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domingo, 23 de agosto de 2026

ANTES DOS GREGOS

 

 

     Certamente, mesmo antes da Grécia, manifestações cênicas voltadas para culto a vários deuses já existiam em várias latitudes, principalmente no Egito e Antigo Oriente como comprova estudos históricos e arqueológicos. Nas cercanias do mar vermelho o rei deus do Egito era o único legislador e a mais alta autoridade aqui na terra, a ele realizava-se muitas homenagens que eram apresentadas com utilização da música, dança e diálogo dramático. Nesse período, a realeza era o único princípio ordenador das coisas. O Antigo Testamento enfoca essa época de sabedoria e vida luxuosa do Egito.

     Nabucodonosor promovia um festival do Ano Novo, cuja manifestação pouco se sabe. Na Mesopotâmia havia a manifestação do “casamento sagrado” que era um ritual mítico. Detectou-se na dança egípcia de Hator, momentos da utilização de pequenos diálogos. Ainda no Egito estudiosos encontraram em Abidos, vestígios do “Drama, Morte e Paixão de Osíris”. A cidade de Abidos era a Meca dos egípcios.

     Em várias manifestações aos deuses antigos, detectou-se indícios da presença de mimo, farsas, anões e atores mascarados que divertiam as cortes da época como se fossem verdadeiros bobos da corte no Oriente antigo. Além de Osíris e Isis, também eram cultuados vários outros deuses como Marduk e Mitra.

     Se por um lado, existia o culto aos deuses, por outro, também havia o culto aos mortos, e nessas manifestações funestas, era constante a presença de música e dança, banquetes procissões e oferendas, de acordo com achados arqueológicos em catacumbas e tumbas egípcias. Imagens pintadas e esculpidas revelam manifestações aos deuses: Rá, o deus do paraíso e a Osíris, o senhor dos mortos. Osíris era o deus que estava mais próximo do ser humano.

     Em 1882 o egiptólogo Gaston Maspero, em seus estudos, revelou o caráter dramático dos textos das pirâmides. De certa forma, havia nessas manifestações apresentação em primeira pessoa que sugeriam enganosamente um suposto diálogo que ainda não ainda não tinham sidos endossados por pesquisas recentes. Outra questão fundamental, era a presença de um público, situação que só vem a acontecer na democracia grega.

     Uma das questões do novo passo que deu o teatro na Grécia Antiga é o fato de que em Atenas já reinava um processo democrático, o que faltava no povo egípcio que não conhecia o conflito entre a vontade dos homens e a necessidade dos deuses. Quando Théspis fala – eu sou Dionísio – ele foi totalmente revolucionário, o que nunca iria acontecer na cultura egípcia porque seria total desavença em relação ao poder autocrático do Faraó. E por essas e outras questões, pode-se dizer que o teatro que conhecemos hoje, teve início na Grécia Clássica.

 

segunda-feira, 17 de agosto de 2026

ÉPICO, LÍRICO E DRAMÁTICO

 

                               

 

 

     Trago aqui este esclarecimento em relação a essas estéticas para um melhor entendimento do aspecto das artes cênicas. Entre as formas poéticas temos a poesia épica; a poesia lírica e a poesia dramática. O poeta épico expressa a realidade ao contar como ocorreu tal ou qualquer batalha. Deve descrever a luta com o máximo possível de detalhes objetivos, sem se preocupar com a sua própria maneira particular de sentir esses fatos. No caso, um cavalo deve ser descrito como um cavalo e não como outra coisa, como também não deve usar imagens subjetivas. Aqui, a objetividade está em primeiro lugar.

     Já a poesia lírica, ao expressar sentimentos busca exatamente o contrário, o oposto da poesia épica, visto que expressa o mundo subjetivo, ou seja, os sentimentos, as contemplações e emoções. Em vez de recordar o desenvolvimento de uma ação, sua finalidade consiste em expressar o lado interior do ser humano.

    A poesia dramática, por sua vez, combina o princípio da objetividade (épica) com o princípio da subjetividade (lírica): o caráter objetivo da ação que é apresentado diante de nossos olhos e o caráter subjetivo dos motivos interiores que movem os personagens e seu destino.

   Enquanto que na poesia épica a ação e os personagens vivem um tempo distinto dos espectadores, na poesia dramática os espectadores são transportados à época e ao lugar onde ocorre a ação, e ambos estão no mesmo tempo e lugar. Por isso, a empatia, a relação emocional presente é possível apenas na poesia dramática e não na poesia épica.

     Para Hegel, a poesia épica é aquela que apresenta o mundo moral sob a forma de realidade exterior. Para ele tudo o que acontece é determinado por poderes morais, sejam divinos ou humanos.

     Brecht usa a expressão ‘teatro épico’ principalmente em contraposição à definição de ‘poesia épica’ que nos indica Hegel. Portanto, toda a poética de Brecht é basicamente, em resposta e uma contraproposta à poética idealista Hegeliana.

       Se por um lado a poesia épica mostra as ações determinadas pelo espírito, por outro, a poesia lírica nos revela os próprios movimentos desse espírito. Já a poesia dramática, por sua vez, nos mostra diante de nossos olhos, o espírito e as suas ações no mundo exterior.

     Se para Hegel, o espírito cria a ação dramática, Para Brecht a relação social do personagem é quem cria a ação dramática. Na poética Idealista o pensamento condiciona o ser social, e na poética marxista o ser social condiciona o pensamento.