Contatos

palhanojp@gmail.com - palhano@unifap.br

quarta-feira, 18 de abril de 2018

CINE TEATRO TERRITORIAL - Símbolo da Cultura Amapaense



     A implantação do Território Federal do Amapá na década de 1940 redimensionou as questões geográficas, políticas, econômicas e culturais de uma das áreas mais setentrionais do Brasil. Em se tratando de questões culturais, isto se dará mais propriamente no final da década de 1940, com a inauguração e implantação de vários setores da cultura como, por exemplo, a inauguração do Cine Teatro Territorial em julho de 1944; inauguração da Rádio Difusora de Macapá em 23 de julho de 1946; inauguração da Escola Barão do Rio Branco (primeira escola em alvenaria de Macapá), em 13 de setembro de 1946, onde começa a surgir dramatizações de peças por alunos, com apoio de professores, e a inauguração da Praça Barão do Rio Branco em 1º de janeiro de 1950. Em relação à inauguração da referida praça, o Comandante Cordeiro da Graça, em seu artigo “Acreditando no Futuro do Brasil”, que consta no livro “Confiança no Amapá: Impressões sobre o Território” de Janary Nunes, cuja 2ª edição foi publicada em 2012, dá suas impressões quando relata sobre a bela praça de esportes: Assisti ao ato inaugural da praça “Barão do Rio Branco”. É uma praça pública bonita, larga, onde a juventude tem todos os esportes. Não seria possível desejar coisa melhor nem mais eficiente.
      Tais fatores foram preponderantes para o desenvolvimento da cultura, da arte, das artes cênicas e especificamente do teatro amapaense. Portanto, seguiremos um raciocínio cronológico dessas ações do governo Janary Nunes, que, por um lado, fez crescer demasiadamente a cultura no Amapá e por outro, fez criar nos jovens um sentimento muito estreito em relação à arte. E é em função desses fatores que, na década de 1950 a produção cultural em relação à montagem de peças teatrais começa a surgir timidamente no âmbito do Ex-Território. Nesses termos, Nunes Pereira, que também tem artigo na obra acima citada, quando se refere às ações do governo Janary Nunes, afirma que: No campo cultural, por exemplo, ele não só atrai artistas e homens de ciência para que influam diretamente na formação da mentalidade do povo, porém procura amparar as tradições, os costumes que são típicos daquele povo, que constituem o seu patrimônio folclórico.
     O Cine Teatro Territorial, foi sem dúvida um dos primeiros edifícios construídos na administração do Capitão Janary Nunes. Em função de que não havia construções adequadas para reunir uma equipe, esse prédio foi erigido inicialmente para ser o Centro de Convenções do Governo, levando-se em consideração que só havia um lugar considerável para tal atividade que era o antigo prédio da Intendência, que depois se transformou no museu Joaquim Caetano. Sendo assim, o prédio do Cine Teatro Territorial se transformou no principal espaço para que os administradores pudessem se reunir com tranquilidade com a equipe do novo governo, para dar andamento ao projeto de transformação política do Território recém-instalado.


segunda-feira, 9 de abril de 2018

BÉLGICA




     Em fevereiro passado estive em Bruxelas-Bélgica com o objetivo de ministrar uma oficina de teatro do oprimido. Fui convidado para ministrar esse workshop pela Associação Arte N’ativa. Sempre que vou para qualquer lugar do mundo, levo comigo as melhores lembranças e falo com as pessoas de tudo de melhor que tem o nosso Amapá, há vinte e três anos que faço isso. Tenho orgulho de ter podido contribuir com este pedaço de Brasil.
     Augusto Boal é um dos mestres do teatro brasileiro, seu método e sua estética, conhecido como “teatro do oprimido” na atualidade vem sendo estudado em mais de cem países do mundo. Sua teoria com bases marxistas, surgiu em função da luta de classes no Brasil, principalmente em função do regime militar que vigorou por vinte e quatro anos em nosso país.
     Ele é o fundador do teatro do oprimido, método que cria laços estreitos entre o teatro e a ação social. Esse método é conhecido em várias partes do mundo. Sua estética, transforma o teatro em instrumento de emancipação política. Esta teoria surgiu a partir de suas experiências no teatro de Arena de São Paulo entre 1956 a 1970, quando lá trabalhou com vários artistas que hoje são conhecidos em nosso país.
     O workshop que ministrei foi muito bem proveitoso, tendo em vista que tínhamos tanto brasileiros como belgas participando do mesmo. Em função de ser uma estética que pode ser realizada por atores, não atores e pessoas comuns, o curso foi muito procurado pelos cidadãos do próprio local.
     A cidade de Bruxelas tem um ar bucólico, romântico e conota muita nostalgia. É uma cidade medieval visto que suas construções e principalmente igrejas antigas remontam ao século XVI. Em função do período de inverno, tudo estava muito cinzento. Aliás, os prédios, as ruas, o tempo e as pessoas parecem uma pintura monocromática de algum pintor famoso. As cores vivas quase não existem. Todos andam agasalhados com roupas cinzas ou pretas para poderem enfrentar o frio.
     Estive lá num dos últimos rigorosos invernos, o termômetro chegava a seis graus abaixo de zero, o frio era intenso. Tudo praticamente congelado, inclusive os rios e lagos, que estavam em sua maior parte, congelados. Uma das coisas que me chamou atenção foi o uso cotidiano da bicicleta. Lá, todo mundo tem uma bicicleta, e de todos os tipos: para uma, duas ou três pessoas; bicicletas para levar o bebê entre outras. O interessante é que esse trânsito de bike, convive harmoniosamente com os outros veículos. Ciclovias tem para todos os lugares. Bonito ver um monte de ciclistas esperarem o sinal verde abrir para poder seguir viagem. Algo que não existe no Brasil. Por outro lado, o transporte coletivo, tanto ônibus quanto o trem, sempre passam na hora exata em cada ponto, estação ou parada. Mesmo com todo o frio, todos se deslocam e o tráfego de bicicleta é intenso.


terça-feira, 27 de março de 2018

DIA INTERNACIONAL DO TEATRO




     Do ponto de vista histórico e com os elementos que conhecemos na atualidade, poderíamos afirmar que o teatro surgiu na Grécia Clássica, embora pesquisas recentes venham demonstrar que muito antes, os egípcios, os indianos e os chineses já o praticavam. Portanto, não se pode negar que a cultura oriental é muito sedimentada, mas embora o oriente praticasse teatro antes dos gregos, essa prática acontecia primitivamente em forma de rituais religiosos.
     É notório que a Grécia antiga tenha herdado esses rituais, entretanto não podemos negar que foi justamente nesse país que os primitivos rituais foram, ao longo dos anos se transformando, tomando novas formas como festividades e atividades culturais até determinar os cultos teatrais como forma de representação e arte, à qual conhecemos hoje.
     Esse teatro do qual conhecemos na atualidade, originou-se basicamente de três festividades: a) dos mistérios de Delos; b) da louvação às divindades Quintelanas – Elêusis, Demótes e Proserpina;e c) do culto ao Deus Dionísio. Sendo que esta última versão considera-se como a mais provável, segundo estudos históricos e antropológicos já realizados.
     Sabe-se que uma vez ao ano, justamente por ocasião das vindimas (colheita de uvas), prestava-se homenagem ao Deus Dionísio; Deus da uva e do vinho; da embriaguez e da fertilidade. Geralmente, nesses cultos sacrificava-se um animal, mais praticamente um bode que, por sua vez, significa tragos em grego, de onde surge etimologicamente a palavra tragédia.
     Comumente ao som de música de flautas, as bacantes dançavam em honra ao Deus Dionísio, juntando-se aos sátiros, também dançarinos, que vestidos a caráter imitavam bodes, que para a cultura grega desse período significavam os companheiros do Deus. Depois de algumas horas, já embriagados, entregava-se com entusiasmo a esse frenesi, esse culto, a esse verdadeiro espetáculo. Nessas condições, o teatro tem, notadamente,  origem religiosa e campestre.
     Com o passar do tempo, o próximo passo foi a organização de procissões, que se tornaram muito mais religiosas do que profanas. Essas procissões tinham caráter comum, onde todos os celebrantes se juntavam tendo à frente jovens que cantavam um hino improvisado, chamado “ditirambo”, e assim giravam em torno do altar do Deus, agradecendo pela colheita da uva e pelo sexo que significava a fertilidade da vida. E foi exatamente desse coro, do contraste entre o espírito Dionisíaco e Apolíneo que nasceram a Tragédia e a Comédia. A tragédia tinha como principais características o terror e a piedade que despertava no público. Era constituída de cinco atos e voltava-se para o resgate da mitologia grega, com seus deuses, heróis e feitos. A comédia era dividida em duas partes com um intervalo. Tratava dos homens comuns e de sua vida cotidiana.
     Em função de essas atividades teatrais persistirem até nossos dias foi que em 1961, o Instituto Internacional do Teatro da UNESCO, órgão das Nações Unida, voltado para a educação, ciência e cultura, resolveram criar uma data dedicada às atividades culturais ligadas à representação, durante o seu IX Congresso Mundial, em Viena, Áustria. Portanto, em função da inauguração do Teatro das Nações, em Paris, França, em 27 de março de 1962, tem sido celebrado o Dia Internacional do Teatro. A data 27 de março, assinala também a inauguração das temporadas internacionais no referido teatro.

sexta-feira, 12 de janeiro de 2018

SEGUNDO TEATRO DO AMAPÁ


     O Primeiro teatro do Amapá foi construído especialmente para os eventos e comemorações em honra à visita do Governador da Província do Grão Pará, Francisco Xavier de Mendonça Furtado à Vila de São José de Macapá. Na época o Amapá era parte integrante da Província do Grão Pará. Por outro lado, envolvido e entusiasmado com as apresentações que havia visto, o próprio governador determina a construção de um novo teatro, que deveria localizar-se no lado oriental do jardim do palácio.
     Na obra “Compendio das Eras da Província do Pará”, cuja autoria é de Antônio Ladislau Monteiro Baena, há um fac-símile do documento que consta: “Encarrega a Antônio José Lande o desenho e a erecção de um pequeno Theatro bem ordenado junto ao lado oriental do Jardim do Palácio: e expressa-lhe nesse momento que nisto espera ver a mesma atividade e inteligência que sempre tem manifestado no desempenho das difíceis obrigações inherentes a um Architecto.
     Antônio Landi, como ficara mais conhecido, era o arquiteto oficial do governo da província do Grão-Pará e havia construído na cidade de Belém uma pequena sala para apresentação de óperas em 1775. Por isso, o governador o definiu para também construir o teatro da Vila de São José de Macapá.
     Tendo como ponto de partida análise de mapa de época, assinado por Henrique Galúcio, o jardim do Palácio localizava-se ao lado sul da igreja de São José de Macapá, e juntamente a ele, a Casa de Câmara. De acordo com as coordenadas geográficas, o jardim do palácio estaria situado à frente do Palácio e da Casa de Câmara, com uma divisão ao meio, que no futuro se transformaria na Rua São José.
     Portanto, este pequeno teatro deveria ter sido construído no local onde hoje se situa o Teatro das Bacabeiras, sendo que, diferente deste, seu frontispício ficaria para o oeste, dessa forma situando-se defronte ao Palácio e à Casa de Câmara, e os fundos para leste, ou seja, com vistas para o rio Amazonas. Também poderia dizer que o frontispício ficaria para o ocidente e a parte de trás da construção, para o oriente.

     Tendo em vista que esses documentos são da época do Império, por si só, revelam um olhar dos gestores daquele período para as artes e principalmente para o teatro. De qualquer forma restam-nos algumas dúvidas: o que ainda não se sabe é se esse novo teatro foi realmente construído na Vila de São José de Macapá. Talvez exista em algum lugar o desenho arquitetônico do referido teatro.  Será que esse teatro foi realmente construído? Quem sabe? Para essas indagações, ainda não se tem uma resposta. Talvez pesquisas futuras possam nos revelar isso. Mas há uma certeza: o espaço geográfico na Vila de São José de Macapá, que no Império foi cobiçado para a construção de um teatro é o mesmo local onde hoje está erigido o Teatro das Bacabeiras. 

terça-feira, 12 de dezembro de 2017

PRIMEIRO TEATRO DO AMAPÁ

 PRIMEIRO TEATRO DO AMAPÁ

     Até meados do século XVIII, pode-se afirmar que no Brasil, as atividades teatrais até então existentes eram exclusivamente de cunho religioso e ocorria tanto nos conventos e educandários da ordem jesuíta, como nos adros das igrejas em dias de festa. Por vários séculos as igrejas foram as principais construções de referência das paisagens urbanas. No entanto, foram surgindo novas edificações ao longo do período colonial, que eram destinadas à administração pública, à cultura e ao lazer.
     Nesse caso, e pelo fato de representarem sinônimo de progresso e civilização, os edifícios teatrais começaram a se multiplicar nas pequenas cidades, tornando-se um contraponto frente às construções religiosas. Nesse período, além do teatro ser considerado como escola de bons costumes, também era um edifício que revelava civilização e adiantamento moral das cidades que o possuíam. Possivelmente, esses fatos fizeram surgir na Vila de São José de Macapá, ainda no século XVIII, seu primeiro teatro construído especificamente em madeira.
     A colonização do espaço geográfico em que hoje se localiza a cidade de Macapá se encontra em duas construções fundamentais: em primeiro lugar a construção e inauguração da Igreja de São José de Macapá que se deu em 06 de março de 1761, na então Vila de São José de Macapá. Paralelamente a isso, a construção e inauguração da Fortaleza de São José de Macapá, que aconteceu em 19 de março de 1782.
     Cronologicamente, a data mais antiga que se tem conhecimento sobre atividades dramáticas no Amapá, reporta-se ao ano de 1775, de acordo com o livro “Compendio das Eras da Província do Pará”, cuja autoria é de Antonio Ladislau Monteiro Baena. O sociólogo Fernando Canto também enfoca o referido teatro em sua obra intitulada: “Adoradores do Sol: novo textuário do meio do mundo”.
     Em sua obra, BAENA focaliza que já nesse período havia um pequeno teatro de madeira, sendo que teria sido construído para receber o Presidente da Província do Grão-Pará: Senhor Francisco Xavier de Mendonça Furtado, que na ocasião, estava visitando a Vila de São José de Macapá: diz o documento: “Visita o Governador (1775) a Villa e Fortaleza de Macapá. Entre os obséquios urbanos, que com elle pratica o Governador da Fortaleza, teve logar distincto o Theatrinho, que para este festejo foi erguido debaixo de excellente disposição e aceio, e que assas lhe agradou. Vê as Villas de Mazagão e Vistosa Madre de Deus. Volve à Cidade. Diffunde pelos lavradores e Povoados Indianos melhor planta de arroz: e anima a industria rural”.

     Em relação ao exposto acima, considero a referida construção como primeiro espaço teatral do Amapá, levando-se em consideração questões arquitetônicas e técnicas. Também o considero como o primeiro espaço teatral fechado, ou seja, um edifício à italiana. Embora este teatro tenha existido, não se sabe quais textos ou espetáculos foram apresentados em seu interior.

segunda-feira, 27 de novembro de 2017

A ESPERANÇA É A ÚLTIMA QUE MORRE

     Uma das maiores alegrias da minha vida foi quando soube da notícia que havia sido aprovado no vestibular. Morava no interior da Paraíba numa cidade conhecida por Itabaiana. Talvez você leitor, nunca tenha ouvido falar, mas é a terra em que nasceu o renomado músico Severino Dias de Oliveira, mais conhecido como Sivuca... Aquele que compôs feira de mangaio. Itabaiana também é berço do famoso poeta Zé da Luz.
     Raspei a cabeça, sai em passeata pelas ruas da cidade junto com outros colegas que também haviam passado naquele processo seletivo. Fui aprovado para o antigo curso de Educação Artística. Na ocasião, ouvia de várias pessoas alguns comentários como: - Mas tu vais mudar de curso, não é? – Esse curso não é muito bom para homem! Eu ouvia e sempre respondia com o silêncio.
     Tive muitas dificuldades para realizar o ensino fundamental e médio. Aliás, da quinta série até o ensino médio eu estudei no mesmo colégio estadual resultando em sete anos de dedicação e estudos. A alegria foi imensa visto que fui aprovado no vestibular vindo da escola pública, sem ter participado de nenhum cursinho que na época eram famosos. No pequeno interior fiquei conhecido como gente inteligente, mas reforço ao dizer que foi um grande desafio chegar à universidade.
     Ao longo da minha história de vida as vicissitudes me ensinaram a ser combatente e persistente. Aprendi também a acreditar no que realizo; a acreditar em mim e nos meus projetos. Desistir? Nunca...! Infelizmente, em algumas ocasiões você se surpreende e quase se dá por vencido. Foi exatamente o que aconteceu nesses últimos vinte e quatro anos na tentativa de implantar um curso de licenciatura em teatro no Amapá. Os dois primeiros projetos, um de 1996 e outro de 2001 sequer passou pela câmara de graduação.
     Há quatro anos atrás, no ano de 2013 publiquei a obra “Curso de Teatro no Amapá: concepções e proposições para o ensino superior” com a intenção de que a mesma se transformasse numa prestação de contas com a sociedade amapaense ao esclarecer a intenção do meu trabalho e de minha dedicação em prol desta terra que me recebeu de braços abertos como profissional do magistério superior.
     Muitos anos se passaram após a minha aprovação no vestibular, hoje já professor universitário a minha segunda grande alegria se transformou em felicidade quando ouvi dos conselheiros, no dia 12 de novembro de 2013 o veredito do Conselho Superior da Universidade Federal do Amapá, da aprovação do Curso de Licenciatura em Teatro...! E hoje, após quatro anos tenho a honra de dizer que ,com a conclusão do curso pela turma pioneira, o Estado do Amapá terá após a finalização do segundo semestre de 2017 da UNIFAP, a primeira turma de professores qualificados para assumirem seu espaço como profissional do teatro nas escolas do nosso Estado. Depois de tudo isso, percebi claramente que a esperança é a última que morre.


segunda-feira, 23 de outubro de 2017

ARTE DRAMÁTICA
                                  

     Na arte dramática as palavras deixam de serem signos arbitrários para converterem-se em signos maturados de objetos arbitrários. Cada letra é um signo e ao juntarmos esses signos, deveremos seguir alguns códigos e regras juntando-as e formando as palavras que por sua vez são relacionadas a determinados objetos ou sensações.
     Aqui se pode encontrar a grande diferença entre dramaturgia e encenação. Se por um lado, a dramaturgia refere-se à literatura propriamente dita, por outro, a encenação por sua vez, está estritamente ligada ao movimento e à ação. Portanto, estamos enfocando aqui duas obras completamente distinta. A dramaturgia é literatura; a encenação é ação, é teatro.
     Na poesia dramática, o mais importante está nos gestos, ou seja, no movimento e na ação, como também nas palavras criadas para explicar esses gestos. O drama é a representação de uma ação concluída e não o começo de uma ação, como acontece com a poesia lírica. Se há signos linguísticos para a literatura, também há signos para a encenação de uma peça teatral, obviamente.
     O drama exige unicamente a unidade de ação; a unidade de tempo e de lugar. Paralelamente, o ator tem que saber e entender essas três dimensões. Quem sou eu? O que estou fazendo? E em qual momento histórico me encontro e em qual espaço geográfico estou realizando determinada ação?
     A arte é a imitação da realidade e cada obra de arte alcança seu autêntico espaço estritamente por meio do seu conteúdo e de sua estrutura visível, que se insere no seu ritmo intrínseco evocado por dominantes espaciais e temporais.
     Quando um ator se apresenta diante de um público ou fala diretamente (como no teatro dialético) esses recursos estilísticos não só modificam o espaço, mas toda a relação do significando com o significante. Certamente que hoje se faz muito mais esforço para alcançar a relativa autonomia do teatro contemporâneo, sua funcionalidade e sua praticidade. Já não mais parece ser como um fragmento ilusório de vida, casualmente presenciado pelos espectadores.

     E a perfeição técnica não é mais um padrão de qualidade artística e sim pura e simplesmente o resultado da habilidade profissional em um terreno artístico determinado. Penso, porém que as obras de arte plenamente originais são aquelas que conservam certo grau de excelência e atributos individuais dos artistas. No caso, a originalidade poderia ser equivalente a uma individualidade excepcionalmente criativa.