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segunda-feira, 23 de fevereiro de 2026

BRUXISMO

  

     Na década de 1970, do século passado, quando entrei na 5ª série ginasial, pela primeira vez, passei a estudar uma língua estrangeira, no caso, a língua francesa, isso porque me colocaram numa sala onde a turma iria estudar a referida língua. Não houve escolha de minha parte, mas, vale ressaltar que naquela ocasião, a escola pública oferecia duas línguas estrangeiras: o francês e o inglês. O fato é que, passei a estudar e a gostar da língua francesa. Paralelamente, também comecei a estudar a língua portuguesa, e com a passagem do tempo, percebi que foi a língua francesa que me motivou e me fez abrir os olhos para o constante estudo da língua portuguesa. 

     O português é uma língua riquíssima, e entre tantos outros detalhes enfocarei neste artigo, o termo bruxismo, que tanto é mencionado pelos profissionais da odontologia. Bruxismo é uma expressão relacionada ao ato de apertar e ranger os dentes. É um distúrbio, frequentemente ligado ao estresse e ansiedade, que causa desgastes nos dentes, entre outras reações doentias. Alguns dos sintomas são: dores faciais, de cabeça e ouvido, dentes sensíveis ou amolecidos. Bruxismo é um termo que vem do grego brýchein ou brygmós, que significa “ranger os dentes”. A palavra bruxismo, apesar da semelhança fonética, não tem nenhuma relação com bruxas. Esta associação pode estar ligada mais a uma confusão popular, sendo na verdade, uma coincidência que leva a pensamentos sobre o sobrenatural, mas é um problema de saúde física e psicológica. 

     Por outro lado, a palavra “bruxa”, tem origem pré-romana, e a confusão surge por semelhança fonética, mas não há ligação etimológica com o termo médico. De toda forma, há dois vocábulos que podem ser usados: bruxismo é mais relacionado quando acontece à noite, e briquismo, quando a pessoa está acordada e refere-se especificamente ao hábito diurno. Na antiguidade, personagens citados pelo escritor romano Horácio, já descreviam mulheres com poderes ocultos, ritualísticos e verdadeiras sacerdotisas de deuses. Canídia, Medeia e Circe, podem ter sido as matriarcas de todas as feiticeiras que as sucederam.

     Já em relação à questão fonética, a pronúncia correta é bru-ksismo (com som de KS, similar a sexo e taxi). Em relação à forma popular com som de “CH” (bru-chi-smo), seja muito comum e usada por todos no uso diário, em vista disso, passa a ser aceita no cotidiano das pessoas. Mas, a forma tecnicamente correta é BruKSismo, sendo que o “X” na palavra bruxismo se torna um dos únicos vocábulos do alfabeto que apresenta o fonema de duas locuções juntas, neste caso, os sons da letra K e do S.

     Bruxismo com o fonema CH, também pode parecer crença em bruxas. Por outro lado, a palavra “bruxa”, tratando-se do português é incerta e duvidosa, mas, o melhor entendimento é de que, ela tenha raízes célticas e que provém de um radical dessa língua: brixt ou bricht, que significa encantamento ou feitiço. Já o termo witch deriva do germânico wit, que significa sabedoria, e bruxa tem origem na região ibérica, e apresenta conotações de saber oculto ou curandeirismo.

    

   

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2026

EU E A CIDADE

 

 

          Na última quarta-feira, dia 04 de fevereiro, a cidade de Macapá completou seus 268 anos com muitas festividades que aconteceram no seu aniversário. Quando aqui cheguei em novembro de 1994 a cidade tinha apenas 236 anos. Coloquei os pés nessas terras para me submeter a concurso público na Universidade Federal do Amapá. Com a Universidade recém fundada, participei do seu segundo concurso público para professor do magistério superior. Era uma cidade horizontal, com faixa de trezentos mil habitantes e com a maioria de suas casas de madeira. Condição que chamou extremamente minha atenção.    

     Nada conhecia sobre este recanto de Brasil, tudo era novo, eu ainda não tinha nenhuma referência sobre este espaço geográfico. Trabalhava em Belém, no Núcleo Pedagógico Integrado da UFPA, mas desejava ir mais longe. Cheguei aqui com a cara e a coragem de um nordestino desbravador e passei a ser pioneiro em relação aos estudos e pesquisas na área das artes cênicas. Iniciei as primeiras pesquisas científicas sobre o Teatro do Amapá e continuo estudando e pesquisando este mesmo tema.

     Aos poucos, fui enamorando esta pequena cidade, que paulatinamente foi me conquistando com o passar dos anos. Hoje tenho muito orgulho de Macapá. De todo o processo que acompanhei ao ver esta cidade crescer, juntamente com o desenvolvimento da própria Universidade Federal do Amapá, que, há trinta e um dois anos, se tornou minha casa, meu ninho, meu aconchego.

     Macapá está de Parabéns nesses seus 268 anos. É verdade que há muito o que se comemorar. Nessas três últimas décadas, a cidade cresceu em todos os sentidos: alargamento de avenidas, criação de museus, asfaltamento, iluminação pública, entre outros fatores. O centro da cidade, por exemplo, ficou completamente revitalizado com a Fortaleza de São José de Macapá, onde todo o espaço urbano do centro da cidade foi se transformando num complexo turístico deveras importante. A recuperação do entorno do canal da Mendonça Júnior, a Rodovia Duca Serra que virou uma grande avenida.

     Muitos espaços que vem sendo construídos e definidos ao longo dos anos, como a Rua Tancredo Neves, com seu Parque Lineaer, que transformou a entrada da cidade, de quem vem do interior ou da Guiana Francesa. Tiro o chapéu para esta bela avenida ampla, arborizada, com ciclovias, sinalização e passarelas para pedestres, que envolve vários bairros da zona norte. Espaço urbano que há 30 anos havia apenas uma pequena via e alguns bairros como, Jardim da Felicidade e Boné Azul. Macapá é uma cidade tranquila, me sinto bem neste recanto do Brasil. Aqui que me realizei profissionalmente e venho fazendo minha parte. Este ano de 2026, estarei lançando mais uma obra para contribuir com esta cidade e este Estado que me acolheu de braços abertos. A obra intitula-se “História do Teatro do Amapá – De 1950 aos Dias Atuais”.

     Macapá foi me envolvendo, aos poucos, e também fui me amalgamando a esta pequena cidade joia da Amazônia. Morar neste lugar é ter o prazer de todos os dias ter a chance de apreciar esta bela paisagem que se encontra de braços abertos para todos, que é o rio Amazonas. Particularmente, este rio me encanta. Sou grato por estar em Macapá e ela estar em mim, por osmose se deu nossa relação, eu e a cidade, a cidade e eu. 

 

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2026

A MÃO DO CANGAPÉ

 

 

     Com o objetivo de promover eventos artísticos e contribuir para o desenvolvimento e inclusão de crianças, adolescentes e jovens, foi fundada no ano de 2005, no bairro do Araxá, a “Associação Cultural Companhia Cangapé”. Mesmo antes da formação desta companhia, o grupo já vinha se dedicando ao teatro e ao circo, visto que passaram por alguns grupos teatrais do município. A companhia Cangapé já vem há 21 anos contribuindo na área da arte, cultura e trabalho social no bairro do Araxá, que é uma área geográfica da cidade de Macapá, com grande vulnerabilidade social.

     Mas não pensem que foi tão fácil! Inicialmente, a companhia não tinha endereço fixo, foi quando Washington Silva e Alice Araújo, adquiriram uma pequena casa, à qual seria sua moradia, no bairro do Araxá. Acontece, que tiveram que enfrentar um sério problema, tendo em vista que a companhia já vinha com um trabalho bastante profícuo e não possuía um lugar fixo, para que se tornasse uma referência na arte no Amapá. Sendo assim, foi necessário longo debate para se decidir o que se faria com o imóvel recém-comprado. Desta feita, ficou decidido que aquela casa seria transformada na sede da companhia. Com essa determinada decisão, a única saída para o casal foi alugar uma casa, ao lado do prédio onde seria instalada a Sede do grupo.

     A Companhia Cangapé realiza um sério trabalho no bairro do Araxá, tendo como ponto de partida a arte, centralizando principalmente no circo e no teatro. Por outro lado, promove projetos de cunho estritamente social, voltados para crianças e jovens daquela comunidade, a partir de oficinas as mais variadas, como: oficina de palhaço, malabaristas e de perna de pau, entre outras, onde a comunidade tem total acesso a essas atividades artísticas. Em função da capacidade de elaborar projetos, a companhia já foi contemplada com vários prêmios e financiamentos, como “Criança Esperança”; “Prêmio Funarte Petrobrás Cultural e Saúde”; “Prêmio Funarte Carequinha de Estímulo ao Circo”, entre outros”.

     Foram muitos os espetáculos encenados por essa companhia, como: “Se Deixar Ela Canta”; “Projeto Corda Bamba no Equador”; “Circo de Retalho”, entre tantos outros. Vale salientar que boa parte dos que fazem hoje a Companhia Cangapé, já possui curso superior, seja na área do teatro, artes visuais, ou até mesmo outros cursos na área de humanas.  Em função de toda essa dedicação e trabalho social e comunitário, atualmente a Companhia Cangapé já é referência na área da cultura, tanto no bairro do Araxá como também no Estado do Amapá.

     No dia 21 de janeiro do ano em curso, mais um evento foi protagonizado pela companhia Cangapé. Dessa vez, a III Mostra Circo em Cena, que foi resultado da primeira etapa do projeto Corda Bamba no Equador, como resultado de oficinas artísticas de circo e dança. O Cangapé vem estendendo sua mão aos jovens do bairro do Araxá, no sentido de abrir portas e janelas para um futuro melhor para esses adolescentes. Vários desses alunos já tiveram e terão oportunidade de frequentar a Escola Nacional de Circo, não fosse a mão do Cangapé, eles não teriam oportunidades como essa, como exemplos nessa última temporada, temos: Jardel Lobato e Laise Costa.