da história do teatro do Amapá, são muitos os nomes que poderiam ser lembrados, principalmente a partir de 1948, quando surge o Teatro do Estudante do Amapá com célebres artistas como: Mário Quirino da Silva, Papaléo Paes, Lizete Aimoré, Nazí Gomes, Raimundo Barata, Ida Aimoré, Vilela Monteiro; do Teatro de Amadores do Amapá, que surgiu no ano de 1960, como: Sebastião Ramalho da Silva, Ester da Silva Virgolino, Ivaldo Veras, Luiz Ribeiro de Almeida, Creuza Bordalo, Aracy de Mont’Alverne, Hilkias Alves de Araújo, entre outros.

     Nesses últimos 31 anos acompanhei pari passu o trabalho de Amadeu Lobato, e observo que ele possuía características relacionadas à grande elenco, prestigiado público e espaços abertos. É de praxe que suas encenações e montagens, costumeiramente foram voltadas para a rua, para locais abertos, para grandes espaços ao ar livre, e principalmente em teatros de arena, somando-se a isso, sua saga de 46 anos de montagem do espetáculo Uma Cruz para Jesus, que a todo momento foi representado em espaço aberto, como o teatro de arena. Já o palco italiano foi só um detalhe durante sua vida dedicada ao teatro amapaense.

     Esclareço aqui, que não sou contra a possível mudança ou reajuste do nome Teatro das Bacabeiras, para Teatro das Bacabeiras Amadeu Lobato, sem sombra de dúvidas, mas durante o percurso de sua vida artística, fica claro que o teatro à italiana nunca foi a casa de Amadeu Lobato, neste caso, seria mais sensato homenageá-lo nomeando o espaço externo norte da Fortaleza de São José de Macapá, onde por muitos anos ele apresentou a peça Uma Cruz para Jesus, de TEATRO DE ARENA AMADEU LOBATO.  

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