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segunda-feira, 6 de agosto de 2018

O BARRACÃO DA PRELAZIA



     Se por um lado, a década de 1940 foi um período da chegada de muitos circos a Macapá, por outro, há referências principalmente sobre o Barracão da Prelazia que era um local com palco, pertencente à Igreja Católica, para comemorações e apresentações teatrais. Localizava-se na parte oeste da Igreja de São José, mais exatamente no formigueiro. Amiraldo Bezerra em seu livro “A Margem Esquerda do Amazonas”, publicado em 2008 relembra sua participação como ator quando subiu ao palco do Barracão da Prelazia, no referido período. Diz ele: “Tínhamos aula de catecismo, educação esportiva, de teatro como “o cordão do papagaio”, exibido durante muito tempo lá nos palcos do barracão, onde o Noventa e Um fazia o papel de Bôbo da Corte e o Palóca (plebeu) apaixonado pela princesa, ouvia calado quando o bôbo dizia: “a princesa com um príncipe já é muito sofredora, imaginem como rainha com esta bomba voadora”. E aí o Palóca explodia. Buuum!!! (era gordinho)”.
     O texto de “O Cordão do Papagaio” nos revela uma trama entre reis, rainhas, bobos, príncipes e princesas, mas se desconhece sua autoria. Muitas peças foram encenadas no Barracão da Prelazia, popularmente conhecido como Barracão dos Padres. Essas apresentações aconteciam em períodos comemorativos como: época junina, comemorações de final de ano, entre outras datas festivas.  A peça “Dona Baratinha” foi apresentada no referido Barracão. O noventa e um de quem fala BEZERRA era o Expedito Cunha Ferro que fazia teatro no barracão dos padres. Professor Guilherme Jarbas, em entrevista a este colunista em 2011, vivenciou esse período e nos contou que: “Os padres tinham o ano todo de encenação de peças, e era através dessas peças que a igreja conseguia reunir a juventude daquela época. Era uma formação a partir do teatro. Havia uma disputa muito grande por parte daqueles que viviam junto à Prelazia para participar das peças teatrais que lá eram apresentadas.”
     No Barracão da Prelazia também foi encenada a peça “O Cordão do Uirapurú”. Amiraldo Bezerra foi ator e se apresentou nesse palco. Mantém-se nessa década, a persistente presença do sexo feminino, desta vez com a dramaturga Aracy de Mont’Alverne. Embora não tenhamos localizado, ela escreveu várias peças infantis para teatro. No ano de 2017, participei na cidade de Belo Horizonte, como arguidor da Banca de Defesa da Dissertação da professora Juliana Lemos, docente do Curso de Teatro da UNIFAP, na qual, a mesma faz um estudo minucioso sobre as mulheres dramaturgas no Amapá. O Barracão da Prelazia encerrou suas atividades quando da inauguração do Cine Teatro João XXIII que também pertencia à Paróquia de Macapá.


quinta-feira, 2 de agosto de 2018

ADEUS! COMPLEXO CULTURAL DO EQUADOR



     O entorno do marco zero do equador se tornou um dos principais pontos de encontro dos amapaenses como também de turistas que visitam nossa querida cidade. Naquele espaço urbano, em meio à linha do equador, o complexo do marco zero concentra três importantes monumentos: o Marco Zero do Equador; o Sambódromo complementando-se com a Cidade do Samba e o Estádio Milton de Souza Corrêa, conhecido popularmente como Estádio Zerão.
     Todos sabem que megaeventos e grandes shows musicais sempre acontecem no entorno do marco zero do equador. No sambódromo acontece um dos maiores eventos da cidade que é o desfile das escolas de samba no período de carnaval; e para que isso aconteça, torna-se prioritário grande movimentação no entorno daquela área urbana; área mais do que necessária para que cada evento, como o desfile das Escolas de Samba, por exemplo, tenha sucesso.
     Além do desfile de escolas de samba, durante os 365 dias do ano acontecem outros tantos eventos como o desfile das quadrilhas juninas entre vários shows de cantores famosos, tanto amapaenses como músicos conhecidos em todo o Brasil. Ademais os encontros religiosos que sempre escolhem aquela área urbana para louvarem ao senhor. Na Rua Ivaldo Veras também existe a Cidade do Samba que, por sua vez, serve como suporte ao Sambódromo em suas atividades culturais.
     O mês de setembro sempre é bastante movimentado com os desfiles dos dias 07 e 13 deste mês, quando aquela área se reveste de desfiles de escolas estaduais e municipais, exército, bombeiros e polícia militar, entre outras agremiações. Tanto no desfile das escolas de samba como no desfile do dia 07 de setembro a parte de trás do Zerão fica repleta de bandas de música das escolas, todas esperando seu momento para entrar em cena. Neste caso, o barulho é imenso na espera de desfilar no sambódromo.
     Lá também está localizado o Marco Zero do Equador, com várias festividades inserindo aqui as principais que são os Equinócios: equinócio da primavera, em março e equinócio de outono, em setembro. Na maioria dos casos, há danças e exposições, o que transforma aquele ambiente num grande local de encontro das pessoas que aqui habitam. Ainda há os solstícios que não são muito divulgados, mas que acontecem em junho e dezembro.
     Junte-se a tudo isso o Estádio Zerão, querido por todos aqueles que são amantes do futebol. Tudo que se relacione ao futebol acontece no Estádio Zerão, que é o único estádio do Brasil onde uma equipe situa-se no hemisfério Norte e a outra no hemisfério Sul. E o que dizer dos circos que sempre chegam à cidade de Macapá, o melhor espaço para se instalar um deles só poderia ser naquele espaço urbano, como sempre acontece.
     Entrementes...  Ali onde passa a linha do Equador, exatamente atrás do Estádio Zerão está sendo construído o Hospital Universitário. Não seja por isso! Sou completamente de acordo com um Hospital Escola para o Amapá. Mas, o que diria eu nesse caso?  Diria que a construção do Hospital Universitário naquela área determina a crescente desativação de todos os prédios do entorno que se volta para a cultura amapaense. Lembre-se que o desfile das Escolas de Samba saiu da FAB exatamente em respeito ao Hospital Geral de Macapá. Que o hospital universitário seja muito bem vindo e um triste adeus ao complexo Cultural do Equador. Tenho dito.



segunda-feira, 23 de julho de 2018

CURSOS DE TEATRO NO BRASIL




     Na história do Brasil houve várias iniciativas para a utilização do teatro na educação, como também escolas para a formação de atores e atrizes entre outros profissionais do teatro. Inicialmente foram os jesuítas que adotaram o teatro como método de catequização dos índios. Por aproximadamente um século, os jesuítas mantiveram o teatro como metodologia principal em seus monastérios.
     Em meados do século XIX aparece um mecenas do teatro no Brasil que é o ator João Caetano, que com todo o seu trabalho implantou uma escola de teatro. Nesse caso, as disciplinas giravam em torno de: “Da Reta Pronúncia”; “Da Declamação e Esgrima”; e “Da História”. Infelizmente não conseguiu alunos suficientes para que sua escola prosseguisse, por outro lado, também não logrou apoio do governo na época.
     No ano de 1857 cria-se na o Conservatório Dramático na Bahia. O mesmo se voltou muito mais para preocupações com a dramaturgia do que com a encenação propriamente dita. O foco principal era o aperfeiçoamento artístico através dos debates em torno das questões culturais. A atual Escola Martins Pena do Rio de Janeiro surgiu no século XX, em função da antiga Escola Dramática Municipal.
     Em 1937, cria-se o Curso Prático de Teatro. Esse curso se transformará no marco do ensino de teatro no Rio de Janeiro. O mesmo teve apoio do Serviço Nacional de Teatro.  Já em 1953 o referido curso tornou-se o Conservatório Nacional de Teatro. É através da Lei nº 4641 que os cursos de Cenografia e Direção se transformam em cursos superiores. Em 1955 funda-se a Escola de Teatro, Música e Dança da UFBA.
     Na Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Ruggero Jacobi criou o Curso de Arte Dramática e em 1968 também é implantado o Departamento de Teatro da USP, o qual se transformará na Escola de Comunicações e Arte.
     Em 1969 o referido Conservatório passa a fazer parte da FEFIEG, agora como Escola de Teatro. O primeiro bacharelado em Artes Cênicas do Brasil foi aprovado pelo Conselho Federal de Educação em 1974 em função do Simpósio de Ensino e das profissões de Teatro, que aconteceu três anos antes.
     Esses movimentos fizeram surgir cursos de teatro em várias universidades em todo país, como: UFPB; UFRN; UFRJ; UFAL; UnB; UFPE, entre tantas outras. O Curso de Licenciatura em Teatro da Universidade Federal do Amapá foi implantado a partir de uma luta meramente pessoal, onde me debrucei desde que ingressei nesta IFES em 1995. Este curso foi resultado da aprovação do terceiro projeto político pedagógico por mim proposto, em meio a duas décadas de tentativas respectivas. O primeiro projeto foi encaminhado em 1996; o segundo em 2001 e o terceiro em 2012, este último tendo sido aprovado em 12 de novembro de 2013, pelo Conselho Superior da UNIFAP.
  

quinta-feira, 5 de julho de 2018

TEATRO ANTES DOS GREGOS



     Certamente, mesmo antes da Grécia, manifestações cênicas voltadas para culto a vários deuses já existiam em várias latitudes, principalmente no Egito e Antigo Oriente como comprova estudos históricos e arqueológicos. Nas cercanias do mar vermelho o rei deus do Egito era o único legislador e a mais alta autoridade aqui na terra, a ele realizava-se muitas homenagens que eram apresentadas com utilização da música, dança e diálogo dramático. Nesse período, a realeza era o único princípio ordenador das coisas. O Antigo Testamento enfoca essa época de sabedoria e vida luxuosa do Egito.
     Nabucodonosor promovia um festival do Ano Novo, cuja manifestação pouco se sabe. Na Mesopotâmia havia a manifestação do “casamento sagrado” que era um ritual mítico. Detectou-se na dança egípcia de Hator, momentos da utilização de pequenos diálogos. Ainda no Egito estudiosos encontraram em Abidos, vestígios do “Drama, Morte e Paixão de Osíris”. A cidade de Abidos era a Meca dos egípcios.
     Em várias manifestações aos deuses antigos, detectaram-se indícios da presença de mimo, farsas, anões e atores mascarados que divertiam as cortes da época como se fossem verdadeiros bobos da corte no Oriente antigo. Além de Osíris e Isis, também eram cultuados vários outros deuses como Marduk e Mitra.
     Se por um lado, existia o culto aos deuses, por outro, também havia o culto aos mortos, e nessas manifestações funestas, era constante a presença de música e dança, banquetes procissões e oferendas de acordo com achados arqueológicos em catacumbas e tumbas egípcias. Imagens pintadas e esculpidas revelam manifestações aos deuses: Rá, o deus do paraíso e a Osíris, o senhor dos mortos. Osíris era o deus que estava mais próximo do ser humano.
     Em 1882 o egiptólogo Gaston Maspero, em seus estudos revelou o caráter dramático dos textos das pirâmides. De certa forma, havia nessas manifestações apresentação em primeira pessoa que sugeriam enganosamente um suposto diálogo que ainda não foram endossadas por pesquisas recentes. Outra questão fundamental era a presença de um público, situação que só vem a acontecer na democracia grega.
     Uma das questões do novo passo que deu o teatro na Grécia Antiga é o fato de que em Atenas já reinava um processo democrático, o que faltava no povo egípcio que não conhecia o conflito entre a vontade dos homens e a necessidade dos deuses. Quando Théspis fala – eu sou Dionísio – ele foi totalmente revolucionário, o que nunca iria acontecer na cultura egípcia porque seria total desavença em relação ao poder autocrático do Faraó.

terça-feira, 5 de junho de 2018

PESQUISAR TEATRO É UMA NECESSIDADE



     Pouco se conhece sobre o Teatro no Amapá; em se falando de dramaturgia as informações se tornam ainda muito mais escassas.  Se faz necessário saber, que a primeira obra que trata sobre o teatro no Amapá, é de minha autoria e foi publicada no ano de 2011 com o título “Artes Cênicas no Amapá – Teoria, Textos e Palcos”. Surgiu a partir de vários artigos que escrevo em jornal local. Esta obra, enfoca os espaços teatrais; produtores teatrais; análise crítica de espetáculos apresentados no Estado; novela amapaense; arte circense e humor. É resultado de estudos do Grupo de Pesquisa em Artes Cênicas e do Núcleo Amazônico de Estudos das Artes Cênicas da Universidade Federal do Amapá - UNIFAP.
     Prosseguindo com pesquisas voltadas para o teatro no Amapá, foi publicado em 2013 a obra “Teatro no Amapá: Artistas e Seu Tempo”, também de minha autoria, que foi resultado de realização de entrevistas com artistas de teatro que haviam montado espetáculos nas décadas de 60, 70 e 80, e que na atualidade não havia nenhum registro sobre seus trabalhos voltados para o teatro no Amapá.
     Do que se tem notícia, a primeira obra sobre dramaturgia amapaense foi publicada em 2012, intitulada “Cênico em Contextos: peças teatrais” do ator e diretor de teatro Daniel de Rocha, na intenção de socializar seus textos e consequentemente sua dramaturgia. Na ocasião, ele publicou sete textos de sua autoria. A segunda obra que também trata do referido tema, intitula-se “Dramaturgia Amapaense”, de minha autoria (publicada em 2015) também resultado de pesquisa realizada pelo Grupo de Pesquisa em Artes Cênicas e Núcleo Amazônico de Estudos das Artes Cênicas da UNIFAP.
     De fato, há um vazio documental tanto em relação à história do teatro no Amapá, como também ao que diz respeito à sua dramaturgia. Por outro lado, à medida que se vai pesquisando, vai-se revelando o vigor de um teatro que necessita urgentemente ser registrado e se tornar patente em nossas bibliotecas. Aliás, a realidade de nossas bibliotecas públicas e particulares carecem de material que informe à comunidade em geral; ao pesquisador e às pessoas de teatro sobre tema tão específico.
     O que se apresenta aqui são dados esparsos que fui localizando e analisando ao longo dos anos. Na atualidade, o que se encontra em nível bibliográfico são abordagens isoladas. No entanto, há evidências de ter havido desde o século XVIII, grande número de atividades teatrais, que não se restringiu apenas à capital, Macapá, mas principalmente em função da representação da luta dos “Mouros e Cristãos” na Vila de Mazagão Velho, cujas primeiras apresentações aconteceram no ano de 1777.
     Todavia, entende-se que apesar desses registros e evidências, os monumentos e notícias na literatura corrente encontram-se muito dispersos, necessitando urgentemente serem catalogados antes que a incúria do tempo destrua o que resta dessas provas monumentais e documentais. O que venho realizando como pesquisador é trazer à tona uma compreensão geral e um álbum geral do que se tem realizado nas artes cênicas no Amapá.  


segunda-feira, 28 de maio de 2018

ELEIÇÃO NA UNIFAP



     No ano de 1995, quando aqui cheguei para assumir a função de professor do antigo Curso de Educação Artística da Universidade Federal do Amapá, me deparei com uma universidade completamente embrionária com apenas 9 cursos de graduação, 60 professores, (entre efetivos e cedidos do quadro do Ex-território) e aproximadamente 2.500 alunos. Naquela época, tudo estava praticamente começando.
     Era a época do reitorado de Antonio Gomes de Oliveira. Antes dele, assumiram a reitoria: Professora Maria Alves, (que foi a primeira reitora), e Professora Laíses do Amparo Braga. Todos eles assumiram como Pró-Tempore. Nesse momento histórico e embrionário da UNIFAP, era inviável se pensar em eleição. Um período que poderíamos definir como o de “Procura-se um Reitor para as UNIFAP”, visto que praticamente não havia quem quisesse assumir uma instituição que estava em seu início.
     Assim se deu nos anos seguintes com outros professores que passaram a assumir os encargos da Universidade Federal do Amapá. Ainda Pró-tempore, em outubro de 1997 assume a reitoria da UNIFAP o Professor João Renôr Ferreira de Carvalho, quando criou a fundação da Unifap – Fundap e iniciou os trabalhos de informatização com a construção do prédio do Núcleo de Informática. Entre 1997 a 1999 começa a sair os primeiros professores para realizar pós-doutorado: eu sigo para Havana – Cuba; Professor Ricardo Ângelo para a Espanha; Professor José Maria para Brasília e Professor José Alberto Tostes também para Havana – Cuba.
    Proveniente da Delegacia do MEC, Professor Paulo Fernandes Batista Guerra, assume em 1999, como último Reitor Pró-Tempore da nossa instituição. Período muito difícil da UNIFAP em que praticamente não havia funcionários. Na ocasião, Paulo Guerra trouxe todos os funcionários do MEC para assumirem suas atividades na UNIFAP (muitos ainda continuam prestando serviço à UNIFAP).
     Em função do crescente desenvolvimento da UNIFAP e ainda levando-se em consideração o momento histórico, esse período de professores pró-tempores encerra exatamente com a realização da primeira eleição direta para Reitor, que de fato aconteceu com a entrada do Professor João Brazão da Silva Neto, em junho de 2002.
     A segunda eleição direta para Reitor da UNIFAP se deu no ano de 2006, quando assumiu a Reitoria o Professor Doutor José Carlos Tavares, o qual foi reeleito no ano de 2010. No ano de 2014, também a partir de eleição direta para Reitor, assumiu a Professora Doutora Eliane Superti.
     Atualmente a UNIFAP está em processo de eleição para a Reitoria, sendo esta a quinta eleição direta para Reitor da Instituição. Neste momento se inscreveram quatro chapas: Chapa 10 -  Emerson Augusto Castilho Martins, tendo Rosivaldo Gomes como vice; Chapa 20 – Aldenor Benjamim dos Santos (reitor) e Benedito Rostan Costa Martins (vice); Chapa – 30 Júlio César Sá de Oliveira (reitor), e Simone de Almeida Delphim Leal (vice); Chapa – 40 – Piedade Lino Videira (reitora) e Lúcio André Viana Dias (vice). A eleição ocorrerá dia 06 de junho e que haja maciça participação da comunidade universitária nas urnas.

terça-feira, 22 de maio de 2018

MESTRE E POETA



     Manoel Bispo Corrêa nasceu em Belém do Pará em 15 de fevereiro d e1945, filho de Paulo Roberto Corrêa e Maria Bispo Corrêa. Por uma necessidade de sua família chegou a Macapá ainda criança. Aqui estudou em vários colégios, entre eles Alexandre Vaz Tavares; Azevedo Costa e Colégio Amapaense. Fez parte do Coral da Escola Walquíria Lima. Escreveu e pintou suas primeiras obras já aos dezesseis anos de idade. Na ânsia de aproveitar seus estudos, conseguiu se matricular na Escola de Belas Artes no Rio de Janeiro.
     É um artista plástico conhecido e reconhecido no Amapá. Além de se dedicar à pintura é poeta, professor, compositor, contista e escritor. Em 2006 lançou a obra de poesias intitulada “Intátil”. Em 2010 participou da “Coletânea de Poetas, Contistas e Cronistas do Meio do Mundo”. Há várias décadas que reside em Macapá, em função disso se considera cidadão amapaense e se dedica  inteiramente a esta terra.
     Quando ainda criança, Manoel Bispo teve influências de vários setores, inicialmente foram as figuras coloridas que chamaram sua atenção. Em seguida, vieram as imagens das capas de revistas como também gravuras de calendário. Ao longo de sua trajetória artística ele foi se envolvendo aos poucos com essas imagens. Passou também a observar e estudar diversas fotografias e quadros de artistas famosos. Toda essa experiência o envolveu para que voltasse seus olhares para a arte como artista plástico, com temas voltados para a Amazônia com influências surrealistas.
     Como poeta busca aprimorar sua arte a cada passo. É um persistente pesquisador da palavra. Para o escritor Paulo Tarso “seus poemas são escritos numa linguagem que primam pela objetividade e as imagens demonstram seu conhecimento da música e das artes plásticas”. Acrescente-se a isso os inumeráveis exercícios artísticos até chegar ao trabalho estético que conseguiu concretizar ao longo de sua carreira com uma vasta obra.
     Nosso artista confessa que não enfrentou muitas dificuldades em trilhar na área das artes visuais mas, enfoca que em sua época não havia lojas especializada na cidade de Macapá, observando que era necessário solicitá-las em outras cidades como, por exemplo, Belém do Pará. “Hoje existem vários revendedores dos mais diversificados fabricantes de tintas, pincéis, telas e solventes entre outros materiais. Seu trabalho mais significativo foi a tela “Espécie de Compulsão”. Do artista Manoel Bispo, uma frase para os iniciantes: “- A eles apenas o estímulo que energiza a alma daqueles que escolhem a arte para viver”.