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segunda-feira, 20 de abril de 2026

FICÇÃO E REALIDADE

 

                                    

 

 

     A empatia é a relação emocional que se estabelece entre o público e os personagens de um determinado espetáculo, que pode ser teatral, novela ou cinematográfico, e que provoca fundamentalmente a delegação de poderes do público em relação aos personagens, ou seja, tudo o que acontece com o personagem em cena, parece acontecer também com o espectador, tendo em vista que tudo o que pensa o personagem, o público pensa conjuntamente com ele, segundo sua trama e trajetória.

     Para Aristóteles, a empatia consiste numa relação emocional que se relaciona de duas emoções básicas: a piedade e o terror. Piedade que nos liga a um personagem que sofre um destino imerecido, como é o caso de “Édipo Rei”. Terror que se refere ao fato de que o personagem sofre as consequências de possuir uma falha (trágica e social), que nós igualmente a possuímos.

     No caso de um herói como o super-homem, por exemplo, o espectador assume uma atitude passiva, acompanhando paralelamente suas ações e delegando poderes ao seu ídolo. Nesse tumulto de paixões e ações humanas que constituem a obra dramática, sucede o repouso, este repouso refere-se à empatia propriamente dita.

     Para Brecht, uma peça de teatro não deve terminar em repouso, numa trajetória diferenciada de Aristóteles, ela (a peça) deve mostrar os caminhos pelos quais se desequilibra a sociedade e, por outro lado, indica a busca de uma atitude e ação em relação a esse fato. Um teatro que pretende educar os transformadores da sociedade não pode terminar em repouso, não deve restabelecer o equilíbrio, mas usar da dialética para buscar um denominador comum.

     Enquanto Hegel defende uma inquieta sonolência ao final do espetáculo, Brecht deseja que o espetáculo seja o início da ação, em função disso no teatro brechtiano cada cena torna-se independente uma da outra, evidenciando: início, meio e fim. Neste caso específico, o equilíbrio deve ser buscado com a transformação da sociedade.

     A empatia consiste em justapor duas pessoas (uma fictícia = personagem, e outra real = espectador). Nesse universo, de forma sutil, a empatia faz com que o espectador seja guiado pelo personagem, levando o homem a abdicar em favor da imagem e dos poderes de seu personagem preferido, semelhante ao que acontece entre a torcida e os jogadores de futebol e a relação do homem com seus deuses.

     Assim, o espectador (público), que se encontra numa situação vital e real, elege psicologicamente seu personagem em favor de seus atos e suas atitudes. Esta relação é estritamente psicológica. Já com o personagem é diferente, visto que o mesmo ao estar numa situação fictícia e irreal, em definitivo, conquista empaticamente o público.

     Isto significa dizer que a justaposição desses dois universos (real e fictício) produz igualmente outros efeitos agressivos, isto é, o espectador vivencia a ficção e incorpora valores da ficção naquele momento que pensa ser real. Assim o homem real e vivo assume como realidade e como vida o que lhe é apresentado na obra de arte, sem perceber que arte é pura ficção.

 

 

 

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