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quarta-feira, 16 de maio de 2018

ORIGEM DAS PALAVRAS NO TEATRO




     O teatro surgiu na Grécia antiga há quase três mil anos. Durante toda a história do homem há uma relação intrínseca entre a vida e a arte. Relacionaremos em seguida algumas palavras ligadas ao teatro e suas principais origens:
     A palavra TEATRO vem do Latim theatrum, do Grego theatron, que significava literalmente “lugar para olhar”, de theasthai, “olhar”, mais tron, sufixo que denota “lugar”. O sentido de “lugar onde transcorre a ação” se aplicou também aos feitos militares, daí o nome “teatro de operações” para uma área onde há luta armada.
     ANFITEATRO também vem do Latim amphiteatrum, do Grego amphiteatron, que significa “local de espetáculos duplo, com espectadores dispostos de ambos os lados do palco”, de amphí-, “dos dois lados”, mais theatron, local de onde se vê. Inicialmente os teatros possuíam assentos apenas no lado voltado para o palco, seguindo a arquitetura do teatro grego. É ainda o caso da maioria ou todos os nossos teatros atuais. Os atuais estádios de futebol são hoje os nossos verdadeiros anfiteatros.
     O termo COMÉDIA vem do Grego komoidia, “espetáculo divertido, comédia”, de komodios, “cantor em festas”, de komos, “festa, farra”, mais oidos, “poeta, cantor”.  Este termo passou por uma fase em que era usado para designar “poema narrativo”, o que é a razão de o livro “A Divina Comédia”, de Dante Alighieri, ter esse nome. 
     TRAGÉDIA deriva do Grego tragoidia, que significa “peça ou poema com final infeliz”. Aparentemente deriva de tragos, “bode”, mais oidea, “canção”. Ao pé da letra poderíamos dizer “a canção dos bodes”, e isso viria do drama satírico, onde os atores se vestiam de sátiros, com suas pernas cabeludas e chifres de bode. 
     Da mesma forma, DRAMA também deriva do Grego drama, “peça, ação, feito” (especialmente relativo a algum grande feito, fosse positivo ou negativo), vem de drao, “fazer, realizar, representar, lutar”.
     PLATEIA – ao que tudo indica, deriva do Grego platea, que significa “largo e plano”. Inicialmente designava o lugar onde ficavam os músicos e se estendeu depois, em prédios diferentes dos teatros gregos, à parte onde tomam assento os espectadores.
    PALCO – do Italiano palco, “estrado, tablado”, do Lombardo palko, “trave, viga”. Seu sentido se estendeu depois ao de “tablado sustentado por vigas” e mais tarde a “estrado ou palco designado para apresentações artísticas”.
     CENA – do Latim scaena, “palco, cena”, do Grego skena, de mesmo significado, originalmente “tenda, cabana”, relacionado a skia, “sombra”, pela noção de “algo que protege contra o sol”.
     Para quem trabalha na área do teatro conhece bem os termos acima, o mais interessante é entender a origem dessas palavras para a partir daí entender o porquê do uso corrente e atual das mesmas.

domingo, 6 de maio de 2018

NOSSA MACAPÁ



     Fui convidado para ministrar uma palestra na Universidade de Framingham – Estado de Massachusetts – EUA  e em novembro passado participei da Feira Cultural e Científica Brasil Estados Unidos, na qual falei sobre a cultura amapaense e o que de melhor há no Amapá. Produzi um vídeo de 6 minutos com belas imagens do Amapá. Parte do texto que serviu de base para o vídeo, vai a seguir:  
     A Fortaleza de São José de Macapá, fundada em 1758, é uma das principais edificações militares existentes no Brasil e um dos mais importantes monumentos do século XVIII. Erguida com o propósito de defender a Amazônia, em especial diante da perspectiva de uma invasão francesa (os franceses já haviam ocupado o território da Guiana), ocupa uma extensa área na margem esquerda da foz do rio Amazonas, na capital do Amapá. O marco arquitetônico e histórico é hoje um dos principais pontos turísticos de Macapá. Na Amazônia tudo acontece conforme a maré, e é exatamente na maré vazante que acontecem os campeonatos, conhecidos popularmente como futelama, muito apreciados pelos aficionados pelo futebol.
     O Marco Zero é um monumento localizado na cidade de Macapá para marcar a passagem exata do sol sobre a Linha do Equador. É constituído de uma edificação de 30 metros de altura dotada de um círculo na parte superior, através do qual é possível visualizar o Equinócio aos menos duas vezes ao ano. Entre 20 e 21 de março e também entre 22 e 23 de setembro. Nesse dia, o sol alinha-se perfeitamente no círculo do monumento e projeta um raio de luz sobre a linha imaginária do Equador. Tornou-se um dos mais importantes pontos turísticos da capital do meio do mundo.
     A cidade de Macapá possui vários outros pontos turísticos como o sambódromo, o trapiche Eliézer Levi e o balneário do Curiaú que é muito frequentado, principalmente no período do verão. Possui ainda a praia de fazendinha, lugar de muitos banhistas. A cidade tem o privilégio de situar-se à margem esquerda do rio Amazonas, um dos rios mais extensos do mundo, com 6.992,06 km de comprimento, contando com mais de mil afluentes. Sendo que alguns deles, como o Madeira, o Negro e o Japurá, estão entre os 10 maiores rios do planeta.
     Nossa cidade conta ainda com o “Museu Sacaca” (museu a céu aberto), que é uma instituição científica, subordinada ao Instituto de Pesquisas Científicas e Tecnológicas do Estado do Amapá (IEPA), órgão público responsável por fomentar e divulgar a produção científica e tecnológica local. Inaugurado em 1997, o museu tem por objetivo promover ações museológicas de pesquisa, preservação e comunicação, abrangendo o saber científico e o saber popular dos povos amazônicos.
     Uma das expressões mais importantes que também é símbolo da cultura amapaense é a da dança do Marabaixo. É considerada uma tradição popular e secular. É uma dança de origem africana, provavelmente trazida pelos negros que chegaram ao Estado do Amapá no século XVIII. Em louvor ao Divino Espírito Santo e à Santíssima Trindade, essa manifestação se destaca pela união de canto, dança, música, gastronomia e fé. Estende-se ao longo de 61 dias, entre o sábado de aleluia e o domingo pós Corpus Christi. A festa atrai, todos os anos, milhares de pessoas para os bairros do Laguinho e Favela.
     Macapá, a capital do meio do mundo vos espera de braços abertos. Muito obrigado.


terça-feira, 1 de maio de 2018

MUITO OBRIGADO, MACAPÁ



     No último dia 20 de abril (sexta feira) recebi o título honorífico de Cidadão Macapaense das mãos do Vereador Marcelo Dias, na Câmara Municipal de Macapá. Esta cerimônia em muito me honra em função de todo o meu trabalho em prol da cidade de Macapá e do Estado do Amapá. Aqui cheguei em 1994, para realizar concurso público para a recém-implantada Universidade Federal do Amapá. Aprovado em primeiro lugar no referido concurso, retornei no dia 02 de janeiro de 1995 para assumir a função de professor desta instituição. Portanto há 23 anos que venho me dedicando a este rincão.
     Quando aqui aportei, já vim com a intenção de implantar o Curso de Licenciatura em Teatro. O primeiro momento referente a este objetivo foi o fato de ter ministrado ainda em 1995 a primeira oficina de teatro da UNIFAP. Tenho a honra de ter ministrado aula para a turma pioneira do antigo curso de Educação Artística. Nesse período, também assumi a Coordenação do referido Curso. Portanto, desde 1995 que estou na Universidade Federal do Amapá, e atualmente sou Professor Associado IV. Ainda em 1995 ministrei a primeira oficina de teatro da UNIFAP.
     Já em 1996 encaminhei o primeiro projeto para implantação do Curso de Licenciatura em Teatro, como também dei início ao projeto de extensão com “Curso de Teatro de Bonecos para Capacitação de Professores”. Em função desse trabalho ministrei dez cursos para dez comunidades diferentes, capacitando um total de 300 professores e percorrendo um total de quase quatro mil quilômetros, no Estado do Amapá. O referido projeto iniciado em 1996 se estendeu até o ano de 1998 a pedido de alguns municípios. Essa experiência resultou na publicação da obra: “Teatro de Bonecos: Uma Alternativa para o Ensino Fundamental na Amazônia” que foi lançada em 2001.
     Em 1997 publiquei a livro “A Estrela e a Rã”, hoje considerado a primeira obra de literatura infantil do Amapá. Nesse mesmo ano escrevi artigo para o Jornal do Dia e assumi o Departamento de Pesquisa. Em 1998 aconteceu o lançamento da segunda edição de “A Estrela e a Rã”; e continuei a escrever artigos na “Coluna Inteligente” do Jornal do Dia. Em 1999 iniciei meu curso de doutoramento. Em 2001 lancei a obra infantil “Brincando com Linhas”. Ainda neste ano encaminhei o segundo projeto para implantação do Curso de Licenciatura em Teatro. Escrevi para o Jornal Diário do Amapá, como também para o Jornal O Liberal/Macapá. Fiz parte da Comissão Julgadora do Festival de Teatro do Amapá.
     Em 2004 conclui o Curso de Doutoramento e retornei para continuar no Amapá, sendo fiel à querida terra que me adotou profissionalmente. Nesse ano, passei a escrever para o Jornal A Gazeta - Suplemento Cenários. Coordenei o Polo Universitário do Amapá, na cidade de Amapá. Fui um dos primeiros professores que entrou em contato com prefeitos para a implantação de campus no interior do Estado. Assumi a Pró-Reitoria de Graduação. Em 2006 fui homenageado “Os Melhores de 2005”, pelo Governo do Amapá. Extingue-se o Curso de Educação Artística e passei a lecionar no Curso de Artes Visuais. Em 2009 sigo para realizar curso de Pós-Doutorado e retorno mais uma vez à Macapá para continuar desenvolvendo meus afazeres profissionais e acadêmicos.
     Continuo publicando livros como: “Entre Parénthesis” – 2010; “Artes Cênicas no Amapá” – 2011, sendo esta a primeira obra que aborda sobre artes cênicas Amapá; “A Ovelha Malhada” – 2011; “O Pato e o Lago” e “Entre Pai & Filhos - 2012; “Pablito e a Libélula”, “Arque com Arte: cultura, arte e educação no Amapá”, “Teatro no Amapá: Artistas e Seu Tempo,” “A China é Aqui” e “Curso de Teatro no Amapá: Concepções e Proposições para o Ensino Superior” em 2013; “Entre Irmãos”, “Aventuras Poéticas”, em 2014 e “Dramaturgia Amapaense” em 2015.
     No ano de 2010, retorno à insistência da implantação do Curso de Licenciatura em Teatro e retomo a escrita de um novo Plano Político Pedagógico para o Curso. Finalmente, em 12 de novembro de 2013 o Projeto do Curso de Licenciatura em Teatro á aprovado pelo Conselho Universitário da UNIFAP. A partir desse momento, assumi a Coordenação do Curso de Teatro para programar os encaminhamentos necessários concernentes à implantação física do curso, como locais de funcionamento da Coordenação e salas de aula, etc. Sinto-me honrado em saber que neste ano de 2018, no dia 18 de abril houve a coleção de grau da primeira turma do Curso de Licenciatura em Teatro da UNIFAP. Nesta oportunidade o Curso de Teatro coloca à disposição da sociedade amapaense e do mercado de trabalho a primeira turma Licenciada em Teatro do Estado do Amapá.
     Este é um breve resumo da minha dedicação à cidade de Macapá e ao Estado do Amapá. Aqui cheguei, aqui fiquei, amo esta cidade. Há vinte e três anos que meu compromisso profissional é com o Estado do Amapá. Por isso, agradeço com o coração pleno de alegria e satisfação por ter aportado no Cabo Norte. Muito obrigado, Macapá.

segunda-feira, 23 de abril de 2018

TURMA PIONEIRA DO CURSO DE TEATRO DA UNIFAP COLA GRAU



     Minha preocupação para a implantação de um Curso de Licenciatura Plena em Teatro no Amapá remete ao ano de 1995, quando aqui cheguei para assumir a função de professor da Universidade Federal do Amapá, admitido por concurso público realizado em novembro de 1994. Aliás, mesmo antes de fincar raízes neste espaço geográfico brasileiro eu já havia pensado na perspectiva e projetado a implantação do referido curso.
     Estudei as possibilidades e em 1996 encaminhei projeto de implantação das habilitações de Teatro e Música ao Colegiado do Curso de Educação Artística. O referido projeto também passou por uma comissão de implantação de novos cursos. Infelizmente nem o Colegiado, muito menos a referida comissão entendeu como prioridade a implantação daquelas habilitações. Se naquele período as habilitações de Teatro e Música tivessem sido implantadas, consequentemente com a Lei de Diretrizes e Bases da Educação 9.394/96 daquele mesmo ano, as mesmas teriam sido transformadas em dois cursos distintos: Curso de Licenciatura Plena em Teatro e Curso de Licenciatura Plena em Música.
     Se assim o fosse, concretamente de lá para cá teríamos colocado no mercado de trabalho pelo menos dezoito turmas de profissionais da área do teatro e da área da música respectivamente, para suprir a necessidade premente das escolas de ensino fundamental e médio do Estado do Amapá. Por outro lado, teríamos sido também a primeira universidade e o primeiro Estado da região Norte a implantar seu Curso de Licenciatura Plena em Teatro.
     Com a implantação da disciplina Educação Artística que surgiu com a Lei 5.692/1971 que transformou o professor de arte num profissional polivalente.  Também em função da luta dos Arte-Educadores, principalmente durante a década de 1980 do século XX para reverter este quadro foi que na década de 1990 com a Lei 9.394/96 a arte tornou-se obrigatória no ensino fundamental e médio. Diferente de sua antecessora, a Lei 9.394/96 também definiu que o estudante deveria vivenciar pelo menos quatro linguagens distintas da arte na sala de aula: Artes Visuais, Teatro, Dança e Educação Musical.
     A persistência é um dos sentidos da vida que nos faz permanecer na luta. Foi preciso duas décadas para que o Curso de Teatro fosse aprovado. Neste sentido, em 12 de novembro de 2013, o mesmo passou pelo Conselho Superior da UNIFAP por unanimidade.
     No início de 2014 estávamos recebendo a primeira turma do Curso de Licenciatura em Teatro e este ano essa turma pioneira colou grau na última quarta-feira, dia 18. A concretização deste trabalho determina que a partir deste ano de 2018, o Estado do Amapá terá à disposição da sociedade o primeiro grupo de professores licenciados em teatro e capacitados para assumirem suas atividades pedagógicas nas escolas do nosso Estado.


quarta-feira, 18 de abril de 2018

CINE TEATRO TERRITORIAL - Símbolo da Cultura Amapaense



     A implantação do Território Federal do Amapá na década de 1940 redimensionou as questões geográficas, políticas, econômicas e culturais de uma das áreas mais setentrionais do Brasil. Em se tratando de questões culturais, isto se dará mais propriamente no final da década de 1940, com a inauguração e implantação de vários setores da cultura como, por exemplo, a inauguração do Cine Teatro Territorial em julho de 1944; inauguração da Rádio Difusora de Macapá em 23 de julho de 1946; inauguração da Escola Barão do Rio Branco (primeira escola em alvenaria de Macapá), em 13 de setembro de 1946, onde começa a surgir dramatizações de peças por alunos, com apoio de professores, e a inauguração da Praça Barão do Rio Branco em 1º de janeiro de 1950. Em relação à inauguração da referida praça, o Comandante Cordeiro da Graça, em seu artigo “Acreditando no Futuro do Brasil”, que consta no livro “Confiança no Amapá: Impressões sobre o Território” de Janary Nunes, cuja 2ª edição foi publicada em 2012, dá suas impressões quando relata sobre a bela praça de esportes: Assisti ao ato inaugural da praça “Barão do Rio Branco”. É uma praça pública bonita, larga, onde a juventude tem todos os esportes. Não seria possível desejar coisa melhor nem mais eficiente.
      Tais fatores foram preponderantes para o desenvolvimento da cultura, da arte, das artes cênicas e especificamente do teatro amapaense. Portanto, seguiremos um raciocínio cronológico dessas ações do governo Janary Nunes, que, por um lado, fez crescer demasiadamente a cultura no Amapá e por outro, fez criar nos jovens um sentimento muito estreito em relação à arte. E é em função desses fatores que, na década de 1950 a produção cultural em relação à montagem de peças teatrais começa a surgir timidamente no âmbito do Ex-Território. Nesses termos, Nunes Pereira, que também tem artigo na obra acima citada, quando se refere às ações do governo Janary Nunes, afirma que: No campo cultural, por exemplo, ele não só atrai artistas e homens de ciência para que influam diretamente na formação da mentalidade do povo, porém procura amparar as tradições, os costumes que são típicos daquele povo, que constituem o seu patrimônio folclórico.
     O Cine Teatro Territorial, foi sem dúvida um dos primeiros edifícios construídos na administração do Capitão Janary Nunes. Em função de que não havia construções adequadas para reunir uma equipe, esse prédio foi erigido inicialmente para ser o Centro de Convenções do Governo, levando-se em consideração que só havia um lugar considerável para tal atividade que era o antigo prédio da Intendência, que depois se transformou no museu Joaquim Caetano. Sendo assim, o prédio do Cine Teatro Territorial se transformou no principal espaço para que os administradores pudessem se reunir com tranquilidade com a equipe do novo governo, para dar andamento ao projeto de transformação política do Território recém-instalado.


segunda-feira, 9 de abril de 2018

BÉLGICA




     Em fevereiro passado estive em Bruxelas-Bélgica com o objetivo de ministrar uma oficina de teatro do oprimido. Fui convidado para ministrar esse workshop pela Associação Arte N’ativa. Sempre que vou para qualquer lugar do mundo, levo comigo as melhores lembranças e falo com as pessoas de tudo de melhor que tem o nosso Amapá, há vinte e três anos que faço isso. Tenho orgulho de ter podido contribuir com este pedaço de Brasil.
     Augusto Boal é um dos mestres do teatro brasileiro, seu método e sua estética, conhecido como “teatro do oprimido” na atualidade vem sendo estudado em mais de cem países do mundo. Sua teoria com bases marxistas, surgiu em função da luta de classes no Brasil, principalmente em função do regime militar que vigorou por vinte e quatro anos em nosso país.
     Ele é o fundador do teatro do oprimido, método que cria laços estreitos entre o teatro e a ação social. Esse método é conhecido em várias partes do mundo. Sua estética, transforma o teatro em instrumento de emancipação política. Esta teoria surgiu a partir de suas experiências no teatro de Arena de São Paulo entre 1956 a 1970, quando lá trabalhou com vários artistas que hoje são conhecidos em nosso país.
     O workshop que ministrei foi muito bem proveitoso, tendo em vista que tínhamos tanto brasileiros como belgas participando do mesmo. Em função de ser uma estética que pode ser realizada por atores, não atores e pessoas comuns, o curso foi muito procurado pelos cidadãos do próprio local.
     A cidade de Bruxelas tem um ar bucólico, romântico e conota muita nostalgia. É uma cidade medieval visto que suas construções e principalmente igrejas antigas remontam ao século XVI. Em função do período de inverno, tudo estava muito cinzento. Aliás, os prédios, as ruas, o tempo e as pessoas parecem uma pintura monocromática de algum pintor famoso. As cores vivas quase não existem. Todos andam agasalhados com roupas cinzas ou pretas para poderem enfrentar o frio.
     Estive lá num dos últimos rigorosos invernos, o termômetro chegava a seis graus abaixo de zero, o frio era intenso. Tudo praticamente congelado, inclusive os rios e lagos, que estavam em sua maior parte, congelados. Uma das coisas que me chamou atenção foi o uso cotidiano da bicicleta. Lá, todo mundo tem uma bicicleta, e de todos os tipos: para uma, duas ou três pessoas; bicicletas para levar o bebê entre outras. O interessante é que esse trânsito de bike, convive harmoniosamente com os outros veículos. Ciclovias tem para todos os lugares. Bonito ver um monte de ciclistas esperarem o sinal verde abrir para poder seguir viagem. Algo que não existe no Brasil. Por outro lado, o transporte coletivo, tanto ônibus quanto o trem, sempre passam na hora exata em cada ponto, estação ou parada. Mesmo com todo o frio, todos se deslocam e o tráfego de bicicleta é intenso.


terça-feira, 27 de março de 2018

DIA INTERNACIONAL DO TEATRO




     Do ponto de vista histórico e com os elementos que conhecemos na atualidade, poderíamos afirmar que o teatro surgiu na Grécia Clássica, embora pesquisas recentes venham demonstrar que muito antes, os egípcios, os indianos e os chineses já o praticavam. Portanto, não se pode negar que a cultura oriental é muito sedimentada, mas embora o oriente praticasse teatro antes dos gregos, essa prática acontecia primitivamente em forma de rituais religiosos.
     É notório que a Grécia antiga tenha herdado esses rituais, entretanto não podemos negar que foi justamente nesse país que os primitivos rituais foram, ao longo dos anos se transformando, tomando novas formas como festividades e atividades culturais até determinar os cultos teatrais como forma de representação e arte, à qual conhecemos hoje.
     Esse teatro do qual conhecemos na atualidade, originou-se basicamente de três festividades: a) dos mistérios de Delos; b) da louvação às divindades Quintelanas – Elêusis, Demótes e Proserpina;e c) do culto ao Deus Dionísio. Sendo que esta última versão considera-se como a mais provável, segundo estudos históricos e antropológicos já realizados.
     Sabe-se que uma vez ao ano, justamente por ocasião das vindimas (colheita de uvas), prestava-se homenagem ao Deus Dionísio; Deus da uva e do vinho; da embriaguez e da fertilidade. Geralmente, nesses cultos sacrificava-se um animal, mais praticamente um bode que, por sua vez, significa tragos em grego, de onde surge etimologicamente a palavra tragédia.
     Comumente ao som de música de flautas, as bacantes dançavam em honra ao Deus Dionísio, juntando-se aos sátiros, também dançarinos, que vestidos a caráter imitavam bodes, que para a cultura grega desse período significavam os companheiros do Deus. Depois de algumas horas, já embriagados, entregava-se com entusiasmo a esse frenesi, esse culto, a esse verdadeiro espetáculo. Nessas condições, o teatro tem, notadamente,  origem religiosa e campestre.
     Com o passar do tempo, o próximo passo foi a organização de procissões, que se tornaram muito mais religiosas do que profanas. Essas procissões tinham caráter comum, onde todos os celebrantes se juntavam tendo à frente jovens que cantavam um hino improvisado, chamado “ditirambo”, e assim giravam em torno do altar do Deus, agradecendo pela colheita da uva e pelo sexo que significava a fertilidade da vida. E foi exatamente desse coro, do contraste entre o espírito Dionisíaco e Apolíneo que nasceram a Tragédia e a Comédia. A tragédia tinha como principais características o terror e a piedade que despertava no público. Era constituída de cinco atos e voltava-se para o resgate da mitologia grega, com seus deuses, heróis e feitos. A comédia era dividida em duas partes com um intervalo. Tratava dos homens comuns e de sua vida cotidiana.
     Em função de essas atividades teatrais persistirem até nossos dias foi que em 1961, o Instituto Internacional do Teatro da UNESCO, órgão das Nações Unida, voltado para a educação, ciência e cultura, resolveram criar uma data dedicada às atividades culturais ligadas à representação, durante o seu IX Congresso Mundial, em Viena, Áustria. Portanto, em função da inauguração do Teatro das Nações, em Paris, França, em 27 de março de 1962, tem sido celebrado o Dia Internacional do Teatro. A data 27 de março, assinala também a inauguração das temporadas internacionais no referido teatro.