Ultimamente vem acontecendo em nossa
cidade, uma polêmica em função do anúncio de que o Teatro das Bacabeiras teria
seu nome modificado, mudado ou complementado. Dessa forma, deixaria de ser
Teatro das Bacabeiras, para Teatro das Bacabeiras Amadeu Lobato. É bom lembrar
que historicamente, o Teatro das Bacabeiras surgiu em função da luta do povo
amapaense, por um lado, pessoas influentes na sociedade local como: o poeta Alcy
Araújo, professor Antônio Munhoz Lopes, professora Zaide Soledade entre tantos
outros, por outro lado, a classe teatral que vinha produzindo suas peças
durante a década de 1980, e que também lutavam para que o Amapá construísse sua
casa de espetáculos. Entre esses artistas, podemos citar aqui, o próprio Amadeu
Lobato, Sol Pelaes, Richene Amim, Jackson Amaral, Disney Silva, Andréa Lopes,
Waldez Mourão, entre outros, e nem por isso, nenhum desses ilustres nomes foram
contemplados para serem gravados no frontispício daquele edifício teatral.
Ele nasceu mesmo, como Cineteatro das
Bacabeiras, e depois de certo tempo, passou a ser simplesmente Teatro das
Bacabeiras, representando a cultura, o povo amapaense, os artistas e a região
amazônica, deixando de ser composto e particular, para se transformar em
simples e universal. Se olharmos para o passado distante, da história do teatro
do Amapá, são muitos os nomes que poderiam ser lembrados, principalmente a
partir de 1948, quando surge o Teatro do Estudante do Amapá com célebres
artistas como: Mário Quirino da Silva, Papaléo Paes, Lizete Aimoré, Nazí Gomes,
Raimundo Barata, Ida Aimoré, Vilela Monteiro; do Teatro de Amadores do Amapá,
que surgiu no ano de 1960, como: Sebastião Ramalho da Silva, Ester da Silva
Virgolino, Ivaldo Veras, Luiz Ribeiro de Almeida, Creuza Bordalo, Aracy de Mont’Alverne,
Hilkias Alves de Araújo, entre outros.
Nesses últimos 31 anos acompanhei pari passu o trabalho de Amadeu Lobato, e
observo que ele possuía características relacionadas à grande elenco, prestigiado
público e espaços abertos. É de praxe que suas encenações e montagens, costumeiramente
foram voltadas para a rua, para locais abertos, para grandes espaços ao ar
livre, e principalmente em teatros de arena, somando-se a isso, sua saga de 46
anos de montagem do espetáculo Uma Cruz para Jesus, que a todo momento foi
representado em espaço aberto, como o teatro de arena. Já o palco italiano foi
só um detalhe durante sua vida dedicada ao teatro amapaense.
Esclareço aqui, que não sou contra a
possível mudança ou reajuste do nome Teatro das Bacabeiras, para Teatro das
Bacabeiras Amadeu Lobato, sem sombra de dúvidas, mas durante o percurso de sua vida
artística, fica claro que o teatro à italiana nunca foi a casa de Amadeu
Lobato, neste caso, seria mais sensato homenageá-lo nomeando o espaço externo
norte da Fortaleza de São José de Macapá, onde por muitos anos ele apresentou a
peça Uma Cruz para Jesus, de TEATRO DE ARENA AMADEU LOBATO.
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