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segunda-feira, 1 de junho de 2026

HEGEL E BRECHT

 

                                               

 

     A poética marxista de Bertolt Brecht não se contrapõe a uma ou outra questão formal, mas sim, à verdadeira essência da poética idealista hegeliana, ao afirmar que o personagem não é “sujeito absoluto” e sim “objeto” de forças sociais.

     A análise lógica da ação dramática resume-se sempre numa oração simples com sujeito, predicado verbal e objeto direto, vejam a frase que segue: “Trump invadiu o Irã”. Aqui, o sujeito hegeliano é Trump, cujos movimentos interiores de seu espírito se exteriorizam de forma a ordenar a invasão do Irã. “Invadiu” é o predicado verbal e “Irã” é objeto direto.

     Na análise lógica da ação dramática segundo a poética marxista e o teatro épico de Brecth, a referida frase deveria conter uma oração principal e uma oração subordinada e nesta, o personagem “Trump” continuaria sendo sujeito. Sendo que o sujeito da oração principal seria outro, por exemplo: “Forças econômicas determinaram que o presidente Trump invadisse o Irã”. Como vemos, na poética brecthiana, ao contrário do que parece verdadeiro, são as forças econômicas que aturam forçando com que Trump tomasse tal decisão.

     A oração principal nesta poética será sempre uma inter-relação de forças econômicas. No entanto, o personagem não é livre completamente, mas sim, objeto-sujeito. Como podemos observar, na poética idealista o pensamento condiciona o ser social e na poética marxista o ser social é quem condiciona o pensamento.

    Enquanto que para Hegel, o espírito cria a ação dramática, para Brecth, a relação social do personagem é quem cria a ação dramática. Se por um lado, Hegel propõe o personagem como “sujeito absoluto”, por outro Brecth o propõe como “objeto”, como porta voz de forças econômicas e sociais.

     Diferentemente da dramaturgia, o teatro é completamente ação que, para Hegel deve ser conduzida a um determinado ponto onde possa ser restaurado o equilíbrio. O sistema de força tese-antítese deve ser levado a uma síntese, que em teatro só pode ser feito de duas maneiras: morte de um dos personagens irreconciliáveis (tragédia), ou arrependimento (drama) romântico ou social, segundo o sistema hegeliano. Em Brecth são considerados outros fatores de extrema importância para o desenrolar da trajetória do personagem. Poderemos observar essa situação em algumas obras deste último autor como: Mãe Coragem ou Os Fuzis da Senhora Carrar. Nesses espetáculos os personagens principais vão criando consciência de sua situação política e social, até definir sua trajetória enquanto ser social para poder enfrentar o sistema social ao qual está submetido.

     Portanto, é de fundamental importância que artistas das artes cênicas conheçam e entendam essas duas faces da moeda: o teatro dramático e o teatro épico, para poderem realizar suas montagens a partir de fundamentos teóricos e filosóficos e práticos, em busca da melhoria de suas montagens cênicas.   

 

 

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