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quarta-feira, 17 de agosto de 2022

DIA DOS PAIS

 


          Na vida, no ciclo vital, há coisas que não se explicam, apenas se vivenciam. Só isso! O conselho é bom, explica, dirige, indica, dar uma luz, mas, em muitos casos, é imprescindível a experiência (in loco), para podermos entender o sentido da vida. E é assim que a juventude entende. Para ela, muitos dos conselhos dado pelos mais velhos, são tradicionais, ultrapassados e fora de época. Quando não se houve conselhos, um dia aquele jovem irá vivenciar determinadas situações que ele jamais imaginaria que poderia acontecer consigo mesmo. 

     Certa vez, em meio ao meu curso de doutorado, estive em Macapá para dar continuidade à minha pesquisa, era um momento de muito trabalho, mas, muitos dos meus amigos, não me viam como um pesquisador, mas sim, como um simples turista. Para eles, naquele momento, eu estava apenas passeando e turistando nas terras tucujus. A única resposta que eu podia dar, era: - Quando você estiver realizando um doutorado, você jamais vai fazer essa correlação entre um doutorando e um turista.

     Em cada estágio, a vida nos presenteia, com momentos específicos, e é importante respeitarmos cada fase do ciclo vital. Na juventude, não há lugar para determinadas coisas, visto que o jovem pensa definitivamente no presente, não há passado, e poucos pensam no seu próprio futuro. Leva-se em consideração o momento, o viver e curtir a vida. Embora muitos pais não percebam, é em função disso que começa a surgir entre pai e filhos, o conflito de gerações. O pai pensa que o filho não sabe enfrentar a vida, e o filho vê o pai como uma pessoa tradicional e retrógrada.      

     Quando jovem, eu também jamais pensava em ser pai. Mas, há o momento em que se começa a namorar, noivar e depois, casar. Durante todo esse período da vida, alguns questionamentos em relação a esse tema (ter filhos ou não), e isso começa a surgir, principalmente em relação à mulher. Quando meu primogênito nasceu, confesso que ainda não expressava a vontade de ser pai, mas por dentro, meu coração já estava muito ansioso para gerar ter um filho em meus braços.

     Se tornar pai, não é tão simples como se pensa, além da responsabilidade, em todos os sentidos, seu caminhar muda completamente, sua vida se transforma, você começa a aprender com seu próprio filho. Não só isso, muda-se toda estrutura familiar, você se torna pai, sua companheira se torna mãe, seus irmãos se tornam tios e tias, e seus pais se tornam avós. É uma quebra de paradigmas muito grande, que vai refletir em toda a família. Alguns de seus melhores amigos da juventude se tornam padrinhos, compadres e comadres, e terminam se agregando à família.

     Como pai, é importante acompanhar todos os passos de seu filho, estar sempre presente em todos os momentos, compartilhar dúvidas, ensinar, aprender, vivenciar as curiosidades, principalmente na fase infantil. Nas fases da adolescência é natural que o jovem comece a procurar sua turma de amigos e se distanciar um pouco dos pais. Todo esse acompanhamento na família contribuirá para que o adulto tenha vida própria. Todo pai precisa entender que seu filho, não é sua propriedade particular, visto que ele é outra pessoa, terá sua própria personalidade, crescerá, e no futuro terá sua vida própria. Há um ditado chinês que diz o seguinte: primeiramente ensinamos nossos filhos a andar, depois, a voar alto. Concordo plenamente.

terça-feira, 9 de agosto de 2022

ARTE E SUBMUNDO SOCIAL

 


          É ledo engano para quem pensa que o teatro é apenas entretenimento. Ao longo da história, essa arte vem dando sua contribuição em todos os níveis sociais. Além de entretenimento o teatro também informa, educa, contribui nas decisões políticas e sociais, a partir de seus espetáculos políticos que denunciam os problemas da sociedade e do seu meio.

     Entre tantos dramaturgos e encenadores que se dedicaram ao teatro político, podemos enfocar que já na década de 1940 Samuel Beckett fazia isso. Ele retratou questões políticas e psicológicas em sua famosa peça “Esperando Godot”, que reconhecida como um ícone do teatro do absurdo. Aqui ele denuncia o absurdo da condição humana, revelando o trágico da existência. Mostra a angústia crescente do homem em relação ao mundo em que vive.

     Sua obra surge no pós-guerra, nesse contexto do final da Segunda Guerra Mundial. A partir dos personagens Didi e Gogo, ele mostra o homem isolado, perdido, e foca preocupação num simples par de sapato que está muito apertado. Não há espaço geográfico definido. Os personagens estão literalmente no meio de um caminho deserto e sem ninguém, sem nenhuma referência. A única perspectiva é a esperança de encontrar Godot, que também nunca chega.

    O brasileiro Plínio Marcos, um dos dramaturgos mais perseguidos na ditadura militar, em sua obra também faz denúncias sociais. Um de seus textos mais contundentes é conhecido como, “Dois Perdidos Numa Noite Suja”, que também gira em torno de apenas dois personagens, Tonho e Paco. Nesta peça o referido autor denuncia o submundo da periferia do rio de janeiro e tem como fundamento em seus escritos, a inquietação, a perplexidade e os limites do ser humano, no confrontamento da busca de uma vida mais digna, no mundo social capitalista. 

     Não só questões sociais e psicológicas, mas questões tradicionais, morais, familiares, e questões étnicas também são fontes de inspiração para dramaturgos, com o sentido de denunciarem tais atrocidades. Neste caso, citaremos outro brasileiro que em toda sua obra denuncia principalmente as questões morais e psicológicas, que podemos encontrar no texto “Vestido de Noiva”, de Nélson Rodrigues. Este espetáculo, foi reconhecido como o ponto de partida do teatro moderno brasileiro. Aqui, ele enfoca vários problemas contidos no cotidiano da sociedade carioca. Enfoca, questões de incestos, homicídio em famílias ricas, entre outros assuntos.

     Na França, vamos encontrar tais denúncias na área das artes plásticas, a partir da obra de Toulouse Lautrec. Como Plínio Marcos, Toulouse vivenciou vários cabarés de Paris, e como era pintor, se transformou no principal artista, que a partir da pintura de vários cartazes de shows desses cabarés, denunciou o submundo da cidade Luz. Sua obra revelou este submundo, que a moral social de Paris escondia dos seus próprios olhos. O que se pode observar entre esses dramaturgos e artistas é querer contribuir com a própria sociedade, em busca de dias melhores. 

    

segunda-feira, 1 de agosto de 2022

ROMEU E JULIETA

 


     Shakespeare, nasceu em 26 de abril de 1564, e faleceu em 23 de abril de 1616. Poeta e dramaturgo inglês, reconhecido como o maior escritor do idioma inglês e um dos mais influentes dramaturgos do mundo. Apesar da distância temporal, muitas de suas peças continuam sendo estudadas e encenadas em vários países, nos dias de hoje.  

     Portanto, de sua verve, há duas obras mais conhecidas. Quando se fala em Romeu e Julieta, essa famosa história de amor, estamos nos remetendo à dramaturgia de Shakespeare. Por outro lado, quando ouvimos ou pronunciamos a frase: “Ser ou não ser, eis a questão”, (no original inglês: To be or not to be: that’s the question), também estamos citando a obra de Shakespeare, no caso, a peça “Hamlet”.

     As raízes da peça Romeu e Julieta são muito remotas, têm-se notícia de uma antiga história grega do século III, quando, na ocasião, uma mulher recorre a uma poção, à qual, simula a morte para escapar a um segundo casamento. Mas, esse tema, realmente, vai se tornar popular no renascimento. Entretanto, há notícia, da peça, “Il Novellino”, de autoria de Masuccio, do ano de 1476. Em “Ritrovata di Due Nobili Amanti”, de 1530, também revela uma história em que apresenta muita semelhança com a de Romeu e Julieta.

     Durante o Império Romano, quando a mesma dominava o Egito, há uma verídica história de amor, que aconteceu entre Marco Antônio e Cleópatra. Acontece que Marco Antônio (Capitão romano) em suas idas e vindas ao Egito, se apaixonou por Cleópatra, e em função disso, houve um grande e duradouro romance entre eles. Mas, pressionado pela política e para ser leal à Roma, Marco Antônio teria que esquecer, e por fim naquele belo romance, com a obrigação de deixar definitivamente sua amada, Cleópatra.

     Entrementes, em luta, no campo de batalha, Marco Antônio recebe a notícia de que Cleópatra havia se suicidado. Ele caiu numa tristeza profunda, e em função disso, comete suicídio com sua própria espada. No entanto, antes de morrer, pede para ser levado até sua amada Cleópatra, e morre em seus braços. Dessa forma, passando por este difícil momento, e frente a esse grande desespero, Cleópatra também comete suicídio, em seu caso, com a picada de uma cobra venenosa.

     Percebemos, no entanto, que Shakespeare busca em histórias mais antigas à sua época, um apoio para o desenvolvimento de sua tão badalada peça, que é “Romeu e Julieta”, e que vem sendo montada por vários grupos de teatro no mundo. Não só isso, com sua obra, Shakespeare, também quebrou vários paradigmas. Além de retirar os personagens “deuses”, de seus textos, ao mesmo tempo ele traz para o palco Elisabetano, a própria sociedade Elisabetana. A partir dele, não são mais os deuses que irão resolver o problema da trama, como acontecia no teatro grego antigo. Com o renascimento das cidades, os próprios homens passaram a resolver seus problemas aqui na terra. E é por isso que, em “Romeu e Julieta”, nenhum deus desce para resolver tão questionado problema amoroso, mas, são os dois amantes que resolvem por si mesmos, se suicidarem na sua tragédia, como forma de resolverem seus próprios problemas. Foi o que decidiu Shakespeare.

 

 

segunda-feira, 25 de julho de 2022

O ENIGMA DE ÉDIPO

 


     Édipo Rei, é um texto dramatúrgico de um dos mais importantes trágicos gregos da antiguidade. Sófocles, o escreveu e o encenou na Grécia Clássica, ou seja, no século V antes de Cristo. Todos sabem ou já ouviram falar sobre a história de Édipo, ele estava predestinado a matar seu pai e casar com sua própria mãe. A partir de estudos com base nesse texto, Freud conseguiu criar sua tese psicológica de “Complexo de Édipo”, que é o caso do filho que se apaixona pela própria mãe.

     O que não se conhece é onde Sófocles buscou inspiração para a elaboração do referido texto. Foi uma ideia genial, mas com certeza ele deve ter conhecido fatos semelhantes que aconteceram num período muito mais antigo do que aquele momento em que ele vivia na Grécia Clássica de sua época. 

     Há uma lenda de que na antiquíssima Babilônia, vivia um neto de Noé, chamado Cuxe, que se casou com Semíramis, e este casal gerou Ninrode. Esse último, foi um dos primeiros homens mais poderosos da terra. Ninrode era neto de Cam, que por sua vez, era filho de Noé. Em função de seu poder, Ninrode se rebela contra Deus e manda construir a torre de Babel. Com a morte de seu pai, terminou se casando com sua própria mãe, Semíramis.

     A história de Édipo não começa com ele, mas, muito antes. Inicia com Lábdaco, que era filho de Polidoro; Laio se torna filho de Lábdaco; e por fim, nasce Édipo, que é filho de Laio. Quando em sua juventude, enquanto Laio pernoitava no palácio do rei Pélops, envolveu-se numa paixão homossexual com Crisipo, que era filho daquele rei. Todavia Laio raptou Crisipo. Nessas idas e vindas, Crisipo comete suicídio. Irado, o rei Pélops amaldiçoou Laio. Maldição esta, que causaria sua infelicidade como também de seus descendentes.

     Com o apoio dos oráculos, a maldição de Pélops resumia-se na seguinte frase: Laio geraria um filho que mataria o próprio pai (no caso Laio) e casaria com a própria mãe. Em detrimento dessa maldição, Laio que era rei de Tebas e casado com Jocasta, se recusava a dar um filho à sua esposa legítima, com a perspectiva de que a maldição não caísse sobre ele.  Hera, esposa de Zeus (que era a deusa do casamento) concordou, e para punir Laio, enviou a Esfinge que ficou numa montanha próxima à cidade. Todos que por ali passavam se submetiam a perguntas feitas pela Esfinge, e aos que não sabiam responder, portanto, em seguida eram devorados.

     Somente Édipo é que foi vencedor, quando a Esfinge (que tinha busto de mulher e corpo de leão) lhe direcionou a seguinte pergunta: qual o animal que pela manhã anda de quatro, à tarde com duas pernas e à noite com três? E Édipo respondeu: o homem, que, quando novinho engatinha com os pés e mãos; quando adulto anda com duas pernas, e quando velhinho anda com três, porque se apoia numa bengala. Vencida, a Esfinge se jogou da montanha e morreu no precipício. A partir daí, a maldição se aprofundou e Édipo teve seu destino trágico cumprido.

quinta-feira, 21 de julho de 2022

O MOBRAL E O RADIOTEATRO

 


     O Movimento Brasileiro de Alfabetização - MOBRAL, em muito contribuiu para o desenvolvimento do teatro no Estado do Amapá. Além da motivação, trazia para o Cabo Norte muitos cursos e oficinas na área das artes cênicas. Coronel Luiz Ribeiro de Almeida, defensor ferrenho da educação e das artes, era Presidente do MOBRAL e trazia vários professores de outros estados para ministrar cursos e oficinas de teatro, como; impostação de voz, interpretação, direção teatral entre outros cursos. Da mesma forma que tantos outros, Marizete Ramos veio de Belém, como também o diretor Luiz Otávio Barata, para ministrar curso para nossos atores.

     Por outro lado, também havia alguns professores aqui no Estado do Amapá que já tinham conhecimento e condições de ministrar oficinas de teatro, como a atriz Creuza Bordalo, Padre Mino e o próprio Coronel Luiz Ribeiro. Alguns grupos mais antigos e que ainda continuam atuando em nosso meio, participaram de várias dessas oficinas, como o  atual “Grupo Língua de Trapo” que vem há mais de 30 anos apresentando a peça “Bar Caboclo; e ainda o Grupo do Amadeu Lobato, com o espetáculo “Uma Cruz para Jesus”; esses grupos surgiram a partir da promoção dessas oficinas que foram promovidas pelo MOBRAL.

     Nesse mesmo período, O SESC/AP, foi outro incentivador de oficinas de teatro, quando o todos os artistas da época tiveram acesso, no aprendizado e apoio oferecido por esse órgão. Se por um lado, havia o MOBRAL e o SESC/AP, por outro lado, as emissoras de rádio em muito contribuíram para o desenvolvimento do nosso teatro, principalmente no que diz respeito à promoção de radionovelas. Além de cederem seu próprio espaço físico para que os grupos pudessem apresentar seus espetáculos.

     É válido afirmar que na década de 1970 do século XX, a cidade de Macapá ainda era muito pacata; e, como em todo o Brasil, televisão era objeto raro, restava à sociedade local se voltar para sua educação e produção cultural. A comunicação era realizada a partir do jornal impresso e em áudio, pelo rádio. Além do teatro escolar e religioso que se fomentava, ainda havia vestígios do radioteatro que era voltado para produção radiofônica de programas e novelas.

     Aqui, a Rádio Difusora de Macapá exerceu papel de grande importância, e uma geração foi se revelando na área do rádio teatro como, por exemplo, a atriz Creuza Bordalo; o ator José Maria de Barros; o ator Clodoaldo Nascimento, Consolação Côrte, entre outros. Nessa época, o rádioteatro tinha grande audiência. Essa turma de radioatores, sem dúvida, influenciou novas gerações que passaram a se dedicar ao teatro em nosso Estado.

 

segunda-feira, 11 de julho de 2022

ESPORTE, RÁDIO E TEATRO

 

 

     O Movimento Brasileiro de Alfabetização - MOBRAL, em muito contribuiu para o desenvolvimento do teatro no Estado do Amapá. Além da motivação, trazia para o Cabo Norte muitos cursos e oficinas na área das artes cênicas. Coronel Luiz Ribeiro de Almeida, defensor ferrenho da educação e das artes, era Presidente do MOBRAL e trazia vários professores de outros estados para ministrar cursos e oficinas de teatro, como; impostação de voz, interpretação, direção teatral entre outros cursos. Da mesma forma que tantos outros, Marizete Ramos veio de Belém, como também o diretor Luiz Otávio Barata, para ministrar curso para nossos atores.

     Por outro lado, também havia alguns professores aqui no Estado do Amapá que já tinham conhecimento e condições de ministrar oficinas de teatro, como a atriz Creuza Bordalo, Padre Mino e o próprio Coronel Luiz Ribeiro. Alguns grupos mais antigos e que ainda continuam atuando em nosso meio, participaram de várias dessas oficinas, como o  atual “Grupo Língua de Trapo” que vem há mais de 30 anos apresentando a peça “Bar Caboclo; e ainda o Grupo do Amadeu Lobato, com o espetáculo “Uma Cruz para Jesus”; esses grupos surgiram a partir da promoção dessas oficinas que foram promovidas pelo MOBRAL.

     Nesse mesmo período, O SESC/AP, foi outro incentivador de oficinas de teatro, quando o todos os artistas da época tiveram acesso, no aprendizado e apoio oferecido por esse órgão. Se por um lado, havia o MOBRAL e o SESC/AP, por outro lado, as emissoras de rádio em muito contribuíram para o desenvolvimento do nosso teatro, principalmente no que diz respeito à promoção de radionovelas. Além de cederem seu próprio espaço físico para que os grupos pudessem apresentar seus espetáculos.

     É válido afirmar que na década de 1970 do século XX, a cidade de Macapá ainda era muito pacata; e, como em todo o Brasil, televisão era objeto raro, restava à sociedade local se voltar para sua educação e produção cultural. A comunicação era realizada a partir do jornal impresso e em áudio, pelo rádio. Além do teatro escolar e religioso que se fomentava, ainda havia vestígios do radioteatro que era voltado para produção radiofônica de programas e novelas.

     Aqui, a Rádio Difusora de Macapá exerceu papel de grande importância, e uma geração foi se revelando na área do rádio teatro como, por exemplo, a atriz Creuza Bordalo; o ator José Maria de Barros; o ator Clodoaldo Nascimento, Consolação Côrte, entre outros. Nessa época, o rádioteatro tinha grande audiência. Essa turma de radioatores, sem dúvida, influenciou novas gerações que passaram a se dedicar ao teatro em nosso Estado.

 

terça-feira, 5 de julho de 2022

QUADRILHA CONTEMPORÂNEA

 


     A dança da quadrilha, sempre foi muito difundida, vivenciada e apresentada, principalmente na época das festas juninas pelo Brasil afora. Portanto, do final do século XX para o início do século XXI, sofreu várias mudanças culturais que gerou mudanças fundamentais, se hibridizando e trazendo influências diversas, no que diz respeito à sua forma e conteúdo.

     A antiga dança da quadrilha, que perdurou basicamente até o início da década de 1990 do século passado, em suas raízes, era completamente diferente das quadrilhas de hoje.  Tem origem na Europa e sua maior influência no Brasil, veio da França. Era uma dança popular que surgiu principalmente no meio rural. Nela, havia uma sequência de passos com várias coreografias, como: a)cumprimento às damas; b)cumprimento aos cavalheiros; c)damas e cavalheiros trocar de lado; d)primeiras marcas ao centro; e)grande passeio; f)trocar de damas; g)trocar de cavalheiros; h)o Túnel; i)caminho da roça; j)olha a cobra; k)é mentira; l)caracol; m)desviar; n)atenção para o serrote; o)coroar damas; p)coroar cavalheiros; q)duas rodas; r)reformar a grande roda; s)despedida, entre outros passos que mudam de acordo com a necessidade da brincadeira. Além de tudo isso, havia a dramatização de um casamento matuto, com base na Commedia dell’Arte.

     Se torna muito difícil, na atualidade, encontrar alguma comunidade ou grupo que organize uma quadrilha nos moldes antigos. Notadamente, esse tipo de quadrilha está em extinção. Com o passar dos anos, nota-se um hibridismo e a consequente influência de várias culturas. Hoje, pode-se perceber nas atuais quadrilhas juninas, vestígios do frevo, da ciranda; do maracatu; nos vestuários, roupas do Cancan francês e grande influências da música caribenha.

     Na dança atual, o casamento, que era parte fundamental da antiga quadrilha junina, hoje, praticamente não tem mais o mesmo significado dramático de antes. Por sua vez, os passos da antiga quadrilha, se transformaram numa sequência de músicas com coreografias modernas, isso nos remete ao primeiro forró que se fundiu com o frevo, a música “Frevo Mulher”, de Zé Ramalho. Esta gravação alcançou grande sucesso depois que Amelinha a interpretou no Maracanãzinho num Festival da MPB em 1980. Já o Cancan, é uma dança francesa que se tornou muito popular na França, na década de 1840, com sua maior expressividade no Moulin Rouge, que ainda hoje está em atividade no bairro de montmartre, em Paris. Sendo que depois foi levada para Londres e Nova Iorque, se tornando uma dança difundida no mundo ocidental.

     Outro fenômeno que trouxe muita influência para essa hibridização é que, enquanto por um lado, a antiga quadrilha era ensaiada e apresentada por jovens, quando cada bairro tinha sua própria quadrilha e apresentava apenas dentro dos festejos de cada bairro; fato que mudou completamente quando as prefeituras instituíram os concursos de quadrilhas, durante os festejos juninos; o que acontece na atualidade em vários locais do território brasileiro, e principalmente no nordeste, que tem hoje as duas melhores festividades dessa ordem: o maior São João do Mundo, em Camina Grande, na Paraíba, e o famoso São João de Caruaru, em Pernambuco, considerada a capital do forró.