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quinta-feira, 25 de abril de 2019

A ESTRELA E A RÃ



          A Estrela e a Rã, do professor Dr. Palhano, é uma obra literária dedicada às crianças, que traz boas mensagens sobre a relação entre os indivíduos.  Apresenta leitura simples, mas é recheada de imagens para colorir. E isto é interessante, porque a criança aprende se divertindo. A obra também traz no seu final, jogos de passa tempo. A primeira edição se deu no ano de 1997 e a segunda edição no ano de 1998. Renovada e atualizada, a novidade é que desta vez, a obra passa a considerar as crianças da nossa fronteira com uma tiragem bilíngue (Português-Francês).
     A professora Majo Queiroga que exerce suas funções na Escola Danielle Mitterand, escreveu o prefácio do livro e fala um pouco da referida obra: “Francolfilo, o autor preocupou-se em presentear o público falante de francês, bem como todos os estudantes da língua francesa, quando se preocupou em fazer a versão em francês deste livro, para os leitores do Estado do Amapá. Enquanto professora de francês, considero este livro um verdadeiro presente para todos do Estado do Amapá por várias razões, visto que a obra em questão possui um significado muito expressivo na literatura local, quando valoriza a língua da fronteira, ou seja, põe em evidência a língua do Departamento Além Mar (DDM) da Guyana Francesa.”
     O motivo central, da “Estrela e a Rã”, mostra-se de imediato no título e na ilustração. Os textos são breves e desenvolvidos por ilustrações dinâmicas que, sutilmente, discutem o desejo da comunicação com as pessoas e as coisas do mundo, como nos revela umas das frases do livro: “À noite a rã se dedicava a olhar a lua, o céu, os planetas e as estrelas."  Assim, a rã, aflita diante das relações pessoais e modificações de seu ambiente natural, personifica o fato de que a natureza precisa ser respeitada para que a vida se cumpra. ”
     O livro “A Estrela e a Rã” além de ser instigante, faz uso de uma linguagem ao mesmo tempo simples e acessível ao público a que se destina. Palhano narra a estória de uma rã que se apaixonou por uma estrela que estava em outra constelação muito distante, e que na dificuldade de conquistá-la, supera as adversidades ao buscar novas alternativas. De toda forma, sem perder as esperanças, ao vê-la refletida no lago em que morava, a rã definitivamente mergulha no lago em busca de um final feliz.
     A obra “A Estrela e a Rã” será lançada na próxima sexta-feira, dia 26, às 16 horas, dentro do evento “Café, Memórias e Pesquisa”, do Departamento de Pesquisa da UNIFAP, no auditório do Prédio Aranha, com a seguinte programação: palestra do Prof. Dr. Palhano sobre suas pesquisas dentro e fora da UNIFAP; lançamento do livro A Estrela e a Rã, e em seguida, lançamento do Boletim do DpQ online. “A Estrela e a Rã” é uma obra dedicada ao público infantil, mas com certeza o público adulto também se deliciará com a mensagem contida no livro. A obra tem tradução da professora Majo Queiroga, com ilustrações de Gesiel Santos.


quinta-feira, 18 de abril de 2019

PARABÉNS UMA CRUZ PARA JESUS


                                                        

     Estamos no início da semana santa e neste ano de 2019, o teatro amapaense tem muito a comemorar, principalmente pelos 40 anos de resistência do espetáculo “Uma Cruz para Jesus”, que tem à frente o ilustre e incansável diretor Amadeu Lobato. Para aqueles que acompanham essa trajetória, basta imaginar que são 40 anos de resistência em relação ao fazer teatral nas terras tucujus. Faça chuva, faça sol, com apoio ou sem apoio dos órgãos de cultura, Amadeu Lobato se transformou nessa grande escola de teatro ao ar livre, quando coloca em cena, todos os anos, mais de cem atores e atrizes concentrados num espetáculo de uma pouco mais de uma hora, na área externa da Fortaleza de São José de Macapá.
     É um espetáculo em que o público amapaense tem a oportunidade de assistir ao ar livre esse trabalho que demonstra a vitalidade e a persistência do teatro amapaense. “Uma Cruz para Jesus” já é sinônimo de seu mentor, Amadeu Lobato, e sua peça apresentada ao ar livre na área da Fortaleza de São José, também significa e se revela na principal escola de teatro do nosso Estado. Sim! Porque grande parte das pessoas que se dedicam hoje ao teatro amapaense, passaram pela escola do Amadeu Lobato.
     “ - Quem daqui já teve alguma experiência com teatro? ” Quando faço esta pergunta aos meus alunos calouros do Curso de Licenciatura em Teatro da UNIFAP, geralmente escuto a seguinte resposta: - Eu já tive experiência no espetáculo Uma Cruz para Jesus”, com Amadeu Lobato. Por isso, esse trabalho e essa dedicação do Amadeu Lobato, já é referência tanto na sociedade amapaense quanto dentro da academia.
         Durante todos esses anos acompanhamos de perto a obra do mestre Amadeu Lobato e foram muitas as vezes que seu trabalho foi montado com garra, coragem e decisão, sem nenhum apoio dos órgãos de cultura do Estado e Município. Presenciei espetáculo com os atores hiper-cansados, com a lateral da Fortaleza (seu espaço cênico) completamente tomado pela lama. Mas, o mais importante é que o público sempre esteve lá, literalmente de pé vendo a ficção e aplaudindo na realidade, os passos de Jesus Cristo.
     Amadeu é um caboclo atrevido e deveras teimoso, não fossem essas características, esse espetáculo já não mais existiria. Esperou décadas para sensibilizar os órgãos competentes, porque o público sempre foi fiel à sua peça.
     Após vários anos de apresentação em muito vem crescendo, cada ano com uma novidade, tanto no que diz respeito aos cenários como também à encenação. Sobre a encenação propriamente dita, em várias cenas do espetáculo utiliza-se da iluminação para melhor visualização do público. Como este espetáculo se apresenta todos os anos, a lateral da Fortaleza fica completamente lotada e tomada pelo público presente. Parabéns a Amadeu Lobato, grande mestre do teatro amapaense.
     Seguramente posso citar aqui algumas influências de “Uma Cruz para Jesus” nestes 40 anos de atividades ininterruptas. No entanto, é em função deste espetáculo que se disseminou vários outros grupos que passaram a apresentar seus espetáculos sobre a vida, paixão e morte de cristo. Bairros como: Perpétuo Socorro, Pacoval, Novo Horizonte, entre outros também fazem apresentação sobre a vida de Cristo. Em função de todo esse trabalho parabenizo o espetáculo “Uma Cruz para Jesus”, por sua resistência e persistência nesses últimos 40 anos de apresentação. Parabéns ao seu mentor, diretor, ator e dramaturgo, Amadeu Lobato, por essa grande e significativa escola de teatro ao ar livre, das terras tucujus.



quinta-feira, 28 de março de 2019

E VIVA O TEATRO NO DIA 27 DE MARÇO



     Do ponto de vista histórico e com os elementos que conhecemos na atualidade, poderíamos afirmar que o teatro surgiu na Grécia Clássica, embora pesquisas recentes venham demonstrar que muito antes, os egípcios, os indianos e os chineses já o praticavam. Portanto, não se pode negar que a cultura oriental é muito sedimentada, mas embora o oriente praticasse teatro antes dos gregos, essa prática acontecia primitivamente em forma de rituais religiosos.
     É notório que a Grécia antiga tenha herdado esses rituais, entretanto não podemos negar que foi justamente nesse país que os primitivos rituais foram, ao longo dos anos se transformando, tomando novas formas como festividades e atividades culturais até determinar os cultos teatrais como forma de representação e arte, à qual conhecemos hoje.
     A etimologia do teatro deriva do latim theatrum e do grego theatron, que dá ao vocábulo o sentido de miradouro, praticamente, lugar de onde se vê, lugar para olhar, detheasthai, “olhar”, mais – tron, sufixo que denota “lugar”. Entendendo-se dessa maneira, que o sentido primitivo da palavra “teatro”, estava relacionado estritamente com a ideia da visão. Esse verbete, que significava o prédio onde são realizados espetáculos, posteriormente se tornou mais amplo e a ter maior alcance, com maior sentido conotativo, designando peças, produção, preparação de uma peça teatral em geral, entre outros.
     Esse teatro do qual conhecemos na atualidade, originou-se basicamente de três festividades: a) dos mistérios de Delos; b) da louvação às divindades Quintelanas – Elêusis, Demótes e Proserpina; e c) do culto ao Deus Dionísio. Sendo que esta última versão se considera como a mais provável, segundo estudos históricos e antropológicos já realizados.
     Sabe-se que uma vez ao ano, justamente por ocasião das vindimas (colheita de uvas), prestava-se homenagem ao Deus Dionísio; Deus da uva e do vinho; da embriaguez e da fertilidade. Geralmente, nesses cultos sacrificava-se um animal, mais praticamente um bode que, por sua vez, significa tragos em grego, de onde surge etimologicamente a palavra tragédia.
     Comumente ao som de música de flautas, as bacantes dançavam em honra ao Deus Dionísio, juntando-se aos sátiros, também dançarinos, que vestidos à caráter, imitavam bodes, que, para a cultura grega desse período significavam os companheiros do Deus. Depois de algumas horas, já embriagados, entregava-se com entusiasmo a esse frenesi, esse culto, a esse verdadeiro espetáculo. Nessas condições, o teatro tem, notadamente, origem religiosa e campestre.
     Com o passar do tempo, o próximo passo foi a organização de procissões, que se tornaram muito mais religiosas do que profanas. Essas procissões tinham caráter comum, onde todos os celebrantes se juntavam tendo à frente jovens que cantavam um hino improvisado, chamado “ditirambo”. E assim giravam em torno do altar do Deus, agradecendo pela colheita da uva e pelo sexo, que significava a fertilidade da vida. Aqui, revela-se o verdadeiro espírito da democracia grega, sua gênese, onde os cidadãos tinham o pleno direito de se manifestar e participar ativamente daquela sociedade. Foi basicamente desse hino, dessa primitiva música que, segundo Nietzsche, nasceu o teatro grego. Aqui, indico aos interessados, a leitura do livro “o nascimento da tragédia” do referido autor.
     Para Augusto Boal, teatro era o povo cantando livremente ao ar livre. Naquele momento, foi o povo grego quem criou e ao mesmo tempo se tornou o próprio destinatário do embrionário espetáculo. E foi exatamente desse coro, do contraste entre o espírito Dionisíaco e Apolíneo que nasceram a Tragédia e a Comédia. A tragédia tinha como principais características o terror e a piedade que despertava no público. Era constituída de cinco atos e voltava-se para o resgate da mitologia grega, com seus deuses, heróis e feitos. A comédia era dividida em duas partes com um intervalo. Tratava dos homens comuns e de sua vida cotidiana. A comédia representava o vício, enquanto a tragédia, a virtude.
     Em função de essas atividades teatrais persistirem até nossos dias foi que em 1961, o Instituto Internacional do Teatro da UNESCO, órgão das Nações Unida, voltado para a educação, ciência e cultura, resolveram criar uma data dedicada às atividades culturais ligadas à representação, durante o seu IX Congresso Mundial, em Viena, Áustria. Portanto, em função da inauguração do Teatro das Nações, em Paris, França, em 27 de março de 1962, tem sido celebrado o Dia Internacional do Teatro. A data 27 de março, assinala também a inauguração das temporadas internacionais no referido teatro.


segunda-feira, 18 de março de 2019

UTÓPICA REFORMA




     Como todos sabem, é grande o debate sobre a reforma da previdência. As dúvidas também são imensas. Quem serão os beneficiados e qual classe terá menos proveito? Nesse caso, quais serão os perdedores e quais serão os ganhadores? Com certeza, são muitas as indagações. Mas, sem sombra de dúvidas, da forma que está sendo encaminhada, com certeza serão os mais pobres os grandes perdedores, a grande maioria da sociedade, posso dizer assim.
     Enquanto os poderosos e os grandes grupos tentam, com apoio dos mass media, aviltar a maioria da população, realmente as pessoas passam a acreditar que a reforma da previdência beneficiará a todos.  E assim, desde tempos remotos, a grande maioria vai se transformando em massa de manobra dos pequenos grupos. A ideia é assim mesmo: faça o que eu digo, mas não faça o que eu faço”. Foi assim no Império Romano, quando a base de domínio era pão e circo, da mesma forma que aconteceu com a difamação do povo judeu pelo governo alemão, na 2ª grande guerra.
    Um dos mandamentos da Lei de Deus diz: “Não tomarás seu Santo Nome em Vão”, e por incrível que pareça, o santo nome vem sendo utilizado erroneamente por algumas religiões, com o intuito de iludir o povo. Meu pai, que não tinha muito estudo, porém tinha muito conhecimento, sempre me falava uma frase de cunho simples, mas de profundo significado: “se não fosse os bestas, os sabidos não viviam”. E é assim mesmo que acontece na dialética da vida cotidiana.
     Produto de minhas ideias, minha reforma da previdência, embora seja utópica ainda é por mim desejada e esperançosa. Aliás, seria inaceitável nessa época de globalização e neoliberalismo do mundo burguês capitalista, visto que vai de encontro a tudo que está aí e que a sociedade nos passa crer que tudo se torna normal e cotidiano na moderna vida social.
     Talvez eu pense diferente de todos, mas acredito que a reforma da previdência não deveria acontecer direcionada para os que nada tem, para os mais pobres, mas sim, deveria ser dirigida para uma pequena parcela dos que possuem mais e que se encontram no topo da pirâmide social, para aqueles que tem todas as benesses da riqueza do país. Para aqueles que vivem no luxo. Aliás, o luxo existe em função do lixo. Se alguns estão usufruindo do luxo, é porque uma grande maioria vive no lixo.
     Para finalizar este humilde artigo, socializo com todos como encaminharia minha reforma da previdência que seria: no legislativo, diminuir de 81 para apenas 40 senadores; diminuir de 513 deputados federais para 255; diminuir os deputados estaduais e os vereadores, de cada prefeitura do país, pela metade. No que se refere à cidade de Macapá, de 24 deputados estaduais deveria cair para apenas 12, da mesma forma que na câmara dos vereadores que de 23 deveria diminuir em cinquenta por centro. Além disso, acabar com os auxílios (que são muitos) e todas as aposentadorias daqueles que passam apenas quatro anos nesses cargos públicos eletivos e já saem aposentados. Esta é uma reforma utópica?


segunda-feira, 11 de março de 2019

O TEATRO PRIMITIVO



     Inicio este artigo, afirmando que as diversas formas de representação são tão antigas quanto a própria humanidade. Os primeiros momentos da arte dramática se revelam tanto dentro da caverna como fora dela. Um dos primeiros momentos de representação do homem foi ainda no período primitivo. Fora da caverna, ao abater o animal para satisfazer suas necessidades como alimentação ele também utilizava os ossos para confeccionar armas como também sua usava a pele para servir de vestimenta e proteção em relação à natureza.
     Não só isso, ele usava seu pensamento e sua tecnologia para atrair outros animais. Recurso criado pelo próprio homem, o que o diferenciou dos demais bichos. Vejamos: a primeira forma de representar foi exatamente quando o homem primitivo se vestiu com o couro do animal e se fez de animal para atrair outros da mesma espécie. Por exemplo, ele matava um bisão, tratava a pele e na próxima caçada se vestia com a mesma como se fosse outro animal, para chegar o mais próximo possível, para poder abater com mais facilidade sua próxima presa. Nesse momento ele se apoia no mimetismo e na representação.
     Aqui está a grande mágica do teatro, a capacidade de se apresentar aos outros sem revelar seu segredo pessoal e sua identidade. E é assim que o homem moderno se apresenta na sociedade. Um professor não é apenas um professor no seu ambiente de trabalho, em casa é pai, avô, na roda de amigos, é amigo, etc. Outro momento interessante em relação ao teatro primitivo podemos encontrar exatamente nos momentos de socialização dentro das cavernas.
     Desde os tempos mais remotos, a divisão do trabalho das pessoas que viviam em grupo, sempre aconteceu, da mesma forma que ainda acontece na atualidade. Vamos aqui imaginar a vida de um grupo primitivo: no princípio, o papel do homem era caçar e trazer o alimento para casa, e isso era fundamental para a sobrevivência daquele grupo social. Por outro lado, as mulheres ficavam com o papel de organizar e suprir as necessidades dentro das cavernas e dos arredores.
     O papel da mulher era a de cuidar dos anciãos e das crianças, à noite havia a necessidade de acender o fogo, nesse período, ao caminhar dentro da caverna, os primitivos deram conta da sombra e foi exatamente em função disso que as mulheres para animar seus filhos, começaram a inventar o teatro de dedos e mãos, projetando sombras dentro da própria caverna, para brincar com seus filhos. O teatro de sombras surgiu também nesse período, antes mesmo do teatro de bonecos, que surge em função das sombras, ou seja, o teatro de sombras está para o teatro de bonecos, como o teatro de bonecos também está para o teatro de sombras.

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2019

FUTURO INCERTO



     O entorno do marco zero do equador se tornou um dos principais pontos de encontro dos amapaenses como também de turistas que visitam nossa querida cidade. Naquele espaço urbano, em meio à linha do equador, o complexo do marco zero concentra três importantes monumentos: o Marco Zero do Equador; o Sambódromo complementando-se com a Cidade do Samba e o Estádio Milton de Souza Corrêa, conhecido popularmente como Estádio Zerão.
     Todos sabem que megaeventos e grandes shows musicais sempre acontecem no entorno do marco zero do equador. No sambódromo acontece um dos maiores eventos da cidade que é o desfile das escolas de samba no período de carnaval; e para que isso aconteça, torna-se prioritário grande movimentação no entorno daquela área urbana; área mais do que necessária para que cada evento, como o desfile das Escolas de Samba, por exemplo, tenha sucesso.
     Além do desfile de escolas de samba, durante os 365 dias do ano acontecem outros tantos eventos como o desfile das quadrilhas juninas entre vários shows de cantores famosos, tanto amapaenses como músicos conhecidos em todo o Brasil. Ademais os encontros religiosos que sempre escolhem aquela área urbana para louvarem ao senhor. Na Rua Ivaldo Veras também existe a Cidade do Samba que, por sua vez, serve como suporte ao Sambódromo em suas atividades culturais.
     O mês de setembro sempre é bastante movimentado com os desfiles dos dias 07 e 13 deste mês, quando aquela área se reveste de desfiles de escolas estaduais e municipais, exército, bombeiros e polícia militar, entre outras agremiações. Tanto no desfile das escolas de samba como no desfile do dia 07 de setembro a parte de trás do Zerão fica repleta de bandas de música das escolas, todas esperando seu momento para entrar em cena. Neste caso, o barulho é imenso na espera de desfilar no sambódromo.
     Lá também está localizado o Marco Zero do Equador, com várias festividades inserindo aqui as principais que são os Equinócios: equinócio da primavera, em março e equinócio de outono, em setembro. Na maioria dos casos, há danças e exposições, o que transforma aquele ambiente num grande local de encontro das pessoas que aqui habitam. Ainda há os solstícios que não são muito divulgados, mas que acontecem em junho e dezembro.
     Junte-se a tudo isso o Estádio Zerão, querido por todos aqueles que são amantes do futebol. Tudo que se relacione ao futebol acontece no Estádio Zerão, que é o único estádio do Brasil onde uma equipe situa-se no hemisfério Norte e a outra no hemisfério Sul. E o que dizer dos circos que sempre chegam à cidade de Macapá, o melhor espaço para se instalar um deles só poderia ser naquele espaço urbano, como sempre acontece.
     Após a inauguração do Hospital Universitário qual será o destino desses monumentos? Digo isto, porque, tendo em vista que o Hospital Universitário se transformará no maior centro de concentração da área da saúde no Amapá, então, dá pra imaginar que esses monumentos ficarão obsoletos. Penso que o sambódromo poderia ser transformado realmente numa escola ou centralizar órgãos do Estado; o Estádio Zerão poderia ser doado à Unifap para o Curso de Educação Física e ainda a Cidade do Samba deveria ser devolvida à Unifap visto que foi construída na área daquela instituição. Acredito que se tornará impossível manter eventos desses níveis, após a movimentação daquele Hospital.





segunda-feira, 17 de dezembro de 2018

ANDANÇAS EM CARTÃO POSTAL



     Última terça-feira na biblioteca central da Universidade Federal do Amapá, aconteceu a abertura da exposição intitulada “Andanças em Cartão Postal”. Surgiu em função de minhas andanças com a prática teatral, nas décadas de 1970 e 1980 por várias cidades do Brasil.  Época em que celular e WhatsApp eram ficção científica. Naquele período, uma das formas mais difundidas de comunicação entre quem estava em viagem e seus familiares e amigos, era exatamente o envio de notícias em cartão postal.
     O cartão postal era fundamental para esta comunicação entre quem ficava e quem partia em viagem. Geralmente na parte da frente ficava a imagem de algum lugar interessante da cidade e na parte posterior a identificação do local. Havia espaço para se escrever algumas palavras e a colocação do endereço do destinatário. Eu mesmo escrevi vários para minha família.
     Como estudante e artista, eu não tinha oportunidade de comprar qualquer suvenir, no entanto tive a ideia de compra-los como lembrança. Assim, a cada cidade que visitava, sempre fazia questão de comprar um ou dois postais.  Fui criando uma coleção. Dia desses, encontrei no fundo do baú, mais de cem deles. Pensei em jogá-los no lixo, mas, relutei e resolvi socializa-los, expondo-os para um público amplo, principalmente para que os jovens possam ter uma ideia de como funcionava o WhatsApp do passado.
     Professora Doutora Sílvia Marques, curadora desta exposição, escreveu as seguintes palavras: Igualmente a ferramenta de guerra, os postais se tornaram meio de comunicação de massa que funcionou como dispositivo de manutenção do status quo, uma ferramenta de violência simbólica efetivada através da produção de um imaginário que legitimou o predomínio sociocultural da elite sobre o espaço urbano. Deixando claro a quem pertence a cidade, a exposição vem estabelecer diálogos de mão dupla que solapa o pensamento e a visão, para ver a intenção das imagens em favor e ao encontro da vida, a interpretação e intervenções coletiva e particular com espaço das cidades.
     Isso requer pensar não só a superfície impressa dos postais. Mas, mergulhar nas profundezas da cidade em seus deslocamentos de um diálogo temporal do que se desvelam em imagens. Como suporte, os postais abrem possibilidades com diferentes tipos de intervenções do olhar, de percepção, contemplação e compreensão de usos políticos e poéticos na urbe em outras significações.
     Nesse sentido, a exposição nos convoca a perceber as cidades como vias de acesso em seus pertencimentos analíticos de uso e convívio. E nessa dimensão, se aliam ao questionamento: quantas cidades há em mim, em você, em nós? Não podemos negar que transitamos cotidianamente entre ambientes marcados por uma tessitura áspera e, em muitos casos, excludente, os quais revelam a existência de áreas limiares, como becos, vielas, terrenos baldios, cruzamentos, escadarias, praças, entre outros lugares com grande poder simbólico. Para tanto, nessa exposição, os cartões postais, a princípio funcionam em montagens que contraditoriamente ao se revelar público se torna acervo íntimo e é investido na narração memória e invenção do coletivo.