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segunda-feira, 2 de dezembro de 2019

O RÁDIO TEATRO


                              
     Com o intuito de dotar a cidade de Macapá de um meio de divulgação das ações do próprio governo, Janary Nunes inaugura um serviço de autofalantes em 25 de fevereiro de 1945. Justamente, esse serviço de autofalantes se tornaria na futura na Rádio Difusora de Macapá; inaugurando-a em 23 de julho de 1946. A referida difusora que nos dias atuais ainda continua em funcionamento, em muito contribuiu com a cultura e o teatro no Amapá, levando-se em consideração duas questões primordiais: a primeira foi o fato de a mesma ter aberto programação para radionovelas, o que consequentemente, deu início ao rádio teatro em nosso Estado; outro fator preponderante foi a construção de um pequeno palco com plateia para cem pessoas que foi construído em seu espaço físico.
     Certamente, o projeto do radio teatro no âmbito da Rádio Difusora de Macapá, motivou e abriu espaço para atores, atrizes e diretores, em função da gravação dessas radionovelas, enquanto que, por outro lado, o palco que havia no complexo da referida rádio, tanto servia como espaço para produção de programas de auditório, como também como espaço para ensaio e apresentações de peças teatrais dos produtores locais. Professor Guilherme Jarbas nos fala sobre este assunto: “Nós tínhamos na Rádio difusora de Macapá o rádio teatro e tinha um profissional chamado Reinaldo Farah e mais dois irmãos que foram contratados pelo governo do Território para trabalhar a radiodifusão dessas peças teatrais”.
     A Rádio Difusora de Macapá foi inaugurada num momento áureo do Território Federal do Amapá, com boa estrutura física, segundo o professor Rostan Martins: “O prédio da RDM tinha ambientes principais como: estúdio de locução; discoteca; sala de controle de som; auditório com capacidade para 100 pessoas, com palco, onde se apresentaram seresteiros, programas dos radialistas pioneiros, como o Clube do Guri, a apresentações de radionovelas.”
     Com a inauguração da Rádio Difusora de Macapá em 23 de julho de 1946; com o início das atividades pedagógicas da Escola Barão do Rio Branco em 13 de setembro de 1946 e ainda com os eventos e apresentações de artistas que passaram a acontecer no Cine Teatro Territorial a partir de 1948, tendo-se por outro lado a constante urbanização da Praça do Barão, acredita-se que esses fatores transformaram aquela área geográfica num point cultural da cidade de Macapá entre os anos 40 e 50 do século XX. É em função desses fatores que no final da década de 1940 se inicia um forte movimento cultural no âmbito do Estado do Amapá.
     Portanto, naquela área urbana vamos observar um complexo do mais avançado progresso para aquele período na cidade de Macapá. Ali tínhamos a primeira escola de Macapá; o primeiro cinema da cidade; o primeiro teatro moderno para a época; a primeira estação de rádio; um imenso hotel, e a partir de 1950 uma imensa praça totalmente urbanizada. Sem sombra de dúvidas, passou a ser o centro cultural da cidade.



domingo, 17 de novembro de 2019

HISTORIETA DE MACAPÁ E O MITO DAS TRÊS PALMEIRAS



     No último dia 06 de novembro, numa quarta feira, me dirigi ao Teatro das Bacabeiras para prestigiar em “avant première”, o espetáculo musical “Historieta de Macapá”, que tem por base as obras: Macapá Capital do Meio do Mundo, de Herbert Emmanuel e Adriana Abreu; Uasei, o Livro do Açaí, este último publicado pelo IEPÉ, e ainda, informações coletadas sobre os saberes dos povos Karipunas, nas quais, relatam o mito das três palmeiras.
     Somando-se a tudo isso, a pesquisa artística e intelectual envolveu a literatura mitológica sobre lendas e mitos do Amapá e da Amazônia. E para realçar uma relação telúrica com as coisas tucujus, o grupo também se debruçou buscando relações intrínsecas entre o tema pesquisado e a música popular e genuinamente amapaense. Foi com esses ingredientes que o Grupo Teatral GTI, resolveu escrever o roteiro do referido espetáculo.
     Ao estudar e colocar todas essas fontes num grande caldeirão mágico, Bruno Peixoto (diretor), buscou criar sua mise em scène com um misto de música, dança, contação de histórias, projeções visuais e vários planos cenográficos, cenários, adereços e visualidades que são assinados por Paulo Rocha. Início e final do espetáculo nos mostra um ar televisivo e cinematográfico, quando apresenta os atores e várias outras imagens da cidade de Macapá, durante o desenrolar da peça.
     Quanto às projeções em espetáculos teatrais, isto nos remonta a Erwin Piscator, quando na década de 1920 do século XX, trouxe essa técnica em seus espetáculos, que era inovadora para a época, nos palcos alemães. Esse método influenciou o teatro europeu e americano. Piscator foi um dos mais importantes encenadores alemães do século XX.
     História de Macapá e o Mito das Três Palmeiras, é um espetáculo teatral que honra, eleva e engrandece a cidade de Macapá a um patamar que já havia sido feito pela música popular amapaense. Sendo assim, o que se traz para o palco é a cultura do Amapá, com base na literatura, na música, no ritmo e na dança das pessoas do lugar.
     O elenco é formado por Antoniele Xavier, Anderson Pantoja e Márcia Fonseca, que representam e cantam sucessivamente do início ao final da peça.  São esses artistas que buscam no palco, demonstrar seu carinho pela cidade do meio do mundo. Sem esquecer da ótima participação dos músicos e percussionistas Ícaro Bandeira e Marcos Guedes, que ao estarem localizados no plano alto, sempre estão presentes em cena com sonoplastia ao vivo, o que notadamente enriquece o musical.
     O que chama atenção no trabalho é a policromia e harmonia do conjunto cenográfico e sua intersecção com as projeções realizadas. Todavia, há que enfocar que infelizmente a iluminação não conseguiu alcançar e realçar perfeitamente este conjunto composto e disposto no palco. Por ser didático, o espetáculo será bem-vindo, principalmente nas cidades, escolas e comunidades do Amapá. Um verdadeiro presente para a sociedade amapaense. Uma demonstração de amor de como a arte, o teatro e a música amapaense vê e reverencia a cidade joia da Amazônia. Resumindo: o espetáculo é uma declaração de amor à Macapá.

segunda-feira, 4 de novembro de 2019

POEMAS E UM AMOR



     Este é o título do mais novo livro de poesias do meu amigo, poeta e confrade José Pastana, ou como todos conhecem, apenas poeta Pastana. Ele é uma figura que tem muita dedicação e apreço pelas artes e pela educação. Em relação às artes, penso que o que mais lhe fascina é a literatura, e de forma mais acirrada, a poesia. Sim! Porque Pastana é um poeta de mão cheia, visto que já publicou três livros, sendo este o quarto. Já participou efetivamente de várias coletâneas, e mais, é um dos únicos poetas que também já gravou um CD de poesias no Estado do Amapá.
     Há mais de vinte anos que conheço esse ilustre escritor, se não me falha a memória, foi lá pelos idos de 1996, num festival de poesias que acontecia no Teatro das Bacabeiras. Eu recém-chegado a Macapá, aproveitei e subi ao palco para recitar algumas poesias matutas. Apesar de que ainda não nos conhecíamos, foi a ela que pedi a permissão para entrar de última hora na programação. Prontamente fui atendido e percebi, todavia, a grande sensibilidade, motivação e dedicação do meu amigo Pastana, primordialmente para a poesia e literatura.
     Agora ele vem com seu “Poemas e um amor”, e é verdade! Nesta obra, o que mais Pastana enfoca é o amor. Amor pelos filhos e esposa, amigos, amor pela poesia e literatura, amor pela vida, amor pela cidade de Macapá. Tudo isso está inserido nesta nova obra do amigo e mecenas da arte, Pastana. Não é por menos, o que revela Rui do Carmo em seu prefácio, quando sublinha que: “navegar nas páginas de José Pastana é mergulhar em um mundo de lirismo amoroso de um coração apaixonado não só por sua amada, mas pela vida, pela arte de escrever. ”
      Nesta obra, o poeta Pastana expõe ao público várias poesias, poemas e alguns sonetos. Nesse trecho de “A Moça na Janela”, ele compara a moça à uma flor, e um abstrato e possível namorado à um simples e frágil e pequenino animal, quando diz:
Uma bela moça debruçada à janela
Uma rosa púrpura perfumada de amor
Que floresce pujante diante do arrebol
Beijada todos os dias por um beija-flor.

     Não dá para contar os movimentos e projetos culturais que Pastana tem participado ao longo desses anos. Fundador do Clube dos Poetas; participou do Conselho de Cultura por vários anos; foi presidente da Câmara de Letras e Artes, entre outras tantas atividades que tem participado e contribuído com seu conhecimento para as artes no Amapá. Foi e é atualmente o Gerente da Biblioteca Pública Elcy Lacerda. À frente desta Biblioteca, vem apoiando qualquer escritor que queira lançar seu livro. Se você tem o seu, passa lá e conversa com o Gerente Pastana, que será bem recebido. É de perceber que, ao longo desses anos, Pastana vem dando ótima contribuição para a arte e a educação em nosso Estado.


terça-feira, 29 de outubro de 2019

DIÁRIO DE ANNE FRANK



     Para quem pretende desenvolver a escrita, eu aconselho dois caminhos que irão facilitar o ato de escrever: o primeiro é brincar de escrever poesias. Escrever poesias é muito interessante tendo em vista que ela o envolve no ato de pensar, escrever, reescrever e definir um título. Toda poesia tem início, meio e fim. O fato de escrever poesias o ajudará a escrever um livro num breve futuro. Em segundo lugar, escrever um diário.  O nome já diz tudo, no diário você passa a escrever tudo o que se passou no seu dia. É como se você estivesse escrevendo uma carta para você mesmo. Da mesma forma como a poesia, cada dia relatado, passa a ter início, meio e fim.
     E por falar em diário, estou finalizando a leitura do diário de Anne Frank. É uma leitura simples, mas muito valiosa, em que uma menina de 13 anos relata suas agruras, sua solidão e sua incessante fuga da polícia de Hitler. Ela relata o tempo em que viveu num esconderijo na Holanda. Este fato se deu a partir de 1942, período altamente conturbado da segunda guerra mundial. 
     Ela recebeu um caderno de presente e resolver transformá-lo num diário. Todo seu sofrimento junto à família ela conseguiu escrever todos os dias e registrar no seu querido diário, para isso criou um personagem, sua amiga Kitty, para quem ela sempre dirigia suas palavras.
     Com a decisão de seu pai de se mudarem para um esconderijo, visto que naquele momento não tinha alternativa, toda a família, inclusive Anne Frank, passou a viver na clandestinidade. Anne passa por várias privações: fica longe da escola, dos amigos, da casa, da cidade, do seu bairro, passear de bicicleta, ou seja, ficou privada de vivenciar tudo o que uma jovem de 13 anos poderia experimentar. 
     No desespero de sua estada no esconderijo, para não ser presa pelos nazistas, ela escreve esta frase, que revela seu desespero: “é melhor acabarem os sustos de uma vez do que ficar à espera indefinidamente”. Imaginem que ela passou mais de dois anos presa dentro do seu próprio esconderijo.
     Reclama também de não poder movimentar seu corpo como faria no cotidiano em liberdade: diz ela – A gente tem os movimentos mais cômicos deste mundo, procurando caçá-los.  Mas todo o movimento nos causa embaraço. Falta-nos o jeito porque fazemos pouca ginástica e já não temos o corpo flexível. Uma das coisas mais simples é termos amigos. Em seu desespero, escreve em seu diário a necessidade vital de uma amiga. E foi em função dessa pretensão que ela reclamou em seu diário a presença de uma amiga para conversar. Na falta da amiga, criou uma virtual.
     Em muitos casos, os adultos não levam em consideração os adolescentes, e ela nos dá um recado glorioso, quando coloca sua relação com os adultos: o que tenho eu a ver com toda essa confusão? Haverá quem adivinhe o que se passa na alma de uma adolescente? Portanto, recomendo a todos a leitura do Diário de Anne Frank, por ser acessível e de fácil compreensão a todos os leitores.

segunda-feira, 14 de outubro de 2019

E VIVA O CÍRIO DE NAZARÉ



     A primeira vez que, conheci, participei e acompanhei a procissão do Círio de Nazaré, foi na cidade de Belém do Pará, no ano de 1994. Na ocasião, eu era professor do Núcleo Pedagógico Integrado da Universidade Federal do Pará. Foi uma sensação muito diferente ver aquela multidão agradecer em nome da Virgem de Nazaré. Até hoje não esqueci aqueles momentos que muito me impressionaram.
     A palavra círio vem do latim cereu, de cera. Significa vela grande de cera, como também, festa em homenagem a algum santo, no caso, a virgem de Nazaré. Quando se fala em Círio de Nazaré, pensamos logo numa grande procissão, o que também está correto. É a manifestação de cunho religioso que mais aglomera pessoas no Brasil.
     É uma tradição mais que centenária, que acontece todos os anos, no segundo domingo de outubro, em várias cidades, vilarejos, lugarejos e comunidades distantes, no Norte do Brasil. Sendo que o mais conhecido turisticamente é o círio que acontece na cidade de Belém do Pará. É um cerimonial onde os católicos vão agradecer e honrar Nossa Senhora de Nazaré.
     Muitas comunidades primitivas também realizavam procissões em honra aos seus deuses. Na antiga Grécia, aconteciam em honra ao deus Dionísio. Eram procissões que ao som da música de flautas, as bacantes dançavam em honra ao Deus Dionísio, juntando-se aos Sátiros, também dançarinos, que vestidos a caráter imitavam bodes, cujos animais, para a cultura grega da época significavam os companheiros do Deus.
     Essas procissões tinham caráter comum, onde todos os celebrantes se juntavam tendo à frente jovens que cantavam um hino improvisado, chamado “ditirambo”, e assim giravam em torno do altar do Deus, agradecendo pela colheita da uva e pelo sexo que significava a fertilidade da vida. E foi exatamente desse coro, do contraste entre o espírito Dionisíaco e Apolíneo que nasceram a Tragédia e a Comédia. 
     Em seguida o coro separou-se do recitador, nesse momento crucial da história do teatro havia nascido o primeiro ator. Contudo, na procissão já se podia constatar três artes: o canto, a dança e a atuação. Nesse caso, à frente vinha o “Corifeu” – de onde surge a palavra Coro – vestido com pele de bode. Consequentemente todo o resto do grupo respondia ao ditirambo, atuando como um verdadeiro balé litúrgico, numa fusão do trágico e do cômico. Essa narrativa cantada era sempre feita em terceira pessoa. Em 534 a.C. Théspis, um corifeu que participava da festa, representou pela primeira vez Dionísio, transformando essa narrativa em primeira pessoa e dando origem à plateia.
     Poderíamos fazer aqui, uma relação como o Círio de Nazaré, quando todos os anos, numa determinada época, o povo se reúne para louvar a sua Santa (Deusa) Virgem de Nazaré. Neste caso, com características próprias de uma cultura contemporânea do século XXI. É interessante saber que apesar da distância cronológica, momentos semelhantes existem entre essas duas manifestações religiosas, como por exemplo, o vigário assumindo o lugar do Corifeu, que quando fala uma estrofe de uma oração que, automaticamente o povo responde, representando nessa ocasião, o coro. E assim a cultura segue seu rumo. Viva o Círio de Nazaré. Viva o Círio de Macapá.
    




quarta-feira, 2 de outubro de 2019

COMPLEXO DO EQUADOR



     Por muitos anos, o entorno do marco zero do equador se tornou um dos principais pontos de encontro da sociedade amapaense, como também, de turistas que visitam nossa querida cidade. Naquele espaço urbano, em meio à linha do equador, o complexo do marco zero concentra três importantes monumentos: o Marco Zero do Equador; o Sambódromo, complementando-se com a Cidade do Samba e o Estádio Milton de Souza Corrêa, conhecido popularmente como Estádio Zerão.
     Todos sabem que megaeventos e grandes shows musicais sempre aconteceram no entorno do marco zero do equador. O sambódromo está ficando obsoleto em função de que já não mais acontece o desfile das escolas de samba no período de carnaval, como também não há mais confiabilidade da permanência de pessoas, naquele prédio, em função da falta de manutenção. Todos sabem que este ano, os desfiles de sete e treze de setembro voltaram a ser apresentados na Avenida FAB. 
     Além do desfile de escolas de samba, durante os 365 dias do ano aconteciam outros tantos eventos como o desfile das quadrilhas juninas; shows de cantores famosos, tanto amapaenses como músicos conhecidos em todo o Brasil. Ademais, os encontros religiosos que sempre escolhem aquela área urbana para louvarem ao senhor. Na Rua Ivaldo Veras também existe a Cidade do Samba que, por sua vez, também está abandonada e sem nenhuma serventia cultural.
     Muitas vezes com o desfile da comemoração do sete de setembro, a quantidade de pessoas era tão grande que a última escola ficava geralmente na frente do portão principal da Unifap, e realmente era um desfile bonito e grandioso. Nesses desfiles, eu sempre passeava de bicicleta observando a movimentação. Nesse trajeto, ouvia-se um imenso barulho dessas agremiações, visto que várias bandas ensaiavam ali mesmo, no asfalto, antes de entrarem em cena.
     No último final de semana aconteceu o equinócio, com grande movimentação naquela área, com desfiles de carros antigos, corridas de bicicletas, competição de carros, o que trouxe muitas pessoas para apreciar aquele evento. Junte-se a tudo isso o Estádio Zerão, querido por todos aqueles que são amantes do futebol. Tudo que se relacione ao futebol acontece no Estádio Zerão, que é o único estádio do Brasil onde uma equipe situa-se no hemisfério Norte e a outra no hemisfério Sul.
     Acontece, porém, que ali onde passa a linha do Equador, exatamente atrás do Estádio Zerão, está em fase de conclusão o Hospital Universitário. Presumo que todo esse complexo está perto do seu fim, em relação às atividades culturais propriamente ditas, visto que aquele perímetro urbano, futuramente exigirá da população certo silêncio, em função do Hospital Universitário, que será o maior hospital do Amapá. Acredito que a inauguração de um hospital com 300 leitos, naquele perímetro urbano, determina a crescente desativação de todos os prédios do entorno que se volta para a cultura amapaense. Tenho dito.




quinta-feira, 26 de setembro de 2019

PROFESSOR TITULAR



     Ao longo desses vinte e cinco anos venho me dedicando como profissional da educação e como professor pesquisador, na Universidade Federal do Amapá. Venho acompanhando todo o processo de crescimento de nossa universidade. Quando aqui cheguei, só havia nove cursos de graduação, ou seja, a instituição estava embrionária. Nessa época havia três professores mestres e nenhum professor doutor muito menos um professor titular. Isso era impensável há vinte e cinco anos atrás.
     A carreira acadêmica inicia com professor auxiliar, depois professor assistente; em seguida, professor adjunto; depois professor associado; culminando com o último grau da carreira que é o professor titular. Para chegar a ser professor titular é preciso o candidato ser doutor e ter produção acadêmica. Há dois caminhos para se chegar lá; através de concurso público ou a partir da carreira acadêmica.
     O candidato terá que encaminhar processo com memorial descritivo e comprovação de toda sua produção acadêmica. Os memoriais têm longa tradição Brasil, constituem-se em documentos que expõem trajetórias de professores universitários para fins de concursos ou de progressões ao longo das suas carreiras. No caso específico das universidades federais e da progressão para a classe de Professor Titular a ampliação do acesso a esse nível da carreira é a resultante de uma greve do movimento docente. Entre as concessões ao Estado e as conquistas da categoria, essa greve garantiu que todos os professores que alcançarem o nível de Professor Associado IV possam pleitear essa ascensão na carreira horizontal.
     Os memoriais são escritos na primeira pessoa do singular, da mesma forma que as cartas, as confissões, os diários e as memórias. Esse gênero de escrita de si expõe as razões do sujeito na sua parcialidade e subjetividade. Trata-se de um gênero que produz um certo grau de desconforto entre os pesquisadores acadêmicos, uma vez que, por razões de ofício, esses aprenderam a escrever na terceira pessoa do singular ou na primeira pessoa do plural, na pretensão de produzir os efeitos de imparcialidade e impessoalidade.
     A universidade Federal do Amapá, possui atualmente três professores titulares; Professora Doutora Julieta Bramorski; Professor Doutor José Carlos Tavares; a partir de concurso público; e Professor Jadson Porto, através da carreira acadêmica. Todavia na próxima semana há a hipótese de que mais dois professores possam chegar a este topo, sendo: Professor Doutor Romualdo Palhano, cujo cerimonial acontecerá dia 11 do corrente mês (quarta-feira) e Professor Doutora Rosemary Ferreira de Andrade, que acontecerá no dia 12 (quinta-feira) também neste mês de setembro. Isto significa dizer que a UNIFAP finalizará este ano com cinco professores titulares, o que é muito importante para nossa instituição.