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sexta-feira, 9 de março de 2012

ÁLVARO BRAGA




     Álvaro Braga já nasceu numa família de artistas porque seus tios tocavam violão e cantavam. Havia noites que chegava a se formar um grande coral em família. Vários primos tinham dotes para o humor. Mas foi aos 12 anos, na antiga quinta série, que realmente se deparou com as artes cênicas quando foi convidado para montar um espetáculo teatral na sala de aula. Na ocasião, conseguiu interpretar muito bem o texto com total aprovação da turma. A partir de então passou a se dedicar à arte teatral.
     Nascido numa família sem preconceitos, Álvaro Braga teve total incentivo dos pais para prosseguir fazendo teatro. Com bolsa de estudos ingressou numa escola particular de Arte Dramática na cidade de Belo Horizonte. Foi na Escola Gesto & Companhia que conheceu as principais técnicas de uso do teatro italiano. Além do palco italiano montou espetáculos para teatro de arena e teatro de rua.
      No Amapá tem voltado seu trabalho como professor de teatro e como diretor de espetáculos. Aqui no Norte volta-se para montagens com o teatro educativo e o teatro experimental. Com a peça “Mitos e Lendas da Amazônia” representou o Brasil em Caiena, na Guiana Francesa, quando na ocasião também atuou como ator.
     Entre 2008 e 2009 montou “Sonhos de Uma Noite de Verão” de Shakespeare, e “O Juiz de Paz na Roça” de Martins Pena, sendo esta última montagem com alunos da Escola Cândido Portinari. Um dos seus trabalhos mais significantes foi sua participação no “Projeto Pirralho” quando montou um espetáculo sobre educação no trânsito.
          Desde que chegou ao Estado do Amapá Álvaro Braga tem se dedicado intensamente às artes cênicas e ao teatro propriamente dito. É uma pessoa atuante no que diz respeito às artes cênicas em nossa cidade. No Teatro das Bacabeiras ministrou vários cursos de teatro, contribuindo imensamente para a disseminação desta arte em nossa cidade. Com isso, consequentemente, iniciando uma dezena de jovens artistas nesta arte milenar.
     Álvaro Braga é uma pessoa humilde, mas persistente... Praticamente sobrevive da sua arte como: professor de teatro, ator, garoto propaganda, encenador, iluminador, cenotécnico e sonoplasta. Em função de sua participação em comerciais televisivos se tornou um ator bastante conhecido em nossa cidade.
     Além de ator e diretor Álvaro Braga também participa como garoto propaganda de alguns comerciais televisivos aqui no Amapá. Ele deixa aqui um recado aos iniciantes do teatro: “- O exercício da arte faz bem à alma, então não se prive disso... Cante...! Interprete...! Faça da sua vida uma arte”.

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

COMO É FORTE NOSSA FORTALEZA


COMO É FORTE NOSSA FORTALEZA

     Passou o tempo em que havia uma fortaleza no centro de Macapá e ninguém a percebia. A fortaleza estava na cidade, mas não fazia parte dela. Vivia abandonada e cheia de árvores e mato que tomava conta o seu interior. Um dia foi descoberta. Alguém a descobriu e a trouxe de volta. Ela sempre esteve lá, mas foi preciso um olhar mais aguçado que fizesse com que ela ressurgisse. Vieram os arqueólogos que passaram meses e meses cavando, mexendo, descobrindo e revelando as entranhas de sua história. Trouxeram seus instrumentos de precisão e restauraram seu interior e sua parte externa. Até paredes que estavam encobertas de terra surgiram para vangloriar o amapaense.
     A Fortaleza foi surgindo lentamente, chegando para perto da cidade, se aproximando incondicionalmente. E as pessoas começaram a ter no seu cotidiano aquele gigante de pedra que vinha ressurgindo, como a fênix, das cinzas. Ela veio e abraçou a cidade, a cidade a abraçou e a população também. Seu interior foi aberto para visitas e o povo passou a apreciar mais um edifício restaurado e que faz parte de sua história cultural.
     No seu entorno as praças foram aparecendo lentamente. Muitos dias de espera até que tudo ficasse pronto. Na parte norte definiu-se uma espécie de anfiteatro, que como no teatro grego antigo passou a ter como pano de fundo uma grande muralha. Já serviu até de cenário para o Jornal Nacional, uma honra para os munícipes. Por outro lado, muitos eventos já foram realizados, naquele amplo e ventilado espaço público.
     No lado sul inaugurou-se um amplo espaço de lazer com parque de diversão para crianças, pena que foi abandonado pelos gestores. Denominou-se de lugar bonito. Hoje possui muitas árvores que já cresceram em função do tempo. Como as árvores, nossos filhos também crescem, quase imperceptivelmente. O lugar bonito virou cartão postal. O cartão postal mais bonito de Macapá.
     Acredito que a Fortaleza de São José de Macapá poderia ser mais utilizada no sentido de se promover e se criar eventos tradicionais, eventos que se tornassem clássicos, como por exemplo, alguma encenação de época com soldados vestidos à caráter com roupas medievais, elevando tochas para iluminar  seu caminho.
     Como a peça Uma Cruz Para Jesus, poder-se-ia montar algum trabalho de época sobre a história do Amapá enfocando a participação de Cabralzinho na defesa de nossas terras. Espetáculo que no período de verão fosse apresentado, por exemplo, religiosamente numa sexta feira às 19:00 hs, e que houvesse a possibilidade de no roteiro ouvir-se um estampido de canhão. Seria um espetáculo tradicional e clássico e que constasse no guia turístico de nossa cidade.
                                                                                             PhD. Romualdo Palhano.

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

BARROCO E ROMANTISMO



                                          

     O barroco é um nome que provém da designação de uma pérola de forma irregular. Foi um movimento iniciado na Espanha. Em suas características gerais reflete a profunda transformação cultural por que passava a sociedade pós-renascentista. Do ponto de vista ideológico tornou-se a arte da Contra Reforma. É uma tentativa de realização da síntese entre o espírito medieval de base teocêntrica, em que Deus é o centro do Universo e o espírito Clássico do Renascimento de base antropocêntrica, sistema filosófico segundo o qual o homem é o centro do universo.  Sendo uma arte que repousa em contradições, se expressará sempre através de uma luta por conciliar pólos antitéticos: o claro e o escuro, a matéria e o espírito, a luz e a sombra.
ROMANTISMO
     É um movimento artístico que supera a rigidez do classicismo. O romantismo se define então pela rejeição às regras que reprimissem a expansão do sentimento e pela acumulação dos limites rígidos entre os gêneros literários. Principalmente por uma abertura toda voltada em direção às fontes populares de inspiração. Foi o resultado do impulso que a Revolução Industrial trouxe aos meios de comunicação da época, com os jornais populares e a literatura dos folhetins, permitindo assim que a ideologia romântica se difundisse rapidamente dentro da sociedade burguesa.
     No romantismo surge o predomínio da sensibilidade e da imaginação sobre o frio academicismo de rígidas disciplinas. É um retorno às fontes cristãs e à mística da Idade Média frente à Antiguidade. Também surge um gosto pelo mistério frente à filosofia racionalista. Vários foram os filósofos que estiveram envolvidos no Romantismo, como: Hegel, Schopenhauer e Nietzsche. Na Alemanha: Schiller e Goethe; na Inglaterra: Byron e Walter Scotti.
     As teorias românticas podem resumir-se em dois princípios essenciais: 1) Introdução do individualismo na literatura; 2) Reação contra o classicismo e todas as suas regras. Nesse caso, o escritor, o poeta entre outros, dão em sua obra o primeiro lugar ao seu “eu”.
     No Romantismo a sensibilidade e a imaginação substituem a razão. Renuncia à imitação dos antigos e à sua mitologia. Foi uma reação contra o iluminismo e o classicismo. Se manifesta em suas origens na Alemanha e na Inglaterra.

                                                              Romualdo Palhano. Doutor em Teatro.

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

TEATRO E SEMIOLOGIA

Por Romualdo Palhano. Doutor em Teatro. O teatro pode resolver uma das dificuldades da antropologia no que diz respeito a traduzir e visualizar elementos abstratos de uma cultura, como um sistema de crendices e valores, utilizando meios concretos como: por exemplo, em vez de explicar um ritual, executá-lo; em vez de dissertar sobre as condições sociais dos indivíduos, mostrá-la em função de gestos imediatamente legíveis de um momento histórico. Em realidade a teoria da cultura não poderia constituir-se sem a ajuda de uma teoria social e da ideologia e por fim da relação entre a superestrutura e a infraestrutura. Em efeito, a cultura é o resultado de negociações contínuas entre o mundo exterior; negociações através da qual se afirma, como um horizonte, uma identidade, que só podemos definir como criação contínua. A cultura intervém em todos os níveis, em todos os momentos da vida social e em todos os rincões de um texto e da representação cotidiana. A semiologia é a ciência dos signos. A semiologia teatral é um método de análise do texto e/ou da representação, atento a sua organização formal: à dinâmica e à instauração do processo de significação por intermédio dos praticantes do teatro e do público. Todo estudo semiológico, no sentido estrito, consistirá em identificar as unidades, em descrever suas marcas distintivas e em descobrir critérios cada vez mais finos de sua composição harmônica. A semiologia identifica as oposições entre os diversos sistemas significantes, ela emite uma hipótese sobre a relação dos códigos, os efeitos da evidencia dos signos e de seus valores. O teatro é puramente signo que são identificados automaticamente pelo público presente. Geralmente um vinho na vida real é um vinho, enquanto que no teatro o vinho pode ser representado por um suco de uva, o que não é a mesma coisa visto que um vinho é um vinho e um suco de uva é um suco de uva. Como na música que temos o autor da letra e o compositor da música, no teatro também podemos fazer essa distinção em relação ao dramaturgo e ao encenador ou diretor. Enquanto o dramaturgo escreve o texto escrito, o encenador tem a idéia de colocá-lo em cena, o que não é a mesma coisa. Aqui temos duas obras totalmente distinta. O dramaturgo escreve o texto escrito, que é literatura, e o encenador escreve o texto espetacular que é o espetáculo.

quarta-feira, 19 de outubro de 2011

Bonequinha de Pano

BONEQUINHA DE PANO
Por Romualdo Palhano.

Desprovido de apoio dos órgãos públicos...!? É assim que a “Companhia Oi Noiz Aqui Traveiz” produziu e trouxe ao palco do Teatro das Bacabeiras para o deleite do público infantil do Estado do Amapá, o espetáculo infantil “Bonequinha de Pano” com texto de Ziraldo e encenação de Cláudio Silva.
Se por um lado, este fato nos revela a ausência constante dos órgãos de cultura em relação aos pequenos produtores culturais em nosso Estado, por outro lado, denota a persistência de um grupo de teatro que se torna independente e busca prosseguir seu trabalho a caminho da profissionalização.
É um espetáculo instigante, tanto pelo tema abordado pelo dramaturgo Ziraldo, como também pelo seu teor filosófico tendo em vista que parece ser uma peça teatral para todas as idades em função de que discute o meio termo do ciclo vital de uma menina/adolescente/mulher.
Praticamente todo o espetáculo tem a presença da boneca Pitucha (interpretada por Sabrina Zahara) como personagem principal. Ela mesma narra os problemas pessoais da Leninha (sua dona) quando criança e adolescente e imagina seu estágio de adulta. Revela momentos de transição da personagem e mudanças repentinas, tanto relativas às questões sociais vividas por Leninha (como a separação de seus pais e a obrigação de morar com a avó), como os dissabores e as alegrias de enfrentar a constante metamorfose em seu próprio corpo como, por exemplo, o fenômeno da menarca.
É um espetáculo de difícil concepção levando-se em consideração ser um trabalho voltado para um público adolescente e ainda por apresentar apenas um personagem em cena, revelando-se num monólogo. Se já é difícil montar um espetáculo solo para adultos, imagine montar um monólogo para crianças? Mas, isso não vem ao caso, visto que a atriz que atua na peça, Sabrina Zahara já vem se revelando no teatro amapaense como foi o caso de “Cordel do Amor Sem Fim”.
Basta dizer que em uma hora e sete minutos, ela, a atriz Sabrina Zahara, consegue reter a atenção do público infantil e adulto presente na platéia ao manter firme e coerente sua interpretação, convencendo sua verdade teatral no palco como a boneca Pitucha e como Leninha, já no final do espetáculo. Em relação à manipulação dos bonecos, Sabrina conseguiu criar a expressão necessária para dar vida aos seus bonecos, demonstrando leveza e concentração com o intento de convencer o público. Em função da distância entre palco e platéia, penso que os referidos bonecos poderiam ser maiores, ou no caso, ser recompensado com iluminação incisiva.
O espetáculo “Bonequinha de Pano” apresenta um cenário que tem como ponto de partida a própria necessidade da encenação... Sem exageros...! Dessa forma, convence por sua singularidade e originalidade. Acredito que Bruno Nunes que assina o projeto cenográfico e a concepção do figurino tenha entendido o teor espetacular do texto. Ainda em relação aos bonecos usados no espetáculo, evidentemente na cena em que Pitucha faz Leninha cantar e dançar há necessidade de mais trabalhos técnicos por parte da atriz manipuladora Sabrina Zahara. Nesta cena a iluminação poderia concentrar-se apenas no mamulengo.
O espetáculo cai um pouco na cena final em detrimento da lentidão na mudança de cenário. Este é um momento crucial da peça que precisa ser revisto pelo encenador. Instante decisório que faz parte do espetáculo e que não está ao alcance do público. Nesse caso, há necessidade de se determinar um tempo mínimo entre fechar as cortinas, mudar o cenário e abri-la em seguida. Este é um fator preponderante para a visualização da encenação como um todo, como também para corroborar com esse momento mágico presenciado pelo público. Principalmente no que diz respeito ao ângulo de visão, tanto da boneca Pitucha como também por Leninha e ainda do espectador.
Essa mudança de cenário poderá inclusive envolver muitas pessoas e funciona como o “Pit Stop” na fórmula I que é a parada para troca de pneus e reabastecimento que exige horas de treinamento e chega a contar em muitos casos com um grupo de até 25 pessoas para concentrarem-se num tempo recorde de 5 a 8 segundos. Portanto há que se ensaiar a mudança do cenário (como se ensaia uma cena, várias vezes) para se chegar ao mínimo de tempo possível para assim tornar-se ainda mais mágico e ritmado o espetáculo. Com trabalhos deste nível a peça poderia concentrar seu tempo cronológico em pelo menos 50 minutos, o que seria ideal em função de seu tema e do seu público.
Como Leninha, o espetáculo “Bonequinha de Pano” é um trabalho que está em constante transformação, metamorfoseando-se, e a meio caminho da profissionalização. A música ao vivo concebida por Cléverson Baía complementa a unidade da peça, pena que o sistema de som em alguns momentos interfira diretamente na propagação do som, o que vem a atrapalhar de certa forma a atuação de Sabrina quando está cantando. Quem assume este trabalho é o Grupo “Ói Noiz Aqui Traveiz”, sendo direção de Cláudio Silva; interpretação de Sabrina Zahara; assistente de direção e iluminação – Dan Alves; execução de cenários - Wagner Ribeiro; adereços – Agostinho Josaphat; concepção de figurinos: Rosa; programação visual – Hedvaldo Silva; e direção de palco de Washington Silva.

Doutor e Pós Doutor em Teatro.