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sábado, 13 de outubro de 2012

VII CONGRESSO DA ABRACE



VII CONGRESSO DA ABRACE
                                Por Romualdo Palhano


     Estive esta semana na cidade de Porto Alegre no Rio Grande do Sul onde fui apresentar trabalho científico e trocar experiências com estudiosos da área do teatro de todo o Brasil. De 08 a 11 do corrente mês lá aconteceu o VII Congresso da ABRACE -  Associação Brasileira de Pesquisa e Pós-Graduação em Artes Cênicas, com vasta programação e representantes do Brasil; Estados Unidos, Alemanha, Argentina, Chile e Colômbia.
     O referido Congresso aconteceu no período de 08 a 11 de outubro do corrente mês com o tema: tempos de memória: vestígios, ressonâncias e mutações. Pesquisadores do Brasil e do exterior se encontraram em Porto Alegre para discutir o teatro nacional como também a tendência atual de uma possível realização do projeto “Global Theatre Historie” apresentado pelo norte americano Christopher Balme que defende a tese da realização de uma história global do teatro.
     O congresso foi palco de diferentes discussões, tais como a relação entre memória e criação, memória e re(apresentação); a memória da arte efêmera da cena. Reuniu mais de 650 pesquisadores que participaram de conferências, mesas-redondas e comunicações realizadas no âmbito dos 11 grupos de trabalho da Associação.
     A conferência de abertura foi proferida pelo Prof. Dr. Ivan Izquierdo, um dos mais renomados cientistas brasileiros, especialista dos mecanismos biológicos envolvidos no funcionamento da memória. Entre os especialistas estrangeiros convidados que fizeram parte do evento temos: Ann Cooper Albrigth, (Oberlin College – Oberlin – EUA); José Antonio Sánchez (Universidade de Castilla -  La Mancha/Espanha); Alberto kurapel e4 Susana Cáceres (Compagnie des Arts Exilio – Santiago/Montréal) e Ana Carolina Ávila (Bogotá – Colômbia).
     Com a realização deste VII Congresso a ABRACE mais uma vez promoveu um espaço de intensos debates e frutífero intercâmbio de idéias entre pesquisadores do território nacional reafirmando assim, seu compromisso com o desenvolvimento do ensino e da pesquisa da área das Artes Cênicas no Brasil.
     Congressos como esses, contribuem imensamente para a socialização da área do teatro e das artes cênicas e para energizar novas discussões e novas leituras já que, como intelectuais, nos alimentamos em eventos deste quilate.

sábado, 6 de outubro de 2012

O SERTÃO POR PATATIVA



 
     Este é o título do mais novo espetáculo da Companhia Theatral Tucuju. Um grupo desbravador que faz das tripas coração para manter viva essa arte milenar conhecida por teatro. Joseph e Daniely Santos estão no elenco. O figurino está quase pronto, os adereços estão sendo definidos, os instrumentos ainda estão sendo afinados, mas mesmo assim, em face ao perigo o grupo teve a ousadia de colocar o espetáculo em cena.
     Além de tudo isso, a peça é permeada de canto e dança; dessa forma exige muito dos novos artistas que buscam a todo o momento dar o recado sobre o que é e como é o sertão de Patativa. Patativa é o nome de um poeta popular que nasceu em Assaré, pequena cidade do interior do Ceará, por isso seu nome artístico: Patativa do Assaré.
     A obra da Patativa do Assaré é simples, porém, singular e permeada semiologicamente do que se pode dizer: “o homem nordestino”. É conhecida em todos os recantos do Brasil principalmente por intelectuais e artistas.  “Cante lá que eu Canto Cá” é uma de suas obras de importância.
     O espetáculo “O Sertão por Patativa” texto de Dallva Rodrigues, parecer ter uma boa proposta de encenação. Quatro atores buscam em cena mostrar um resumo da cultura nordestina. O texto poderia ter explorado ainda mais a obra de Patativa trazendo à tona poemas clássicos de sua literatura. Umas das questões é que é um espetáculo alegre, mas que ainda não conseguiu demonstrar essa alegria tendo em vista a formação dos atores que necessitam no palco, representar, tocar, cantar e dançar, o que se torna difícil, mas não impossível.
     O elenco como um todo necessita de estudos práticos em relação ao canto, à dança e criação de personagem. O espetáculo ainda está em uníssono, isto é, as cenas precisam ser trabalhadas com mais profundidade para que haja no decorrer da peça, discernimento e envolvimento pelo público, de cenas tristes e alegres, vibrantes e comoventes.
     O figurino caminha junto à filosofia do texto, tanto quanto a maquiagem elaborada pelo grupo. É um trabalho que pode e deve envolver diretamente o público em algumas cenas. Pela concepção cênica deve ser apresentado principalmente em arenas, levando-se em consideração que é um espetáculo que necessita estar perto e próximo ao público presente. O processo criativo deverá, por um lado, passar por várias etapas não desperdiçando o que de melhor venha a acontecer em cena e por outro, deixar escapar as cenas que não são interessantes. Esse processo criativo, essencial ao encenador e à arte de representar, requer disciplina trabalho e tempo. Há quem não entenda isto, mas assim é a arte. Arriba... Companhia Theatral Tucuju.
     “O Sertão Por Patativa” pela Companhia de Artes Tucuju adaptação do texto de Dallva Rodrigues e Welliton Machado. Adaptação e direção de Jhou Santos, direção de cena de Maronilton Henrique. No elenco Danny Santos, Adilson Sampaio, Jhou Santos e Arthur Vilhena, registros de Breno Ribeiro e maquiagem o grupo.

domingo, 30 de setembro de 2012

ETIMOLOGIA DO TEATRO II



     As palavras que seguem tem são apresentadas a partir de sua raiz e ramificação para palavra escrita na atualidade. Revelamos sua origem etimologia  observando sua principal as que são mais usadas no teatro na atualidade:
     A palavra COMÉDIA vem do Grego komoidia, “espetáculo divertido, comédia”, de komodios, “cantor em festas”, de komos, “festa, farra”, mais oidos, “poeta, cantor”.  Esta palavra passou por uma fase em que era usada para designar “poema narrativo”, o que é a razão de o livro “A Divina Comédia”, de Dante Alighieri, ter esse nome. 
     TRAGÉDIA também vem do Grego - tragoidia, que significa “peça ou poema com final infeliz”. Aparentemente deriva de tragos, “bode”, mais oidea, “canção”. E isso viria do drama satírico, onde geralmente os atores se vestiam com roupas e chifres de bode, que com suas pernas cabeludas eram chamados de sátiros. 
     O termo DRAMA vem do Grego drama, “peça, ação, feito” (este termo era utilizado especialmente relativo a algum grande feito, fosse positivo ou negativo), de dran, “fazer, realizar, representar”.
     Ao que tudo indica a palavra PLATEIA deriva do Grego platea, que significa um espaço “largo e plano”. Inicialmente designava o lugar onde ficavam os músicos e se estendeu depois, em prédios diferentes dos teatros gregos, à parte onde tomam assento os espectadores.
     PALCO – Vem do Italiano palco, “estrado, tablado”, do Lombardo palko, “trave, viga, grande pedaço de madeira forte”. Seu sentido se estendeu depois ao de “tablado sustentado por vigas” e mais tarde a “estrado para apresentações artísticas”.
     O termo CENA vem do Latim scaena, “palco, cena”, do Grego skena, de mesmo significado, originalmente “tenda, cabana”, relacionado a skia, “sombra”, pela noção de “algo que protege contra o sol”.
     Quanto a PROSCÊNIO revela-se como a parte anterior do palco, que se projeta para fora da cortina, e deriva do Latim proscenium, de pro-, “à frente”, mais scaena, cena.
     ATO – uma peça teatral pode ter vários atos, palavra que vem do Latim actus, “algo feito, parte de uma obra, impulso”, de agere, “levar a, guiar, colocar em movimento”.  Peças antigas eram escritas com especificamente em atos, que era utilizado no momento em que se fechava a cortina para geralmente mudar o cenário e a ação.
     Quanto ao PÚBLICO é entendido por vários teóricos que sem ele não há teatro. Vem do Latim publicus, “relativo ao povo”, de populus, “povo”. Ao longo do processo civilizador também adquiriu o significado de “aberto a toda a comunidade”, em oposição a “privado”.

segunda-feira, 24 de setembro de 2012

ROSTAN MARTINS: MAIS UM DOUTOR PARA O AMAPÁ



     Não tenho muita atração pela cidade de São Paulo. Primeiro por sua grandeza; segundo em função de que pouco tenho vivenciado aquele lugar e terceiro pela poluição que nos amedronta. Dizem até que São Paulo é a única cidade do Brasil que vemos o ar que respiramos. De qualquer forma, no último dia do mês de agosto estive lá... Não para passear, mas para participar como arguidor da banca de defesa do prof. Rostan Martins. Em função de sua defesa o preclaro amigo obteria o título de Doutor.   
     Em 1994 fui professor do Núcleo Pedagógico Integrado da Universidade Federal do Pará; uma espécie de Escola de Aplicação daquela universidade. Em 1995, desde que aqui cheguei voando num pequeno avião da TABA para assumir minha cadeira de professor na Universidade Federal do Amapá e me tornei espectador assíduo da trajetória do prof. Rostan, que também iniciou sua carreira de professor universitário naquele ano.
     Nessa época, a Unifap possuía apenas dois mil e oitocentos alunos em seus minguados nove cursos. Tomamos posse para lecionar no antigo Curso de Educação Artística. Ainda em 1995, tornei-me Coordenador do referido curso e percebi que com base em sua experiência na área da arquitetura o prof. Rostan Martins muito tinha a contribuir com os acadêmicos. Fato que foi acontecendo lentamente em função dos trabalhos que o prof. Rostan sempre incentivava seus alunos com a criação de vários trabalhos de esculturas em ferro e alvenaria.
     A cada turma que o prof. Rostan lecionava, seus trabalhos foram tomando corpo e hoje se pode ver atualmente no antigo ambiente do Curso de Educação Artística um obelisco com a idéia de fonte de água. Outro trabalho interessante orientado pelo referido professor numa de suas turmas foi uma placa em formato grande que deveria ter sido colocada na entrada da instituição, o que, infelizmente não aconteceu.
     Os anos foram se passando e o amigo Rostan sempre me surpreendendo com sua dedicação para com as novas gerações como também consigo próprio. Diferente de outros colegas, ele decidiu sair do âmbito geográfico do seu Estado de origem para se capacitar e fazer pós-graduação, o que se inicialmente se concretizou com a realização do seu mestrado quando estudou a Rádio Difusora de Macapá e especificamente o programa “Alô! Alô! Amazônia”.
     Com sua defesa de dourado na PUC-SP conquista mais uma etapa de sua carreira acadêmica quando logra o título de doutor. Desta vez, seu trabalho versou sobre o Marabaixo e a mídia em Macapá. “- Trabalho que merece ser publicado por sua importância para a cultura local”, disse-lhe.

quarta-feira, 12 de setembro de 2012

LANÇAMENTO DA OBRA "O PATO E O LAGO"



     Pato mora no lago / Lago mora no pato. O Pato sem lago / Não é pato. O lago sem pato / Não é lago. Pato gosta da pata / Pata gosta do pato. O pato sem a pata / Não é pato. A pata sem o pato / Não é pata. O pato tem duas patas / A pata tem duas asas. O pato tem duas asas / A pata tem duas patas. O pato gosta da água /A água gosta do pato. A pata gosta da água / A água gosta da pata. O pato gosta da pata e da água / A pata gosta da água e do pato. O pato e a pata gostam de passear / Andam na terra / Nadam na água / E voam no ar. Sempre pensando / Para casa voltar.
     O texto acima está recheado de ilustrações de Ozélio Muniz no livro “O Pato e o Lago” que será lançando na próxima quarta feira 19, por Romualdo Palhano no auditório da Biblioteca Pública Elcy Lacerda às 10 horas da manhã. É uma obra dedicada ao público infantil, mas com certeza o público adulto também se deliciará com a mensagem contida no livro.
     O lançamento se dará dentro do projeto “Era uma Vez” de contação de história para crianças que acontece todas as quartas feiras no auditório da biblioteca. Na ocasião será apresentados pequenos dramas para as crianças presentes, como: a dramatização da história do “pato e o lago” e ainda a história de “A onça e o bode”. Rosa Rente é a coordenadora do referido projeto.
     A professora Ana Paula Costa Arruda que assume a disciplina literatura infantil no curso de letras da UNIFAP escreveu o prefácio do livro e fala um pouco da referida obra:
     “É com a simplicidade e a sabedoria prática dos antigos contadores de histórias que Romualdo Palhano se dedica com mestria à literatura infantil. As obras deste autor traduzem uma sensibilidade que aborda assuntos atuais e delicados sem perder o elemento maravilhoso que é tão peculiar na infância. Com o “Pato e o Lago” não é diferente. O livro é um casamento perfeito entre a linguagem verbal e a imagem, possibilitando à criança ver realmente os seres e as coisas com as quais precisam integrar na vida.
     O motivo central, da referida obra, mostra-se de imediato no título e na ilustração. Os textos são breves e desenvolvidos por ilustrações dinâmicas que, sutilmente, discutem as consequências de termos o meio ambiente alterado: “O pato sem lago / Não é pato”. Assim, o pato, aflito diante das modificações de seu ambiente natural, personifica o fato de que a natureza precisa ser respeitada para que a vida se cumpra.