A empatia é a relação emocional que se
estabelece entre o público e os
personagens de um determinado espetáculo, que pode ser teatral, novela ou
cinematográfico, e que provoca fundamentalmente a delegação de poderes do
público em relação aos personagens, ou seja, tudo o que acontece com o
personagem em cena, parece acontecer também com o espectador, tendo em vista
que tudo o que pensa o personagem, o público pensa conjuntamente com ele,
segundo sua trama e trajetória.
Para Aristóteles, a empatia consiste numa
relação emocional que se relaciona de duas emoções básicas: a piedade e o
terror. Piedade que nos liga a um personagem que sofre um destino imerecido,
como é o caso de “Édipo Rei”. Terror que se refere ao fato de que o personagem
sofre as consequências de possuir uma falha (trágica e social), que nós
igualmente a possuímos.
No caso de um herói como o super-homem,
por exemplo, o espectador assume uma atitude passiva, acompanhando
paralelamente suas ações e delegando poderes ao seu ídolo. Nesse tumulto de
paixões e ações humanas que constituem a obra dramática, sucede o repouso, este
repouso refere-se à empatia propriamente dita.
Para Brecht, uma peça de teatro não deve
terminar em repouso, numa trajetória diferenciada de Aristóteles, ela (a peça)
deve mostrar os caminhos pelos quais se desequilibra a sociedade e, por outro
lado, indica a busca de uma atitude e ação em relação a esse fato. Um teatro
que pretende educar os transformadores da sociedade não pode terminar em
repouso, não deve restabelecer o equilíbrio, mas usar da dialética para buscar
um denominador comum.
Enquanto Hegel defende uma inquieta
sonolência ao final do espetáculo, Brecht deseja que o espetáculo seja o início
da ação, em função disso no teatro brechtiano cada cena torna-se independente
uma da outra, evidenciando: início, meio e fim. Neste caso específico, o
equilíbrio deve ser buscado com a transformação da sociedade.
A empatia consiste em justapor duas
pessoas (uma fictícia = personagem, e outra real = espectador). Nesse universo,
de forma sutil, a empatia faz com que o espectador seja guiado pelo personagem,
levando o homem a abdicar em favor da imagem e dos poderes de seu personagem
preferido, semelhante ao que acontece entre a torcida e os jogadores de futebol
e a relação do homem com seus deuses.
Assim, o espectador (público), que se
encontra numa situação vital e real, elege psicologicamente seu personagem em
favor de seus atos e suas atitudes. Esta relação é estritamente psicológica. Já
com o personagem é diferente, visto que o mesmo ao estar numa situação fictícia
e irreal, em definitivo, conquista empaticamente o público.
Isto significa dizer que a justaposição
desses dois universos (real e fictício) produz igualmente outros efeitos
agressivos, isto é, o espectador vivencia a ficção e incorpora valores da
ficção naquele momento que pensa ser real. Assim o homem real e vivo assume
como realidade e como vida o que lhe é apresentado na obra de arte, sem
perceber que arte é pura ficção.
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