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quarta-feira, 3 de abril de 2013

ARQUITETURA TEATRAL - Grécia e Roma


 
     Desde o espaço cênico esférico primitivamente criado pelos gregos para realizarem seus jogos dramáticos e teatrais, em homenagem ao Deus Dionísio, ocasião em que não havia a priori nem palco nem platéia, em sua evolução histórica e cenográfica o teatro passou por diversas transformações. Tanto no âmbito da estrutura do espetáculo como também no que diz respeito à estrutura do edifício teatral. Essas mudanças foram constantes e dialeticamente significativas, tendo em vista as necessidades sociais de cada sociedade e período histórico.
     Uma dessas primeiras mudanças aconteceu ainda na Grécia Clássica, paralelamente à trajetória da própria estrutura cênica. Nesse primitivo período, o teatro grego passou a ser construído entre montanhas, com capacidade para aproximadamente entre quatro e cinco mil pessoas. Nesse ínterim, o espaço cênico passou de circular para semicircular, cujo cenário era fixo. Fato é que o homem não havia ainda conquistado o domínio do arco o que vem acontecer já no império romano proporcionando revolução na arquitetura, sendo um dos maiores exemplos desse período o Coliseu de Roma que é símbolo da cultura pagã. Com a ascensão do cristianismo esse templo passou a ser esquecido.

     Certamente o teatro romano apresentava uma estrutura semelhante ao da Grécia, mas passou a ser construído sem utilizar montanhas como base, por quê? Vejamos. A primeira questão é que a maioria dos teatros foi construído um tanto quanto afastado das cidades; outra questão é que o teatro que se fazia na Antiga Grécia exigia que os atores ficassem de frente para o público, em função disso construiu-se um espaço cênico semicircular com os locais de entrada e saída dos personagens.

     Já o modelo de teatro que se fazia na Roma Antiga não exigia diretamente essa frontalidade com o público, sendo que lá a arquitetura teatral passou a ser construída em forma circular de onde possibilitava que o público pudesse assistir ao espetáculo de qualquer lugar da arena, dessa forma surge o anfiteatro que significa dois lados (ver dos dois lados). Esse fenômeno se deu em função da nova concepção do espetáculo romano que se resumia em lutas de gladiadores, lutas de homens contra animais e que não havia a necessidade desses performers estarem totalmente de frente para o público, fato que atualmente acontece com o futebol. Neste caso o cenário também era fixo.

     Salienta-se que foi em Roma que ocorreu a primeira possibilidade de se cobrir esse espaço com uma imensa lona. É a partir dai que surge o circo romano. Com o advento do cristianismo, mistérios e moralidades foram apresentados em carroças que possuíam o cenário dividido, enquanto que de um lado existia o céu, no outro era o inferno.

quarta-feira, 27 de março de 2013

O TEATRO E SUA ORIGEM


 
     Do ponto de vista histórico e com os elementos que conhecemos na atualidade, poderíamos dizer que o teatro nasceu na Antiga Grécia, embora pesquisas recentes venham demonstrar que muito antes, os egípcios, os indianos e os chineses já o praticavam. Não se pode negar que a cultura oriental é muito consistente, mas, embora o Oriente praticasse teatro antes dos gregos, essa prática acontecia primitivamente em forma de rituais religiosos.

     Percebe-se, porém, que a Grécia Antiga herdou esses rituais. Entretanto, não podemos negar que foi justamente nesse país que esses primitivos rituais, foram, ao longo dos anos, se transformando, tomando novas formas como festividades e atividades culturais, até determinar os cultos teatrais como forma de representação e arte, a qual conhecemos hoje.

     Quanto ao termo, Magaldi (1986) enfoca que: “a etimologia grega de teatro dá ao vocábulo o sentido de miradouro, lugar de onde se vê”, entendendo-se desta maneira, que o sentido primitivo da palavra teatro estava relacionado estritamente com a idéia de visão.

     O teatro originou-se basicamente de três festividades: a) dos mistérios de Delos; b) da louvação às divindades Quintelanas - Elêusis, Demótes e Proserpina; e c) do culto a Dionísio. Sendo que esta última é a mais provável, segundo estudos históricos e antropológicos já realizados. Sabe-se que uma vez por ano, justamente por ocasião das vindimas, prestavam-se homenagem ao deus Dionísio; deus da uva e do vinho, da embriaguez e da fertilidade. Geralmente, nesses cultos sacrificava-se um animal, mais precisamente um bode, que por sua vez, significa tragos em grego, de onde surge etimologicamente a palavra Tragédia. Comumente ao som da música de flautas, as bacantes dançavam em honra ao deus Dionísio, juntando-se aos sátiros, também dançarinos que imitavam bodes, que, para a cultura grega da época, significavam os companheiros do deus. Depois de algumas horas, já embriagados, entregavam-se com entusiasmo a esse frenesi, esse culto, a esse verdadeiro espetáculo. Nessas condições, o teatro tem notadamente origem religiosa e campestre.

     Com o passar do tempo, o próximo passo foi a organização de procissões que se tornaram muito mais religiosas do que profanas. Essas procissões tinham caráter comum, onde todos os celebrantes se juntavam tendo à frente jovens que cantavam um hino improvisado, chamado ditirambo. Para Boal (1983), “teatro era o povo cantando livremente ao ar livre: o povo era o criador e o destinatário do espetáculo teatral, que se podia então chamar “canto ditirâmbico”, e assim giravam em torno do altar do deus, agradecendo pela colheita da uva, e pelo sexo que significava a fertilidade da vida. E foi exatamente desse coro, do contraste entre o espírito Dionisíaco e Apolíneo, que nasceram a Tragédia e a Comédia.

     Em seguida o coro separou-se do recitador, nesse momento crucial da história do teatro havia nascido o primeiro ator. Contudo, na procissão já se podia constatar três artes: o canto, a dança e a atuação. Nesse caso, à frente vinha o Corifeu - de onde surge a palavra Coro - vestido com pele de bode, e todo o resto do grupo respondia ao ditirambo, atuando como um verdadeiro balé litúrgico, numa fusão do trágico e do cômico.

     E assim constituiu-se a Tragédia: o ator e o coro se respondem cantando, em seguida, o ator fala e o coro canta, e posteriormente o ator dialoga com o Corifeu, representante do coro. Vale salientar que nesse momento embrionário da Tragédia não havia atos nem intervalos, sendo a mesma composta de partes dialogadas e partes faladas.

     Poderíamos fazer aqui uma relação com o Círio de Nazaré, quando todos os anos, numa determinada época, o povo se reúne para louvar a sua Santa (deusa) Virgem de Nazaré, neste caso, com características próprias de uma cultura contemporânea de início do século XXI. É interessante saber que apesar da distância cronológica, momentos semelhantes existem entre essas duas manifestações religiosas, como por exemplo: o vigário tomando o lugar do Corifeu, quando diz uma estrofe de uma oração, e o povo respondendo conseqüentemente, representando o coro.

     Os três grandes trágicos gregos foram: Ésquilo, Sófocles e Eurípedes. Théspis foi o criador do teatro ambulante, o qual conhecemos hoje como teatro mambembe, mas infelizmente todos os seus textos se perderam. Também foi ele quem inventou as máscaras. Representava seus papéis trágicos inicialmente pintando o rosto com matéria-prima da época, depois cobrindo o rosto com folhas de árvores, em seguida introduziu o uso de verdadeiras máscaras.

     Chegou um momento em que o Estado tomou para si a organização do teatro na Antiga Grécia, onde instituiu concursos entre os poetas dramáticos - mais conhecidos atualmente como dramaturgos - contudo, este intento objetivava não somente divertir a população, mas por outro lado, servia também como um meio de propaganda política e ideológica, visto que na época “os tiranos empregam a arte não só como meio de adquirir glória y como instrumento de propaganda, mas também como ópio para aturdir seus súditos”, Hauser (1968). Em conseqüência, o povo imediatamente acolheu essa forma artística, que se tornou milenar no momento atual da história do homem.
     Tendo como ponto de partida a contribuição do teatro em nível artístico, psicológico e social para o homem durante toda sua história e considerando a necessidade vital da humanidade em relação às atividades teatrais que persistem incondicionais até nossos dias, foi que em 1961 o Instituto Internacional de Teatro da UNESCO, órgão das Nações Unidas voltado à educação, ciência e cultura, resolveram criar uma data dedicada às atividades culturais ligadas à representação durante o seu IX Congresso Mundial, em Viena, Áustria. Portanto, em função da inauguração do Teatro das Nações em Paris, França, em 27 de março de 1962, tem sido celebrado o dia Internacional do Teatro. A data de 27 de março assinala também a inauguração das temporadas internacionais no referido teatro.

sábado, 23 de março de 2013

LDB E PARÂMETROS CURRICULARES




     No que diz respeito ao ensino de artes, em seu artigo nº 26 da Lei de Diretrizes e Bases da Educação nº 9.394/96 publicada no dia 20 de dezembro de 1994, consta que: “Art. 26. Os currículos do ensino fundamental e médio devem ter uma base nacional comum, a ser complementada, em cada sistema de ensino e estabelecimento escolar, por uma parte diversificada, exigida pelas características regionais e locais da sociedade, da cultura, da economia e da clientela.”
     Já o segundo parágrafo dessa mesma lei torna o ensino de arte obrigatório no ensino fundamental e médio, como podemos observar no próprio parágrafo que acrescenta que:
“§ 2º O ensino da arte, especialmente em suas expressões regionais, constituirá componente curricular obrigatório nos diversos níveis da educação básica, de forma a promover o desenvolvimento cultural dos alunos.” Esta redação foi complementada pela Lei nº 12.287 de 2010 quando acrescentou os termos: “especialmente em suas expressões regionais”.
     Todavia, no desenvolvimento desse longo processo, documentos foram surgindo para complementar a referida lei.  Sendo um dos principais os “Parâmetros Curriculares Nacionais”. É no volume de número seis (6) que se encontram as diretrizes para o ensino de arte, complementando e corroborando com a Lei 9.394/96 quando afirma na página 19 que: “Arte tem uma função tão importante quando às dos outros conheciment0os no processo de ensino aprendizagem”.
     Os Parâmetros Curriculares Nacionais passou a entender a luta dos Arte-Educadores em relação à não polivalência e à implantação de áreas específicas na área da arte no ensino fundamental no Brasil. Além disso, pelo que consta na página 29, entendeu ainda que: “A tendência passou a ser a diminuição qualitativa dos saberes referentes às especificidades de cada uma das formas de arte e, no lugar destas, desenvolveu-se a crença de que bastavam propostas de atividades expressivas espontâneas para que os alunos conhecessem muito bem música, artes plásticas, ciências, dança, etc.”
     Os Parâmetros Curriculares Nacionais tornou-se um importante documento tendo em vista que dá suporte jurídico à divisão do ensino de arte por área. O que antes era “Educação Artística” passou a ser “Disciplina Arte” com as áreas específicas desmembradas em Artes Visuais, Teatro, Dança e Música. Na página 51 dos Parâmetros pode-se observar que: “O ensino de Arte é área de conhecimento com conteúdos específicos e deve ser consolidada como parte constitutiva dos currículos escolares, requerendo, portanto, capacitação dos professores para orientar a formação do aluno.” Conclui-se que este foi um resultado de três movimentos distintos, por um lado, a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, por outro, os Parâmetros Curriculares Nacionais e ainda a luta dos Arte-Educadores por uma não polivalência no ensino de arte e pela implantação do estudo específico das áreas Artes Visuais, Teatro, Dança e Música.

sexta-feira, 8 de março de 2013

ENSINO DE ARTE E LEGISLAÇÃO


      O ensino de artes passou a ser reconhecido formalmente na escola brasileira a partir da Lei 5.692\71 com o nome de “Educação Artística”. Mas, o mesmo já existia de fato em nossas escolas. Contudo, os cursos superiores que foram sendo implantados nas Universidades brasileiras demonstraram, com o passar dos anos, algumas fragilidades em relação às atividades profissionais, inclusive fomentando a polivalência no que diz respeito ao objetivo exercício prático da profissão. Isto ocasionou vários conflitos na profissão nas décadas de 1970 e 1980. Entretanto, os Parâmetros Curriculares Nacionais retomam esse debate quando afirma na página 29, que na época os professores: “...Viram-se responsabilizados por educar os alunos (em escolas de ensino médio) em todas as linguagens artísticas configurando-se a formação do professor polivalente em Arte”.

     Este tipo de entendimento, que fazia com que o professor de uma área da arte, ministrasse todas as especificidades, ocasionou baixa qualidade no ensino da arte. Discussão essa que também é retomada pelos Parâmetros Curriculares Nacionais, quando na página 30 registra que: “O movimento Arte-Educação permitiu que se ampliassem as discussões sobre a valorização e o aprimoramento do professor, que reconhecia o seu isolamento dentro da escola e a insuficiência de conhecimentos e competência na área”.

     Todavia, esse problema gerou várias discussões dentro e fora das universidades fazendo com que os profissionais da área se organizassem. Em função disso, foram criadas várias associações de Arte-Educadores em todo o território nacional, que se tornaram espaços de discussões e debates sobre o assunto em tela. Esses fóruns de debates foram tomando forma de tal grandeza que culminou com a fundação da Federação Brasileira de Arte-Educadores – FAEB em 1997, dentro do I Festival Latino Americano de Arte e Cultura – I FLAAC que aconteceu na Universidade de Brasília. Particularmente presenciei este evento, visto que estive lá presencialmente como aluno do Curso de Educação Artística da UFPB.

     Acontece porém, que os cursos de Educação Artística que foram sendo implantados ao longo dos anos, demonstraram fragilidades principalmente no sentido de que o profissional realizava um curso que possuía quatro habilitações: artes plásticas; artes cênicas; arte musical e dança, sendo que ao se deparar com o mercado de trabalho, o mesmo exigia-lhe o domínio das quatro áreas, o que o tornava um professor polivalente.

     Notadamente, foi em função de mais de 20 anos de luta dos arte-educadores no Brasil por essa não polivalência que se conquistou a partir da Lei 9.394\96, por um lado, a obrigatoriedade do ensino de Artes, que mudou sua nomenclatura de “Educação Artística” para a disciplina “Arte” e por outro lado, a divisão da disciplina “Arte” por áreas específicas, quais sejam: Artes Visuais; Teatro; Dança e Música.

segunda-feira, 4 de março de 2013

ENTRE PAI & FILHOS


     O Prof. Dr. Romualdo Rodrigues Palhano estará lançando sua terceira obra poética em parceria com seus dois filhos. ENTRE PAI & FILHOS        é a relação intrínseca de três poetas, dos quais um veterano e dois aprendizes. A obra revela aspectos de pensamentos pensados durante determinados períodos de vida, como a fase de criança, da adolescência e adulta.
     O autor vem com 32 poemas e seus filhos: José Martí Luna Palhano (14 anos) com 11 poesias e Juan Pablo Luna Palhano (09 anos) com 4 poesias. Além de autores as crianças também assinam as ilustrações. O autor fez uma seleção de imagens construídas durante alguns anos como exercício escolar. Imagens que revelam também o cotidiano da vida das crianças na escola formal.

     No prefácio da obra a professora Silvia Carla enfoca que “O livro Entre Pai & Filhos é uma obra que nos convida a ver e olhar cada página como uma imersão da atividade inventiva de Romualdo Palhano (pai); Juan Pablo Luna Palhano e José Martí Luna Palhano (filhos) como uma redescoberta do que estamos nos tornando. Descoberta que faz e se refaz diariamente na expectativa de escolha contínua em compartilhar o compromisso produtivo com quem estamos diariamente envolvidos”.

     A imersão na leitura, da percepção e da apreciação, também surge como um convite, justificada por dois enlaces permanentes dessa relação parental; primeiro pela aventura criadora de três brincantes que fazem da escrita e do desenho gráfico uma colaboração quase natural, mas, sobretudo atravessadas por narrativas singularizadas; segundo, pelas múltiplas temporalidades afetivas que envolvem a sensação íntima entre pai e filhos.

     O lançamento da obra “Eu e a Rainha do Vale – De Menino a Rapazinho” acontecerá na próxima quinta feira, dia 03 de maio na Biblioteca da Universidade Estadual do Amapá - UEAP , cidade de Macapá.

 

Sobre o autor

 

     Romualdo Rodrigues Palhano é graduado em Licenciatura Plena em Educação Artística com habilitação em Artes Cênicas, pela Universidade Federal da Paraíba. Instituição onde também concluiu Mestrado em Serviço Social, sendo seu objeto de investigação o Teatro Comunitário. Residiu por dois anos em Havana – Cuba, onde iniciou seu doutorado. É Doutor em Teatro pela Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro – UNIRIO. É Pós-Doutor em Teatro pela Universidade Federal da Paraíba. Reside atualmente em Macapá onde é Professor Associado da UNIFAP - Universidade Federal do Amapá.

     O autor já publicou as seguintes obras: “Grito Incontido” poesias, 1988; “A Estrela e a Rã” (infantil) 1998; “Brincando com Linhas” (infantl), 2001; “Teatro de Bonecos: uma alternativa para o ensino fundamental na Amazônia, 2001; “Entre Terra e Mar: sociogênese e caminhos do teatro na Paraíba – 1822 – 1905”, 2009; “A Saga de Altimar Pimentel e o Teatro Experimental da Cabedelo”, 2009; “Fronteiras Entre o Palco e a Tela – Teatro na Paraíba – 1900 – 1916”, 2010;  “Entre Parénthesis – poesias” também em 2010. Em 2011 o autor publicou as seguintes obras: “O Teatro na Terra de Zé da Luz – Da União Dramática ao GETI”, “A Ovellha malhada (infantil) e Artes Cênicas no Amapá e em 2012; “Eu e a Rainha do Vale – De menino a rapazinho”; “O Pato e o Lago “ (infantil).

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013

A BANDA: Nosso Grandioso Culto a Dionísio



                                        
     Com o advento do Sambódromo nosso carnaval ficou concretamente dividido. Se por um lado, as Escolas de Samba tiveram acesso e o privilégio de garantirem suas vagas para se apresentarem neste novo teatro, que foi construído especialmente para elas; os blocos por sua vez ficaram esquecidos como verdadeiros meninos de rua. Como em toda regra há uma exceção foram criados novos blocos pré-organizados com vendas de abadás e tudo o mais para que pudessem também ter acesso ao grande teatro do sambódromo.
     A partir de então, os olhares dos órgãos de cultura passaram a investir pesado no que diz respeito à questão financeira. Passaram a ver e contemplar apenas aquele grande teatro do desfile das escolas de samba, no sambódromo. Até hoje o carnaval de rua de Macapá ficou esquecido. Cadê o carnaval de Rua de Macapá? Porque não se organiza nosso carnaval de rua? Desde a inauguração do sambódromo cadê as secretarias de cultura do Estado e do Município?
     Felizmente ainda há um bloco sobrevivente que insiste e persiste fazendo todos os anos o mesmo percurso nas ruas da cidade, sem titubear. O Bloco de Rua “A Banda” realmente é quem faz a diferença no carnaval de Macapá. Um fenômeno interessante é que a cada ano que se passa “A Banda” cresce assustadoramente. Há anos que seu percurso tradicionalmente sempre é o mesmo. Desta forma, conhecida como bloco dos sujos, mantém viva a chama e a esperança de que um dia os órgãos de cultura organizem o carnaval de rua da nossa cidade.
     Já existe até o preconceito de que o carnaval de Rua de Macapá só acontece na terça feira de carnaval. Porque nossos gestores não aproveitam o itinerário que a Banda faz e organizam os três dias de carnaval de Rua de Macapá? Porque os blocos que desfilam no sambódromo não desfilam nas ruas de Macapá? Contando com financiamento público porque não obrigam as escolas de samba desfilarem nas ruas da cidade? Todo mundo sabe que a tarde da terça feira já é da “Banda”, mas, o que é que falta para fazer com que os blocos e as escolas de samba desfilem, além do sambódromo, no domingo ou na segunda feira de carnaval. Isto é possível basta um estudo minucioso da Secretaria de Cultura do Estado e do Município.
     Enfim, o bloco “A BANDA” deveria ser reverenciado visto que desde a década de 1960 vem abrilhantando o carnaval de rua de Macapá. Esse bloco de sujos é um verdadeiro culto a Dionísio, a procissão dionisíaca, onde todos os participantes se sentem à vontade para saudar a vida, o sexo e a fertilidade. E Viva Dionísio, deus da uva do vinho e do teatro.

O ATOR




     Na Grécia, o verdadeiro oficiante do culto a Dionísio recebia honras públicas. Em Roma, o comediante era escravo e certos gêneros de origem grega que se cultivava ao lado da dramaturgia erudita eram desempenhados por mulheres prostitutas. A Idade Média reformulou a questão do ator ao extrair um esboço do drama da liturgia cristã. Sacerdotes e religiosos concorreram para o espetáculo medieval, semelhante para eles a um ato de fé.
     No século XVII, não obstante recebesse subsídios de Luis XIV e fosse uma das glórias reconhecidas da França, Molière não teve sepultura cristã, porque se dedicava à infamante profissão de ator. Após ser ultrapassado e aceito esse preconceito social como relaxamento da fé religiosa, o ator alçou-se ao posto de ídolo, no qual é possível admirá-lo nos dias atuais. Nesse caso, muitos passaram a mitos coletivos como é o caso de Sarah Bernhardt.
     Há mais de setenta anos atrás o preconceito social assemelhava a condição de atriz à de prostituta. Por outro lado, no século XIX surgiram os monstros sagrados, que eram astros, vedetes, atores e atrizes, nessa época ficaram famosas as “primas dona”. Foi um período em que era a personalidade singular e excepcional de um determinado intérprete que se impunha. Alguns que ficaram mais conhecidos; Talma, Sarah Bernhardt, Julian Barret entre outros.
     O ator ou atriz considerada “monstro sagrado” era quem orientava e norteava todo o espetáculo. Era um tipo de intérprete que desafiava todas as normas. Ator mago cuja interpretação se assemelhava à intervenção de um sumo sacerdote. Era um tipo de intérprete que transmitia a sensação de estar além de qualquer técnica.
     Ao longo da história do Brasil, houve diversas iniciativas de abordagem ou utilização do teatro no processo educativo, bem como de formação educacional de pessoas voltadas para a arte teatral. No período da colonização no Brasil até o século XVIII a Companhia de Jesus desenvolveu em seus colégios uma sólida estrutura de uso escolar religioso do teatro, comparável àquela praticada na Europa na Idade Média.      A multiplicação dessas escolas especializadas na arte de representar, principalmente aquelas de cunho universitário voltadas para a formação profissional, vem completando a tarefa de valorizar o intérprete.
     O brasileiro João Caetano foi um dos nossos “monstros sagrados”. Além de ator montou na cidade do Rio de Janeiro, uma escola com recursos próprios voltada para formar atores. De lá para cá, muitas escolas de arte dramática foram instaladas em todos os continentes.